CRÓNICAS MARGINAIS (2)
Por isso te digo, Amigo Ricardo: três mesitos em ambiente taurino, capa vermelha na mão, sempre me serviram para alguma coisa (...) NÃO SÃO SÓ OS TOIROS QUE MARRAM! Era eu um garoto assim a atirar para o traquinas de pé descalço, quando com dois outros gaiatos como eu, (mais tarde, um, o Vítor Caniços, viola eléctrica de um conjunto setubalense de alguma nomeada, o outro, o conhecido treinador de futebol Quinito), andámos pelo redondel da praça de toiros cá do sítio, recomendados por um tio aficionado, forcado amador, do Caniços, a aprender a TOUREAR. Foi breve a aventura, acabou com os burrinhos na água, coisa de meses, talvez uns três, quatro, duas vezes por semana. Ninguém ficou zangado, partimos para outros horizontes, outras lides, outras arenas, tínhamos todo o tempo deste mundo, só deste mundo, ao dispor. (E se calhar ainda temos…) Ressalvo que desse tempo me ficou uma certa nostalgia e um genuíno agradecimento por alguns conhecimentos que se salvaram e que, por vezes, bem espremidos, me vão servindo para lidar com alguns esqueletos curvilíneos que teimam em aparecerem-me pela frente. Nada a que um tércio de bandarilhas não aplaque a aleivosia. Tontinhos carentes, críticos miserabilistas, fossilizaram-se no seu percurso de vida, encostados à parede, de cu orgulhosamente ao léu, à espera da baba ranhosa que lhes alimenta as entranhas cadavéricas e malcheirosas. Só enganam uma vez. Descobertos, são colados e bem colados na prateleira da indiferença e do esquecimento. Desprezados, porque desprezíveis. Merecem outra coisa? Mas eles insistem, gostam de servir de gozo público, jetset dos espíritos rançosos, para nossa delícia. Chegaram a um patamar elevado de existência que lhes cega o discernimento. O entendimento. Casos clínicos urgentes. Na sua necessidade de marrar, até marram no espelho, sempre que nele se reflectem. Aqui o caso já não é assim tão grave, porque se esfrangalham a eles próprios, salutar forma dos imbecis falarem com o outro eu. De falarem ou de escreverem… Por isso te digo, Amigo Ricardo: três mesitos em ambiente taurino, capa vermelha na mão, sempre me serviram para alguma coisa. Consigo toureá-los com ganas, abro com tandas de derechazos e remato sempre com molinete. É morte certa! Um abraço, fazendo votos para que, proximamente, nos faças uma agradável surpresa. Ah, e vai toureando a preceito a sacanagem que procura alimentar-se dos teus projectos e do teu saber. E crava fundo, que é para aprenderem! Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ |

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