PALAVRAS no VENTO http://palavrasnovento.nireblog.com Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso. Sun, 05 Jul 2009 20:34:05 +0000 PALAVRAS no VENTO http://files.nireblog.com/blogs/palavrasnovento/gravatar.gif http://palavrasnovento.nireblog.com http://nireblog.com CRÓNICA ARESTAS, 4 Julho 2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/07/05/cronica-arestas-4-julho-2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/07/05/cronica-arestas-4-julho-2009 TAMBÉM EU QUERO BATER NO CÉGUINHO

A tourada à portuguesa ganhou uma outra dimensão, na passada quinta-feira, na arena parlamentar, durante o último debate importante da legislatura sobre o estado da Nação, quando o campeão das gaffes, Manuel Pinho, o ministro independente do governo de Sócrates, demonstrando uma grande crispação, fez com os dedos chifres dirigidos a Bernardino Soares, o anjinho líder da bancada parlamentar do PCP.

Este “brilhante” momento tauromáquico coloriu de indignação e censura todos os espectadores, inclusive aqueles que seguiam a “corrida” pela televisão, obrigando o debate quinzenal a sair da rotina, cimentando ainda mais no espírito da “afficcion” a convicção de que o sistema político está mesmo enfermo e a bater no fundo, com a nossa classe política a insultar-se quase diariamente, de que o caso a que nos referimos não passa somente de mais um triste exemplo.

Ainda não chegámos à pancadaria em barda que acontece periodicamente em certos parlamentos sul-americanos e asiáticos, mas não desesperemos, pelo andar da faena havemos de lá chegar… E a moda de atirar sapatos por cá ainda não pegou, se bem que talvez fosse uma grande ajuda para a recuperação das nossas fábricas de calçado. Levar símbolos nazis e relógios de loja de trezentos para a Assembleia da República, à semelhança do que aconteceu no passado no parlamento da Ilha da Madeira, também ainda não aconteceu, mas nada garante que não venha a acontecer.


Aficionado Lino, ex-ministro da Economia, 54 anos, que estava a viver, nestes últimos quatro anos e meio, a sua primeira experiência política, desde o início da sua faena ficou conhecido pelas gaffes cometidas, sempre com fair play, diga-se em seu abono, de onde se destaca uma: aquando de uma visita oficial à China, deu como uma boa razão para o investimento em Portugal a mão-de-obra barata. Noutra vez, em Bruxelas, garantiu que a fábrica Delphi, que tinha acabado de despedir 500 trabalhadores, tinha criado mais 250 postos de trabalho… E ainda é autor de uma outra, quando acompanhava empresários portugueses a uma feira de calçado, proclamou que era adepto dos sapatos italianos… Também ficou para a história o conselho que deu ao anafado social-democrata Paulo Rangel, outro autêntico anjinho, aconselhando-o a comer muita papa Maizena.

Pois a imagem das lides taurinas com que mimoseou o jovem comunista Bernardino, levou à demissão do patusco ministro. Agora vai de férias, vai descansar das agruras desta vida de político não profissional, o seu gesto irá certamente engrossar o anedotário nacional e servir de inspiração aos cómicos de serviço. E daqui por mais uns tempos, quando a coisa estiver mais mansa, há-de haver para ele um lugarzinho bem remunerado e com muitas alcavalas numa administração qualquer. É a triste sina destes senhores.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 05 Jul 2009 19:25:05 +0000
CRÓNICA ARESTAS 27 Junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/07/03/cronica-arestas-27-junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/07/03/cronica-arestas-27-junho TEATRO INFANTIL DE LISBOA E GRUPO DE TEATRO ESPELHO MÁGICO, OFICIAIS DO MESMO OFÍCIO

Logo a seguir a 25 de Abril de 1974, muitos artistas ocuparam casas vazias para transformá-las em teatro, um pouco por todo o País, num movimento espontâneo, cuja bandeira era a imediata liberdade e partilha duma forma de Cultura quase meio século amordaçada pelo fascismo. Muitos destes grupos teatrais, infelizmente e mercê de variados motivos, foram, ao longo destes anos, ficado pelo caminho, mas outros nasceram e muitos renasceram, também.

Quero aproveitar a entrevista de hoje ao popular homem do teatro conhecido por Kim Cachopo, para particularizar dois grupos cénicos: o Teatro Infantil de Lisboa (TIL) e o nosso tão bem conhecido Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico, ambos mestres do “mesmo ofício”, com actividade regular e contínua. O primeiro é, sem dúvida, uma das principais companhias de teatro para a infância que existe em Portugal, já com mais de 30 anos de existência. O outro, Espelho Mágico, mais novinho mas não menos importante neste nacional cenário, tem também como público-alvo a camada mais jovem da população, existindo ambos, de forma global, por carolice e voluntarismo dos seus responsáveis, colaboradores e actores, fugindo ao conhecido esquema de servir como fonte de lucros, tomando por opção utilizar o teatro como ferramenta de educação de crianças e adolescentes, conscientes de que este género de teatro desempenha um importante papel na sociedade actual.

Quer o Teatro Infantil de Lisboa, quer o Teatro Espelho Mágico, dão a conhecer, de forma lúdica, figuras e acontecimentos da história e da literatura universal, em textos originais de grandes dramaturgos, com adaptações e encenações cuidadas. Têm também o mérito, segundo a minha opinião, de estimular o gosto pela leitura, pelas artes performativas e de expressão plástica. Ambos, no fundo, praticam teatro infantil sem infantilidades…

Antigamente, teatro infantil era quase um termo pejorativo, marginalizado, como se fosse um género menor no seio do sempre estranho mundo do teatro. Hoje em dia já começa, merecidamente, a ser encarado como trampolim de formação, aprendizagem e aperfeiçoamento de crianças e jovens, sendo bem aceite este género de teatro como agente de educação na formação integral do indivíduo, possibilitando, cumulativamente, o acesso a um lugar de convívio social que o teatro lhes dá, merecendo da parte de algumas entidades oficiais e particulares mais abertas e esclarecidas, de, se bem que escassos, justíssimos apoios.

TEATRO INFANTO-JUVENIL ESPELHO MÁGICO

Ao Kim Cachopo, do Teatro Infantil de Lisboa, e à minha Amiga Céu Campos, presente também neste estúdio, responsável pelo Grupo de Teatro Espelho Mágico, de Setúbal, aqui deixo um sincero sentimento de solidariedade e um profundo agradecimento, em nome de todos os que gostam de se sentirem livres para melhor partilharem a verdadeira cultura popular, por tudo o que vêm fazendo em prol do nosso nem sempre bem compreendido teatro infantil. Teatro Infantil, expressão artística que o adulto também gosta!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Fri, 03 Jul 2009 16:25:59 +0000
CRÓNICA ARESTAS, 20 Junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/21/cronica-arestas-20-junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/21/cronica-arestas-20-junho

Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder?

POLÍTICA COM TODOS

Não pertenço ao clube de fãs do engenheiro Sócrates e também não sou daqueles que vê no senhor 1º ministro virtudes miraculosas. Muito menos acredito que tenha uma varinha mágica. Ou uma ideologia de esquerda, socialista, que sirva de base a uma alteração para melhor da vida dos portugueses. Se não o fez no passado, quando detinha uma maioria absoluta e tudo era possível, não o fará no futuro, certamente, mesmo que, sem maioria,  ganhe as próximas eleições legislativas.

Muitos socialistas têm-se insurgido, publicamente, contra o governo e as suas políticas. O PS é, efectivamente, um partido que tem raízes de luta anteriores ao 25 Abril de 1974 e ainda conta com centenas e centenas de militantes que perfilham dos verdadeiros ideais socialistas. Muitos destes militantes, creio, não votaram nas passadas eleições no independente candidato apoiado pelo Sócrates. De facto, o homem, Vital Qualquer Coisa, não conseguiu encher as medidas da maioria do eleitorado nacional, particularmente o socialista. Pessoalmente, não vi nele empatia, simpatia, ideologia, qualquer coisinha politicamente interessante que nos levasse a pôr a cruz junto ao símbolo do partido que o proponha. Mas lá foi para o Parlamento Europeu, era sabido, que Deus o proteja e ilumine, já que quanto a apoios, Sócrates vai continuar certamente a dar-lhe.

