UM GRANDE SACANA, MAS UM EXCELENTE ACTOR...
…ELE ATÉ SABE DIZER POESIA!!!
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Nunca me habituei a ver o Fernando Guerreiro somente como actor. Havia (e há!) nele um inesgotável potencial, parte ainda escondido, que seria de bom senso aproveitar em prol da cultura desta cidade de Setúbal que, por vezes, devido à indiferença de certa gentinha a prazo ou cavalarmente idiota que, de tão mal fornecida de agentes e promotores culturais anda claramente famélica, se dá ao vexame de pôr de lado incontestados, experientes e aceitáveis valores setubalenses…
Numa conversa onde um certo gozo se mostrou salutar, roliço e gostoso, ficou provado que o entrevistado quando nasceu apanhou o Universo desastradamente em preguiça divina, e acabou por ser perfilhado pelos deuses, daí a forma escorreita e frontal como sempre tratou a vida, as idas ao teatro em grupo familiar, um piquinho de educação aburguesada, os dissabores, as traições, as intrigas, a cultura, a tropa, a saúde, os bancos de escola, as sessões quase clandestinas de cinema, a Praça de Bocage e a praia da Albarquel, a Poesia e a TV, algumas ameaças, certas insónias e certas estórias. (Os petiscos e as cervejas também contam, isto para não falarmos de outras maldades…)
Claramente entendido que o Fernando Guerreiro actor alberga dois personagens: interpreta um, deixa o outro ao cuidado dos espectadores, num alumbramento de faz-de-conta, sem estética intelectualizada, num cúmplice piscar de olho, cordão umbilical a que se deve, a par da competência, conjugando a arte com o profissionalismo, o sucesso que alcança junto do público, sempre que pisa um palco.

A entrevista foi um manjar sem esquizofrénicas acusações, sem abstinências, em alguns momentos alvoroçada, mas sem safadezas, bem espicaçada pelo dono do microfone, sem conversetas dúbias, inodoras e sem sabor. Com a despretensão do costume, Ricardo Cardoso tornou a acertar na escolha do convidado, (e "eles" a pensarem que o Arestas de Vento era um programa decorativo…), um grande sacana, diga-se de passagem, mas um excelente actor, encenador de mérito que vai deixar escola, criador de espaços tertulianos, reinventor na concepção como matriz de todas as utopias. Continua a viver alimentando sonhos, sonhando encontrar nos seus sonhos recorrentes o "tal" projecto abrangente que, como escrever um livro ou plantar uma árvore, deixe neste mundo, indiscutivelmente, a sua assinatura.
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Obrigado, Amigo Fernando Guerreiro, por teres partilhado comigo a tua entrevista, dizendo algumas poesias da minha modesta autoria, de forma magistral, valorizando-as. Só por isto, mereces um lugarzinho no Céu…
E por falar em Céu, adorei a activa e visível participação da Céu Campos que, em conjunto com Ricardo Cardoso, tiveram paciência para nos aturar durante duas (curtas) horas.
Um abraço para todos.
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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