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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

17/06/2008 GMT 0

DEPUTADA DO BLOCO DE ESQUERDA, ENTREVISTADA POR RICARDO CARDOSO, NO PROGRAMA ARESTAS DE VENTO, DIA 15 JUNHO

fmp @ 10:55

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MARIANA AIVECA SEM CONVERSA FIADA
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"A classe operária é como um exército sem estado maior" (Staline). Acredita que este foi o pensamento que me ocorreu assim que o Ricardo Cardoso deu por terminada a GRANDE entrevista que lhe fez?
Lembro-me da MARIANA AIVECA nos tempos idos de 74, aqui por Setúbal, quando desejávamos que a "revolução avançasse a todo o vapor" e o MDP/CDE falava em "derrotar a reacção, a reacção não passará". Ainda se lembra daquela frase "Lutar Criar Poder Popular"? Bons tempos, esses, a que alguns, em palestras de cáca e em livros respeitosamente prefaciados procuram ardilosamente minimizar o importante papel que a chamada "esquerda revolucionária" teve na cidade de Setúbal (e no País) na concretização dos ideais de Abril. E nós sabemos quem NÃO andou nas ruas (antes e depois de Abril) a dar o corpo ao manifesto, mas agora se assumem democratas de fina água…

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Neste estado de quase guerra civil disfarçada, com foguetes e pandeiretas e cortes de fita à mistura com petróleos e patrões estafetas e outras coisas que um dia se saberá, onde a fome e o desemprego anda à rédea solta e alguma tropa fandanga, tipo cheira cús, anda a tentar mobilizar-se, em que valores éticos são mandados às urtigas e certas sedes partidárias não passam de balcões de negócios pessoais, acredite que adorei o desassombro com que disse algumas verdades. Políticos de trampa que fazem da política ninho devem ser denunciados e afastados (pelo voto…): não é com eles que este País avança. Sempre me disseram que todo o político pode ser destruído – menos o que tem força moral. E a Senhora tem dado mostras, ao longo da sua vida política (e pessoal) que tem força moral, convicções, que cumpre com a sua palavra, que tem respeito pelo eleitor e que trabalha em prol da população que a elegeu. Continue firme e sem desfalecimentos!

Fernando Manuel Pereira| Poeta| Setubalense|

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...15 de Junho

fmp @ 10:42

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JOSÉ SÓCRATES, O DO MEIO...

GOVERNEM COMO GOVERNAREM, PARA ELES HÁ SEMPRE UM PRÉMIO!
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Ficou mais do que claro que este Governo não tem política nenhuma concreta para resolver os problemas concretos dos portugueses. A brandura demonstrada pelo Governo durante toda a paralisação levada a cabo pelos transportadores, quanto a mim, tem muito a ver com o facto de muitos políticos que pisam mansinho as salas do Poder, terem estado na Ponte 25 Abril, em 1995, participando na revolta dos camiões e no cerco a Lisboa…
O conjunto da economia acabou de perder milhões de euros, enquanto, certamente, muita boa gente lucrou com os bloqueios. Os açambarcadores mais uma vez fizeram-se ver e os proprietários das bombas de combustível esfregaram as mãos de contentes, vendo em longas filas aqueles que há dois dias ameaçavam bloqueá-las. E, assim que a paralisação acabou, aumentaram imediatamente o preço do combustível.
As vitórias da Selecção Nacional até funcionaram como ocasional linimento para as preocupações à solta na sociedade portuguesa, neste mês de Junho em que as festas saíram para a rua e o Governo e o partido que o suporta confirmam a deplorável ausência de políticas económicas e sociais. A oposição, infelizmente, nem alternativa é…
A morte de um elemento que liderava um piquete de camionistas, significa o fraco desenvolvimento do nosso País e as suas fortes desigualdades sociais e a crise pela qual todos actualmente passam. Ninguém pode esquecer que a OCDE e a União Europeia previram em baixa o crescimento da economia portuguesa, com a taxa de inflação e desemprego a subir e as exportações a diminuírem. E o preço dos combustíveis e dos bens alimentares a subirem, subirem, subirem…
Durante alguns dias, o País esteve nas mãos dos pequenos transportadores. Apedrejamentos, intimidações, camiões queimados, um acidente mortal, feridos, caos nas estradas e falta de produtos nas prateleiras das superfícies comerciais vão ficar para sempre ligados a esta paralisação de camionistas. E o Governo do senhor Sócrates, pela forma como tratou e deixou avançar esta questão, bem pode limpar as mãos à parede: o Estado social está cada vez mais incapaz de cumprir a sua função.
António Guterres fugiu, deixando o País (e o PS) num caos, mas teve um prémio internacional; Durão Barroso, afundou ainda mais o País (e o PSD) e também teve um prémio internacional; Sócrates, tudo o indica, está a seguir: para ele, certamente, também haverá um prémio internacional…
 