Depois duma derrota confrangedora, todos nós vimos o camarada José Sócrates, na televisão, em recente entrevista, a fazer o papel de pessoa humilde, sem arrogância, muito preocupado connosco, coitado, mas simultaneamente com um semblante vaidoso, muito satisfeito com o seu trabalho, conforme confidenciou, com aquele seu melhor ar de bétinho, santinho milagroso, cheio de razão, que a muitos, no passado, cativou, desconhecendo (ou não querendo saber), que mesmo no interior do seu partido, a decepção pegou de estaca e já há quem questione onde irá parar o Partido Socialista se Sócrates o continuar a liderar… Até porque consta que Sócrates nunca foi apoiado pela ideologia que defendia, mas sim porque, após ganhar o poder, ao tacho era retirada a tampa, e a rapaziada das palmadinhas nas costas tinha, supostamente, direito ao seu quinhão. Mas isto são coisas que se dizem…

Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder? Mas então e se Sócrates perder as próximas eleições, certamente perde também a serventia e, sem apelo nem agravo, mãos “amigas” partidárias se encarregarão de o pôr na prateleira e acabou-se a aventura. Mas ainda temos um outro cenário, que muitos dizem o mais certo, e que já está a preocupar os meios políticos nacionais: o que fará Sócrates se não alcançar uma maioria absoluta?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 21 Jun 2009 14:24:28 +0000
CRÓNICA ARESTAS (13 Junho 2009) http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/15/cronica-arestas-13-junho-2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/15/cronica-arestas-13-junho-2009 NÓS, PORTUGUESES!

Pelos vistos, o Partido Socialista lá conseguiu ultrapassar a denúncia dos problemas do País e, mesmo com uma abstenção elevada, aguentou-se nas canetas. É certo que as sondagens saíram furadas e que durante a campanha ninguém se lembrou de falar da Europa, mas isto não conta para o orçamento, é coisinha de somenos importância. A oposição laranja, no íntimo, lá bem no íntimo, convencida que ia perder, mas perder por poucos, lá ganhou, eufórica, o milionário eurocampeonato, com um milhão, cento e vinte e tal boas almas a darem-lhe o voto da ordem. E todos nos lembramos que o PSD, com as mesmas carinhas larocas, em 2005, foi derrotado pelos eleitores por manifesta incompetência e má figura...

Quem apregoava que os portugueses iriam votar com o pensamento nas políticas do Governo, talvez tenha tido razão, mas não toda. No concelho de Setúbal, qual indomável aldeia resistente cercada por romanos malandrecos, o PS venceu nas urnas, criando sonhos e fantasias em cabecinhas pensadoras de alguma rapaziada xuchialista, carreiristas e boys, que já se vêem de colher na mão à volta do grande tacho autárquico, como se o partido existisse só para eles e para satisfazer as suas visíveis pretensões a grandes e refinados finórios, tentando por todos os meios afastar, ou abafar, os competentes e verdadeiramente dedicados à resolução (urgente) dos problemas dos cidadãos e da Cidade. 

 

 

Nesta bolha socialista, uma outra de natureza social-democrata, a freguesia de S. Julião, conseguiu aguentar-se nas curvas e, muito por culpa do ballet cor-de-rosa dum conhecido bicho-de-seda rosé, ficou como uma lança bem espetada neste horizonte rosa angelical, obrigando os colantes adiantados mentais a refazerem as suas contas de merceeiros bimbaços.

No rescaldo destas passadas eleições, os olheiros políticos que costumam roçar o traseiro pelas esquinas partidárias cá da terra, ou pelos bancos de alguns bares, mistura de pimpolhos com chungosos de plástico e ar de rufias underground, certamente a viverem numa realidade alternativa, garantem a pés juntos que a câmara de Setúbal, independentemente dos resultados das europeias, ou talvez por isso mesmo, vai continuar de certezinha nas mãos da CDU. Bem, não desfazendo nas Mayas e nos treinadores de bancada cá do sítio, quanto a prognósticos, todos nós sabemos que ninguém é perfeito…

Pelo meio temos um 1º ministro socialista que já garantiu que não vai mudar de política, afirmação que com toda a certeza em nada ajudará na recuperação do seu fugitivo eleitorado, quer nas lesgislativas, quer nas autárquicas, e uma oposição de direita que, embandeirada em arco (e o tempo está de feição) já se permite prometer milhentas coisas para nos tornar felizes e contentes, repetindo as mesmíssimas promessas com que sempre nos brindou e nunca colocou em prática sempre que esteve no governo. Neste doce farniente só gostava de saber como é que a oposição dita de esquerda vai descalçar a bota!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Mon, 15 Jun 2009 16:23:56 +0000
CRÓNICA ARESTAS, 6 Junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/08/cronica-arestas-6-junho http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/08/cronica-arestas-6-junho Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil (...)

SETÚBAL, O POLIS E A ZONA RIBEIRINHA

Em Lisboa temos a “guerra dos contentores”, pacíficas e feiosas estruturas que amontoadas impedem os cidadãos de gozarem a pacatez do Tejo e, em simultâneo, arejarem a vista. O movimento de cidadãos que se constituiu para impedir este atentado, parece ter chegado a um consenso com as partes envolvidas na demanda e em lugar dos contentores a zona irá ser aproveitada  para a construção de uma área de recreio e lazer.
Em Setúbal, a frente ribeirinha para usufruto do comum mortal é absoluta e vergonhosamente escassa. Limita-se à área do chamado “Jardim da Beira-Mar”, a meia dúzia de metros entre o Clube Naval e a Lota, cheirosa zona onde desagua um cano de esgoto,  e lá mais para o fundo o Parque Urbano da Albarquel, recentemente inaugurado e gritantemente incompleto.

Há muito que os setubalenses sonham com uma zona ribeirinha de qualidade, um espaço aberto e sem barreiras ao longo do seu lindo rio, com zonas de lazer e correctos equipamentos de apoio. Têm agora os habitantes da cidade oportunidade de reivindicarem a concretização deste antigo anseio. Está em discussão pública deste o passado dia 23 de Maio e até ao dia 22 do corrente, o Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Setúbal. Trata-se de um importante plano para a cidade que deve merecer da parte de TODA a população a mais viva atenção e uma grande participação. Todo este processo pode ser consultado na Sociedade Polis ou na Câmara Municipal.

De entre todas as propostas apresentadas, sobressai uma: está prevista a criação de TRÊS edifícios mamarrachos na área compreendida entre o Parque Urbano da Albarquel e as instalações onde os pescadores guardam os seus apetrechos, implantados paralelamente ao rio e a menos de 10 metros do espelho de água, numa extensão, cada um, superior a 100 metros e com QUATRO pisos de altura, criando assim uma autêntica barreira arquitectónica, uma muralha de betão certamente muito aplaudida pelos patos bravos e pelos especuladores imobiliários, mas que impede o desejável relacionamento da cidade com o seu rio Sado de águas mansas. Estes três lotes já estão a ser publicitados para venda sem que o Plano de Pormenor tenha sido aprovado…

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil, abençoada pelo Polis e pelo Município, deixando que prédios privados ocupem áreas que deviam ser para todo o sempre públicas, nem que seja necessário criar um forte movimento cívico contra este espalhar de betão que parece continuar a ser recorrente na cidade de Setúbal...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Mon, 08 Jun 2009 11:31:55 +0000
CRÓNICA ARESTAS, 30 MAIO 2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/01/cronica-arestas-30-maio-2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/06/01/cronica-arestas-30-maio-2009 UM TEATRO DE CAUSAS

