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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

19/04/2009 GMT 0

CRÓNICA

fmp @ 10:58

O Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias(...)

O OUTRO LADO DO ESPELHO MÁGICO

Falta muito pouco para se comemorar os 35 anos da Revolução de Abril”. No ar pressente-se já um cheirinho a cravos… E é na cauda deste Abril de todas as esperanças, cais e abrigo de sonhos e utopias, que se vai realizar na bonita vila de Palmela o Festival da Canção Infanto-Juvenil, também ele um sonho e uma utopia que a vontade, a persistência e o muito saber, permitam-me dizer, de um nosso conhecido jovem casal da Cultura, Céu Campos e Ricardo Cardoso, anualmente tornam realidade.

Somos, pela comunicação social, todos os dias informados de violações, mortes, raptos, abandonos, abusos e exploração de crianças e adolescentes, com uma sociedade que parece indiferente a estes dramas e crimes hediondos. É por isso que o Grupo de Teatro Espelho Mágico (que abre a 1ª parte do Festival) é uma pedrada no charco da nossa indiferença, apontando-nos o dedo para o mais que podemos fazer e não fazemos em prol de uma sociedade mais livre, mais justa, mais amena e mais responsável, colocando o teatro como agente de educação na formação dos jovens, de forma mais assertiva.

Porque este grupo de teatro infanto-juvenil, verdadeira oficina de jovens artistas, com sede em Setúbal mas validamente acarinhado em Palmela, consegue mobilizar e convocar a sociedade a participar, assistindo aos seus espectáculos de casa cheia, faz-nos pensar que mais do que amadores, são voluntários que acolhem, protegem e educam crianças e jovens (e um ou outro adulto mais ou menos extraviado…), tendo o universo mágico das artes como uma das suas referências, numa acção meritória que favorece o crescimento social e humano dos pequenos artistas, quer os que vão construindo o espectáculo teatral diante da plateia, quer os que, em saudável competição, surpreendem o público interpretando belas canções.

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Diversão e fantasia são duas das cores com que pintam as suas estimulantes produções, eminentemente populares, uma arte voltada para o público, que já teve, felizmente, oportunidade de ser reconhecida pela crítica mais exigente e por entidade públicas e privadas mais desempoeiradas. Numa simbiose perfeita e original harmonia, o programa Arestas de Vento, Grupo de Teatro Espelho Mágico e Festival da Canção de Palmela, constroem momentos únicos, trazem-nos o universo das crianças, realidades e reflexões sobre valores morais, perante uma plateia a deixar-se levar pelo encantamento do espectáculo, do primeiro ao último segundo. Particularmente, todos os anos, sou surpreendido com o cenário, com a soberba condução dos artistas e com o fundo musical.

Dependente de incentivos, alguns financeiros, para criar espectáculos maravilhosos de valor acrescentado, o Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias e à compreensão e solidariedade de uma ou duas instituições particulares, exemplo que certamente deveria ser seguido por certos organismos que se auto-intitulam de baluartes culturais, mas a que as palas partidárias lhes limitam a visão, não os deixando abarcar em plenitude o mundo real, o espelho mágico da boa cultura popular…

FERNANDO MANUEL PEREIRA

12/04/2009 GMT 0

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fmp @ 18:31

Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie(...)

O CIRCO VOLTOU À CIDADE

No dia 3 de Maio de 2007, uma menina inglesa de três anos de idade, é dada como desaparecida de um apartamento situado na Praia da Luz, no Algarve, onde os pais a teriam deixado enquanto, com um grupo de amigos, jantavam despreocupadamente num restaurante das proximidades. Na altura, foram muitos  aqueles que se solidarizaram com o desespero dos inditosos pais e com a tragédia que sobre eles se abateu, com a população a participar activamente nas buscas que então se fizeram. Hoje parece-me que já mudaram de opinião…

Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie e a filha de um sacerdote em substituição da criança desaparecida) voltou à localidade algarvia a fim de “reconstituir” o alegado rapto para um canal de televisão britânico, perante o descontentamento e apupos  da população local, já demasiado cansada do mediatismo do caso e das consequências negativas que o mesmo supostamente vem causando  ao turismo local. Mais uma “palhaçada”, na minha opinião e na de muita gente, num processo mediático que até meteu audiência com o papa Bento XVI e, segundo se diz, a participação de serviços secretos, afastamento de inspectores, ampla cobertura jornalística mundial, agências de detectives privados, milionários mecenas e políticos de gabarito? Mas afinal, quem é este casal que consegue ser claramente protegido pelo poder político inglês, que influências tem, para conseguir movimentar pessoas e dinheiros, envolvendo a comunicação social, para que a tese de rapto seja, não uma hipótese, mas uma certeza, procurando convencer a opinião pública de que a menina estaria a ser vista em diversos países, mas quando se utilizou cães pisteiros, os mais famosos do mundo na busca de cadáveres, não aceitaram os resultados obtidos?

Há quem acredite que a pequena Maddie morreu no apartamento e que o seu corpo foi oculto e que a cena de rapto não passa de simulação. Dois anos após o desaparecimento, o fenómeno Maddie ainda suscita muitas perguntas sem resposta. Afinal, o que aconteceu a Madeleine McCann, no dia 3 de Maio de 2007

FERNANDO MANUEL PEREIRA

08/04/2009 GMT 0

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fmp @ 22:48

UNS, COMEM FAISÃO. OUTROS, NEM MIGALHAS DE PÃO 

 Tudo indica que a entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras(...)

Tudo indica que a última entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras, também se fizeram ouvir duas ou três vozinhas de compadres e comadres zangadinhas, porque, dizem, “o raio do programa não tem papas na língua”. E ainda bem que não tem, acrescentamos nós. Porque se tivesse era sinal de que estava subordinado a alguém ou a inconfessáveis interesses, ou que era reles correia de transmissão de algum poder político… E este programa lá perdia a sua piada, a sua identidade e forma de ser, passando, como infelizmente muitos outros, a ser pau mandado ou papel higiénico na rota de anafado traseiro…

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, GATEM, cuja produção é integralmente dedicada a crianças e que é considerado a entidade cultural que no concelho de Setúbal (e se calhar no distrito) mais estimula jovens para o teatro e que pratica esta arte com distinção e com invejável maturidade artística, comprometido com a cultura verdadeiramente popular e que ao longo dos seus vinte anos de existência reaparece, anualmente, cheio de vitalidade e sempre com novos trabalhos teatrais e descobertas de novos talentos infanto-juvenis, (e só por isto merece todos os nossos encómios!) tem, sabe-se lá porquê, sido algo esquecido pelos poderes públicos, com excepção, diga-se em abono da verdade, no que respeita à Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, sempre disponíveis para apoiar as iniciativas do grupo, principalmente aquando da realização do Festival da Canção de Palmela, evento que irá acontecer dentro de muito pouco tempo.

Sendo o teatro uma das mais antigas e essenciais formas de expressão e manifestação humanas, ajudando a ampliar as fronteiras do nosso conhecimento e da nossa experiência, o Grupo de que temos vindo a falar respeita integralmente estes valores e, mesmo com modestos apoios, lá vai singrando, aguenta-se nas curvas, que é como quem diz, nos palcos, assistindo com natural mágoa, à atribuição de chorudos subsídios a certos pseudo grupos teatrais, desproporcionais ao trabalho por eles desenvolvido. É esta falta de respeito que se reflecte no investimento adequado à manutenção e aprimoramento do seu contributo cultural para a sociedade, que faz com que os responsáveis do grupo, exercendo o seu inegável direito à indignação, questionem muitas vezes a forma e os critérios utilizados pelos poderes políticos para a atribuição de apoios financeiros que, em muitos casos, revela ou grande desconhecimento da realidade, ou grande conhecimento da cor do cartão partidário…

