ASPIRINA É SOLUÇÃO?

O País real é outro, é o país da má governação onde os seus habitantes vivem com dificuldades acrescidas, sem que se vislumbre soluções para atenuar as carências, cada vez mais individuais, com salários e rendimentos abaixo da inflação.ASPIRINA É SOLUÇÃO? Sócrates disse de si mesmo que não era arrogante mas sim firme, numa entrevista higiénica e bem agasalhada que deu um destes dias à TV de todos nós. Mordam-se, portanto, os calvinistas políticos que só sabem atacar Sócrates, 1º ministro de um Governo de maioria absoluta, cujos quatro anos de governação irão fazer uma paragem já em 2009. Sem o vigor de outrora, mesmo assim José Sócrates bateu-se com alguma garra, mas não convenceu a maioria dos telespectadores/eleitorado. Ficámos todos a saber que tudo o que correu bem foi mérito do Governo e tudo o que mal correu foi maldade do mundo. Não admira que a oposição, esse bicho de sete cabeças que lhe dá cabo da cabeça, incluindo a oposição da classe política que tem mantido e até aumentado os seus ordenados, subsídios e ajudas-de-custo, tenha torcido o nariz às soluções apresentadas pelo governante para minimizar ou colmatar os problemas que estão a mergulhar o País numa profunda e aprisionada crise e a fazer oscilar a Europa imperial. Portugal estava necessitado de profundas reformas, é certo, mas dispensava bem o fosso cavado entre ricos e pobres, que o transforma num país ao sabor da corrente globalizadora neo-liberal, gerando enfermidades individuais e colectivas, criadora experiente de bolsas de marginalidade, de pobreza e de desemprego. Sócrates, que tinha um saldo de imagem que atingia os 52,2% aquando das últimas eleições, anda agora pelas ruas da amargura e da incerteza. A sua declaração ao País foi como aspirina para um doente em estado quase comatoso. O imposto sobre as mais valias das petrolíferas para ajudar as famílias mais carenciadas, é um exemplo, como se o dinheiro caído nos cofres públicos tivesse cor ou cheiro…
Entretanto, prepara decretos-lei onde garante aos diplomatas direito a serem reembolsados, mensal e integralmente, das despesas com a educação dos filhos, adoptados e enteados, menores de 18 anos; isto é, põe-nos a nós a pagar a educação dos filhos deles, enquanto os nossos vêem fechar escolas e aumentar as despesas com livros, material escolar e transportes. E depois não gosta de ouvir dizer que este Governo, com estas benesses, continua a criar uma elite de cidadãos… São mordomias a mais num país em crise, crise de que Sócrates pretende desresponsabilizar-se. Este País descontente e em luta diária, onde todos os sacrifícios são pedidos aos trabalhadores e às classes médias, com os grandes grupos económicos a verem aumentar os seus lucros, já está farto de demagogias pinóquianas e sem vontade para rir quando ouve o primeiro ministro afirmar que "o País está melhor do que antes"… O País real é outro, é o país da má governação onde os seus habitantes vivem com dificuldades acrescidas, sem que se vislumbre soluções para atenuar as carências, cada vez mais individuais, com salários e rendimentos abaixo da inflação.
Já fui enganado uma vez. De certeza que não serei mais!!!
Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ |


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