ATÉ FIQUEI BANZADO!
2008 finou-se pelas ruas da amargura e o seu parente próximo, 2009, começou tortuoso e de cara à banda e nós, Zé Contribuinte, a vivermos num rectângulo em recessão aguda, só lá para 2010, se for, é que pomos os olhos em cima de alguma melhoria.
O Zé Cidadão, seja de primeira ou de segunda apanha, pobrezinho mas honrado, como manda a tradição, até parece aceitar com resignada e cristã resignação este destino sem destino e com frouxa luz ao fundo do túnel. A vivermos num país pendurado numa Europa que sempre nos olhou de lado, que se sabe a crescer pouco mas a crescer, enquanto por cá, engodados com trinta e tal anos de promessas e promessas e mais promessas, continuamos a não passar da cepa torta, dando de bandeja a convicção de que se vive num mundo de completa ficção.
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A passos largos aproxima-se mais um período eleitoral, altura em que os nossos exímios políticos nos começam novamente a fazer a cama. Lá virão de novo as gastas e recicladas promessas grandiosas de mundos e fundos, o povo a engoli-las até ao sabugo, como se gostasse de ser enganado. O fingimento político a acentuar ainda mais o abismo entre palavras e actos, ajudam a firmar os políticos como a classe mais mentirosa de entre todas. Para alcançarem o poder ou para nele se manterem, são capazes de inventar e de fazer barbaridades, e nós, povo desgraçado, a vermos estes "paquetes" trafulhas a agredirem-nos os tímpanos, pimba, pimba, pimba, alguns até, como a Fénix, a renascerem das cinzas dos escândalos superados por novos escândalos, a actuarem na política e na economia com o único objectivo de enriquecimento rápido individual, buscando afincadamente a ração que alimenta os próprios bolsos. . . Neste país que já foi de menos brandos costumes, transformado numa arena política, em que aparece um mentiroso sempre melhor que outro, (como se a verdade fosse paradoxo da democracia), a honestidade pessoal parece já não servir de garantia de política eficaz ou competência, vindo dar razão a quem acredita que a moral politizou-se, amesquinhando-se. Urge que o sacrificado e mal pago cidadão contribuinte fortaleça o seu sentido crítico e deixe de ir em historietas da carochinha que só adormecem, adormecem, adormecem...

Pois foi neste nosso tão mal tratado País em completa e conhecida recessão, recheadinho de conflitos laborais e de desemprego desenfreado e incontrolado, que vem o Sócrates, de mansinho, e pumba!, pede ao Zé Povinho mais uma maioria absoluta. Tá o ouvinte a ver a cena, não tá?
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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