Após a sensacional estreia no Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela, o Grupo de Teatro Espelho Mágico, com a sua recente e magistral peça O Beco dos Vira-Latas, passou por Fátima, Almada, Setúbal, sempre ao som de milhares de palmas e gritos de “bravo”, saídos de diversificadas plateias que, todas contabilizadas, ultrapassariam facilmente os 15 milhares. É obra!!!  É obra, mas não causa nenhuma admiração, muito menos dúvidas, naqueles que têm vindo a apostar neste grupo, um dos poucos que podem ostentar com justiça o verdadeiro rótulo de “teatro para crianças”, quer assistindo ao seu magistral desempenho, quer apoiando monetariamente, a tempo e horas, este projecto teatral que se orgulha do caminho (bem) percorrido, maugrado alguma indiferença da parte de alguns agentes políticos que deveriam preocupar-se mais com o conteúdo cultural e social e não única e exclusivamente com supostas cores partidárias.
Sempre numa comunicação directa com o público, este grupo teatral didáctico e lúdico, preza-se de trabalhar textos de autores e temáticas sempre actuais, muitas vezes com humor e sarcasmo, outras utilizando a ironia e o paralelismo para vincar e levar-nos a interiorizar temas sociais muitos sérios. Penso que este grupo teatral pratica um certo conceito de liberdade em movimento, sem preocupações com questões ligadas a preconceitos e discriminações. É um projecto teatral que se renova, por mérito dos seus actores, pequenos e mais crescidos, com suportes musicais e encenações de encantar e reter. É também um teatro de mobilização pela diversidade…

 

Dizem-me agora terem tido o convite,  que aceitaram, para actuarem num presídio. O Espelho Mágico alia-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, oferecendo o espectáculo de teatro infantil “A magia das cores”,  aos filhos dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal.
Esta mudança de palco do Grupo de Teatro Espelho Mágico é certamente mais uma experiência bem conseguida e é, simultaneamente, também uma forma de falar de respeito, respeito a que todo o ser humano tem direito, mesmo os privados de liberdade.
Numa altura em que tanto se fala de humanismo, o Espelho Mágico levando o teatro dentro duma prisão, coloca em prática aquilo que muitos prometem e não cumprem, ou porque não querem ou porque não conseguem: solidariedade e fraternidade.
É por estas e por outras que, pessoalmente, estou sempre livre para colaborar com o Espelho Mágico e apelo a responsáveis políticos e instituições governamentais ou outras que não enjeitem apoios a este grupo de teatro infanto-juvenil, porque verdadeiramente merece ser ajudado quem os outros ajuda!


FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Mon, 01 Jun 2009 12:04:29 +0000
CRÓNICA ARESTAS, 23 Maio 2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/24/cronica-arestas-23-maio-2009 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/24/cronica-arestas-23-maio-2009 Nestas ocasiões os políticos, à direita e à esquerda, aproveitam-se para contabilizarem mais uns votos, dizendo meia dúzia de bacoradas e de lugares comuns para uma câmara de filmar, sem contudo avançarem soluções(...)

A BELA VISTA E AS AUTÁRQUICAS

Os acontecimentos ocorridos em Setúbal no já tristemente célebre Bairro da Bela Vista ocuparam, durante alguns dias, em lugar de destaque, as páginas da comunicação social e ainda vão servindo para as mais díspares opiniões. Célebre ficou a da actual edil do município setubalense, Dores Meira, que disse  a um canal televisivo que “os jovens reagiram emotivamente à morte de um amigo”. O reagir emotivo dos jovens foi  atacar à pedrada, com cockteils molotov , com petardos e a tiro, as forças de segurança de um país democrático… Enfim, opiniões!...

Este bairro começou a ser (mal) falado em 1999, quando um grupo de miúdos praticou uns assaltos na CREL. Depois, em 2002, aquando de um desentendimento no próprio bairro entre um  jovem e um polícia, um outro jovem, que por acaso até colaborava com uma associação,  tentou apaziguar a confusão e foi morto por uma bala de borracha.  Presentemente, dizer que se é da Bela Vista é no mínimo levar com olhares de desconfiança, esquecendo que nem tudo lá é mau, nem todos os moradores são do pioriu.

Nestas ocasiões os políticos, à direita e à esquerda, aproveitam-se para contabilizarem mais uns votos, dizendo meia dúzia de bacoradas e de lugares comuns para uma câmara de filmar, sem contudo avançarem soluções. É a pura e censurável exploração da crise e dos problemas das pessoas.

É por tudo isto que fiquei admirado com a ousadia e sensibilidade demonstrada pela candidata socialista à Câmara de Setúbal, arquitecta Teresa de Almeida, que por acaso até já morou no Bairro mais mal afamado da cidade,  quando tornou público um importante programa de intervenção que contem as linhas mestras do que pretende fazer quando for presidente da Câmara de Setúbal.

Um dos projectos diz respeito aos bairros. É um projecto de esperança e virado para o futuro., com quatro vectores essenciais, a saber: Reorganizar, Recuperar, Reequipar e Reintegrar. Sucintamente deixamos alguns exemplos: Reorganizar as políticas municipais de forma a articular as prestações de serviços sociais existentes; Recuperar edifícios das áreas urbanas mais sensíveis e tornando estas áreas como áreas prioritárias a Reequipar com escolas, centros de saúde, centros culturais e outros equipamentos. Reintegrar a cidade no seu todo, assumindo os problemas de segurança como assuntos dos setubalenses e defender os valores da segurança e tranquilidade para toda a cidade.

É um projecto ambicioso mas um projecto que já captou o apoio de centenas de cidadãos esclarecidos e preocupados com a sua terra. É também um desafio que deve envolver todos os cidadãos responsáveis, porque “os valores da segurança e tranquilidade são também fulcrais para a nossa vida em comunidade”. E os setubalenses estão esfomeados de alguém que tenha paixão por Setúbal e que ponha um ponto final ao manifesto desinteresse e à incontestada incapacidade que o actual executivo camarário tem em gerir a sua cidade.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 24 May 2009 12:26:34 +0000
CRÓNICA ARESTAS DE VENTO http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/17/cronica-arestas-de-vento http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/17/cronica-arestas-de-vento E também circula o boato de que um certo partido político tem uma gravação vídeo feita durante um jantar, onde aparece um vereador CDU a dizer cobras e lagartos da presidente Dores Meira(...)


PEDRO NAMORA A PRESIDENTE


NAMORA NET2.JPG

Começa a ser escaldante o ambiente político na capital do distrito de Setúbal. São já conhecidos os candidatos de cinco partidos políticos ao cadeirão municipal, mas o que legendou a semana política prestes a terminar, foi o anúncio feito por um conhecido comunista que tem dado a cara em defesa dos meninos abusados na Casa Pia e que, de forma geral, tem estado sempre presente no combate nas grandes causas da cidadania.

PEDRO NAMORA fez ruir o Carmo e a Trindade quando declarou ir candidatar-se à Câmara de Setúbal com o apoio do Partido Popular Monárquico, (o mesmo que apoia candidatos fascistas italianos) e que em Portugal não passa de um pequeníssimo partido com pouca expressão política e eleitoral. Cabe dentro de uma caixa de fósforos…

Percebe-se que Namora pretende aproveitar-se do PPM para continuar a proferir gordas acusações à transitória presidente Dores Meira, na tentativa de lhe escangalhar a campanha eleitoral e, objectivo final, contribuir para a sua derrota. 

Pedro Namora foi director dos Recursos Humanos na Câmara de Setúbal e é indiscutível que os funcionários têm por ele grande consideração, realçando-lhe os dotes de chefia, a competência e a facilidade que tem em fazer amigos. Dores Meira, quando se agudizaram as diferenças entre ambos, particularmente quando Namora optou por ficar ao lado dos trabalhadores num processo de contestação à presidente, foi por esta imediatamente afastado das funções e nem um abaixo-assinado a seu favor dos funcionários do departamento  que chefiava, lhe valeu.