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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08/06/2008 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM O CANTOR GABRIEL CASTANHAS

fmp @ 17:33

QUANDO A MEMÓRIA É ENTREVISTADA
 
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RICARDO CARDOSO, A ALMA DO PROGRAMA 

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Um, personalidade que não destoa, adepto da renovação com fundo de perdão, exemplos já dados, destaca-se pela diferença, aqui sem arrependimentos mal-agradecidos, tecendo horas domingueiras, as melhores, onde se diverte e irmana, não ignorando patifarias, algumas em faxes escondidas, outras por entre panos de cena, ou mesas de "café", refinadas quanto baste, mas incapazes e inócuas.
Outro, sorvendo minutos como mel escorrendo, as experiências vão tomando forma e destino, uma "nau catrineta" cortando as ondas da memória, amamentadas a troco da saudade, palavras sentidas, algo carentes, emotivas, com raiz conservada, alimentada em nome do coração e da mente, transmissíveis, mesmo correndo o risco de serem esquecidas na voragem da vida.
Uma combinação arrumada, culta, sem limites, sem censuras, entre amigos comprometidos, razão e meio para chegar ao desfecho, com sinais acalmados de uma certa loucura, antiga e sofrida, auto-exílio a provocar retorno, fome de imagens e sentimentos, lembranças com início, começos de outras lembranças sem tempo para suprimir a solidão, desenvolvendo memórias sem se repetirem.
Os dois, num jogo favorito, dependentes do berço, hoje dos fados com que percorrem a estrada da vida e das palavras, modos diferentes, igual essência, entregues sem pudor ao nécter nem sempre fácil das recordações, algumas inquietas, ansiosos por tocarem com os próprios dedos os mapas escondidos na conversa pública, um mundo próprio que o segredo se sente impotente para segurar.
Refastelados, colaram-nos ao rádio durante duas horas, cumplicidade no raspão que lasca a nossa solidariedade e nos puxa devagar até olharmos também olhos nos olhos as estórias de vida e de luta, num regresso comum à esperança.
Para Vocês, camaradas de vida, Ricardo Cardoso e Gabriel Castanhas, um Abraço, e contem comigo para derrubar o "muro" da cultura abortiva!

 

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GABRIEL CASTANHAS - "Canto o que quero, canto o que gosto"

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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ARESTAS DE VENTO, rádio PAL, domingo 8

fmp @ 17:11

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 SOCIALISMO MAQUILHADO

Semana de protestos esta que está a acabar. Uma moção de censura contra a política económica e fiscal praticada pelo governo do senhor Sócrates,  apresentada no Parlamento pelo CDS, partido que até dá a impressão que nada tem a ver com o descalabro a que este Pais chegou, e 200 mil trabalhadores na rua a gritarem a uma só voz contra o desemprego e a carestia de vida, contra as propostas de revisão do Código de Trabalho, contra os ataques governamentais que tentam atingir direitos adquiridos,  contra o desemprego e a fome, pelo direito ao pão e à educação.
A crise económica que afecta o País, certamente não fustiga os bolsos e as casas de certos políticos de pantufa e parece que ainda há quem se sinta agradado e agradecido com as políticas enviesadas deste governo, que nada têm a ver com socialismo, mesmo com aquele socialismo que Mário Soares um dia meteu na gaveta. É voz corrente que nunca tão poucos ganharam tanto à custa de tantos. Todo o País tem a percepção de que existe mesmo uma crise, por isso penaliza a credibilidade desta política económica com rótulo de suicida, que não permite máscaras nem ilusionismos propagandísticos, mau grado o esforço que o marketing político e a manipulação de alguns meios de informação, tem vindo a fazer.
Portugal não consegue superar uma crise que nos empobrece e avilta, obrigando a fugir para o estrangeiro, 34 anos após Abril, milhares de portugueses, à procura de melhor sorte, enquanto por cá presidentes de empresas ganham em média mais de 22 mil euros mensais, 30 vezes mais que o rendimento médio dos trabalhadores. Maquilhagens à moda desta espécie de socialismo.

