POLIS SETUBALENSE
O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades(...)
Diversas e de diversos quadrantes políticos têm sido as críticas ao longo destes últimos anos às obras do projecto Polis do concelho de Setúbal, herdado do tempo do socialista Mata Cáceres pela actual nomeada presidente do município, a CDU Dores Meira. Projecto com sucessivos atrasos no arranque, avaliado em 13,5 milhões de euros, previa-se a sua conclusão até final de 2008, o que não aconteceu. Este projecto contemplava também a requalificação do Largo José Afonso e a construção do Parque Verde da Albarquel, no mesmo local onde funcionava o extinto Parque de Campismo, e previa ainda a deslocalização dos estaleiros navais.
Cremos que o polis de Setúbal ainda fará correr muita tinta, infelizmente para os setubalenses. É que desde o seu início, em 2001, até ao fim das obras, cuja data se desconhece, nunca teve a discussão pública que o assunto merecia.
Os setubalenses são hoje confrontados com uma realidade para a qual nunca foram convidados, nem em 2001 nem agora. Aliás, a única altura em que se procedeu a uma discussão publica nesta matéria, foi sobre a obra de recuperação da Av. Luísa Todi, por exigência dos vereadores do PS e PSD, e o resultado foi uma recusa total ao projecto do Arquitecto Manuel Salgado, (actualmente na câmara de Lisboa) que propunha a transformação completa da Av. Luísa Todi, não salvaguardando nem a imagem, nem a cultura local, nem a baixa comercial, nem o sentimento generalizado de apego que os setubalenses tem com este espaço publico, demonstrando bem o distanciamento dos técnicos com a população.

A CDU decidiu entretanto avançar com uma obra sem projecto, sem estratégia e sem pessoas competentes. Hoje é fácil apontar o dedo aos seus executores, contudo não podemos nem devemos esquecer que o projecto inicial apontava, no meu ver, um erro urbanístico tremendo: t
endo por base o auto-financiamento, isto é, parte das receitas do polis teriam que ser geradas pela venda de lotes a criar, qual pato bravo da construção civil, rendida aos encantos do betão, projectou-se uma carga urbanística muito superior á proposta actualmente.
Chegou-se, inclusive, a ponderar a hipótese de implantar algumas torres (mais um mamarracho na zona ribeirinha) com mais de 8 pisos de altura, basta ver as plantas de então. Felizmente que por motivos legais tal não chegou a ser aprovado superiormente ou correríamos o risco de criar mais um bairro complicado, em plena Zona ribeirinha, com o mesmo argumento de sempre, como também foi utilizado no projecto imobiliário "Nova Setúbal", entre outros, de que os fins justificam os meios.
O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades, outros a tentar desesperadamente sacudir a água dos respectivos capotes, outros ainda, com celestial bonomia a assobiarem para o lado …
Fernando Manuel Pereira

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