A decisão de concorrer contra a candidata escolhida pelo seu ex-partido, não passa de uma vingança servida fria e muito bem pensada. Namora é inteligente e sabia perfeitamente que seria logo acusado de traidor, revisionista, filho da mãe e outros mimos com que a rapaziada do PC costuma premiar quem se afaste do “bom caminho”. Há dezenas e dezenas de exemplos: Fernando Tordo, Vital Moreira, Xico da CUF, Carlos de Sousa, são apenas alguns.

Conheço muitos comunistas filiados no PC de Setúbal que não vão votar Dores Meira nas autárquicas deste Outono. Preferem acreditar na experiência e competência da candidata socialista Teresa de Almeida, na sua maioria, e Bloco de Esquerda. Se houver mais de 50 votos (e isto no caso de Pedro Namora não desistir à boca das urnas…) no PPM, esta votação pode ser considerada uma grande vitória do partido cujo presidente garante festivaleiramente  ser  “um partido popular, comunialista e ambientalista”.

Os grunhos que aparecem nestas alturas, já andam a dizer que se a CDU perder a maioria ou mesmo a Câmara, Pedro Namora é o grande responsável. Pelo menos uma desculpa já por aí circula em jeito de intimidação… E também circula o boato de que um certo partido político tem uma gravação vídeo feita durante um jantar, onde aparece um vereador CDU a dizer cobras e lagartos da presidente Dores Meira…

Como podem ver, é neste escaldante ambiente político que Pedro Namora anunciou a sua candidatura contra a candidata escolhida pelo PC. Lá que foi preciso muita coragem, lá isso foi. Assim como ninguém acredita que Namora, pelo facto de ter apanhado boleia do PPM, tenha, de um dia para o outro, deixado de ser comunista

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 17 May 2009 12:35:41 +0000
CRÓNICA (2 Maio) http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/01/cronica-2-maio http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/05/01/cronica-2-maio Aproveito para agradecer ao velho amigo Ricardo Cardoso, à grande senhora Céu Campos (verdadeiras almas deste acontecimento), à Câmara de Palmela, na pessoa do meu amigo Adilo Costa (...)


QUANDO O 13 É NÚMERO DE SORTE


fernando pereira.JPG
Fernando Manuel Pereira e alguns trabalhos plásticos da sua autoria a expor, dia 3 de Maio, no 13º Festival da Canção Infanto - Juvenil de Palmela

Como tem sido amplamente noticiado por diversos meios de comunicação social, o Programa Arestas de Vento e o Grupo de Teatro Espelho Mágico, vão realizar já no próximo dia 3, o 13º Festival de Palmela da Canção Infanto-Juvenil, evento que de ano para ano (e neste parece ter rebentado a escala) vem ganhando mais e mais concorrentes, mais colaboradores voluntários e mais espectadores, abrindo assim, segundo me parece, um novo ciclo na área artística e cultural do Concelho, do Distrito e, muito provavelmente, a nível nacional.

Este evento, em boa hora apoiado pelo município local e por duas juntas de freguesia do concelho de Palmela, conta também com o apoio do Governo Civil de Setúbal (onde se encontra uma Governadora Civil que sempre tem apoiado a Cultura), pelo Inatel (que melhor deveria olhar para este Festival, com lentes de ver ao perto) e entidades particulares, como é o caso da Cáritas Diocesana de Setúbal .

Nos primeiros contactos que tive com o Grupo Espelho Mágico, uma das componentes deste Festival, fiquei impressionado com a forma simples como ocupava as crianças, dando-lhes outras opções, além da rua, da TV e da Internet. Foi com agrado que fui observando e entendendo o desenvolver do lado artístico dos pequenos actores e testemunhando a forma como recebiam, da parte dos coordenadores, orientações sublimares sobre os malefícios das drogas, do álcool, de comportamentos sociais incorrectos e censuráveis. Lembro-me de uma mãe que um dia me confidenciou que a filha, depois de ter ingressado no Espelho Mágico, até passou a ter notas melhores na escola… Este exemplo, por si só, leva-nos a reflectir sobre questões morais e sociais e é mais uma razão para que este grupo cénico tenha os apoios que merece, por mérito próprio e não pela cor das opções políticas dos seus responsáveis, independentemente de quem esteja no poder.

Mas não pensem que este grupo só se preocupa com a juventude. Alguns adultos encontram aqui um ombro amigo para chorar desditas e desabafarem o que lhes vai na alma. É o outro ângulo da pedagogia educativa do grupo de teatro que consegue rectificar, e tantas vezes moldar, um ou outro comportamento menos sociável, já que todos têm que ser exemplos para todos e não pode haver uma pequenina erva daninha a destoar no trigal.

Pela parte que me toca, é com imenso agrado que mais uma vez participo neste Festival, quer com uma composição em parceria com o meu amigo maestro Augusto Rodrigues, quer com uma mostra de pintura em tela, que irá ser inaugurada no intervalo do Festival. Aproveito para agradecer ao velho amigo Ricardo Cardoso, à grande senhora Céu Campos ( verdadeiras almas deste acontecimento), à Câmara de Palmela, na pessoa do meu amigo Adilo Costa, e aos amigos presidentes das Juntas de Freguesia de Palmela e Marateca, Fernando Baião e Faustino Santos, pelos apoios e incentivos concedidos e pela forma desempoeirada como entendem e apoiam na prática a Cultura Popular, no caso vertente, o Festival da Canção e todas as actividades que o enfeitam. Para todos, o meu sentido OBRIGADO!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Fri, 01 May 2009 21:52:12 +0000
CRÓNICA http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/26/cronica http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/26/cronica Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta(...)


TODOS TEMOS UM SONHO …



Também eu tive um sonho, há 35 anos atrás… Sonhei com um país livre, democrático, igualitário, solidário, sem pobreza, sem desemprego, sem fome, com habitação digna e ensino para todos. Quando em Novembro de 1975 a direita deu o golpe militar que pôs fim à influência da esquerda militar dita radical, senti sorrateira comichão no nariz. A coisa já não me cheirava muito bem. O “Verão Quente” foi-se diluindo, diluindo, os políticos à pressa e mal amanhados viram a oportunidade e, como caracol em dia chuvoso, começaram a pôr as antenas de fora, a apalpar, a apalpar, assobiando para o lado para não se dar logo por eles, a rapaziada do carcanhol que tinha dado de celáides e estava a banhos de leite e mel ou em Espanha ou no Brasil, já arriscava um tímido sorriso, a coisa compunha-se, era só ter mais um pouco de paciência, qualidade que, bem o sabemos, todo o bom capitalista se preza de possuir desde pequenino.



E o raio do meu sonho a ficar pendurado, como anel no prego do prestamista. Mas eu, casmurro como o meu avô carroceiro, ou melhor dito como a mula que o transportava de vez em quando encavalitado na lombeira, não deixava de refazer o sonho com esperanças ocasionais que o dia a dia encalhava nas páginas dos jornais nacionais, lidos ávida e minuciosamente. Os anos foram passando e nós a vê-los de regresso, o capital e a rapaziada da pide que passou, coitada, a vida em postos fronteiriços e até tinha o higiénico desconhecimento do que se passou em Peniche, em Caxias e na sede da pide lisboeta; torturas, prisões ilegais e mortes não tinham lugar nas suas memórias, a regressar ao seu lugar ao sol, que a nossa costa atlântica é comprida e as nossas costas largas.  Refizeram-se fortunas, as cooperativas, depois de democraticamente espremidas voltaram para os sacrificados agrários, as fábricas para os anteriores donos, os sinos voltaram a tocar as matinas e os padres respiraram mais aliviados no interior das suas batinas. O comunismo começava a caminhar ao pé-coxinho, abre núncio, te arrenego! Na ponte, valha-nos isso, o novo nome – 25 Abril - continuava sem mudança…

Mas o sonho persistia, tijolo a tijolo. Ainda acreditava no tal país que coloria a minha íntima esperança, mas agora mais comedidamente, quando no passado era à lagardère. Os ventos não estavam de feição, navegava-se à vista, os políticos e seus serventuários eram mais escolhos do que velas e a realidade amarga instalava-se neste nosso rectângulo, como se fosse faca cortando pensamentos revolucionários que um dia acordaram e pensaram subsistir para sempre. Era um sonho generoso mas ingénuo, pelos vistos…

Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta do povo a vir ao de cima, ou de cima…

Mas não tenho emenda. Continuo a sonhar. A sonhar com o tal país que o nosso povo merece! A sonhar sempre, até ao fim. Sou um incorrigível sonhador!...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 26 Apr 2009 15:55:36 +0000
CRÓNICA http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/19/cronica http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/19/cronica O Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias(...)

