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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

30/12/2007 GMT 0

DOMINGO, 30 DE DEZEMBRO

fmp @ 16:52

ANO NOVO, VIDA NOVA ?

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2008 está aí, mesmo, mesmo a tocar à campainha. Não sei se lhe abro a porta. Ainda vou pensar no assunto. Estou zangado com o irmão mais velho que não trouxe nada de bom para grande parte do povo lusitano. E o próximo, cara chapada deste, pelo andar da carruagem, não augura lá grande espiga... Cá pra mim vai ser um recomeço de tudo neste Portugal português, mais um ano embebedor, onde a maioria das pessoas se sente esbulhada, traída, violentada. E pobre. Cada vez mais pobre. 

Sempre me intrigou a frase que ele transporta pela trela: ANO NOVO, VIDA NOVA, um jargão sem efeito, pelo menos para mim, pecador confesso e não reciclável, graças a Deus, a apanhar todos os anos com o mesmo indigesto fast-food das promessas, o mesmo blá-blá-blá  impingido aos cidadãos, rasteira centopeia de palavras ôcas, mas que enganam, nos enganam na sua baboseira mediática.
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No entanto, que venha o caraças do 2008, porque não faço intenção de entregar de mão beijada o ouro ao bandido. Vou resistir. Tenho o direito de resistir, de engajar soldados, até. Nesta época de falsos profetas, tão agradável para políticos mentirosos, vou continuar a viver a vida, a aproveitar bem o tempo, a buscar sonhos, a reforçar amores, amizades, desejos, a percorrer novos caminhos, a lutar por causas justas, a dividir ideias, pensamentos, trocar experiências, a aprender com os erros para continuar errando. Eles que se danem. Estou-me borrifando. Globalmente!
E que hajam sonhos, muitos sonhos, marés de sonhos, epidemias de sonhos, mesmo reiniciados, velhos ou novinhos em folha, mas sonhos. Temos pela frente 365 dias totalmente em branco. Vamos preenche-los bem, mesmo à revelia dos gestores do regime. O sonho também ajuda a construir um País... E é luta!
E para o ajudar, meu amigo, se possível, a acabar bem este e comecar bem o próximo ano, aqui lhe deixo estes versos que o meu Avó algarvio cantarolava com um sorriso matreiro: 
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Adeus, Ano Velho
Bem-vindo Ano Novo.
Que tudo se realize
Neste que vai nascer
Muito dinheirinho no bolso
Saúde pra dar e vender!

 

 

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e

23/12/2007 GMT 0

"Nós amamos porque ELE nos amou..."

fmp @ 23:04
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O Natal deixou de ter no seu centro o nascimento do Menino Jesus. A avidez com que as pessoas vão às compras, este idiota consumismo apressado, de mãos dadas com uma "solidariedade" sazonal natalina, vem esvaziando esta época do seu significado verdadeiro. E nós, impávidos, lá vamos atrás... O capitalismo sabe-a toda! Mas não só o capitalismo...
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Conheço o Professor Eugénio da Fonseca há muitos anos - sem nunca ter com ele falado. Mas é um nome que surge muitas vezes referido por amigos meus, a propósito de diversos assuntos, a maior parte deles ligados a Setúbal, à Cultura e à Solidariedade Social.
A primeira vez que, de facto, despertou a minha curiosidade, foi quando um seu ex-aluno, numa "sessão política" de café, sugeriu o seu nome como um bom candidato à Câmara Municipal de... Setúbal!  "Setubalense, humanista, solidário", acrescentou.
Segui com atenção a entrevista que deu ao programa Arestas de Vento. Criteriosa e absolutamente honesta, vincou sobremaneira o aspecto humano das suas funções enquanto cidadão e responsável pela Cáritas Setubalense, marcado pela solidariedade, pela paz e pelo amor ao próximo, um elo nesta harmoniosa corrente que forma o mundo, onde nós, humanos, seremos simples formigas, mas obra de Deus.
Deixou bem claro que vive na pele a pobreza, fazendo uma abordagem séria e objectiva da problemática, afirmando que até os pobres, os desamparados, os marginalizados, ainda que excluídos da sociedade, possuem direitos iguais de cidadania.
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EUGÉNIO DA FONSECA
A sua Fé não é cega, não é fanatismo religioso sem pés nem cabeça. O seu conceito de sociedade mais justa, é baseado em valores e sentimentos, alguns que, infelizmente, escasseiam, como a solidariedade.
Gostei da serena entrevista deste Homem de causas. Mas há um ponto com o qual não concordo em absoluto. Em resposta a uma pergunta do nosso amigo Leonel Dias, se o seu lugar na instituição era "cobiçado", respondeu que não. Não mesmo? Bem...
Só desejo, sinceramente, que tenha muita saúde para poder continuar a demanda em prol dos necessitados e excluídos.
Quanto ao desempenho do Ricardo, fiquei com a sensação que partilha completamente dos pontos de vista do entrevistado, no que respeita a solidariedade, à verdadeira Solidariedade e que também repudia a caridadezinha hipócrita e sazonal.
Para ambos, os meus cumprimentos e desejos de BOAS FESTAS.