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É possível discordar, ter e defender ideias antagónicas – por vezes, como no tempo da ditadura fascista, que muitos benzidos democratas de meia-tijela não conheceram, com gravosas consequências. É a tal história do “não és por mim, és contra mim”. E por este motivo simplório e altamente caricato, se condena pessoas e entidades ao ostracismo, se trava iniciativas e projectos estimulantes de muita qualidade, dando primazia à bagunça cultural de ferro-velho, tóxica, chocha e que nada diz ao público, a nenhum público.

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O GATEM, Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, cuja directora é a jovem actriz, pintora, poeta e radialista Céu Campos, tem que ser respeitado e, mais do que isso, é absolutamente necessário que exista! A bem da juventude que se quer responsável e participante e a bem da sociedade que se deseja sã e verdadeiramente livre!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

28/03/2009 GMT 0

Ó MALHÃO, MALHÃO...

fmp @ 22:34

Gostaria de partilhar com o auditório uma anedota que me foi enviada por um amigo e que servirá de entrada para a minha escrita de hoje:

Um candidato fazia as habituais promessas de campanha:

 - Se for eleito, prometo que vou construir muitos hospital

O assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

O candidato continuou:

- Se for eleito, prometo que vou construir muitas estrada

Novamente o assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

A cena repetiu-se por várias vezes até que o candidato disse, com voz grave e possante:

- E digo-vos mais, se for eleito, vou empregar, não só o Plural, mas toda a sua família...

Esta anedota ilustra gargalhadamente determinadas pessoas que concorrem a eleições sem terem a menor preparação, produtos saídos dos fornos concelhios, que depressa aprendem a tirar proveito e a locupletarem-se com as benesses públicas. Flutuantes e rasteiros, vegetam no desconhecimento das leis, candidatos de visão social mais do que estreita, sem ideologia, autênticos compradores e pedinchões de votos que só têm olhos para si próprios e para colaboradores próximos, pretensiosos pilecas políticos de enorme avidez, de índole oportunista e desrespeitadora.

Em alturas precisas, têm a lata de proclamarem o povo a mudar de destino, apoiam e agitam como cenouras programas brilhantes e projectos de encantar, garantem representar o Zé povinho que muitas vezes os elege por simples afinidade ou motivos pessoais ou por influência alheia, levados na conversa da treta destes figurões e seus mentores e seus seguidores, se bem que espertalhaços, diplomados analfabetos políticos.

 

 

Dentro de alguns meses, mais uma vez, vamos ser bombardeados com muitas promessas ovadas de muitas mentiras para nos convencer a escolher determinado candidato que se auto-considera o melhor de entre todos os concorrentes para resolver os diversos problemas que ferem e afligem as populações, como se os culpados fossem sempre os outros.

Esta politicagem, credenciados lambe-botas que não passariam da cepa torta se não lambessem com dedicação, de moral ad-hoc, farejadores de poder e dinheiro, oportunistas de vistosos salamaleques, todos os anos mudam de palavras porque estão convencidos de que as palavras mudam a realidade e o povo, o sereno povo eleitor, não tem memória ou entendimento…

 

No fundo, não passam de carripanas velhas e ferrugentas, sem vidros, sem estofos, sem guarda-lamas, de pneus carecas, que bulem com a reputação de alguns que praticam uma política limpa e ideologicamente correcta e que se batem pela igualdade e pela justiça social.

A caça ao voto já foi aberta e a procissão ainda nem na praça vem. Já se conhecem muitos candidatos e recandidatos e muitos jeitosos em bicos de pés a marcarem presença e a pretenderem lugarzito, de preferência elegível, a bem do povo, nas listas de candidatos.

