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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

08/02/2009 GMT 0

OIÇA A CRÓNICA DE FERNANDO MANUEL PEREIRA DITA PELO RADIALISTA RICARDO CARDOSO

fmp @ 20:16

07/02/2009 GMT 0

HOJE QUERO FALAR DO LUÍZ PACHECO

fmp @ 23:52

 

 luizpacheco.png    

 

 

No passado dia 5 de Janeiro, fez um ano que a voz e a pena de Luiz Pacheco, um escritor que se ria da morte e era considerado maldito, inconveniente, alarve, polémico e outras coisas que não me apetece agora disser, se calou para sempre. O genial Pacheco viveu e trabalhou (e riu, e engatou, e gozou, e escreveu, e fez amigos e inimigos, e criticou, e barafustou, e embebedou-se…) em Setúbal, cidade que o podia ter tratado melhor…Conheci-o assim que assentou por cá arraiais, amores e misérias, era um gajo de quem não se gostava logo à primeira vista, já comunista na altura, culto e um tanto asacanado, língua afiada, conhecia todas as estrelas, incluindo as cadentes, da nossa praça, nacional e local. E não gostava muito delas. Tal como eu…

Do Luiz tenho (e partilho a posse com mais dois amigos) há uma mancheia de anos uma velha cassete onde vivem as suas nocturnas reflexões sobre a fraqueza do movimento cultural e político na cidade do Sado, com nomes e casos, arrasa tudo e todos, chama os bois pelos nomes e muitos nomes feios aos bois. Um documento forte, muito duro, muito acusatório. Uma pedrada no charco de uma sociedade provinciana de sapatos engraxados e de solas rotas, onde os vaidosos e chulecos culturais, no seu entender, não se livram de muitos açoites e reprimendas, principalmente os falsos democratas, outrora delfins da União Nacional fascista, “um criado ao dispor de Vossa Excelência”, os cobardolas situacionistas, invejosos e parasitas, que tentavam, após o 25 de Abril, dar abastada barrela a passado muito comprometedor. E ainda vegetam por cá alguns…

 

 

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Por curiosa coincidência, a pessoa que entregou ao Luiz Pacheco a ficha para se inscrever no partido comunista, é hoje entrevistado neste programa. José Casanova, um comunista interventivo, é escritor e considerado senhor de uma escrita transgressora, de corrosivo humor, prosa ficcional vestida de real e de dignidade pelo ser humano. Foi precisamente este escritor que, na despedida do Luiz fez um discurso que não foi discurso, e acabou assim: “Para além do que aqui disse, para além de tudo o que aqui não disse – porque ele não quereria que o dissesse – fica a imensa saudade que o Luiz Pacheco deixa em todos nós. Saudade do amigo. Saudade do camarada. Saudade do escritor. Saudade do Luiz Pacheco exactamente como ele era. Uma saudade que, de algum modo, podemos ir matando…lendo-o.” Sugestão a que acrescento uma recomendação para os caros ouvintes: ler o Luiz Pacheco e o José Casa Nova aplaca a nossa fome de sonho e cuida da nossa sanidade mental.

31/01/2009 GMT 0

FREECONFUSÃO

fmp @ 18:06

...........................freeport_foto_rtp.jpg 

Continuamos a assistir, impotentes, ao fecho de empresas e ao despedimento em massa de trabalhadores, como um vírus sem antídoto que se espalha, deixando-nos infelizes e extremamente preocupados, a vivermos diariamente com sobressaltos contínuos, onde os casos polémicos envolvendo políticos, patrões da banca, respectiva prole de afilhados e protegidos, tios (e há alturas em que um bom tio é preciso), sobrinhos, primos, smith’s e outra famelga vão-nos ajudando a perceber melhor o enorme descalabro a que Portugal chegou. E não por culpa do POVO!

.......................................a-josesocrates.jpg No centro de algumas polémicas mais colantes, mas não mais recatadas, está o nosso 1º ministro Sócrates, líder de um governo que se arroga de socialista. Foi a história relacionada com o seu canudo de engenheiro, as suspeitas que rodearam alguns seus projectos de construção, o caso Freeport surgido pela primeira vez em 2005 e agora novamente à superfície por obra e graça das autoridades inglesas e que tanta celeuma tem vindo a causar na comunicação social, com opiniões “cada cor seu paladar”. Os partidos políticos fazendo juz ao chá que tomaram em pequeninos, fecham-se opinativamente em copas, que o assunto é delicado, e pedem investigação célere e com verdadeiro ponto final. Só lhes fica bem essa postura…

Mas há quem continue a falar de cabala em ano de eleições, muita boa gente, de direita e de esquerda, a tecer enciclopédicas teorias, umas de desculpabilização, a maioria sugerindo culpas, num julgamento tipo muro de fuzilamento, onde o alvo principal é o senhor José Sócrates, por azar nosso, presidente do concelho de ministros de Portugal.