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
sempreemluta.nireblog.com
etcetal.blogs.sapo.pt

COM DESEJOS DE BOAS FESTAS

fmp @ 22:52

CARTA AO PAI NATAL

 

Amigo Ricardo,
Anda por aí um grupinho de malandros a dizer que o Pai Natal não existe. E um outro grupinho de iguais a afirmar que o velhote das barbas brancas (teria sido vírus da coca?...) existe, sim senhor, mas é um grande sacana, faz contrabando, passa as fronteiras a salto, indocumentado, explora animais (e citam as pobres das renas, obrigadas a toque de chicote a fazer horas nocturnas, sem paragem para comer ou descansar...), e, como bom pilantra, desce à noite pelas chaminés (não se sabendo como, já que a gordura não ajuda...) e deixa ficar, quando deixa, brinquedos, a maior parte feitos nas chinas, que, como sabemos, não se situam no Pólo Norte, onde é suposto ele ter dado os primeiros vagidos. Se calhar, como bom capitalista, pirou-se prás chinas mais as fabriquetas, porque aí os ordenados são pequeninos, pequeninos como os chinesinhos (e daqui por uns tempos, pequeninos, pequeninos como os dos portuguesitos...) Há ainda um outro grupo que acredita no Pai Natal e pronto, mai nada!
De qualquer forma, meu Amigo, eu cá, e por via das coisas, nunca se sabe, (já os espanhóis dizem que não acreditam em Pais Natal mas que eles existem, existem - ou não será a respeito do Pai Natal? Bem, passemos à frente!), nunca se sabe, dizia eu, fiz um pedido ao velhote castiço de alvas barbas e só espero que os correios cá do sítio, fazendo jus à divisa cóboiana do faroeste americano, (não confundir com o português...), entregue a carta, não a Garcia, mas ao bolinha de Berlim do patusco Noel.
E na cartinha, cheinha de coraçõezinhos, um pedido, pois então, que espero que o Papá de vermelusco vestido, (ou esta côr será só para confundir o pessoal?)  me satisfaça a preceito. Queres saber qual foi? Não, não te posso dizer. Mas como és bom rapaz e Coucence, dou-te um lamiré, um pequenino lamiré, deixando à tua fértil e bem armazenada imaginação o resto: fala do Sócrates e das próximas eleições...