Há que saber separar o trigo do joio e votar em conformidade. É o que vou fazer, quando chegar a altura, porque tenho memória e entendimento!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

22/03/2009 GMT 0

ABSTINÊNCIA PAPAL

fmp @ 12:54

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Durante a viagem que o levou pela primeira vez ao continente africano, o papa Bento XVI afirmou, numa entrevista aos jornalistas, a bordo do avião, que a sida é “uma tragédia que não poderá ser superada apenas com dinheiro e não poderá ser superada pela distribuição de preservativos”, tendo aberto mais uma polémica ao dizer que a igreja católica está na vanguarda do combate à sida.

É do conhecimento público que a sida é um dos mais graves problemas de África, continente onde no último quarto de século 28 milhões de pessoas morreram vítimas da doença e mais de 20 milhões estão infectados pelo vírus, particularmente em países como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo. E é neste contexto que o pontífice garante que o preservativo agrava a sida...

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As declarações do actual papa, reforçando a postura conservadora da Igreja Católica, deixou perplexos milhões de pessoas, causando polémica até entre os seus fiéis e severas críticas de diversos sectores da sociedade. E até padres e freiras que em África ajudam as vítimas da sida, questionam a posição da Igreja contra o preservativo.É sabido que o chefe máximo da Igreja católica encoraja a abstinência sexual e a castidade em detrimento do preservativo, sobre a gravidez precoce aconselha sexo só após o matrimónio, considera o 2º casamento uma praga, o aborto ou qualquer prática contraceptiva, uma ameaça à vida, reprova a fecundação in vitro, opõe-se ao homossexualismo.

De alguns dos seus antecessores no Vaticano, recordo que Leão XII foi um tenaz opositor contra a vacinação da varíola e Paulo VI bateu-se contra a pílula.

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É suposto que o papa e os padres não pratiquem o sexo. Mas será que os católicos, na santa paz das suas casas, não tomam a pílula, não têm relações sexuais antes de casar, não usam preservativo? E só fazem sexo para procriar, como se o prazer fosse terrível pecado?

Usar preservativo, elemento fundamental nas acções de prevenção e transmissão do vírus da sida, é certamente a única barreira conhecida para proteger a vida. Usá-los, é melhor do que os ignorar e talvez a única forma de manter vivos milhões de pessoas e não só no continente africano.

 FERNANDO MANUEL PEREIRA

18/03/2009 GMT 0

POLIS SETUBALENSE

fmp @ 00:16

O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades(...)

Diversas e de diversos quadrantes políticos têm sido as críticas ao longo destes últimos anos às obras do projecto Polis do concelho de Setúbal, herdado do tempo do socialista  Mata Cáceres pela actual nomeada presidente do município, a CDU Dores Meira. Projecto com sucessivos atrasos no arranque, avaliado em 13,5 milhões de euros, previa-se a sua conclusão até final de 2008, o que não aconteceu. Este projecto contemplava também a requalificação do Largo José Afonso e a construção do Parque Verde da Albarquel, no mesmo local onde funcionava o extinto Parque de Campismo, e previa ainda a deslocalização dos estaleiros navais.

Cremos que o polis de Setúbal ainda fará correr muita tinta, infelizmente para os setubalenses. É que desde o seu início, em 2001, até ao fim das obras, cuja data se desconhece, nunca teve a discussão pública que o assunto merecia.

Os setubalenses são hoje confrontados com uma realidade para a qual nunca foram convidados, nem em 2001 nem agora. Aliás, a única altura em que se procedeu a uma discussão publica nesta matéria, foi sobre a obra de recuperação da Av. Luísa Todi, por exigência dos vereadores do PS e PSD, e o resultado foi uma recusa total ao projecto do Arquitecto Manuel Salgado, (actualmente na câmara de Lisboa) que propunha a transformação completa da Av. Luísa Todi, não salvaguardando nem a imagem, nem a cultura local, nem a baixa comercial, nem o sentimento generalizado de apego  que os setubalenses tem  com este espaço publico, demonstrando bem  o  distanciamento dos técnicos com a população.