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A crise que o Governo bem tenta disfarçar e até negar, mostra à saciedade que este governo falhou. Crise é uma coisa a que os portugueses já estão, infelizmente, habituados. Já passámos por muitas e têm sido sempre os mesmos a saírem rotos e nus: o Zé Pagante, governado há 30 anos por partidos que de tempos a tempos se revezam no governo e utilizam a Assembleia da República para as suas desditas e confusões. Cada um destes partidos se queixa da "pesada herança" que recebeu, mas a sua prática política diária denuncia a estratégia de degradação progressiva a que chegámos. É tempo de união e de luta, de dizemos NÃO a esta política miserabilista que nos corta cerce o direito a sermos gente. Por nós e pelos nossos filhos!

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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25/05/2008 GMT 0

CRÓNICA PARA UMA TARDE TARDIA

fmp @ 22:12

ENTRE ESTE MUNDO E UM OUTRO, MAIS VALE O  PÁSSARO NA MÃO

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Gurus espirituais, nunca tive, assim como sempre tive, tenho, dificuldade em dobrar a espinha. Talvez tenha uma costela de radical, nunca se sabe, não se vê. Algumas vezes sinto-me sozinho nas minhas convicções. Na minha já enviesada percepção, sempre me preocupou para onde vai o lixo, a sacanice, de maneira a que não suje os jardinzitos de flores de plástico, plantadas de estaca na encefálica massa, ainda assim, de alguns gajos, vegetantes de pocilgas e de salões participados. Enfunado numa mentalidade egoísta, deixem-me, façam favor, alimentar a luxúria a qualquer custo, não é preciso um génio para perceber que é insustentável este colapso, mentalmente escravizado, que me vai mudando as palavras, criando sombra por toda a parte, entre uma e outra parede, esquinas.

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Reinvento com a sensibilidade de um arco-íris desfeito, uma forma criativa de viver meus, nossos dilemas. Usurpação de regras como expressão de liberdade, longe das montureiras visuais e sonoras que me tentam atafulhar a vida urbana, obrigando-me a ser dono de mim próprio, reminiscência de um paraíso ou local paradisíaco com um esquizofrénico de plantão a acentuar o difícil equilíbrio pirotécnico da ortografia, espécie de apêndice etéreo da minha memória menos oculta. Quero dizer, se um acontecimento fugaz e transitório me encaminhar liberto da estupidificação, para um território mais vasto, coerente e relevante pela raridade e avidez, como a existência da arte cristalizada na infância, sei que vou continuar vivo e verve, subitamente apaixonado pelos meus medos, mundo sólido sobre nuvens, antes dos meus primeiros passos, recorrendo das palavras em contínua construção.

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Tendo em conta a forma contributiva, revestida de reflexos pausados, esta reflexão que partilho com quem não conheço, vocês e mais alguns, aponta numa direcção breve, que encaixa no objectivo heterogéneo elaborado, preexistente de leituras passadas, sem ninguém se dar conta do desdobramento inconstante da ascensão do espírito, estreita relação, por vezes agressiva, entre letras e telas pintadas, teclados e tintas. Configurar a paisagem, proclamar profetas ou aceitá-los, normativa que lentamente sufoca o grito que há em mim. Melancolicamente o silêncio me activa no distante instante possível de ser vivido. E é este, meus amigos, até aqueles que se fazem de amigos, o meu provável e único destino. Que aceito, com a vã glória de um dia ter escrito um poema só para mim.

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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor:

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PROFESSOR RICARDO MARTINEZ E ACTOR CARLOS CÉSAR - UMA MISTURA EXPLOSIVA!