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ 

21/12/2007 GMT 0

COM VOTOS DE BOAS FESTAS

fmp @ 13:33

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APONTAMENTO SOBRE A ENTREVISTA DE DOMINGO, 16 DE DEZEMBRO, NO ARESTAS DE VENTO, DA PAL FM, A ALGUNS ACTORES DO GATEM

 

Um dos objectivos principais do Grupo de Teatro Espelho Mágico é promover, produzir e divulgar a cultura, estimulando a criação artístico-cultural, permitindo o acesso a esses bens, sem perder de vista uma grande e saudável alternativa de diversão, já que este campo - o teatro infantil - poderá funcionar como estratégia para a construção de uma identidade e servindo de ferramenta para a promoção da cidadania, pela envolvência do seu conteúdo cultural, cumprindo o seu natural papel de formador no processo de aprendizagem sócio-cultural, não invandindo atabalhuadamente o imaginário das crianças com regras rígidas e sufocantes. Um conto de fadas é um conto de fadas, se bem que, por vezes, com significados diversos, mas que enriquecem a existência de todos nós. Julgo saber que o Grupo Espelho Mágico é uma escola informal, também baseada em experiência, actividade e apreciação que oferece ao público uma programação educativa e de lazer, com qualidade e responsabilidade, já que a arte teatral, como todas as artes, é feita de alegorias, de metáforas, no seu essencial.
 
A adaptação primorosa que Céu Campos concebeu para a peça "O Principezinho" que este Grupo irá levar à cena, é um compromisso com a criatividade, com diálogos cuidados, frases bem construídas, habitando um cenário original, profundo e simultaneamente entendido, obrigando o pensamento a inquirir se a estória vivida em palco não poderia ser realidade...
Os poemas que desfilam suavemente  pelo palco,  nascidos da pena e da inspiração do Poeta Setubalense Luís Filipe Estrela, estabelecem como que uma  interacção com o público...
 
A actuação do pequeno Principe e de todos os que colaboram nesta peça, dando-lhe vida e sentimento, é uma completa e agradável surpressa. Arrisco mesmo em afirmar que esta peça teatral irá ser um dos maiores, se não mesmo o maior êxito alguma vez conseguido por este grupo, grupo possuidor de um espelho mágico que transforma a corriqueira dimensão onde vivemos, numa dimensão onde nós, simples humanos, somos levados, em cumplicidade assumida, pelas asas da imaginação e da nostalgia...
 
E aqui tens, Amigo Ricardo, o meu comentário à magistral entrevista que Céu Campos, Luís Filipe Estrela, Luís Candeias e Bernardo Oliveira, deram no passado domingo, dia 16 de Dezembro, ao Programa Arestas de Vento. Se, de facto, quiseste oferecer ao teu grande auditório um simpático aperitivo, o prato principal vai ser de lamber os dedos! Lá estaremos para o saborear!
Um grande abraço para todos.


 


FERNANDO MANUEL PEREIRA


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09/12/2007 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA, 9 DEZEMBRO

fmp @ 16:58

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MAIS UM GRANDE DESAFIO 

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 A padroeira da música é uma mártir, Santa Cecília, que, no século I I, foi queimada num caldeirão sobre carvão em brasa, enquanto entoava hinos. Dez séculos passados, esta imagem de sacrifício, de fidelidade a uma crença ainda é muito forte e compreendida. Há quem consiga permanecer, não importa o tamanho e força das ondas, fiel a um ideal, a um objectivo. Parece-me ser o caso do jovem talento MARCO ALONSO, moderno trovador com uma visão musical inovadora que, durante a entrevista que deu à Rádio PAL, programa Arestas de Vento, soube transmitir em língua vulgar, acessível, uma curiosa instintividade com grande base de improvisação, condição que o dedilhar da guitarra, ao vivo no estúdio, deixou bem vincada. A eterna aprendizagem, seja no jazz ou no flamengo, indiscutíveis músicas populares, é a única forma conhecida de perpetuar sons, estados d'alma, sensações descobertas e naturalmente partilhadas, onde cada nota é uma sílaba arrancada do interior de nós mesmos, transmitida como sinais vivos de poesia nunca realizada, sempre aberta a novas letras, novos sons.