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 A CDU decidiu entretanto avançar com uma obra sem projecto, sem estratégia e sem pessoas competentes. Hoje é fácil apontar o dedo aos seus executores, contudo não podemos nem devemos esquecer que o projecto inicial apontava, no meu ver, um erro urbanístico tremendo: t
endo por base o auto-financiamento, isto é, parte das receitas do polis teriam que ser geradas pela venda de lotes a criar, qual pato bravo da construção civil, rendida aos encantos do betão, projectou-se uma carga urbanística muito superior á proposta actualmente.

Chegou-se, inclusive, a ponderar a hipótese de implantar algumas torres (mais um mamarracho na zona ribeirinha) com mais de 8 pisos de altura, basta ver as plantas de então. Felizmente que por motivos legais tal não chegou a ser aprovado superiormente ou correríamos o risco de criar mais um bairro complicado, em plena Zona ribeirinha, com o mesmo argumento de sempre, como também foi utilizado no projecto imobiliário "Nova Setúbal", entre outros, de que os fins justificam os meios.

O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades, outros a tentar desesperadamente sacudir a água dos respectivos capotes, outros ainda, com celestial bonomia a assobiarem para o lado …

Fernando Manuel Pereira

08/03/2009 GMT 0

UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO

fmp @ 17:03

O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra(...)


UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO!

O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra. Sem papas na língua, a jovem directora do Grupo Teatral Infanto Juvenil, denunciou que se encontra a criar bafio na Câmara de Setúbal, há dois ou três anos, um projecto da sua autoria que perspectiva uma intensa actividade cultural para a cidade de Setúbal, sem que tenha, neste longuíssimo espaço de tempo, obtido qualquer resposta. Nem sim, nem sopas. Fiquei pensativo – mas, sinceramente, não muito admirado!

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, com 13 anos de existência em prol das artes cénicas, que foi pensado e construído a partir dos programas Arestas de Vento e Espelho Mágico, tem sido, efectivamente, um reduto de resistência a pressões políticas e interesses particulares. É um teatro que vem à rua buscar espectadores, vocacionado para um público infanto juvenil, um projecto teatral activo de prática e criação, um teatro de mãos limpas, diferente e inovador no incentivo público à formação de jovens artistas: um verdadeiro desafio pensado e repensado mil vezes, que vive de êxitos comprovados e de casas cheias, uma genuína escola de artistas, acima de tudo artistas jovens e infantis que fazem teatro pelo amor à própria arte.

E até o facto de se assumirem como “amadores”, é motivo de muita felicidade e orgulho. Mas são amadores, porque não vivem, como outros, daquilo: têm profissão que exercem de forma permanente e não estão ancorados, para sobreviverem, em subsídios ou outras formas de apoio. As suas produções são pensadas ao pormenor, as realizações cuidadosamente preparadas, com equilíbrio e solidez, criando e reforçando laços de sociabilidade. Um teatro com causas, mantido esforçadamente por pessoas sensatas, que encontram nos aplausos e opiniões dos espectadores e da comunicação social, um grande incentivo para prosseguirem caminho.

É minha convicção que o Teatro Espelho Mágico, sedeado em Setúbal, não pode ser punido e ignorado pelo que tem realizado com acentuado êxito. Seria um perfeito contra-senso, se não culturalmente muito censurável.