fmp @ 21:49


CARLOS CÉSAR

Um alentejano que escolheu Setúbal, estávamos em 1975, ainda se respirava, e bem, a revolução de Abril, e os sonhos, de braço dado com a utopia, faziam também desta cidade a sua cidade, tal qual o actor Carlos César fez. Conheci-o por essas alturas, mais tas, menos tas, era um gajo culto, inteligente e diligente, já com uma certa notabilidade, com gostos apimentados pela vida, perseguidor de caminhos que já o tinham empurrado para o Teatro Trindade, onde se estreou como actor, fazia, na época, figura na Companhia de Teatro D'Arte, de Lisboa, e também para Paris, em 1964, onde aguentou dez anos.
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Conheci-o por intermédio de um sujeito pseudo-actor, pequenino e de falas mansas, rabeta de fim-de-semana, raquete zinguezagueante na cultura citadina, enfeitado de intelectual e de músico, numa tasca de bifanas e de copos de tinto, numa tarde pachorrenta, pendurada entre a manhã e a noite. Falámos de pintura, de poesia, de passarinhos fritos em banha, do assalto democrático à Pide e à Legião Portuguesa, das calças à boca de sino, de música e, agora sim, bingo!, de Zeca Afonso. Inevitavelmente. Não ficámos amigos, nem deixámos de ficar. Éramos dois conhecidos, por vezes cúmplices quando nos víamos em bares não muito recomendáveis, assim para o rasqueiroso urbano, e foi num destes bares de bebedeiras certas depois da meia-noite que descobri que o Carlos César também era poeta. Poeta de escrever poesia. Era um segredo que guardava bem guardadinho, talvez o único segredo que tinha, os outros eram visíveis e menos importantes, não eram segredos.

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Contou-me ele que tinha fundado, no regresso à Pátria, o Grupo de Teatro Oficina Português e de entre o seu colar de peças encenadas, tinha estima por uma pérola, um texto várias vezes censurado, de Luís de Sttau Monteiro, "Felizmente há Luar", levado pela sua mão e pela primeira vez aos palcos. E falava disto com prazer e gozo, gozo autêntico, sem água ou outra mistela a adulterar.
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Durante os 25 anos que dirigiu o Teatro de Animação de Setúbal este homem da cultura e dos prazeres, autor, encenador, actor, autarca, soube fazer amigos e conseguiu formar uma geração de novos artistas, tendo tido uma relevante actividade na descentralização cultural e na reedificação do teatro na cidade de Setúbal. Tinha uma grande capacidade de conviver e tornou-se uma personalidade estimada na cidade e na região e nos meios culturais ao longo do País, o que não evitou algumas invejas de meia dúzia de papalvos com umbigos tamanho de um punico, mas que se apressaram a virar as agulhas após a sua morte. As críticas manhosas e as censuras de retrete deram lugar aos elogios e às avé-marias graciosas. É a roda, como diria um amigo meu.
Nada mais natural e justo do que a homenagem que hoje o Programa Arestas de Vento prestou ao Homem e ao Actor Carlos César, setubalense por opção da mente e do coração. Condição que eu gostaria de ver em muitos naturais da minha cidade do rio Sado.

Fernando Manuel Pereira/ Setubalense/ Conviva de Zeca Afonso e Luiz Pacheco


EM FOCO/ EMISSÃO/ 25 DE MAIO : 

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HOMENAGEM ao saudoso actor CARLOS CÉSAR (na foto)

E GRANDE ENTREVISTA AO

Dr RICARDO MARTINEZ , homem sem papas na língua/, Campeão na arte da solidariedade, Sociológo por convicção.

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PARA UMA MAIOR CONSCIÊNCIA DE TODOS

