COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM O CANTOR POPULAR ANTÓNIO SERRANO

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Amigo Ricardo, acreditas que esta entrevista, feita em 28/1/1980, já tem 28 anos? Estava eu no Jornal NOVA VIDA e "descobri" o António Serrano a cantar numa revista da Capricho e fiquei seduzido pela sua voz e forma de cantar. Daí ter-lhe feito esta entrevista de que tenciono oferecer-lhe cópia e que certamente nem ele se recorda…
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ANTÓNIO SERRANO
CARPINTEIRO E CANTOR À PROCURA DE UM DISCO
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Nascido no seio de uma família pobre, ANTÓNIO Rodrigues SERRANO, hoje com 40 anos de idade, abraçou a profissão que já vinha de seu pai e avô, ambos carpinteiros, tendo visto a luz do dia pela primeira vez na Herdade de Rio Frio, onde a família vivia e trabalhava.
Aos doze anos, idade em que centenas de crianças ainda brincam, começou ele a trabalhar. A vida não era de abastanças, urgia ajudar a família. Na oficina trauteava, assobiava – e assim despertou a atenção do chefe que o levou, após consentimento paternal, a cantar para um conjunto de cordas. E, como a história da bola de neve, nunca mais parou.
Aos quinze anos, agora no Alentejo, numa outra herdade, a 6Km. De Moura, para onde fora trabalhar, integrou-se num outro conjunto.
- "Trabalhava na herdade, era trabalho fechado, sem grandes perspectivas, com um futuro que se adivinhava já traçado. Nasci na herdade, vivia lá, mas não queria lá morrer. Queria fugir ao mesmo destino de tantos outros…"
A vida continuava difícil, ganhava 30 escudos diários. Resolveu abalar, à semelhança de tantos outros que vinham procurar na cidade melhores condições de vida.
Em 1964, com uma fugaz passagem pelo Pinhal Novo, radica-se em Setúbal. Arranjam-lhe trabalho para uma fábrica de montagem de automóveis.
- "O meu futuro, em termos de trabalho e de dinheiro, melhorou. Fui ganhar 50 escudos por dia."

Na fábrica, pelo Natal, oferecia-se para cantar. Os seus colegas gostavam, incentivaram-no. Até um dia, em 1968, vai a casa do Alves Coelho que o levou de imediato ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio, onde prestou provas.
- "Gostaram e disseram que me mandariam chamar, mas eu não esperei pela convocatória e tornei a ir lá, até que fui aceite no Centro, pelo Professor Mota Pereira."
Fez, tempos depois, um programa na rádio e aceitou um convite que a televisão lhe dirigiu para ingressar no coro das Melodias de Sempre. Ainda por intermédio do Alves Coelho, em 1969, procedeu à gravação de um disco, o seu primeiro disco.
- "Alegria, satisfação, um pouco de vaidade, senti tudo isso. As portas do mundo da canção, levemente sonhado lá na herdade, começavam a abrir-se."
Festivais populares, colectividades, etc., foi um nunca acabar de actuações, onde o volume de palmas que as suas interpretações suscitavam nos espectadores eram evidentes incentivos para continuar a cantar.
- "Nunca deixei de trabalhar. Trabalhava e cantava. Quanto a discos, só gravei um. Mas ainda não perdi a esperança de gravar um outro. Já contactei algumas etiquetas e só espero encontrar uma que acredite em mim, que jogue na minha voz e que me dê a possibilidade de gravar um outro disco."
ANTÓNIO SERRANO, carpinteiro, cantor desde menino e moço, dá voltas e mais voltas, sobe e desce os degraus das gravadoras, bate a portas, não desfalece, persiste. Acredita em si mesmo – e tem muitos, mesmo muitos admiradores que acreditam também nele. E o seu público dia a dia aumente, talvez devido ao facto de o verem actuar na revista da Capricho. Com sucesso.
Um novo disco seria o sonhado e desejado prémio, também justo, para a sua força de vontade, para coroar, realizando, o seu velho sonho de menino nascido no campo, numa herdade onde as pessoas nascem, vivem e lá morrem…
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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