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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

29/07/2008 GMT 0

Dia 27|Julho|ARESTAS DE VENTO|www.palfm.pt

fmp @ 11:42


POR UNS, PAGAM OS OUTROS…



Num país, onde cerca de dois milhões de pessoas está à beira da pobreza, com uma inflação real acima do valor anunciado pelo Governo, onde a crise alimentar e o aumento dos preços afecta directamente as famílias mais desfavorecidas, não restam dúvidas que este cenário estimula fortes e justas críticas aos políticos, a todos os políticos.
A pobreza é uma triste realidade que cresce todos os dias no nosso País, onde a desigualdade entre ricos e pobres, com um quinto da população a viver abaixo do limiar da pobreza, não parece chocar o poder político, alheado desta triste realidade.
Na Dinamarca, país que serve de inspiração a muito boa gente, existe na cidade de Copenhaga um Museu da Pobreza, o primeiro no Mundo, como se a pobreza fosse matéria para se relegar a coisa de museu… Até parece que se pode condenar a pobreza persistente, como se a pobreza fosse miserável, uma vergonha. As pessoas não devem ser desprezadas, porque desprezá-las é agravar ainda mais o problema. Lembro-me que, antigamente, na Igreja de S. Domingos, em Setúbal, havia uma caixa de esmolas com a inscrição "Pão de Santo António". Pois, com todo o (pouco) dinheiro apurado, comprava-se o pão que era distribuído pelos pobres. Pobres auxiliavam pobres…

Em 1996 foi criado o Rendimento Mínimo, agora Rendimento de Inserção Social. Desde que começou a ser pago, o número de beneficiários aumentou velozmente. Esta prestação social pretende garantir às pessoas e seus agregados familiares, condições mínimas para a satisfação das suas necessidades essenciais. Acredito, não obstante, que deverá haver abusos, falcatruas mesmo, o que não me impede de apoiar esta medida. Mas há o reverso da moeda: o facto deste rendimento poder retirar a alguns a capacidade de trabalho e a outros manter a sua permanência na rua. Mas também conheço casos em que indefesas crianças já não vão para a escola em jejum e de famílias pobres a quem este "auxílio" veio tornar menos negras as suas vidas. Neste País de pobres cada vez mais pobres, onde os depressivos têm vendas em alta, quero crer que se não fosse o Rendimento de Inserção Social, com todos os conhecidos cadilhos que transporta, Portugal ainda estava mais miserável, triste e pobre. Não é por acaso que a solidariedade está expressa na nossa Constituição…



Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt

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