Ricardo Cardoso
As tuas entrevistas também têm o mérito, tipo chave, que nos abre a gaveta da memória, puxam, provocam recordações de leituras antigas, armazenadas. "As leis para os pobres, de certo modo, criam os pobres que mantém" (Malthus). Cá tivemos um homem da velha guarda, socialista e solidário que, sem devaneios ou outros tiques, apontou o dedo, entre outras causas, a esta sociedade de consumo, apressada e enganosa, a este governo socialista (sem formação marxista, digo eu) que muito tem favorecido as desigualdades sociais. Pesa a injustiça do sistema capitalista actual, neo-capitalista, dirão os mais atentos. Nega-se o pão, nega-se, na prática, a liberdade.
Ricardo Martinez disse palavras duras, não escondeu verdades ásperas, sem mistificações, em benefício deste presente incerto e futuro acinzentado, com uma réstia de esperança no horizonte, que ele acalenta e alimenta, sem desvios ou desfalecimentos. Uma questão de equilíbrio…
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Afinal, para que acreditar em destino, na existência de uma poderosa força, imutável, influente, que nos rege e ao mundo? Será tudo isto uma treta, de que já tudo está escrito e destinado a acontecer? Martinez responde com um labor nobre, envidando todo o esforço, estendendo a mão, com amor e dedicação, a todos que necessitam de amparo, não se ficando por uma retalhada mensagem de solidariedade, entra no concreto, no verdadeiro campo de batalha, consciente da necessidade de se adoptarem acções urgentes para enfrentar o problema da fome, da marginalidade, da exclusão, da ausência de amor, deixando em cima da mesa, para reflexão, a integração, enquanto projecto indispensável ao desenvolvimento harmonioso da pessoa humana.  E é, inequivocamente, contra a tal caridadezinha, solidariedade às avessas, quase como um insulto aos necessitados, que não abranda a fome nem a revolta. Denuncia os falsos e equivocados conceitos de caridade que alguns trazem na lapela, como flor, como emblema ou como corneta ruidosa. Cada cor, seu paladar…
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Deixou no auditório a convicção de que é o inverso do pseudo herói; trabalha a favor do próximo, tem boa vontade, é, socialmente, um fazedor de coisas para os outros. E mais importante: não usa o sofrimento alheio como mercadoria…
Esperamos que o regresso do Professor Ricardo Martinez aos estúdios da Rádio PAL, programa ARESTAS DE VENTO, seja breve, pelo muito que ficou por dizer, pelo muito que há para dizer!
Companheiro Ricardo, natural da mui combativa vila do COUÇO, radialista sempre em primeiras núpcias, quero agradecer-te teres passado no programa de hoje, alguns poemas da minha autoria, lidos, e bem, pelo nosso amigo Vítor Serra.
Um abraço.
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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Amigo de Palmela/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e

20/05/2008 GMT 0

18 de MAIO, Arestas de Vento entrevista a ORQUESTRA LIGEIRA DE CABANAS, PALMELA, PORTUGAL

fmp @ 20:59

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UM FAXE MAL-CHEIROSO OU A GUERRA DAS CAPELINHAS...
 
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Tens tu muita razão, caro Ricardo: merdas anónimas, cartas, emails, FAXES, deveriam ser carta-bomba que explodisse no trombil dos autores, verdadeiros mentecaptos abjectos, figuras clássicas popularizadas em filmes de vilões, sem coragem de colocar nome no final das suas diarreias mentais. Estiveste muito bem em não divulgar o conteúdo da cagáda, lengalenga mesquinha a que tu, como responsável pelo ARESTAS DE VENTO, nunca darias nem espaço nem destaque. O idiota cagão, certamente, ou não te conhece ou se te conhece desconhece a tua formação e verticalidade. E a tua inteligência que não te faz embarcar em "vendettas" mafiosas e invejosas. Merdas anónimas são sempre reflexos do ódio e da maldade e não expressão de um problema e traduzem imediatamente o carácter e comportamento execrável dos autores. Não seria mal pensado, da parte dos visados, uma queixa ao Ministério Público…
 
António Luís, o Xico Santana (lembro-me muito bem dele, no Circulo Cultural, um músico de gabarito!) e o António Raposo, representaram com extrema dignidade a Orquestra Ligeira de Cabanas e o movimento associativo e cultural e não só do Concelho de Palmela, do qual a Orquesta é, sem margem para dúvidas, um genuíno veículo promocional e um espelho do que a carolice, a força de vontade, o saber e a competência conseguem, mau grado a invejice aguda que, parece-me, tenta surtidas pela calada e procura arregimentar outros tolos para a destruição de algo solidamente organizado e instalado definitivamente na aceitação popular, que não lhe tem regateado palmas, elogios e apoios. E, se calhar, é aqui que está o busiles da questão, a razão das acusações anónimas, dos vómitos mentais como esse que chegou à Rádio PAL e cujo destino foi, e muito bem, o lixo.
 

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Os cagões anónimos até têm cadeira própria...

Expresso toda a minha solidariedade para com os elementos que formam a ORQUESTRA LIGEIRA DE CABANAS e desejo que os deuses (e os mecenas e os autarcas e os Amigos e o público em geral…) continuem solidamente a apoiá-la e a repudiarem fortemente todas as tentativas reles que buscam manchar o seu bom nome e o seu reconhecido trabalho em prol da cultura e do entretenimento popular.
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Os camaleões cagões andam à caça...

Mais uma vez o Arestas de Vento foi polémico. Polémico porque é defensor acérrimo da BOA cultura e dos BONS interpretes e não deixa que lhe façam ninho atrás da orelha. Polémico porque levou à antena uma entidade cultural com sólidas estruturas e aceitação da parte do público. Polémico, porque a POLÉMICA também causa inveja e comichões aos santinhos de pau-carrunchoso.
 