Não há muitos grupos como o Espelho Mágico que consigam levar crianças a fazer teatro – teatro que devia ser matéria de escola. Para quem ainda não conhece este Grupo de Teatro Infanto Juvenil, recomendo assistir ao seu próximo espectáculo, no dia 3 de Maio próximo, no Cine-Teatro S. João, por ocasião do 13º Festival da Canção Infanto Juvenil de Palmela. E depois digam-me lá se é justo e honesto certa comunicação social ignorar com desfaçatez a sua existência e de entidades oficiais, que se arrogam de responsáveis e incentivadoras da cultura, deixarem apodrecer numa qualquer gaveta um projecto cultural de boa procedência e comprovada idoneidade, como aquele apresentado há dois ou três anos, à Câmara de Setúbal, pelo Grupo de Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

28/02/2009 GMT 0

ZECA AFONSO, CANTOR DA REVOLUÇÃO

fmp @ 21:49

Fez no passado dia 23 de Fevereiro, 22 anos que José Afonso nos deixou. A data foi, mais uma vez, em Setúbal, assinalada com a tradicional homenagem e deslocação ao cemitério da Piedade, organizada pela Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros, e coordenada pelo anti-fascista Leonel Coelho, com o apoio solidário da Escola José Afonso, Câmara Municipal da Moita e Junta de Freguesia de Alhos Vedros.

 Zeca Afonso, o “Bicho-cantor” como era conhecido no Liceu, um dos maiores nomes de sempre da Música Portuguesa, cujas melodias e poemas atravessam as barreiras do tempo, considerado muito justamente como percursor da “World Music”, foi, mais do que um músico de excelência, um interventor político-social na conquista da liberdade, influenciando fortemente as gerações vindouras. As suas canções foram significativos contributos para a derrota do fascismo e implementação da democracia no nosso País.                           __za.jpg

Zeca fez a sua vida entre África e vários pontos de Portugal. Viveu em Setúbal em cujo Liceu leccionou, durante 20 anos, os últimos em Azeitão. Na cidade do Sado fundou o mítico Circulo Cultural, reuniu “tropas” contra a ditadura, vendeu livros proibidos, cantou clandestinamente em tascas e em associações populares, distribuiu propaganda anti-regime e anti-guerra colonial, ensinou, conspirou, formou democratas, combateu, foi preso pela PIDE e aqui sofreu uma tentativa de assassinato, logo após 25 de Abril, testemunhada pelo autor destas letras, e levada a cabo por um idiota ressabiado e cobarde, muito chegado, na altura, a certos sectores da igreja mais reaccionária e fascista. Um Homem corajoso, frontal, contestatário aos poderes instituídos, naturalmente solidário e com um total desapego às coisas materiais, inconformado, um persistente buscador da utopia, continua presente na memória e no coração de grande parte dos portugueses. Em Setúbal, tenho a suspeita que há interesses políticos em não manter viva a chama da memória do Zeca: os sucessivos executivos socialistas, liderados por Mata Cáceres, nunca contribuíram nem sequer deram seguimento a qualquer iniciativa sobre Zeca Afonso. E esta falta de interesse obrigou, no passado, a Associação José Afonso a mudar para o Seixal o festival “Cantigas do Maio”. O comunista Carlos Sousa, ex-presidente despedido da autarquia sadina, chegou a reconhecer a necessidade de “celebrações condignas” em memória do cantor da revolução. Aliás, uma das suas promessas eleitorais foi a realização de um festival de música de intervenção – que nunca chegou a sair do papel… joseafonso.jpg

O actual executivo da câmara setubalense, de maioria CDU, pelos vistos, depois de, um ano, ter  incluido o nome do Cantor na desterrada e feia feira das manteigadas, assobia para o lado e nem um simples ramo de flores se dignou mandar colocar na campa onde repousa um dos últimos homens livres. Quanto à comunicação social, (com excepção para o programa Arestas de Vento), local e nacional, não deram, e na maioria dos casos esqueceram, notícia da efeméride. A Associação José Afonso não assinala a data “porque é demasiado triste para os amigos”, no dizer de um ex-responsável.

