CRÓNICA ARESTAS, 30 MAIO 2009
UM TEATRO DE CAUSAS
Após a sensacional estreia no Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela, o Grupo de Teatro Espelho Mágico, com a sua recente e magistral peça O Beco dos Vira-Latas, passou por Fátima, Almada, Setúbal, sempre ao som de milhares de palmas e gritos de “bravo”, saídos de diversificadas plateias que, todas contabilizadas, ultrapassariam facilmente os 15 milhares. É obra!!! É obra, mas não causa nenhuma admiração, muito menos dúvidas, naqueles que têm vindo a apostar neste grupo, um dos poucos que podem ostentar com justiça o verdadeiro rótulo de “teatro para crianças”, quer assistindo ao seu magistral desempenho, quer apoiando monetariamente, a tempo e horas, este projecto teatral que se orgulha do caminho (bem) percorrido, maugrado alguma indiferença da parte de alguns agentes políticos que deveriam preocupar-se mais com o conteúdo cultural e social e não única e exclusivamente com supostas cores partidárias.
Sempre numa comunicação directa com o público, este grupo teatral didáctico e lúdico, preza-se de trabalhar textos de autores e temáticas sempre actuais, muitas vezes com humor e sarcasmo, outras utilizando a ironia e o paralelismo para vincar e levar-nos a interiorizar temas sociais muitos sérios. Penso que este grupo teatral pratica um certo conceito de liberdade em movimento, sem preocupações com questões ligadas a preconceitos e discriminações. É um projecto teatral que se renova, por mérito dos seus actores, pequenos e mais crescidos, com suportes musicais e encenações de encantar e reter. É também um teatro de mobilização pela diversidade…
Dizem-me agora terem tido o convite, que aceitaram, para actuarem num presídio. O Espelho Mágico alia-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, oferecendo o espectáculo de teatro infantil “A magia das cores”, aos filhos dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal. FERNANDO MANUEL PEREIRA
Esta mudança de palco do Grupo de Teatro Espelho Mágico é certamente mais uma experiência bem conseguida e é, simultaneamente, também uma forma de falar de respeito, respeito a que todo o ser humano tem direito, mesmo os privados de liberdade.
Numa altura em que tanto se fala de humanismo, o Espelho Mágico levando o teatro dentro duma prisão, coloca em prática aquilo que muitos prometem e não cumprem, ou porque não querem ou porque não conseguem: solidariedade e fraternidade.
É por estas e por outras que, pessoalmente, estou sempre livre para colaborar com o Espelho Mágico e apelo a responsáveis políticos e instituições governamentais ou outras que não enjeitem apoios a este grupo de teatro infanto-juvenil, porque verdadeiramente merece ser ajudado quem os outros ajuda!

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