O início da história do jazz foi marcado pelo aparecimento de bares clandestinos nos EUA, logo após a implementação da chamada "lei seca". Nestes bares as pessoas reuniam-se para beber, escutar e dançar a música mais popular e contraditória da época. Foi assim que o jazz se tornou um dos maiores fenómenos musicais do último século e continua a ter milhares de seguidores, independentemente das experiências que com ele fazem, o que não o emagrece nem lhe tira identidade, antes dá-lhe mais vigor, mais energia, mais alma. A fusão do jazz com o flamengo, com o samba ou com outra qualquer "corrente" musical é, segundo os estudiosos da matéria, uma agradável forma de fazer com que o sangue circule por todas as veias.
No flamengo, a guitarra, vélhinha de mais de 5ooo anos e que surgiu em Espanha durante o século XV, tem sido a natural acompanhante deste estilo musical e tipo de dança ligados à região de Andaluzia, tão apreciado por espanhóis e portugueses, cuja étnia cigana, de ambos os países, a adoptou e promove, também.
Parabéns, portanto, a este jovem de 24 anos, que ainda está a dar os primeiros passos neste mundo nem sempre pacífico da música. É agora a altura certa de ser "ajudado".
E foi o que o RICARDO CARDOSO fez, utilizando esse grande centro difusor da cultura que se chama ARESTAS DE VENTO, mais uma vez abraçando um grande desafio: fazer circular e dando a conhecer o que não é lançado oficialmente... 
É por estas e por outras, mais por estas, que este Programa é considerado um exemplo perfeito de como se deve lidar com a BOA e GENUÍNA cultura popular e seus intérpretes. Quantos programas radiofónicos no nosso País, particularmente no nosso distrito, se podem orgulhar disto?

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Clicar na figura imediatamente ABAIXO para ver e ouvir a actuação deste artista.

QUE LEGADO PARA OS NOSSOS FILHOS?

fmp @ 16:27
Durante uma acção de limpeza, no passado dia 24 de Novembro, nas praias do Portinho e do Creiro, situadas na Serra da Arrábida, promovida pelas Associações ambientalistas Liga para a Protecção da Natureza, Clube de Montanhismo da Arrábida e "O GEOTA", com o apoio da Junta de freguesia de S. Lourenço (Azeitão), Fundação Oriente, Câmara Municipal de Setúbal e Parque Natural da Arrábida, foram retiradas QUATRO toneladas de lixo, numa acção que também pretendia sensibilizar a população e os utentes para a educação ambiental.  Desde embalagens de plástico e de vidro, fraldas, roupas, redes de pesca, cacos de velhos barcos, não contando com a lixeira que o mar acumula nas praias, de tudo os 60 voluntários envolvidos nesta campanha encontraram. Os 200 sacos, com capacidade cada para 20 quilos, foram insuficientes.
Esta campanha não foi única. No passado, outras foram levadas a cabo por diversas organizações, nomeadamente pelos Escuteiros e pelos alunos de diversas escolas, além da limpeza efectuada pelo pessoal do próprio Parque Natural. Mas, pelos vistos, não tem obtido grandes resultados.
De uma beleza impar, com riquezas naturais e patrimoniais que por si só justificaram a classificação de Parque Natural, concedida em 1976, a Serra da Arrábida possui cantos e recantos de sonho. As suas praias e as encostas a elas coladas, são do mais bonito e encantador que existe e não merecem estar sujeitas a tanta falta de civismo, de cidadania e, principalmente, a uma total falta de respeito pela natureza.
É triste, muito triste, vermos, num quadro de natureza de tons verdes, areias douradas e mar azul, entulhos, pneus, plásticos, tudo acompanhado de um aroma que nada tem a ver com a maresia... E são os utilizadores, os veraneantes, quem comete o crime de destruir este mundo único e paradisíaco, sem perceberem, devido a este comportamento social,  os problemas que causam às praias e à serra, com irrecuperáveis consequências futuras.
É necessário e urgente que todos nós cuidemos do ambiente para que possamos contribuir para um futuro melhor, com mais qualidade de vida. Preservar a Serra da Arrábida é contribuir para que este mundo, afinal o único que conhecemos, possa ser entregue aos nossos filhos como um bem precioso e não como um mundo degradado e em degradação.
Um abraço para todo o auditório.

