CRÓNICA ARESTAS, 6 Junho
Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil (...)
SETÚBAL, O POLIS E A ZONA RIBEIRINHA
Em Lisboa temos a “guerra dos contentores”, pacíficas e feiosas estruturas que amontoadas impedem os cidadãos de gozarem a pacatez do Tejo e, em simultâneo, arejarem a vista. O movimento de cidadãos que se constituiu para impedir este atentado, parece ter chegado a um consenso com as partes envolvidas na demanda e em lugar dos contentores a zona irá ser aproveitada para a construção de uma área de recreio e lazer.
Em Setúbal, a frente ribeirinha para usufruto do comum mortal é absoluta e vergonhosamente escassa. Limita-se à área do chamado “Jardim da Beira-Mar”, a meia dúzia de metros entre o Clube Naval e a Lota, cheirosa zona onde desagua um cano de esgoto, e lá mais para o fundo o Parque Urbano da Albarquel, recentemente inaugurado e gritantemente incompleto.
Há muito que os setubalenses sonham com uma zona ribeirinha de qualidade, um espaço aberto e sem barreiras ao longo do seu lindo rio, com zonas de lazer e correctos equipamentos de apoio. Têm agora os habitantes da cidade oportunidade de reivindicarem a concretização deste antigo anseio. Está em discussão pública deste o passado dia 23 de Maio e até ao dia 22 do corrente, o Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Setúbal. Trata-se de um importante plano para a cidade que deve merecer da parte de TODA a população a mais viva atenção e uma grande participação. Todo este processo pode ser consultado na Sociedade Polis ou na Câmara Municipal.
De entre todas as propostas apresentadas, sobressai uma: está prevista a criação de TRÊS edifícios mamarrachos na área compreendida entre o Parque Urbano da Albarquel e as instalações onde os pescadores guardam os seus apetrechos, implantados paralelamente ao rio e a menos de 10 metros do espelho de água, numa extensão, cada um, superior a 100 metros e com QUATRO pisos de altura, criando assim uma autêntica barreira arquitectónica, uma muralha de betão certamente muito aplaudida pelos patos bravos e pelos especuladores imobiliários, mas que impede o desejável relacionamento da cidade com o seu rio Sado de águas mansas. Estes três lotes já estão a ser publicitados para venda sem que o Plano de Pormenor tenha sido aprovado…

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil, abençoada pelo Polis e pelo Município, deixando que prédios privados ocupem áreas que deviam ser para todo o sempre públicas, nem que seja necessário criar um forte movimento cívico contra este espalhar de betão que parece continuar a ser recorrente na cidade de Setúbal...
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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