UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO
O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra(...)
UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO!
O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra. Sem papas na língua, a jovem directora do Grupo Teatral Infanto Juvenil, denunciou que se encontra a criar bafio na Câmara de Setúbal, há dois ou três anos, um projecto da sua autoria que perspectiva uma intensa actividade cultural para a cidade de Setúbal, sem que tenha, neste longuíssimo espaço de tempo, obtido qualquer resposta. Nem sim, nem sopas. Fiquei pensativo – mas, sinceramente, não muito admirado!

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, com 13 anos de existência em prol das artes cénicas, que foi pensado e construído a partir dos programas Arestas de Vento e Espelho Mágico, tem sido, efectivamente, um reduto de resistência a pressões políticas e interesses particulares. É um teatro que vem à rua buscar espectadores, vocacionado para um público infanto juvenil, um projecto teatral activo de prática e criação, um teatro de mãos limpas, diferente e inovador no incentivo público à formação de jovens artistas: um verdadeiro desafio pensado e repensado mil vezes, que vive de êxitos comprovados e de casas cheias, uma genuína escola de artistas, acima de tudo artistas jovens e infantis que fazem teatro pelo amor à própria arte.
E até o facto de se assumirem como “amadores”, é motivo de muita felicidade e orgulho. Mas são amadores, porque não vivem, como outros, daquilo: têm profissão que exercem de forma permanente e não estão ancorados, para sobreviverem, em subsídios ou outras formas de apoio. As suas produções são pensadas ao pormenor, as realizações cuidadosamente preparadas, com equilíbrio e solidez, criando e reforçando laços de sociabilidade. Um teatro com causas, mantido esforçadamente por pessoas sensatas, que encontram nos aplausos e opiniões dos espectadores e da comunicação social, um grande incentivo para prosseguirem caminho.
É minha convicção que o Teatro Espelho Mágico, sedeado em Setúbal, não pode ser punido e ignorado pelo que tem realizado com acentuado êxito. Seria um perfeito contra-senso, se não culturalmente muito censurável.
Não há muitos grupos como o Espelho Mágico que consigam levar crianças a fazer teatro – teatro que devia ser matéria de escola. Para quem ainda não conhece este Grupo de Teatro Infanto Juvenil, recomendo assistir ao seu próximo espectáculo, no dia 3 de Maio próximo, no Cine-Teatro S. João, por ocasião do 13º Festival da Canção Infanto Juvenil de Palmela. E depois digam-me lá se é justo e honesto certa comunicação social ignorar com desfaçatez a sua existência e de entidades oficiais, que se arrogam de responsáveis e incentivadoras da cultura, deixarem apodrecer numa qualquer gaveta um projecto cultural de boa procedência e comprovada idoneidade, como aquele apresentado há dois ou três anos, à Câmara de Setúbal, pelo Grupo de Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico.
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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