Um abraço.
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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GARGALHAI-VOS

fmp @ 20:38

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Após singela e recatada refeição, alguns membros do gabinete do 1º ministro de Portugal, seguido do próprio, refugiaram-se atrás de uma cortina, na parte da frente de um avião, frete pago por todos nós, e deliciaram-se com uma reconfortante e higiénica cigarrada, trazendo-me à memória aquele tempo de infância em que, com meia dúzia de amigos escondíamo-nos num vão de porta para queimar, a medo, um “definitivos”.
Esta cena insignificante teria ficado a pairar nas nuvens do esquecimento se não se desse o caso de a bordo viajar, também à conta dos nossos impostos, uma malandragem de jornalistas que não deixam passar em claro um simples arroto do nosso primeiro, quanto mais quando não só cheira a fumo, como o fumo, por lei, e lei deste actual governo, não deve enevoar espaços públicos fechados e ainda por cima também transformados em locais de trabalho…

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JOSÉ SÓCRATES

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Pois esses jornalistas armados aos cucos, transformaram uma inocente e ministeriável cigarrada a dez mil pés de altura, no centro do mundo, durante alguns dias, obrigando os cidadãos e as primeiras páginas dos jornais a esquecerem o aumento dos combustíveis, as reivindicações dos professores e dos funcionários públicos, as lutas dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o desemprego, os milhares que agonizam na China e na Birmânia, as candidaturas risonhas para o poleiro do maior partido da oposição. Até que a equipa de markting político, equipa de se lhe tirar o chapéu, como a do Porto, aconselhou o prevaricador maior, a deitar água na fumarada, e vir a público garantir em jeito de “mea culpa”, minha máxima culpa, que iria poupar uns euros mensais, já que a vida está difícil, mandando às urtigas o vício tabagístico, promessa feita, sabemos, mais do que uma vez.

socratesfumou.jpg Se ter fumado no avião foi notícia, a notícia de que ia deixar de fumar tornou-se mais empolgante e ganhou logo adversários de peso, chateados com o facto de José Sócrates, o paladino, não ter coragem de continuar, galharda e recatadamente, a alimentar o viciozinho dos cacilhos, certamente de boa marca. Ele que ponha os olhos no hermano venezuelano, a quem foi visitar e trocar esparguete por petróleo, Hugo Chavéz, que não teve receio em confessar mascar folha de coca e não consta que vá deixar o vício… ou perder o emprego.
Não quero crer que estes “amigos de Peniche” lá porque leram nos maços que o tabaco faz mal à saúde alimentem a cristalina convicção de que esta seria uma via verde para se verem livres do senhor “ingenheiro”. Deixem lá o homem na paz dos anjos, ele que faça o que quiser com a sua saúde e com o seu corpinho, que temos nós a ver com isso? E também, não falta assim tanto para as próximas eleições. ..
 
 
Fernando Manuel Pereira
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12/05/2008 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM UMA POETISA...

fmp @ 22:59

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DE QUALQUER MODO, PREVALECE A POESIA

 

 

 

Uma entrevista a princípio glaciar, modestinha e apagadinha, quase desinteressante, mas que pouco a pouco, lá ganhou alento, muito por culpa duma empatia cúmplice entre os presentes em estúdio, se veio a revelar apaixonada causando, em alguns momentos, o cair do véu duma sociedade assumidamente farsante, feijão frade e alcoviteira, com padrinhos e afilhados, estes "ás ordens de vossas excelências", aqueles com o "chicote" a manterem alinhados quem veste a camisola do mesmo clube, enquanto os outros, os que têm coragem de pensarem por si mesmos, ficam às migalhas, quando ficam.

Mas como não há regra sem excepção, o exemplo, traduzido em apoios prometidos e concretizados, dando valor e garantia à palavra dada, da parte da Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, deveria servir para abrir os olhos de quem, por exemplo, no Governo Civil de Setúbal, é "responsável" pelo movimento cultural do Distrito. Pelo menos poderia ajudar os novos "habitantes" a distinguir iniciativas e grupos merecedores de serem apoiados. Como o Grupo de Teatro Infantil Espelho Mágico, cujos responsáveis são, precisamente, os mesmos que levam para o ar, na Rádio PAL, o programa Arestas de Vento: Ricardo Cardoso e Céu Campos.

