A CONFRARIA DOS COMPADRES
Estas últimas semanas têm andado grávidas de múltiplos sucessos. Um banco com muito melaço nas notas, cujo presidente está momentaneamente em prisão preventiva, indiciado de burla entre outros supostos delitos, outro banco, de abelhas-mestras, com a corda na garganta à espera da já anunciada disponibilidade do governo que, com os milhões dos nossos impostos e sem a nossa concordância, lá vai dar biberão aos problemas dos ricaços, defendendo com o nosso, o seu rico dinheirinho, sem que a mesma preocupação seja mostrada em resolver os graves problemas com que a maioria dos portugueses se debate.
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É a crise, crise que dizem já não ser nacional, é mundial, desculpa com que nos querem enrolar a memória, insulto à inteligência do Zé-pagantes. Claro que ninguém pode pretender esconder as actuais dificuldades acrescidas, nem o "Magalhães" portátil para aluno ver, serve de pala. Quando a gente pensa que já viu tudo, eis senão quando as diabruras de alguns cidadãos bem vestidos e protegidos, colunáveis políticos de diversas procedências e cores, com laços cujos nós serão talvez difíceis de desatar, nos trazem para a crua realidade: com crise ou sem crise, com ou sem entidades fiscalizadoras, há sempre um governo que estende a mão, solícito, solidário, bem-fazejo, milagreiro, tipo andarilho que nos auxilia pelos caminhos tortuosos da vida…
Acredito que a nossa caseira política de fancaria, não passa de um delicioso queijo suíço, com muitos buraquinhos: é o sistema… Algumas mediáticas caixas de ressonância não perdem oportunidade de santificar a bondade das medidas alicerçadas em milhares de milhões de euros, avaramente guardados em porquinhos-mealheiro para uma altura de penúria, beatificamente encaminhados para instituições bancárias de administração milionária, intocáveis e resguardadas de incómodos e de responsabilidades. Continua a ser o sistema…
Entretanto, na paradisíaca ilha da Madeira, a Assembleia lá do sítio permanece local privilegiado para ensaiar alguns quadros de revista à portuguesa, com sotaque e provavelmente com contra-regra. Valha-nos isto, como lenitivo para a sensaboria dos dias que actualmente correm!
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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