O OUTRO LADO DO ESPELHO MÁGICO

Falta muito pouco para se comemorar os 35 anos da Revolução de Abril”. No ar pressente-se já um cheirinho a cravos… E é na cauda deste Abril de todas as esperanças, cais e abrigo de sonhos e utopias, que se vai realizar na bonita vila de Palmela o Festival da Canção Infanto-Juvenil, também ele um sonho e uma utopia que a vontade, a persistência e o muito saber, permitam-me dizer, de um nosso conhecido jovem casal da Cultura, Céu Campos e Ricardo Cardoso, anualmente tornam realidade.

Somos, pela comunicação social, todos os dias informados de violações, mortes, raptos, abandonos, abusos e exploração de crianças e adolescentes, com uma sociedade que parece indiferente a estes dramas e crimes hediondos. É por isso que o Grupo de Teatro Espelho Mágico (que abre a 1ª parte do Festival) é uma pedrada no charco da nossa indiferença, apontando-nos o dedo para o mais que podemos fazer e não fazemos em prol de uma sociedade mais livre, mais justa, mais amena e mais responsável, colocando o teatro como agente de educação na formação dos jovens, de forma mais assertiva.

Porque este grupo de teatro infanto-juvenil, verdadeira oficina de jovens artistas, com sede em Setúbal mas validamente acarinhado em Palmela, consegue mobilizar e convocar a sociedade a participar, assistindo aos seus espectáculos de casa cheia, faz-nos pensar que mais do que amadores, são voluntários que acolhem, protegem e educam crianças e jovens (e um ou outro adulto mais ou menos extraviado…), tendo o universo mágico das artes como uma das suas referências, numa acção meritória que favorece o crescimento social e humano dos pequenos artistas, quer os que vão construindo o espectáculo teatral diante da plateia, quer os que, em saudável competição, surpreendem o público interpretando belas canções.

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Diversão e fantasia são duas das cores com que pintam as suas estimulantes produções, eminentemente populares, uma arte voltada para o público, que já teve, felizmente, oportunidade de ser reconhecida pela crítica mais exigente e por entidade públicas e privadas mais desempoeiradas. Numa simbiose perfeita e original harmonia, o programa Arestas de Vento, Grupo de Teatro Espelho Mágico e Festival da Canção de Palmela, constroem momentos únicos, trazem-nos o universo das crianças, realidades e reflexões sobre valores morais, perante uma plateia a deixar-se levar pelo encantamento do espectáculo, do primeiro ao último segundo. Particularmente, todos os anos, sou surpreendido com o cenário, com a soberba condução dos artistas e com o fundo musical.

Dependente de incentivos, alguns financeiros, para criar espectáculos maravilhosos de valor acrescentado, o Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias e à compreensão e solidariedade de uma ou duas instituições particulares, exemplo que certamente deveria ser seguido por certos organismos que se auto-intitulam de baluartes culturais, mas a que as palas partidárias lhes limitam a visão, não os deixando abarcar em plenitude o mundo real, o espelho mágico da boa cultura popular…

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 19 Apr 2009 10:58:50 +0000
. http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/12/183740 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/12/183740 Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie(...)

O CIRCO VOLTOU À CIDADE

No dia 3 de Maio de 2007, uma menina inglesa de três anos de idade, é dada como desaparecida de um apartamento situado na Praia da Luz, no Algarve, onde os pais a teriam deixado enquanto, com um grupo de amigos, jantavam despreocupadamente num restaurante das proximidades. Na altura, foram muitos  aqueles que se solidarizaram com o desespero dos inditosos pais e com a tragédia que sobre eles se abateu, com a população a participar activamente nas buscas que então se fizeram. Hoje parece-me que já mudaram de opinião…

Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie e a filha de um sacerdote em substituição da criança desaparecida) voltou à localidade algarvia a fim de “reconstituir” o alegado rapto para um canal de televisão britânico, perante o descontentamento e apupos  da população local, já demasiado cansada do mediatismo do caso e das consequências negativas que o mesmo supostamente vem causando  ao turismo local. Mais uma “palhaçada”, na minha opinião e na de muita gente, num processo mediático que até meteu audiência com o papa Bento XVI e, segundo se diz, a participação de serviços secretos, afastamento de inspectores, ampla cobertura jornalística mundial, agências de detectives privados, milionários mecenas e políticos de gabarito? Mas afinal, quem é este casal que consegue ser claramente protegido pelo poder político inglês, que influências tem, para conseguir movimentar pessoas e dinheiros, envolvendo a comunicação social, para que a tese de rapto seja, não uma hipótese, mas uma certeza, procurando convencer a opinião pública de que a menina estaria a ser vista em diversos países, mas quando se utilizou cães pisteiros, os mais famosos do mundo na busca de cadáveres, não aceitaram os resultados obtidos?

Há quem acredite que a pequena Maddie morreu no apartamento e que o seu corpo foi oculto e que a cena de rapto não passa de simulação. Dois anos após o desaparecimento, o fenómeno Maddie ainda suscita muitas perguntas sem resposta. Afinal, o que aconteceu a Madeleine McCann, no dia 3 de Maio de 2007

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 12 Apr 2009 18:31:35 +0000
. http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/08/224851 http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/04/08/224851 UNS, COMEM FAISÃO. OUTROS, NEM MIGALHAS DE PÃO 

 Tudo indica que a entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras(...)

Tudo indica que a última entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras, também se fizeram ouvir duas ou três vozinhas de compadres e comadres zangadinhas, porque, dizem, “o raio do programa não tem papas na língua”. E ainda bem que não tem, acrescentamos nós. Porque se tivesse era sinal de que estava subordinado a alguém ou a inconfessáveis interesses, ou que era reles correia de transmissão de algum poder político… E este programa lá perdia a sua piada, a sua identidade e forma de ser, passando, como infelizmente muitos outros, a ser pau mandado ou papel higiénico na rota de anafado traseiro…

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, GATEM, cuja produção é integralmente dedicada a crianças e que é considerado a entidade cultural que no concelho de Setúbal (e se calhar no distrito) mais estimula jovens para o teatro e que pratica esta arte com distinção e com invejável maturidade artística, comprometido com a cultura verdadeiramente popular e que ao longo dos seus vinte anos de existência reaparece, anualmente, cheio de vitalidade e sempre com novos trabalhos teatrais e descobertas de novos talentos infanto-juvenis, (e só por isto merece todos os nossos encómios!) tem, sabe-se lá porquê, sido algo esquecido pelos poderes públicos, com excepção, diga-se em abono da verdade, no que respeita à Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, sempre disponíveis para apoiar as iniciativas do grupo, principalmente aquando da realização do Festival da Canção de Palmela, evento que irá acontecer dentro de muito pouco tempo.