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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02/12/2007 GMT 0

ARESTAS DE VENTO, 2 de Dezembro

fmp @ 12:15
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 FORÇA, AMIGO LEONEL!!!
Com a cumplicidade assumida do Ricardo Cardoso, hoje abri a arca das recordações, afastei o pó e tirei cá para fora meia dúzia de memórias antigas, espalhadas em páginas e fotografias, como esboços de paisagens, umas sendo-o mesmo, outras nem tanto, todas tilitando dentro do meu inquebrável cofre-porquinho, pecúlio certo e sempre à-mão neste mundo desigual, com ziguezagues de cabeçudos em feiras concorridas, onde as promessas não passam de balelas cariadas proferidas um dia por idiotas vaidosos, cujo peito inchado de aprendizes de ditadores já não engana ninguém...  É a sacanagem à solta e impune, que mais fortalece em nós o desejo, como antigamente, de contra eles lutar... e vencer!
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Coisas antigas, recordações que transportam velhos amigos, amigos que nunca esmoreceram nesta passagem inexorável do tempo, que influenciaram naturalmente a nossa vivência, que connosco percorreram caminhos, alguns bem difícieis, horas e horas de palavras em tertúlias conspirativamente culturais, prenhes de política, quantas vezes escondida nos abraços, nos apertos de mão, nos olhares, nos ajuntamentos expontâneos, vigiados, enquanto, por exemplo, certos jornais não chegavam da Capital. Pela luta e pela presença, pelo quebrar das algemas e pelo desejo de alcançar a liberdade. São os amigos duradouros, eternos, em marés de sentidos, que nunca nos medem o comportamento diário nem pretendem influenciar-nos com alhinhamentos políticos ou crenças pessoais. Algumas amizades simplesmente são, não são explicáveis, são como um piano às voltas de si mesmo, tocando sempre, sem serpentinas ou enfeites carnavalescos, bôbos, ridículos, mesquinhos.
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Faz parte da nossa existência encontrar e conhecer pessoas, interagir. Mas encontrar pessoas interessantes é mais complicado. Por vezes, muitas vezes, enganamo-nos a respeito dos nossos amigos. São as amizades falidas, perdidas. Não reclamo. Tenho perdido, ao longo da minha vida, alguns amigos. São os escombros das amizades.
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Ter amigos é um privilégio. Sou grato pelos que tenho, pelos que comigo convivem no dia-a-dia, mesmo que nos vejamos uma só vez por ano, uma só vez de tempos a tempos, porque mesmo assim valorizam a nossa existência, dão-lhe conteúdo, fortalecem a nossa forma de estarmos na vida porque, com amizade , todos os destinos ganham novos rumos, novas lutas, novos objectivos. É a roda da vida a girar pelo caminho certo.
Há amigos que estão e estarão sempre presentes e com os quais contamos sempre. E eles, connosco. É uma natural empatia.
 .
Força, Amigo LEONEL. Toda a equipa que semanalmente faz o Arestas de Vento, certamente os milhares de ouvintes, todos os teus Amigos te desejam rápidas  melhoras. Com a tua indiscutível força de vontade, irás ultrapassar este mau momento. Não te deixes derrubar! Força, companheiro, conta sempre com a nossa amizade e solidariedade!!!
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Ricardo,
O nosso escritor e romancista Camilo Castelo Branco, no final da sua vida, já cego, escreveu este magnífico poema. Nestes tempos friorentos, talvez sirva de carapuça a alguns...