 

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Estas considerações, e outras que ainda vamos desenrolar, é bem de ver, são efeitos da onda que a entrevista a uma poetisa veio deixar no espírito do auditório, no passado domingo, dia 11. Mesmo não se percebendo por que este Grupo faça só UM espectáculo no próprio local onde estreia, anualmente, as suas peças (e onde é VERDADEIRAMENTE apoiado), a verdade é que tem sido na Vila de Palmela que tem consolidado o seu projecto teatral e onde tem encontrado, não só agora, o seu próprio espaço, e tem principiado a digressão que já levou o Grupo a pisar diversos palcos, incluindo o da Festa do Avante, local tornado mítico para grupos musicais e teatrais. Para lá chegar, a boa vontade só não basta…

 

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Temos, portanto, uma entrevista que foi suporte para a denúncia de uma "ruptura" que é urgente pacificar: "porque é que o Grupo de Teatro Espelho Mágico, que consegue movimentar MILHARES de pessoas por onde passa, não actua MAIS no palco do Cine S. João, em Palmela?" É que um grupo que se destaca por revelar, e bem, grandes autores e grandes actores (destes, a maioria de palmo e meio…) e consegue encher, literalmente, as salas por onde passa, merecia que lhe abrissem mais vezes as portas do Cine-Teatro de Palmela que, graças a Deus, não é "gerido" pelo Governo Civil de Setúbal…

 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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MAIO, DOMINGO, DIA 11, 2008

fmp @ 16:42

EM JEITO DE ABRAÇO

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Céu Campos
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Em boa verdade, não poderia deixar passar em claro, a entrevista que Céu Cardoso, co-responsável pelo programa Arestas de Vento, deu, num destes dias,  a um jornal de Setúbal, quer pela actualidade e seriedade dos temas com que se defrontou, quer pelo pertinente aspecto com que ilustrou o seu pensamento. Dois pormenores saliento: a sua arreigada convicção tornada objectivo talvez a curto prazo de projectar o Grupo de Teatro Espelho Mágico, de que é a responsável, à escala nacional, o que, tendo em conta a firmeza do seu carácter e sua vincada  personalidade, género "nem quebrar, nem torcer", sempre pela razão, em frente é que é o caminho, caminho que não comporta "ninhos atrás da orelha" como muita boa gentinha poderá testemunhar, é uma meta que certamente será atingida, cremos que dentro de muito pouco tempo.
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Ricardo Cardoso e Céu Campos, pedreiros livres, responsáveis pelo polémico programa Arestas de Vento, da rádio PALfm, Palmela, Portugal.
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O segundo pormenor emanado da sua entrevista, quanto a mim, diz respeito à forma como, no terreno, põe em prática valores como amizade e solidariedade. Sem grandes arrazoados e tiradas pseudo-filosóficas, bengala de pessoas sem lastro político ou social, reconhece as injustiças muito reais na nossa sociedade, que perduram, deixando a sensação de que a responsabilidade pela pobreza e abandono também será nossa. E é, certamente. A sua experiencia advinda do contacto que mantêm diariamente, na Caritas de Setúbal, com infortunados e carentes de bens e afectos, têem-lhe cinzelado o espírito e a mente, num percurso de vida partilhado, a que não será indiferente o espírito humanitário respirado nessa organização de "bem-fazer" e a alguns exemplos lá encontrados.


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Para lá de ser uma boa amiga, com a porta de sua casa sempre aberta e um abraço solidário e reconfortante a receber os amigos, é também uma certeza no difícil campo das artes plásticas, que pratica autodidacticamente, como prova, por exemplo,  os seus cenários teatrais, e uma sabedora radialista, como de resto o nosso vasto auditório saberá. Tem cultura, sabe dizer poesia, é prendada e desconfio que até sabe tocar piano... Com todos estes comprovados predicatos, um cheirinho de vaidade até nem se notava. (Outros e outras, que nem aos calcanhares lhe chegam, assim que acordam beijam o espelho e arrogam-se donos do mundo...Conheço alguns destes tratantes. E certamente que quem me ouve conhecerá mais uma grossa...) Mas até neste aspecto faz a diferença. Humilde, corajosa, heroina da sua própria vida; numa palavra: uma grande Senhora, ao lado de um grande homem... Para ela e para o marido, Ricardo Cardoso, um grande abraço e a certeza de que continuamos solidários com as vossas lutas e ânseios.
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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