Sendo o teatro uma das mais antigas e essenciais formas de expressão e manifestação humanas, ajudando a ampliar as fronteiras do nosso conhecimento e da nossa experiência, o Grupo de que temos vindo a falar respeita integralmente estes valores e, mesmo com modestos apoios, lá vai singrando, aguenta-se nas curvas, que é como quem diz, nos palcos, assistindo com natural mágoa, à atribuição de chorudos subsídios a certos pseudo grupos teatrais, desproporcionais ao trabalho por eles desenvolvido. É esta falta de respeito que se reflecte no investimento adequado à manutenção e aprimoramento do seu contributo cultural para a sociedade, que faz com que os responsáveis do grupo, exercendo o seu inegável direito à indignação, questionem muitas vezes a forma e os critérios utilizados pelos poderes políticos para a atribuição de apoios financeiros que, em muitos casos, revela ou grande desconhecimento da realidade, ou grande conhecimento da cor do cartão partidário…

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É possível discordar, ter e defender ideias antagónicas – por vezes, como no tempo da ditadura fascista, que muitos benzidos democratas de meia-tijela não conheceram, com gravosas consequências. É a tal história do “não és por mim, és contra mim”. E por este motivo simplório e altamente caricato, se condena pessoas e entidades ao ostracismo, se trava iniciativas e projectos estimulantes de muita qualidade, dando primazia à bagunça cultural de ferro-velho, tóxica, chocha e que nada diz ao público, a nenhum público.

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O GATEM, Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, cuja directora é a jovem actriz, pintora, poeta e radialista Céu Campos, tem que ser respeitado e, mais do que isso, é absolutamente necessário que exista! A bem da juventude que se quer responsável e participante e a bem da sociedade que se deseja sã e verdadeiramente livre!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Wed, 08 Apr 2009 22:48:51 +0000
Ó MALHÃO, MALHÃO... http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/28/o-malhao-malhao http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/28/o-malhao-malhao

Gostaria de partilhar com o auditório uma anedota que me foi enviada por um amigo e que servirá de entrada para a minha escrita de hoje:

Um candidato fazia as habituais promessas de campanha:

 - Se for eleito, prometo que vou construir muitos hospital

O assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

O candidato continuou:

- Se for eleito, prometo que vou construir muitas estrada

Novamente o assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

A cena repetiu-se por várias vezes até que o candidato disse, com voz grave e possante:

- E digo-vos mais, se for eleito, vou empregar, não só o Plural, mas toda a sua família...

Esta anedota ilustra gargalhadamente determinadas pessoas que concorrem a eleições sem terem a menor preparação, produtos saídos dos fornos concelhios, que depressa aprendem a tirar proveito e a locupletarem-se com as benesses públicas. Flutuantes e rasteiros, vegetam no desconhecimento das leis, candidatos de visão social mais do que estreita, sem ideologia, autênticos compradores e pedinchões de votos que só têm olhos para si próprios e para colaboradores próximos, pretensiosos pilecas políticos de enorme avidez, de índole oportunista e desrespeitadora.

Em alturas precisas, têm a lata de proclamarem o povo a mudar de destino, apoiam e agitam como cenouras programas brilhantes e projectos de encantar, garantem representar o Zé povinho que muitas vezes os elege por simples afinidade ou motivos pessoais ou por influência alheia, levados na conversa da treta destes figurões e seus mentores e seus seguidores, se bem que espertalhaços, diplomados analfabetos políticos.

 

 

Dentro de alguns meses, mais uma vez, vamos ser bombardeados com muitas promessas ovadas de muitas mentiras para nos convencer a escolher determinado candidato que se auto-considera o melhor de entre todos os concorrentes para resolver os diversos problemas que ferem e afligem as populações, como se os culpados fossem sempre os outros.

Esta politicagem, credenciados lambe-botas que não passariam da cepa torta se não lambessem com dedicação, de moral ad-hoc, farejadores de poder e dinheiro, oportunistas de vistosos salamaleques, todos os anos mudam de palavras porque estão convencidos de que as palavras mudam a realidade e o povo, o sereno povo eleitor, não tem memória ou entendimento…

 

No fundo, não passam de carripanas velhas e ferrugentas, sem vidros, sem estofos, sem guarda-lamas, de pneus carecas, que bulem com a reputação de alguns que praticam uma política limpa e ideologicamente correcta e que se batem pela igualdade e pela justiça social.

A caça ao voto já foi aberta e a procissão ainda nem na praça vem. Já se conhecem muitos candidatos e recandidatos e muitos jeitosos em bicos de pés a marcarem presença e a pretenderem lugarzito, de preferência elegível, a bem do povo, nas listas de candidatos.

Há que saber separar o trigo do joio e votar em conformidade. É o que vou fazer, quando chegar a altura, porque tenho memória e entendimento!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sat, 28 Mar 2009 22:34:54 +0000
ABSTINÊNCIA PAPAL http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/22/abstinencia-papal http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/22/abstinencia-papal   camisinha_.jpg

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Durante a viagem que o levou pela primeira vez ao continente africano, o papa Bento XVI afirmou, numa entrevista aos jornalistas, a bordo do avião, que a sida é “uma tragédia que não poderá ser superada apenas com dinheiro e não poderá ser superada pela distribuição de preservativos”, tendo aberto mais uma polémica ao dizer que a igreja católica está na vanguarda do combate à sida.

É do conhecimento público que a sida é um dos mais graves problemas de África, continente onde no último quarto de século 28 milhões de pessoas morreram vítimas da doença e mais de 20 milhões estão infectados pelo vírus, particularmente em países como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo. E é neste contexto que o pontífice garante que o preservativo agrava a sida...

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As declarações do actual papa, reforçando a postura conservadora da Igreja Católica, deixou perplexos milhões de pessoas, causando polémica até entre os seus fiéis e severas críticas de diversos sectores da sociedade. E até padres e freiras que em África ajudam as vítimas da sida, questionam a posição da Igreja contra o preservativo.É sabido que o chefe máximo da Igreja católica encoraja a abstinência sexual e a castidade em detrimento do preservativo, sobre a gravidez precoce aconselha sexo só após o matrimónio, considera o 2º casamento uma praga, o aborto ou qualquer prática contraceptiva, uma ameaça à vida, reprova a fecundação in vitro, opõe-se ao homossexualismo.

De alguns dos seus antecessores no Vaticano, recordo que Leão XII foi um tenaz opositor contra a vacinação da varíola e Paulo VI bateu-se contra a pílula.

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É suposto que o papa e os padres não pratiquem o sexo. Mas será que os católicos, na santa paz das suas casas, não tomam a pílula, não têm relações sexuais antes de casar, não usam preservativo? E só fazem sexo para procriar, como se o prazer fosse terrível pecado?

Usar preservativo, elemento fundamental nas acções de prevenção e transmissão do vírus da sida, é certamente a única barreira conhecida para proteger a vida. Usá-los, é melhor do que os ignorar e talvez a única forma de manter vivos milhões de pessoas e não só no continente africano.

 FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 22 Mar 2009 12:54:17 +0000
POLIS SETUBALENSE http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/18/polis-setubalense http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/18/polis-setubalense O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades(...)

Diversas e de diversos quadrantes políticos têm sido as críticas ao longo destes últimos anos às obras do projecto Polis do concelho de Setúbal, herdado do tempo do socialista  Mata Cáceres pela actual nomeada presidente do município, a CDU Dores Meira. Projecto com sucessivos atrasos no arranque, avaliado em 13,5 milhões de euros, previa-se a sua conclusão até final de 2008, o que não aconteceu. Este projecto contemplava também a requalificação do Largo José Afonso e a construção do Parque Verde da Albarquel, no mesmo local onde funcionava o extinto Parque de Campismo, e previa ainda a deslocalização dos estaleiros navais.

Cremos que o polis de Setúbal ainda fará correr muita tinta, infelizmente para os setubalenses. É que desde o seu início, em 2001, até ao fim das obras, cuja data se desconhece, nunca teve a discussão pública que o assunto merecia.