OS MEUS AMIGOS
 
Amigos cento e dez e talvez mais
Eu já vos contei! Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu já farto de os ver, me escapulia,
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente,
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver...
Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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25/11/2007 GMT 0

UMA FORMA DIFERENTE...

fmp @ 22:00

 

Comentário à entrevista a ANA TERESA VICENTE, Presidente da Câmara MUNICIPAL DE PALMELA

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Câmara Municipal de Palmela, ao fundo o Castelo

Ana Teresa Vicente, militante do Partido Comunista desde 1987, é licenciada em sociologia pelo ISCTE e foi adjunta de Carlos Sousa, ex presidente das Câmaras de Palmela  e de Setúbal, e dirige um concelho com mais de 58 mil habitantes e cinco freguesias. Aquando da sua candidatura ao município palmelense, prometeu "uma forma diferente de fazer política", garantindo que tinha como missão não desonrar o trabalho feito por Carlos de Sousa (que já faz parte do código genético de Palmela) e de continuar o legado por ele deixado. Em resultado do voto livre e universal, ganhou o Município.

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Decorrido todo este tempo, a Oposição tem da sua presidência e da "forma diferente de fazer política" uma opinião nada abonatória. O Partido Socialista é considerado um dos mais críticos e contestatários, sempre nos lugares da frente, enquanto do PPD se chega a garantir ter uma aliança estratégica com o PC... Bem, talvez sejam coisas lá deles...
A entrevista que Ana Teresa Vicente deu ao programa Arestas de Vento, hoje, dia 25 de Novembro (data festejada por uns e desprezada por outros) deixou-me, claramente, refém das suas palavras. Num estilo inconfundível (será esta a forma diferente de fazer política?) abordou diversos e interessantes temas relacionados com política caseira e nacional, com uma fleumática disciplina partidária que só lhe fica bem. Demonstrou, igualmente, uma sólida cultura e um conhecimento íntimo do viver dos seus munícipes. Não deu muita atenção à Oposição, não fez grande barrela, nem a passou a fio de espada. Não utilizou o tempo de antena como se de carreira de tiro se tratasse. Achei uma postura simpática, muito com o dedinho no ar, como se soergue-se uma "bica", em conversa amigável, sem sobranceria, porque por vezes não é a forma como se diz, mas o que se diz, quando se acredita no que se faz.
Enfim, gostei!
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Duas palavras para o Ricardo Cardoso e para o nosso Programa. Este Coucense perfilhado por Setúbal e aqui residente, pedreiro de diversos projectos culturais (onde se insere, por exemplo, o fantástico Teatro Infantil Espelho Mágico), é, sem favor e sem elogios serôdios, um verdadeiro homem de rádio que, a cada emissão, continua a dar provas de popular e anti-vedetismo: poucos fariam o que ele fez; de DUAS horas de entrevista, ofereceu metade aos ouvintes, para que pudessem questionar, livremente, a presidente comunista da Câmara Municipal de Palmela, que não se esquivou a nenhuma pergunta nem as procurou tornear, como, infelizmente, num passado recente, já aconteceu com alguns convidados. Uma atitude a registar neste teatro da vida, onde a burrice precoce, principalmente a política, anda em alta velocidade.
Um beijo para a Céu Campos e um grande abraço para o Ricardo Cardoso.
FERNANDO MANUEL PEREIRA
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NOVEMBRO 23, 2007

fmp @ 21:36

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NÃO QUERO FALAR DE FUTEBOL...

Gostava muito de falar, hoje, aqui e agora, sobre futebol, sobre a nossa querida selecção cheia de grandes nomes, botas de ouro, melhores marcadores, craques mundiais com contratos milionários e fotos em tudo o que é jornal por esse mundo fora que, de empate em empate, lá conseguiu alcançar o objectivo nacional, a que a alma lusitana se propunha, garantindo, assim, a nossa presença no campeonato europeu de 2008. Haja Deus!

