COISAS ASSIM, SÓ EM SONHOS OU NO ESTRANGEIRO
Passear por praias de branca areia, mergulhar em águas cristalinas, explorar ilhas no maior grupo de recifes de corais do mundo, tirar fotos e vídeos, viver numa bruta vivenda com três quartos, com vista para o mar, equipada com piscina e campo de golfo, mais um buggy para transporte, sem pagar nada e ainda por cima receber um ordenado principesco só para se fazer ao bronze, quem é que já não sonhou?
Pois caro ouvinte, se está farto da rotina do trabalho, se sofre com o trânsito caótico e com os discursos melosos do Sócrates, se já não pode ver a cara de pedra da Ferreira Leite nem a brancura dos dentes do Portas, se está desempregado ou se é um dos milhares que no nosso País tem uma reforma de miséria, se não gosta da sua sogra nem da programação da televisão do Estado, se é um dos que não acreditam na condenação dos senhores acusados de pedofilia na Casa Pia, se desconfia de Congressos partidários que nada resolvem e só servem para beijar a mão ao líder, se ainda se admira que o seu presidente de câmara almoça muitas vezes com construtores civis, se desconfia que certo vereador, com novo e luxuoso carro, herdou de tia desconhecida choruda herança, ou se abre os olhos de espanto quando lhe dizem que determinada criatura, coitadinha, para desempenhar a preceito o seu papel de deputado, sacrifica profissão e família, então, caro amigo, está mais do que preparado para responder ao anúncio que o departamento de Turismo de Queensland, na Austrália, pôs a correr pelo Mundo.

Não necessita de diploma de engenheiro; só precisa saber falar e escrever inglês, ter espírito aventureiro, saber nadar e mergulhar, ser bom comunicador, para se tornar sério candidato ao emprego de zelador numa das 600 ilhas da Grande Barreira de Corais, a paradisíaca ilha de Hamilton, com ordenado bacano de 78,5 mil euros por seis meses de extenuante "trabalho". E as tarefas exigidas pela exploradora entidade patronal consistem, vejam bem, em dar comida a peixes e tartarugas, observar o mergulho das baleias, nadar por entre corais fabulosos, escrever sobre a Grande Barreira de Coral, fazer vídeos e fotos e publicá-los num blogue, falar de quando em vez com a comunicação social, tudo em nome da promoção do local, criando interesse por parte de potenciais turistas, agora que estamos em época de crise e de recessão mundial. Vá lá, meu amigo, mexa-se, informe-se, concorra, empenhe-se, meta uma cunha, atire-se de cabeça, rasgue o cartão do partido ou o do clube, mas não deixe fugir esta potencial oportunidade de usufruir de uma vida, embora curtinha de seis meses, mas com cheirinho à que goza a nossa mais recente e galardoada vedeta dos futebóis internacionais. E depois envio-nos um postal lá do sítio. Sempre nos serve de consolação e até é capaz de nos ajudar a votar bem!

Do Melhor
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