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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

01/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 30 MAIO 2009

fmp @ 12:04

UM TEATRO DE CAUSAS

Após a sensacional estreia no Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela, o Grupo de Teatro Espelho Mágico, com a sua recente e magistral peça O Beco dos Vira-Latas, passou por Fátima, Almada, Setúbal, sempre ao som de milhares de palmas e gritos de “bravo”, saídos de diversificadas plateias que, todas contabilizadas, ultrapassariam facilmente os 15 milhares. É obra!!!  É obra, mas não causa nenhuma admiração, muito menos dúvidas, naqueles que têm vindo a apostar neste grupo, um dos poucos que podem ostentar com justiça o verdadeiro rótulo de “teatro para crianças”, quer assistindo ao seu magistral desempenho, quer apoiando monetariamente, a tempo e horas, este projecto teatral que se orgulha do caminho (bem) percorrido, maugrado alguma indiferença da parte de alguns agentes políticos que deveriam preocupar-se mais com o conteúdo cultural e social e não única e exclusivamente com supostas cores partidárias.
Sempre numa comunicação directa com o público, este grupo teatral didáctico e lúdico, preza-se de trabalhar textos de autores e temáticas sempre actuais, muitas vezes com humor e sarcasmo, outras utilizando a ironia e o paralelismo para vincar e levar-nos a interiorizar temas sociais muitos sérios. Penso que este grupo teatral pratica um certo conceito de liberdade em movimento, sem preocupações com questões ligadas a preconceitos e discriminações. É um projecto teatral que se renova, por mérito dos seus actores, pequenos e mais crescidos, com suportes musicais e encenações de encantar e reter. É também um teatro de mobilização pela diversidade…

 

Dizem-me agora terem tido o convite,  que aceitaram, para actuarem num presídio. O Espelho Mágico alia-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, oferecendo o espectáculo de teatro infantil “A magia das cores”,  aos filhos dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal.
Esta mudança de palco do Grupo de Teatro Espelho Mágico é certamente mais uma experiência bem conseguida e é, simultaneamente, também uma forma de falar de respeito, respeito a que todo o ser humano tem direito, mesmo os privados de liberdade.
Numa altura em que tanto se fala de humanismo, o Espelho Mágico levando o teatro dentro duma prisão, coloca em prática aquilo que muitos prometem e não cumprem, ou porque não querem ou porque não conseguem: solidariedade e fraternidade.
É por estas e por outras que, pessoalmente, estou sempre livre para colaborar com o Espelho Mágico e apelo a responsáveis políticos e instituições governamentais ou outras que não enjeitem apoios a este grupo de teatro infanto-juvenil, porque verdadeiramente merece ser ajudado quem os outros ajuda!


FERNANDO MANUEL PEREIRA

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