Os setubalenses são hoje confrontados com uma realidade para a qual nunca foram convidados, nem em 2001 nem agora. Aliás, a única altura em que se procedeu a uma discussão publica nesta matéria, foi sobre a obra de recuperação da Av. Luísa Todi, por exigência dos vereadores do PS e PSD, e o resultado foi uma recusa total ao projecto do Arquitecto Manuel Salgado, (actualmente na câmara de Lisboa) que propunha a transformação completa da Av. Luísa Todi, não salvaguardando nem a imagem, nem a cultura local, nem a baixa comercial, nem o sentimento generalizado de apego  que os setubalenses tem  com este espaço publico, demonstrando bem  o  distanciamento dos técnicos com a população.

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 A CDU decidiu entretanto avançar com uma obra sem projecto, sem estratégia e sem pessoas competentes. Hoje é fácil apontar o dedo aos seus executores, contudo não podemos nem devemos esquecer que o projecto inicial apontava, no meu ver, um erro urbanístico tremendo: t
endo por base o auto-financiamento, isto é, parte das receitas do polis teriam que ser geradas pela venda de lotes a criar, qual pato bravo da construção civil, rendida aos encantos do betão, projectou-se uma carga urbanística muito superior á proposta actualmente.

Chegou-se, inclusive, a ponderar a hipótese de implantar algumas torres (mais um mamarracho na zona ribeirinha) com mais de 8 pisos de altura, basta ver as plantas de então. Felizmente que por motivos legais tal não chegou a ser aprovado superiormente ou correríamos o risco de criar mais um bairro complicado, em plena Zona ribeirinha, com o mesmo argumento de sempre, como também foi utilizado no projecto imobiliário "Nova Setúbal", entre outros, de que os fins justificam os meios.

O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades, outros a tentar desesperadamente sacudir a água dos respectivos capotes, outros ainda, com celestial bonomia a assobiarem para o lado …

Fernando Manuel Pereira

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Wed, 18 Mar 2009 00:16:34 +0000
UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/08/uns-sao-filhos-outros-nem-enteados-sao http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/03/08/uns-sao-filhos-outros-nem-enteados-sao O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra(...)


UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO!

O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra. Sem papas na língua, a jovem directora do Grupo Teatral Infanto Juvenil, denunciou que se encontra a criar bafio na Câmara de Setúbal, há dois ou três anos, um projecto da sua autoria que perspectiva uma intensa actividade cultural para a cidade de Setúbal, sem que tenha, neste longuíssimo espaço de tempo, obtido qualquer resposta. Nem sim, nem sopas. Fiquei pensativo – mas, sinceramente, não muito admirado!

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, com 13 anos de existência em prol das artes cénicas, que foi pensado e construído a partir dos programas Arestas de Vento e Espelho Mágico, tem sido, efectivamente, um reduto de resistência a pressões políticas e interesses particulares. É um teatro que vem à rua buscar espectadores, vocacionado para um público infanto juvenil, um projecto teatral activo de prática e criação, um teatro de mãos limpas, diferente e inovador no incentivo público à formação de jovens artistas: um verdadeiro desafio pensado e repensado mil vezes, que vive de êxitos comprovados e de casas cheias, uma genuína escola de artistas, acima de tudo artistas jovens e infantis que fazem teatro pelo amor à própria arte.

E até o facto de se assumirem como “amadores”, é motivo de muita felicidade e orgulho. Mas são amadores, porque não vivem, como outros, daquilo: têm profissão que exercem de forma permanente e não estão ancorados, para sobreviverem, em subsídios ou outras formas de apoio. As suas produções são pensadas ao pormenor, as realizações cuidadosamente preparadas, com equilíbrio e solidez, criando e reforçando laços de sociabilidade. Um teatro com causas, mantido esforçadamente por pessoas sensatas, que encontram nos aplausos e opiniões dos espectadores e da comunicação social, um grande incentivo para prosseguirem caminho.

É minha convicção que o Teatro Espelho Mágico, sedeado em Setúbal, não pode ser punido e ignorado pelo que tem realizado com acentuado êxito. Seria um perfeito contra-senso, se não culturalmente muito censurável.

Não há muitos grupos como o Espelho Mágico que consigam levar crianças a fazer teatro – teatro que devia ser matéria de escola. Para quem ainda não conhece este Grupo de Teatro Infanto Juvenil, recomendo assistir ao seu próximo espectáculo, no dia 3 de Maio próximo, no Cine-Teatro S. João, por ocasião do 13º Festival da Canção Infanto Juvenil de Palmela. E depois digam-me lá se é justo e honesto certa comunicação social ignorar com desfaçatez a sua existência e de entidades oficiais, que se arrogam de responsáveis e incentivadoras da cultura, deixarem apodrecer numa qualquer gaveta um projecto cultural de boa procedência e comprovada idoneidade, como aquele apresentado há dois ou três anos, à Câmara de Setúbal, pelo Grupo de Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sun, 08 Mar 2009 17:03:55 +0000
ZECA AFONSO, CANTOR DA REVOLUÇÃO http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/28/zeca-afonso-cantor-da-revolucao http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/28/zeca-afonso-cantor-da-revolucao Fez no passado dia 23 de Fevereiro, 22 anos que José Afonso nos deixou. A data foi, mais uma vez, em Setúbal, assinalada com a tradicional homenagem e deslocação ao cemitério da Piedade, organizada pela Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros, e coordenada pelo anti-fascista Leonel Coelho, com o apoio solidário da Escola José Afonso, Câmara Municipal da Moita e Junta de Freguesia de Alhos Vedros.

 Zeca Afonso, o “Bicho-cantor” como era conhecido no Liceu, um dos maiores nomes de sempre da Música Portuguesa, cujas melodias e poemas atravessam as barreiras do tempo, considerado muito justamente como percursor da “World Music”, foi, mais do que um músico de excelência, um interventor político-social na conquista da liberdade, influenciando fortemente as gerações vindouras. As suas canções foram significativos contributos para a derrota do fascismo e implementação da democracia no nosso País.                           __za.jpg

Zeca fez a sua vida entre África e vários pontos de Portugal. Viveu em Setúbal em cujo Liceu leccionou, durante 20 anos, os últimos em Azeitão. Na cidade do Sado fundou o mítico Circulo Cultural, reuniu “tropas” contra a ditadura, vendeu livros proibidos, cantou clandestinamente em tascas e em associações populares, distribuiu propaganda anti-regime e anti-guerra colonial, ensinou, conspirou, formou democratas, combateu, foi preso pela PIDE e aqui sofreu uma tentativa de assassinato, logo após 25 de Abril, testemunhada pelo autor destas letras, e levada a cabo por um idiota ressabiado e cobarde, muito chegado, na altura, a certos sectores da igreja mais reaccionária e fascista. Um Homem corajoso, frontal, contestatário aos poderes instituídos, naturalmente solidário e com um total desapego às coisas materiais, inconformado, um persistente buscador da utopia, continua presente na memória e no coração de grande parte dos portugueses. Em Setúbal, tenho a suspeita que há interesses políticos em não manter viva a chama da memória do Zeca: os sucessivos executivos socialistas, liderados por Mata Cáceres, nunca contribuíram nem sequer deram seguimento a qualquer iniciativa sobre Zeca Afonso. E esta falta de interesse obrigou, no passado, a Associação José Afonso a mudar para o Seixal o festival “Cantigas do Maio”. O comunista Carlos Sousa, ex-presidente despedido da autarquia sadina, chegou a reconhecer a necessidade de “celebrações condignas” em memória do cantor da revolução. Aliás, uma das suas promessas eleitorais foi a realização de um festival de música de intervenção – que nunca chegou a sair do papel… joseafonso.jpg

O actual executivo da câmara setubalense, de maioria CDU, pelos vistos, depois de, um ano, ter  incluido o nome do Cantor na desterrada e feia feira das manteigadas, assobia para o lado e nem um simples ramo de flores se dignou mandar colocar na campa onde repousa um dos últimos homens livres. Quanto à comunicação social, (com excepção para o programa Arestas de Vento), local e nacional, não deram, e na maioria dos casos esqueceram, notícia da efeméride. A Associação José Afonso não assinala a data “porque é demasiado triste para os amigos”, no dizer de um ex-responsável.