No que diz respeito a esta novela género novelo o que toda a gente gostaria de saber é se as notícias são verdadeiras ou falsas, independentemente das pessoas e o facto de estarmos em ano de eleições pouca mossa nos deve fazer. E com respeito a cabalas, pessoalmente não acredito nelas, nem sequer em campanhas pessoais.

Por isso penso que o sarilho conhecido por “caso Freeport” não passa de um vulgar caso de polícia que deve ser levado até ao fim e sem muitos arrastamentos… A bem da Verdade e da Justiça!     

24/01/2009 GMT 0

COISAS ASSIM, SÓ EM SONHOS OU NO ESTRANGEIRO

fmp @ 21:16

Passear por praias de branca areia, mergulhar em águas cristalinas, explorar ilhas no maior grupo de recifes de corais do mundo, tirar fotos e vídeos, viver numa bruta vivenda com três quartos, com vista para o mar, equipada com piscina e campo de golfo, mais um buggy para transporte, sem pagar nada e ainda por cima receber um ordenado principesco só para se fazer ao bronze, quem é que já não sonhou?
Pois caro ouvinte, se está farto da rotina do trabalho, se sofre com o trânsito caótico e com os discursos melosos do Sócrates, se já não pode ver a cara de pedra da Ferreira Leite nem a brancura dos dentes do Portas, se está desempregado ou se é um dos milhares que no nosso País tem uma reforma de miséria, se não gosta da sua sogra nem da programação da televisão do Estado, se é um dos que não acreditam na condenação dos senhores acusados de pedofilia na Casa Pia, se desconfia de Congressos partidários que nada resolvem e só servem para beijar a mão ao líder, se ainda se admira que o seu presidente de câmara almoça muitas vezes com construtores civis, se desconfia que certo vereador, com novo e luxuoso carro, herdou de tia desconhecida choruda herança, ou se abre os olhos de espanto quando lhe dizem que determinada criatura, coitadinha, para desempenhar a preceito o seu papel de deputado, sacrifica profissão e família, então, caro amigo, está mais do que preparado para responder ao anúncio que o departamento de Turismo de Queensland, na Austrália, pôs a correr pelo Mundo.

 


Não necessita de diploma de engenheiro; só precisa saber falar e escrever inglês, ter espírito aventureiro, saber nadar e mergulhar, ser bom comunicador, para se tornar sério candidato ao emprego de zelador numa das 600 ilhas da Grande Barreira de Corais, a paradisíaca ilha de Hamilton, com ordenado bacano de 78,5 mil euros por seis meses de extenuante "trabalho". E as tarefas exigidas pela exploradora entidade patronal consistem, vejam bem, em dar comida a peixes e tartarugas, observar o mergulho das baleias, nadar por entre corais fabulosos, escrever sobre a Grande Barreira de Coral, fazer vídeos e fotos e publicá-los num blogue, falar de quando em vez com a comunicação social, tudo em nome da promoção do local, criando interesse por parte de potenciais turistas, agora que estamos em época de crise e de recessão mundial.

 Vá lá, meu amigo, mexa-se, informe-se, concorra, empenhe-se, meta uma cunha, atire-se de cabeça, rasgue o cartão do partido ou o do clube, mas não deixe fugir esta potencial oportunidade de usufruir de uma vida, embora curtinha de seis meses, mas com cheirinho à que goza a nossa mais recente e galardoada vedeta dos futebóis internacionais. E depois envio-nos um postal lá do sítio. Sempre nos serve de consolação e até é capaz de nos ajudar a votar bem!

17/01/2009 GMT 0

ISRAEL E A FAIXA DE GAZA

fmp @ 18:11

A propósito da guerra que rebentou mais uma vez no Médio Oriente, localizada no "quintal dos fundos" de Israel, zona também conhecida por Faixa de Gaza, uma das regiões de maior densidade populacional do mundo, e que coloca frente a frente as poderosas forças israelitas, apoiadas e financiadas pelos EUA, com os seus aviões-caça, helicópteros e aviões telecomandados e marinha de guerra, e os chamados "terroristas" do movimento islâmico Hamas, somos diariamente confrontados com notícias e imagens de puro terror vividas pela população civil palestiniana.

