CRÓNICA ARESTAS 27 Junho
TEATRO INFANTIL DE LISBOA E GRUPO DE TEATRO ESPELHO MÁGICO, OFICIAIS DO MESMO OFÍCIO
Logo a seguir a 25 de Abril de 1974, muitos artistas ocuparam casas vazias para transformá-las em teatro, um pouco por todo o País, num movimento espontâneo, cuja bandeira era a imediata liberdade e partilha duma forma de Cultura quase meio século amordaçada pelo fascismo. Muitos destes grupos teatrais, infelizmente e mercê de variados motivos, foram, ao longo destes anos, ficado pelo caminho, mas outros nasceram e muitos renasceram, também.
Quero aproveitar a entrevista de hoje ao popular homem do teatro conhecido por Kim Cachopo, para particularizar dois grupos cénicos: o Teatro Infantil de Lisboa (TIL) e o nosso tão bem conhecido Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico, ambos mestres do “mesmo ofício”, com actividade regular e contínua. O primeiro é, sem dúvida, uma das principais companhias de teatro para a infância que existe em Portugal, já com mais de 30 anos de existência. O outro, Espelho Mágico, mais novinho mas não menos importante neste nacional cenário, tem também como público-alvo a camada mais jovem da população, existindo ambos, de forma global, por carolice e voluntarismo dos seus responsáveis, colaboradores e actores, fugindo ao conhecido esquema de servir como fonte de lucros, tomando por opção utilizar o teatro como ferramenta de educação de crianças e adolescentes, conscientes de que este género de teatro desempenha um importante papel na sociedade actual.
Quer o Teatro Infantil de Lisboa, quer o Teatro Espelho Mágico, dão a conhecer, de forma lúdica, figuras e acontecimentos da história e da literatura universal, em textos originais de grandes dramaturgos, com adaptações e encenações cuidadas. Têm também o mérito, segundo a minha opinião, de estimular o gosto pela leitura, pelas artes performativas e de expressão plástica. Ambos, no fundo, praticam teatro infantil sem infantilidades…
Antigamente, teatro infantil era quase um termo pejorativo, marginalizado, como se fosse um género menor no seio do sempre estranho mundo do teatro. Hoje em dia já começa, merecidamente, a ser encarado como trampolim de formação, aprendizagem e aperfeiçoamento de crianças e jovens, sendo bem aceite este género de teatro como agente de educação na formação integral do indivíduo, possibilitando, cumulativamente, o acesso a um lugar de convívio social que o teatro lhes dá, merecendo da parte de algumas entidades oficiais e particulares mais abertas e esclarecidas, de, se bem que escassos, justíssimos apoios.

TEATRO INFANTO-JUVENIL ESPELHO MÁGICO
Ao Kim Cachopo, do Teatro Infantil de Lisboa, e à minha Amiga Céu Campos, presente também neste estúdio, responsável pelo Grupo de Teatro Espelho Mágico, de Setúbal, aqui deixo um sincero sentimento de solidariedade e um profundo agradecimento, em nome de todos os que gostam de se sentirem livres para melhor partilharem a verdadeira cultura popular, por tudo o que vêm fazendo em prol do nosso nem sempre bem compreendido teatro infantil. Teatro Infantil, expressão artística que o adulto também gosta!
FERNANDO MANUEL PEREIRA


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