CRÓNICA DOMINGUEIRA
OU VAI OU RACHA

Há quem se considere na dependência de um poder que nos dispensa da canseira de pensar e nos promete todos os mundos e todos os fundos: estímulos à economia chutando para fora a pobreza, óptimo tratamento da nossa saúde, baixa do desemprego, pão com manteiga e cházinho de tília, que nos põe contentes e satisfeitos por existirmos.
Sei que sou vítima do "monstro" que ajudei a criar: a maioria absoluta socialista que conferiu a José Sócrates uma arrogância raramente vista e lhe entregou de mão (na rosa) beijada, as rédeas deste rectângulo, a que almas mais pias apodam de sítio, prenhe de promessas, promessas como canto antigo de sereias chegando de mansinho aos ouvidos do povo desprevenido.
Na classe média (onde ainda não subi…) o desespero e a revolta estão mesmo, mas mesmo a rebentarem a escala: as dívidas bancárias andam agitadas no mar encapelado da alta das taxas de juro a caminho dos 6% e com o petróleo a ter tiques de prostituta requisitada, aumentando diariamente. Em 2009, lá vai o 1º Ministro José Sócrates enfrentar uma classe média cujos azeites lhe chegaram ao nariz, deprimida e, simultaneamente, enfurecida.
Se o País ficou durante uns dias nas mãos de um pequeno grupo de patrões camionistas, Sócrates está refém duma classe cuja vida pacata já deu o que tinha a dar e agora se recusa a mais sacrifícios e não está disponível para mais "canções do bandido" ou canções de "amanhãs que cantam".
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Agora vivemos tempos de patriotismo sazonal, com janelas enfeitadas de bandeiras e emigrantes a ganharem direito à nacionalidade; tempos relevantes a ver crescer sentimentos anti-EUA e anti-EU, com sindicatos e corporações a perceberem que o Estado de Direito está mais torto do que nunca. Fazemos todos parte duma tribo, camionistas e taxistas, pescadores e agricultores, funcionários públicos e desempregados, todos coabitando um país formado por um filho de francês e de espanhola, D. Afonso Henriques.
Ao cidadão atento, torna-se claro que uma porta foi fechada com estrondo e que governar com os olhos subservientemente postos em Bruxelas, apenas e só pensando no equilíbrio das contas, forçou a nota, por falta delas, e nos encontramos na difícil situação de carência que nem o melhor botok conseguirá disfarçar. Ao longo da Europa, os políticos, profissionais ou de Entrudo, estão a recomeçar a perceber que não se pode governar desprezando as pessoas… A seu tempo aprenderão a lição!
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
etcetal.blogs.sapo.pt
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