COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM UMA POETISA...

DE QUALQUER MODO, PREVALECE A POESIA
Uma entrevista a princípio glaciar, modestinha e apagadinha, quase desinteressante, mas que pouco a pouco, lá ganhou alento, muito por culpa duma empatia cúmplice entre os presentes em estúdio, se veio a revelar apaixonada causando, em alguns momentos, o cair do véu duma sociedade assumidamente farsante, feijão frade e alcoviteira, com padrinhos e afilhados, estes "ás ordens de vossas excelências", aqueles com o "chicote" a manterem alinhados quem veste a camisola do mesmo clube, enquanto os outros, os que têm coragem de pensarem por si mesmos, ficam às migalhas, quando ficam.
Mas como não há regra sem excepção, o exemplo, traduzido em apoios prometidos e concretizados, dando valor e garantia à palavra dada, da parte da Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, deveria servir para abrir os olhos de quem, por exemplo, no Governo Civil de Setúbal, é "responsável" pelo movimento cultural do Distrito. Pelo menos poderia ajudar os novos "habitantes" a distinguir iniciativas e grupos merecedores de serem apoiados. Como o Grupo de Teatro Infantil Espelho Mágico, cujos responsáveis são, precisamente, os mesmos que levam para o ar, na Rádio PAL, o programa Arestas de Vento: Ricardo Cardoso e Céu Campos.

Estas considerações, e outras que ainda vamos desenrolar, é bem de ver, são efeitos da onda que a entrevista a uma poetisa veio deixar no espírito do auditório, no passado domingo, dia 11. Mesmo não se percebendo por que este Grupo faça só UM espectáculo no próprio local onde estreia, anualmente, as suas peças (e onde é VERDADEIRAMENTE apoiado), a verdade é que tem sido na Vila de Palmela que tem consolidado o seu projecto teatral e onde tem encontrado, não só agora, o seu próprio espaço, e tem principiado a digressão que já levou o Grupo a pisar diversos palcos, incluindo o da Festa do Avante, local tornado mítico para grupos musicais e teatrais. Para lá chegar, a boa vontade só não basta…

Temos, portanto, uma entrevista que foi suporte para a denúncia de uma "ruptura" que é urgente pacificar: "porque é que o Grupo de Teatro Espelho Mágico, que consegue movimentar MILHARES de pessoas por onde passa, não actua MAIS no palco do Cine S. João, em Palmela?" É que um grupo que se destaca por revelar, e bem, grandes autores e grandes actores (destes, a maioria de palmo e meio…) e consegue encher, literalmente, as salas por onde passa, merecia que lhe abrissem mais vezes as portas do Cine-Teatro de Palmela que, graças a Deus, não é "gerido" pelo Governo Civil de Setúbal…
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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