Valha-nos a iniciativa da Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros, a quem expresso solidariedade e compreensão, extensível à Câmara da Moita e à Junta de Freguesia de Alhos Vedros e à Escola José Afonso. Ainda bem que há quem, sem ser choramingas, se lembre desta data, transformando-a em dia de luta contra todas as ditaduras e pela liberdade dos povos, renovando, assim, a luta pela democracia!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sat, 28 Feb 2009 21:49:43 +0000
CARTA AO VELHO AMIGO VICTOR SERRA http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/21/carta-ao-velho-amigo-victor-serra http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/21/carta-ao-velho-amigo-victor-serra Pede-me o Ricardo alguns poemas meus para tu leres sem te engasgares, na próxima (boa) entrevista que o Arestas vai fazer navegar pelo éter. Não me deixes ficar mal e dar por mal empregue os tostões que contigo gastei durante anos a pagar-te o raio de centenas de bicas, (curtas e com espuma, recordas?), sempre na esperança de que te saísse a lotaria e que me compensasses. Mas como nunca jogaste...
E, já agora, leva a tua memória atrás, antes do 25 Abril, aos tempos de conspiração no "Café Benjamim" (por cima morava o chefe da PIDE, lembras-te?), no "Café Tamar", durante anos escritório do Zeca Afonso e ponto de encontro de antifascistas de coração aberto e solidários, posteriormente quase na sua totalidade absorvidos pelos partidos e moldados, hoje desaparecidos nas disciplinas partidárias... Mano, que saudades desses tempos, das conversas com o Velho, de assistir ao parto de poemas e de músicas contestatárias, e tudo na barba dos cabrões que diariamente cheiravam o ambiente, mas cujo cheiro nos alertava...

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Sei que vais falar do Circulo Cultural, prédio por mim ocupado logo na vaga gigante do 25 Abril, e do mundo lá criado. E de como era bom sentir a Cultura viva e polémica, todos os dias, todas as noites, a gritar, a estabelecer pontes, a dizer que sim, é possivel viver solidariamente e sem partidarites. Hoje é impossivel tal atitude, principalmente porque não interessa a muitos este saudável exemplo, além de alguns estarem condicionados totalmente à varinha mágica dos subsídios camarários e já não terem tempo nem inteligência (é a preguiça, estúpido!) para pensarem em alternativas, nem produzirem algo que justifique as ajudas... Neste campo, ocorre-me, ao correr da pena, tal como o nosso Circulo, o Teatro Infantil Espelho Mágico, cuja Directora é a nossa comum Amiga Céu Campos, por muitos estupidamente esquecido senão deliberadamente ignorado, é prova do que se pode fazer com muita entrega, muita imaginação, muita verdade, muito amor à Cultura e uma mão cheinha de bons amigos. Tal como o Circulo Cultural no passado, esta dinâmica forte e permamente ao longo do ano, peça a peça, parece incomodar muitos figurões...

No Circulo fizeram-se montes de coisas sem um vintém, apoiou-se grupos musicais e teatrais, organizaram-se aulas de pintura, de escultura, modelagem, exposições, debates, petiscadas culturalmente bem regadas, e ainda havia tempo para investir contra os sacanas reaccionários, distribuir propaganda e apoiar as lutas nas fábricas e nos bairros.

E fez-se o CANTAR JOSÉ AFONSO, a mais importante manifestação cultural e artística que Setúbal já teve, com a participação de cantores e artistas vindos de todo o mundo, graciosamente, relançou-se alguns que andavam um tanto esquecidos, deu-se visibilidade a outros menos conhecidos. E sempre se valorizou a "prata da casa". É pena alguns terem fraca memória! Claro que o CANTAR foi uma iniciativa saída da tua cabecinha poética, Victor Serra, que tiveste arte para mobilizar vontades e solidariedades e contornares alguns obstáculos. Penso que é um motivo de orgulho para ti e para os amigos que contigo colaboraram. No que me toca, ainda hoje sinto satisfação em ter desenhado os cartazes e pintado os cenários do evento que acompanhou o Circulo no desaparecimento ainda hoje envolto em muitas interrogações e em muita tristeza. 
Bom, já me alarguei. Não vou alongar-me mais. Só espero que o Ricardo, que certamente estava à espera de uma crónica saudavelmente crítica, perceba que a Amizade tem destas coisas e me dê hoje dispensa de tal tarefa. Até porque vou ficar sentado de sofá a ouvir atentamente a tua entrevista. E porque há muito não comento as entrevistas, vou, contigo, abrir uma excepção...

Um abraço para o auditório e para a equipa que semanalmente faz o Arestas de Vento, muito particularmente para o poeta palmelão José Gago.

Fernando Manuel Pereira

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Sat, 21 Feb 2009 12:53:56 +0000
O MEU PARENTE PROFESSOR http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/14/o-meu-parente-professor http://palavrasnovento.nireblog.com/post/2009/02/14/o-meu-parente-professor  

Há dias atrás, o secretário de Estado Valter Lemos, defendeu um projecto de despacho para o recrutamento de professores reformados como voluntários. Um familiar próximo, orgulhoso professor primário, cofiou a barbicha, quedou-se pensativo e momentos depois deixou escapar: “ Então o tipo atira-me para a reforma e agora quer batatinhas? Favores desses, nem ao S. Pedro!”

O descontentamento e o natural sentido crítico deste meu querido familiar, não se fica por aqui, nem aqui se esgota. Na passada quarta-feira, a selecção nacional, também conhecida por “selecção do Queiroz”, com um conjunto onde a inépcia dos jovens futebolistas que, de baliza aberta fizeram o colossal feito de falhar golos,  lá deu mais um triste espectáculo que provocou  alguma risota (valha-nos isso!) em quem assistiu ao encontro com a fraquinha Finlândia. Comentário ríspido do meu parente professor reformado: “Uma porcaria de jogo. Mas curti bué com a gesticulação do treinador, sentado no banco dos suplentes…)

Ontem, ligou-me logo pela manhã, eufórico, quase destrambelhado, danado. O seu partido, onde militou durante mais de vinte anos e do qual se afastou definitivamente  há cerca de três, tinha-lhe enviado uma carta a dar conhecimento da realização de um Congresso. O meu parente, homem avisado e de pé atrás, ainda com muitas feridas mal curadas e outras por curar, gritou-me: “Tas a ver a lata destes gajos? Lá vamos novamente levar com promessas, vamos fazer assim e assado, viva o povo, o povo é que manda e nós estamos ao serviço do povo, etc e tal. Tretas, só tretas, meu rapaz… ”

 Hoje apareceu-me cá em casa, livro debaixo do braço e um sorriso canhestro, ar um tanto misterioso, sapatos engraxados e unhas cortadas. “Onde vai, perguntei-lhe” – “Meu amigo”, disse-me ele, “vou nas calmarias à capital, bater-me com uma grande almoçarada, saber as novidades e aumentar com as minhas as críticas aos políticos saltimbancos”. E já de saída, deixou cair, apanhando-me desprevenido: ”E amanhã vou de certeza dar um salto ao Pinhal Novo, e ver a “Conquista de Lisboa aos Mouros”, no Auditório Municipal, estreia do Grupo de Teatro ATA”. E ainda teve tempo para acrescentar, gozão, quase altivo e um tanto vaidoso: “Isto, companheiro, é que é voluntariado! Também é voluntariado! Vou mais depressa ao Teatro do que na conversa “deles””.

E fiquei a pensar se ele não teria razão, muita razão… 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA

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Sat, 14 Feb 2009 19:39:07 +0000