Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

07/02/2009 GMT 0

HOJE QUERO FALAR DO LUÍZ PACHECO

fmp @ 23:52

 

 luizpacheco.png    

 

 

No passado dia 5 de Janeiro, fez um ano que a voz e a pena de Luiz Pacheco, um escritor que se ria da morte e era considerado maldito, inconveniente, alarve, polémico e outras coisas que não me apetece agora disser, se calou para sempre. O genial Pacheco viveu e trabalhou (e riu, e engatou, e gozou, e escreveu, e fez amigos e inimigos, e criticou, e barafustou, e embebedou-se…) em Setúbal, cidade que o podia ter tratado melhor…Conheci-o assim que assentou por cá arraiais, amores e misérias, era um gajo de quem não se gostava logo à primeira vista, já comunista na altura, culto e um tanto asacanado, língua afiada, conhecia todas as estrelas, incluindo as cadentes, da nossa praça, nacional e local. E não gostava muito delas. Tal como eu…

Do Luiz tenho (e partilho a posse com mais dois amigos) há uma mancheia de anos uma velha cassete onde vivem as suas nocturnas reflexões sobre a fraqueza do movimento cultural e político na cidade do Sado, com nomes e casos, arrasa tudo e todos, chama os bois pelos nomes e muitos nomes feios aos bois. Um documento forte, muito duro, muito acusatório. Uma pedrada no charco de uma sociedade provinciana de sapatos engraxados e de solas rotas, onde os vaidosos e chulecos culturais, no seu entender, não se livram de muitos açoites e reprimendas, principalmente os falsos democratas, outrora delfins da União Nacional fascista, “um criado ao dispor de Vossa Excelência”, os cobardolas situacionistas, invejosos e parasitas, que tentavam, após o 25 de Abril, dar abastada barrela a passado muito comprometedor. E ainda vegetam por cá alguns…

 

 

luizpachecoliteraturacomestivel.jpg

Por curiosa coincidência, a pessoa que entregou ao Luiz Pacheco a ficha para se inscrever no partido comunista, é hoje entrevistado neste programa. José Casanova, um comunista interventivo, é escritor e considerado senhor de uma escrita transgressora, de corrosivo humor, prosa ficcional vestida de real e de dignidade pelo ser humano. Foi precisamente este escritor que, na despedida do Luiz fez um discurso que não foi discurso, e acabou assim: “Para além do que aqui disse, para além de tudo o que aqui não disse – porque ele não quereria que o dissesse – fica a imensa saudade que o Luiz Pacheco deixa em todos nós. Saudade do amigo. Saudade do camarada. Saudade do escritor. Saudade do Luiz Pacheco exactamente como ele era. Uma saudade que, de algum modo, podemos ir matando…lendo-o.” Sugestão a que acrescento uma recomendação para os caros ouvintes: ler o Luiz Pacheco e o José Casa Nova aplaca a nossa fome de sonho e cuida da nossa sanidade mental.

Comentários não permitidos para este Post

Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis