EM JEITO DE ABRAÇO
Céu Campos
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Em boa verdade, não poderia deixar passar em claro, a entrevista que Céu Cardoso, co-responsável pelo programa Arestas de Vento, deu, num destes dias, a um jornal de Setúbal, quer pela actualidade e seriedade dos temas com que se defrontou, quer pelo pertinente aspecto com que ilustrou o seu pensamento. Dois pormenores saliento: a sua arreigada convicção tornada objectivo talvez a curto prazo de projectar o Grupo de Teatro Espelho Mágico, de que é a responsável, à escala nacional, o que, tendo em conta a firmeza do seu carácter e sua vincada personalidade, género "nem quebrar, nem torcer", sempre pela razão, em frente é que é o caminho, caminho que não comporta "ninhos atrás da orelha" como muita boa gentinha poderá testemunhar, é uma meta que certamente será atingida, cremos que dentro de muito pouco tempo.
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Ricardo Cardoso e Céu Campos, pedreiros livres, responsáveis pelo polémico programa Arestas de Vento, da rádio PALfm, Palmela, Portugal.
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O segundo pormenor emanado da sua entrevista, quanto a mim, diz respeito à forma como, no terreno, põe em prática valores como amizade e solidariedade. Sem grandes arrazoados e tiradas pseudo-filosóficas, bengala de pessoas sem lastro político ou social, reconhece as injustiças muito reais na nossa sociedade, que perduram, deixando a sensação de que a responsabilidade pela pobreza e abandono também será nossa. E é, certamente. A sua experiencia advinda do contacto que mantêm diariamente, na Caritas de Setúbal, com infortunados e carentes de bens e afectos, têem-lhe cinzelado o espírito e a mente, num percurso de vida partilhado, a que não será indiferente o espírito humanitário respirado nessa organização de "bem-fazer" e a alguns exemplos lá encontrados.
Para lá de ser uma boa amiga, com a porta de sua casa sempre aberta e um abraço solidário e reconfortante a receber os amigos, é também uma certeza no difícil campo das artes plásticas, que pratica autodidacticamente, como prova, por exemplo, os seus cenários teatrais, e uma sabedora radialista, como de resto o nosso vasto auditório saberá. Tem cultura, sabe dizer poesia, é prendada e desconfio que até sabe tocar piano... Com todos estes comprovados predicatos, um cheirinho de vaidade até nem se notava. (Outros e outras, que nem aos calcanhares lhe chegam, assim que acordam beijam o espelho e arrogam-se donos do mundo...Conheço alguns destes tratantes. E certamente que quem me ouve conhecerá mais uma grossa...) Mas até neste aspecto faz a diferença. Humilde, corajosa, heroina da sua própria vida; numa palavra: uma grande Senhora, ao lado de um grande homem... Para ela e para o marido, Ricardo Cardoso, um grande abraço e a certeza de que continuamos solidários com as vossas lutas e ânseios.

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