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São, até hoje, mais de mil mortes, milhares de feridos, fome e falta de medicamentos, prédios em escombros, destruição das redes de energia, da água e dos esgotos, dos telefones, dos edifícios governamentais, mesquitas e escolas. Numa palavra: estamos a testemunhar a destruição total de uma sociedade, a morte da memória, da história e da identidade do povo palestiniano.
Existem em Gaza milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados – é contra eles que Israel combate, acusam muitos analistas, acrescentando que quando Israel mata civis, não é terrorismo, mas sim "legítima defesa"…
A preocupação é natural: será que estes ataques não têm como objectivo principal provocar baixas civis e a expulsão, a longo prazo, dos palestinianos de suas terras?
Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada "Solução Pacífica para a Questão da Palestina" e sempre com o mesmo resultado: de um lado, o mundo inteiro a favor de uma solução pacífica; do outro lado, Israel e os EUA, mais umas ilhas desconhecidas, contra. Significativo!

 

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Com a sistemática recusa em encaminhar o conflito por vias diplomáticas, a força das armas nunca será solução. Israel, penso, tem que se aproximar do consenso da Comunidade Internacional e tem de respeitar a lei internacional e grande parte da sua população deixar de pressionar o exército a continuar a destruição de pessoas e bens palestinianos.
Com uma população com mais de 50% de crianças, são estas crianças que merecem serem protegidas da carnificina e destruição que a guerra transporta. É por isso que recuso a violência de ambas as partes, porque não há mortes inocentes mais valiosas que outras. É por isso que apelo a um reforço da luta pela Paz, para não tornar esta guerra, uma guerra sem fim!
 


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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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10/01/2009 GMT 0

ATÉ FIQUEI BANZADO!

fmp @ 22:55

2008 finou-se pelas ruas da amargura e o seu parente próximo, 2009, começou tortuoso e de cara à banda e nós, Zé Contribuinte, a vivermos num rectângulo em recessão aguda, só lá para 2010, se for, é que pomos os olhos em cima de alguma melhoria.
O Zé Cidadão, seja de primeira ou de segunda apanha, pobrezinho mas honrado, como manda a tradição, até parece aceitar com resignada e cristã resignação este destino sem destino e com frouxa luz ao fundo do túnel. A vivermos num país pendurado numa Europa que sempre nos olhou de lado, que se sabe a crescer pouco mas a crescer, enquanto por cá, engodados com trinta e tal anos de promessas e promessas e mais promessas, continuamos a não passar da cepa torta, dando de bandeja a convicção de que se vive num mundo de completa ficção.

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A passos largos aproxima-se mais um período eleitoral, altura em que os nossos exímios políticos nos começam novamente a fazer a cama. Lá virão de novo as gastas e recicladas promessas grandiosas de mundos e fundos, o povo a engoli-las até ao sabugo, como se gostasse de ser enganado. O fingimento político a acentuar ainda mais o abismo entre palavras e actos, ajudam a firmar os políticos como a classe mais mentirosa de entre todas. Para alcançarem o poder ou para nele se manterem, são capazes de inventar e de fazer barbaridades, e nós, povo desgraçado, a vermos estes "paquetes" trafulhas a agredirem-nos os tímpanos, pimba, pimba, pimba, alguns até, como a Fénix, a renascerem das cinzas dos escândalos superados por novos escândalos,  a actuarem na política e na economia com o único objectivo de enriquecimento rápido individual, buscando afincadamente a ração que alimenta os próprios bolsos.

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Neste país que já foi de menos brandos costumes, transformado numa arena política, em que aparece um mentiroso sempre melhor que outro, (como se a verdade fosse paradoxo da democracia), a honestidade pessoal parece já não servir de garantia de política eficaz ou competência, vindo dar razão a quem acredita que a moral politizou-se, amesquinhando-se. Urge que o sacrificado e mal pago cidadão contribuinte fortaleça o seu sentido crítico e deixe de ir em historietas da carochinha que só adormecem, adormecem, adormecem...
Pois foi neste nosso tão mal tratado País em completa e conhecida recessão, recheadinho de conflitos laborais e de desemprego desenfreado e incontrolado, que vem o Sócrates, de mansinho, e pumba!, pede ao Zé Povinho mais uma maioria absoluta. Tá o ouvinte a ver a cena, não tá?


