ABSTINÊNCIA PAPAL

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Durante a viagem que o levou pela primeira vez ao continente africano, o papa Bento XVI afirmou, numa entrevista aos jornalistas, a bordo do avião, que a sida é “uma tragédia que não poderá ser superada apenas com dinheiro e não poderá ser superada pela distribuição de preservativos”, tendo aberto mais uma polémica ao dizer que a igreja católica está na vanguarda do combate à sida.
É do conhecimento público que a sida é um dos mais graves problemas de África, continente onde no último quarto de século 28 milhões de pessoas morreram vítimas da doença e mais de 20 milhões estão infectados pelo vírus, particularmente em países como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo. E é neste contexto que o pontífice garante que o preservativo agrava a sida...
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As declarações do actual papa, reforçando a postura conservadora da Igreja Católica, deixou perplexos milhões de pessoas, causando polémica até entre os seus fiéis e severas críticas de diversos sectores da sociedade. E até padres e freiras que em África ajudam as vítimas da sida, questionam a posição da Igreja contra o preservativo.É sabido que o chefe máximo da Igreja católica encoraja a abstinência sexual e a castidade em detrimento do preservativo, sobre a gravidez precoce aconselha sexo só após o matrimónio, considera o 2º casamento uma praga, o aborto ou qualquer prática contraceptiva, uma ameaça à vida, reprova a fecundação in vitro, opõe-se ao homossexualismo.
De alguns dos seus antecessores no Vaticano, recordo que Leão XII foi um tenaz opositor contra a vacinação da varíola e Paulo VI bateu-se contra a pílula.
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É suposto que o papa e os padres não pratiquem o sexo. Mas será que os católicos, na santa paz das suas casas, não tomam a pílula, não têm relações sexuais antes de casar, não usam preservativo? E só fazem sexo para procriar, como se o prazer fosse terrível pecado?
Usar preservativo, elemento fundamental nas acções de prevenção e transmissão do vírus da sida, é certamente a única barreira conhecida para proteger a vida. Usá-los, é melhor do que os ignorar e talvez a única forma de manter vivos milhões de pessoas e não só no continente africano.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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