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Mas não vou falar, mesmo reconhecendo que o futebol é a área onde o povo, como eu, ainda consegue curtir uma de satisfação, e sorrir, face à comprovada incapacidade que o actual governo tem de criar um sorriso a quem nele votou.
(Aos que lhe negaram o voto, a esses nem mesmo de mansinho se consegue fazer entreabrir os lábios... para sorrir!)
Se viesse para aqui falar de futebol, seria certamente obrigado a interrogar-me sobre o que teria acontecido se a nossa seleçção tivesse perdido, tal como aconteceu com a dos nossos aliados ingleses que se vão contentar em ver os jogos pela televisão, o que já é muito bom. Se falasse do desporto-rei, como a própria popular designação sugere, desporto algo afidalgado, pelos vistos, lá teria eu de relembrar a contrariedade do Sr. Scolari, treinador brasileiro com contrato até 31 de Julho, parece-me, rendido ao encanto de Portugal e dos portugueses, quando, perante questões naturalmente levantadas por jornalistas, abandonou, amuado, uma conferência de imprensa, não sem antes deixar no ar, à laia de puto reguila que põe cuspo na orelha de um outro, uma terrível e grandiloquente dúvida: "Ou vocês estão mal acostumados, ou, ou alguma coisa está acontecendo". Ainda fiquei à espera que alguém gritasse "por qué no te callas?", mas o povo é sereno, nada aconteceu.
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Gostava muito de falar sobre futebol, mas não percebo nada da matéria, nem jeito tenho para treinador de bancada, ou vendedor de bilhetes, à candonga, não obstante saber a diferença entre um penalti e um canto e que o árbitro já não se assemelha a um viúvo, preto da cabeça aos pés, como antigamente.
Também sei que o futebol é desporto de massas, repito, de MASSAS, e que sempre esteve desde as suas origens ligado aos trabalhadores. Não esquecer que o primeiro clube a praticar exclusivamente o chuto na bola, nasceu em Inglaterra, na cidade de Sheffield, em 1855, na época grande centro industrial de aço...
E ainda recordo ter visto no Mundial de 82, em Espanha, a bandeira do movimento sindical Solidariedade, presente no decorrer dos jogos. E de no Brasil, o clube Vasco da Gama, fundado por comerciantes portugueses radicados no Rio de Janeiro, ter sido o primeiro clube brasileiro a  permitir jogadores negros na sua equipa... Mas isto é outro desporto!
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Se viesse hoje aqui falar de futebol, lá teria eu de opinar sobre a desenfreada exploração política a que tanta boa gente o tem obrigado. E outros que até o aclamam das altaneiras varandas camarárias... Vejam lá que até o simpático tio Mussolini, ditador italiano, chegou a considerar o futebol desporto condizente "com os mais altos e nobres valores do regime fascista". Não há dúvida, o futebol tem servido de pau para toda a obra.
Nestes tempos de globalização, tenho cá na cachimónia que o futebol mundial é dominado por um "colonialismo de mercado", dando razão a quem se refere ao facto, por exemplo, de clubes europeus comprarem a pataco jogadores sul-americanos, posteriormente, depois de rodados, vendidos a peso de ouro... 
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Bem, vou acabar, porque não venho para aqui falar de futebol, e também porque não quero ser acusado de me aproveitar da fama que os jogadores conquistam no campo da luta do "chuta à bola". E vou terminar com uma frase, com gostinho a apelo à calma, inesquecível e verdadeiramente oportuna do nosso considerado Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que permaneceu na tal conferência de imprensa abandonada pelo treinador nacional: "estamos na época do Natal, paz, amor e tranquilidade".
Ainda há homens valentes!

Um abraço para todo o auditório.

