UMA CONVERSA À LAREIRA, ENTRE POETAS E ACTORES
A ENTREVISTA DO PASSADO DIA 22 DE JUNHO, NO PROGRAMA ARESTAS DE VENTO, A DOIS POETAS E A UM ACTOR TEATRAL, SIMULTANEAMENTE, FOI TÃO SERENA, TÃO SERENA...

BACALHAU É PEIXE
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Uma entrevista que me fez lembrar um jogo de miúdo, (quente, frio, morno, lembram-se?) mas interessante devido ao contraste cultural e pessoal entre os três entrevistados e onde ficou bem edificado o conceito genuíno de cultura popular, como verdade de sempre, acessível, mantida e partilhada. Vozes irmãmente discordantes, sem espaço para pessimismo, cada um à sua maneira a nunca desistiram de lutar por ideais e conceitos; em certos momentos deram a sensação de um jogo de palavras que escaparam ao papel, sem silêncios, pontapés dados à opacidade intelectual. Uma aliança entre a palavra e o gesto, a poesia e o palco da vida, como um teatro, com a colaboração de Céu Campos e a cumplicidade de Ricardo Cardoso. E nós como espectadores. Todos nós, no fundo, como espectadores.
Afinal, também se pode denunciar uma marcha que, contra os próprios regulamentos, é premiada e publicada. Os santos populares hão-de perdoar… E confessar descobrir um palco feito sonho e rumo. E versejar entre o céu e a terra, lá onde a inspiração nos sacode.
Agradeço as referências, no programa, que cordialmente me fizeram. Não mereço tal distinção. Sei que a amizade que me liga aos entrevistados poderá ter sido cúmplice das opiniões, lisonjeiras, expressas. O meu abrigado aos três.

Uma pequena explicação para um "certo" povo, calmo e sereno: só escrevo e digo o que quero e sinto. E assumo por inteiro as minhas opiniões, até as minhas divergências. Há quem possua uma noção errada do que seja critica, como se quem critica se estivesse a opor a alguém ou a alguma coisa, esquecendo que a critica não é mais do que um diálogo entre duas pessoas sobre determinado assunto. A minha independência de pensamento torna-me imune às cagádas existenciais de alguns pobres de espírito que vegetam no semi-anonimato, recobertos com o creme do carácter sem eixo, mas com varais carroceiros que lhe induzem à sebosa arrogância de quem acorda de manhã convencido de que o mundo está contra eles e procuram com argumentos de papagaios de papel negar o evidente, como se os outros não tivessem olhos e OUVIDOS e dois dedos de inteligência… Acabei de me referir a um diabito que, na ausência do rei, continua a mandar no reino… É assim que, por vezes, começam os contos onde se falam de anões e duendes, fadas más e bruxas feias. Coisa que não tenciono fazer.
Parabéns ao Ricardo e á Céu e aos seus convidados pela óptima entrevista com que nos brindaram!
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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