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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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03/01/2009 GMT 0

OS IDIOTAS DO COSTUME

fmp @ 17:16

Vivemos numa sociedade em que certos espertalhões, praticantes e mentores do velho culto da subserviência rasteirante, babosa e canina, se assemelham a cromos delirantes cheios de azia, fel e azedume, ressabiados compulsivos que não têm o mínimo problema em atraiçoar e vilipendiar companheiros, amigos e conhecidos, utilizando a maldade, a intriga, a rasteira, a inveja, a maledicência e o recalcamento numa acção final para esconder as suas próprias deficiências de personalidade, ou simplesmente numa tentativa de aligeirar públicos comportamentos que matizam de cinzento a tela das suas reputações, alimentando a vã esperança de que assim os outros se esqueçam dos seus inúmeros pecadilhos, podendo gloriosa e sorrateiramente alcançarem o elevado status social ou cultural dos seus mais enraizados e obscuros delírios. No fundo, não passam de espertalhões transformados em idiotas de cinco estrelas com pretensão a sonhos elevados…

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Sem normas de convivência e de boa educação, usam a máscara da bajulação, da inveja e da má-língua para sobreviverem e transformam a espertice aguda em emblema partidário ou em diploma de especialista em banha de cobra. Incapazes de perceberem a realidade, pretendem passar por inteligentes, esmerando-se em ataques subtis, enquanto com a outra mão-pata nos afagam a lombeira. Neste jogo são eles hábeis, porque sacanas e matreiros…


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Vaidosos e pretensiosos, têm em comum com os calhaus viverem em estado de perpétua comunhão, sem agitação visível naquela parte do hemisfério cerebral que se situa à esquerda e que serve para entender e pensar. É por isso que, limitados mentalmente, têm dificuldade em agirem de forma lícita e escorreita.
Mestres, verdade seja dita, da arte de viver sem se cansarem, estruturam-se nos mais variados esquemas, chegam a chantagear emocionalmente, acusam, sugerem, sussurram as mais rocambolescas intrigas e conseguem sobreviver sem responsabilidade própria, prostitutos engalanados, crentes de que são estrelas cintilantes no firmamento; por isso quando tropeçam (ou são caçados) transformam-se num ápice em anjinhos cheios de lábia e de boas intenções. Anjos desmascarados, oportunistas sem arte ou ofício, desequilibrados intelectuais e sociais, cidadãos naturais dum certo país sem eira nem beira, mal frequentado e mal governado.
Sinceramente: já não tenho a menor paciência com estes cromos idiotas, sejam políticos ou não!!!


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Fernando Manuel Pereira
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27/12/2008 GMT 0

NEM O MAGALHÃES O SALVA

fmp @ 20:05

Na ilha da Madeira, um partido político deu um bodo aos pobres, oferecendo 7 500 euros a 250 idosos e reformados, acção que serviu de protesto contra o sistema de financiamento dos partidos. Para lá do demagogismo publicitário desta espécie de esmola natalícia, sempre calhou 30 euros a cada pessoa, o que não é para desprezar.

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Cá pelo Continente, o endividamento das famílias já chegou às compras do dia a dia, criando uma nova classe de endividados que não consegue pagar as correntes despesas domésticas. Quando familiares e amigos, também no mesmo barco, deixarem de lhes dar ajuda, estas vítimas da política económica dos governos PS e PSD, e da mediocridade de quem nos governa, certamente vão engrossar as estatísticas da pobreza em Portugal, tornando mais acentuado o vergonhoso fosso entre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres.

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A crise que actualmente vivemos, só existe porque o centro do sistema capitalista foi atingido. As preocupações da nossa politicagem é para aqui que está virada e não para resolver no imediato a situação a favor dos pobres. Algumas vozes preocupadas têm-se levantado diariamente nestes últimos tempos denunciando situações de miséria e de abandono social, mas duvidamos que consigam chegar aos ouvidos dos nossos ministros, mais preocupados com outros afazeres e com outras desgraças bancárias.

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Neste estado de direito democrático em que vivemos, com a corrupção tantas vezes denunciada sem resultados repressivos práticos, com centenas de compatriotas em perigo iminente de viverem à luz de velas e a comer, como refeição principal,  bolachas de àgua-e-sal, com o desemprego a aumentar todos os dias, tornando mais negro o futuro ou até suprimindo este, vamos acabar 2008 com uma promessa do 1º ministro com cheiro a enxofre: preparem-se bom povo, que 2009 ainda vai ser pior!

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Eu, por mim, seguindo a talentosa advertência socrateana, já estou preparado e mais do que preparado. Deixem vir as próximas eleições, deixem, que lhe darei a adequada e merecida resposta! Nem o Magalhães o salva!

20/12/2008 GMT 0

NATAL PLASTIFICADO

fmp @ 20:15

Vivemos um tempo em que se pretende comemorar o espírito de Natal com o apelo ao frenesim desenfreado do consumo, tornando esta quadra numa festa cristã do consumismo, e onde têem lugar pontuais gestos fraternos e altruístas, supostamente na perspectiva de um Mundo melhor, mais justo, mais humano e mais solidário.