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e http://palavrasnovento.nireblog.com/

13/11/2007 GMT 0

AMEAÇOU POLÉMICA, MAS...

fmp @ 00:31

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 COMENTÁRIO À ENTREVISTA AO POETA VICTOR SERRA, DIA 11 NOVEMBRO, RÁDIO PAL, PROGRAMA ARESTAS DE VENTO

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Obrigado, Amigo Leonel,
por me teres feito recordar, com a tua pergunta ao Vitor Serra, ("já pensaste publicar um livro com o Fernando?...") que, aqui há uns bons anitos, eu, o Vitor Serra e o velho compincha Luís Vicente, actor e amigo dos melhores, andámos falando em publicar um livro de poesia, a miélas, assim a modos de dar uma galheta bem merecida a muitos "agentes culturais" de trampa. Mas devido ao movimento da RODA tal não foi possível concretizar. Certamente ficou adiado para as calendas. Mas a galheta ainda está a ser alimentada... Foi pena o Serra ter-se esquecido desta ninharia...

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A propósito, Leonel, saberás tu que participei no lançamento de um livro do Luís Vicente, por intermédio do Serra, 38 ou 37 anos já passaram, e que essa minha colaboração foi considerada "escandalosa", já que expus poesia como se fossem quadros e uma delas pendurada no tecto, como candelabro? Vê lá tu as recordações que a tua pergunta veio desencadear...


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Quanto à entrevista deste domingo, dia 11 de Novembro de 2007, foi pacatamente excitante. O balão enchia, enchia, o auditório na expectativa de rebentamento, puf..., lá vazava. E o Ricardo bem puxava, puxava. É o que faz conhecer as pessoas, as histórias e os meios... Foi uma entrevista que ameaçou polémica, mas ficou por aí. Aliás, o Vitor não estava lá para isso, é evidente...
Mas gostei não se ter poupado a analisar consciente e corajosamente o actual degradado e miserável meio dito cultural que alguma gentinha quer implantar na cidade de Setúbal, às custas da boa vontade, participação e solidariedade de alguns visionários sem recuperação. Como ele!

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Há iniciativas louváveis que são deturpadas e aproveitadas por idiotas que se consideram como os "maiores", insubstituíveis, sabedores incontestados. Como se o olho do cú fosse (e ás vezes assim é...) o centro do seu mundinho de centopeias vegetativas...

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Quanto ao Circulo Cultural de Setúbal, também serviu para promover alguns compadres e alimentar algumas veleidades de salão. Mas a grande maioria foi francamente fiel aos ideários culturais e políticos que estão na génese da sua constituição. O Serra, que inimigos (grandes...) não tem, pode orgulhar-se de toda a actividade dinamizadora, cultural e social, lá desenvolvida, que teve reflexos na vida da cidade e do concelho e uma boa e salutar divulgação a nível nacional. E nítida aceitação da parte das pessoas, independentemente das suas cores políticas. Afinal, além de director, por inerência desempenhava as funções de "vereador" da cultura, numa cidade onde esta falta se fazia sentir - e ainda faz! Porque é que pessoas como o Vitor Serra, com experiência, conhecimentos, sensibilidade, cultura, nunca são convidadas pelas Entidades Oficiais (e estou a pensar na Câmara de Setúbal), para colaborarem nas suas actividades culturais? Estranho... ou talvez não!

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Não conheço inimigos figadais do Serra. Alguns embates culturais e políticos, sim, há, mas sem grandes consequências pauliteiras ou verbalismos de pastilha elástica. Principalmente pela sua capacidade de realização, de trabalho, de que o espectáculo de homenagem ao animador Dimas, em Outubro passado, no Forum Luísa Todi, em Setúbal, serve de exemplo. Sem ovos, ou poucos..., conseguiu fazer uma grande omolete. E ainda sobrou... para um próximo evento e estou a pensar do ainda não realizado Encontro dos Amigos do Arestas de Vento...

Um grande abraço.

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e http://palavrasnovento.nireblog.com/

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