Neste tempo que deveria ser de partilha e de solidariedade, por esse mundo fora sobressai o atropelo às leis, as injustiças e miséria social, a perda de direitos adquiridos, o vergonhoso desequilíbrio na distribuição da riqueza, o desemprego, os milhares de pessoas que morrem de fome, os milhares de cidadãos que vivem privados dos mais elementares cuidados médicos, os milhares que não têm uma casa para viver e os milhares condenados ao analfabetismo, não abona nada a favor desta sociedade egoísta, materialista e muito pouco solidária para quem sofre, que esquece os doentes, os abandonados, os explorados, os oprimidos, os pobres.

Por cá, a crise veio acabar com algumas exuberâncias, mas alguns privilegiados continuam a pavonear a sua impunidade, a criminalidade a invadir o nosso quotidiano, a corrupção a assentar arraiais em muitos sectores da sociedade, a guerrilha política a renascer todos os dias, os processos mediáticos dos "poderosos" a arrastarem-se…

 

 

 

Há quem nestes dias lave a consciência com a anual dose de caridadezinha hipócrita e passageira e as cidades com luzes condizentes não conseguem esconder a miséria e as mazelas resultantes de um sistema opressor, destrutivo e desumano.

Se o Natal não pode ser somente uma ceia e uma troca de presentes, reconheço que para muitas crianças deste Mundo o Natal deveria significar comida e presentes. As instituições de solidariedade têm cada vez mais dificuldade em chegar a toda a gente, já que a pobreza aumenta todos os dias, todos os dias aumenta o número de sem-abrigo e de deserdados, de pobres e infelizes; no entanto procuram minimizar o sofrimento de muitas famílias necessitadas e não só nesta quadra, fazendo de TODOS os dias, dias de Natal, em defesa da Justiça e da Fraternidade para a Humanidade. Um exemplo a seguir por muitas instituições oficiais ditas de solidariedade, que não passam de meros ninhos burocráticos e insensíveis.

 

 

E porque é tempo de Natal e um novo ano está a chegar, quero desejar aos meus Amigos e a todos os ouvintes da Popular fm muita Saúde, Felicidades e o maior Sucesso no novo ano, perspectivado num período de êxitos e de realizações pessoais. 


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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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07/12/2008 GMT 0

A CONFRARIA DOS COMPADRES

fmp @ 16:51

 Estas últimas  semanas têm andado grávidas de múltiplos sucessos. Um banco com muito melaço nas notas, cujo presidente está momentaneamente em prisão preventiva, indiciado de burla entre outros supostos delitos, outro banco, de abelhas-mestras, com a corda na garganta à espera da já anunciada disponibilidade do governo que, com os milhões dos nossos impostos e sem a nossa concordância, lá vai dar biberão aos problemas dos ricaços, defendendo com o nosso, o seu rico dinheirinho, sem que a mesma preocupação seja mostrada em resolver os graves problemas com que a maioria dos portugueses se debate.

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É a crise, crise que dizem já não ser nacional, é mundial, desculpa com que nos querem enrolar a memória, insulto à inteligência do Zé-pagantes. Claro que ninguém pode pretender esconder as actuais dificuldades acrescidas, nem o "Magalhães" portátil para aluno ver, serve de pala. Quando a gente pensa que já viu tudo, eis senão quando as diabruras de alguns cidadãos bem vestidos e protegidos, colunáveis políticos de diversas procedências e cores, com laços cujos nós serão talvez difíceis de desatar, nos trazem para a crua realidade: com crise ou sem crise, com ou sem entidades fiscalizadoras, há sempre um governo que estende a mão, solícito, solidário, bem-fazejo, milagreiro, tipo andarilho que nos auxilia pelos caminhos tortuosos da vida…

Acredito que a nossa caseira política de fancaria, não passa de um delicioso queijo suíço, com muitos buraquinhos: é o sistema… Algumas mediáticas caixas de ressonância não perdem oportunidade de santificar a bondade das medidas alicerçadas em milhares de milhões de euros, avaramente guardados em porquinhos-mealheiro para uma altura de penúria, beatificamente encaminhados para instituições bancárias de administração milionária, intocáveis e resguardadas de incómodos e de responsabilidades. Continua a ser o sistema…

Entretanto, na paradisíaca ilha da Madeira, a Assembleia lá do sítio permanece local privilegiado para ensaiar alguns quadros de revista à portuguesa, com sotaque e provavelmente com contra-regra. Valha-nos isto, como lenitivo para a sensaboria dos dias que actualmente correm!
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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