Valha-nos a iniciativa da Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros, a quem expresso solidariedade e compreensão, extensível à Câmara da Moita e à Junta de Freguesia de Alhos Vedros e à Escola José Afonso. Ainda bem que há quem, sem ser choramingas, se lembre desta data, transformando-a em dia de luta contra todas as ditaduras e pela liberdade dos povos, renovando, assim, a luta pela democracia!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

21/02/2009 GMT 0

CARTA AO VELHO AMIGO VICTOR SERRA

fmp @ 12:53

Pede-me o Ricardo alguns poemas meus para tu leres sem te engasgares, na próxima (boa) entrevista que o Arestas vai fazer navegar pelo éter. Não me deixes ficar mal e dar por mal empregue os tostões que contigo gastei durante anos a pagar-te o raio de centenas de bicas, (curtas e com espuma, recordas?), sempre na esperança de que te saísse a lotaria e que me compensasses. Mas como nunca jogaste...
E, já agora, leva a tua memória atrás, antes do 25 Abril, aos tempos de conspiração no "Café Benjamim" (por cima morava o chefe da PIDE, lembras-te?), no "Café Tamar", durante anos escritório do Zeca Afonso e ponto de encontro de antifascistas de coração aberto e solidários, posteriormente quase na sua totalidade absorvidos pelos partidos e moldados, hoje desaparecidos nas disciplinas partidárias... Mano, que saudades desses tempos, das conversas com o Velho, de assistir ao parto de poemas e de músicas contestatárias, e tudo na barba dos cabrões que diariamente cheiravam o ambiente, mas cujo cheiro nos alertava...

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Sei que vais falar do Circulo Cultural, prédio por mim ocupado logo na vaga gigante do 25 Abril, e do mundo lá criado. E de como era bom sentir a Cultura viva e polémica, todos os dias, todas as noites, a gritar, a estabelecer pontes, a dizer que sim, é possivel viver solidariamente e sem partidarites. Hoje é impossivel tal atitude, principalmente porque não interessa a muitos este saudável exemplo, além de alguns estarem condicionados totalmente à varinha mágica dos subsídios camarários e já não terem tempo nem inteligência (é a preguiça, estúpido!) para pensarem em alternativas, nem produzirem algo que justifique as ajudas... Neste campo, ocorre-me, ao correr da pena, tal como o nosso Circulo, o Teatro Infantil Espelho Mágico, cuja Directora é a nossa comum Amiga Céu Campos, por muitos estupidamente esquecido senão deliberadamente ignorado, é prova do que se pode fazer com muita entrega, muita imaginação, muita verdade, muito amor à Cultura e uma mão cheinha de bons amigos. Tal como o Circulo Cultural no passado, esta dinâmica forte e permamente ao longo do ano, peça a peça, parece incomodar muitos figurões...

No Circulo fizeram-se montes de coisas sem um vintém, apoiou-se grupos musicais e teatrais, organizaram-se aulas de pintura, de escultura, modelagem, exposições, debates, petiscadas culturalmente bem regadas, e ainda havia tempo para investir contra os sacanas reaccionários, distribuir propaganda e apoiar as lutas nas fábricas e nos bairros.

E fez-se o CANTAR JOSÉ AFONSO, a mais importante manifestação cultural e artística que Setúbal já teve, com a participação de cantores e artistas vindos de todo o mundo, graciosamente, relançou-se alguns que andavam um tanto esquecidos, deu-se visibilidade a outros menos conhecidos. E sempre se valorizou a "prata da casa". É pena alguns terem fraca memória! Claro que o CANTAR foi uma iniciativa saída da tua cabecinha poética, Victor Serra, que tiveste arte para mobilizar vontades e solidariedades e contornares alguns obstáculos. Penso que é um motivo de orgulho para ti e para os amigos que contigo colaboraram. No que me toca, ainda hoje sinto satisfação em ter desenhado os cartazes e pintado os cenários do evento que acompanhou o Circulo no desaparecimento ainda hoje envolto em muitas interrogações e em muita tristeza. 
Bom, já me alarguei. Não vou alongar-me mais. Só espero que o Ricardo, que certamente estava à espera de uma crónica saudavelmente crítica, perceba que a Amizade tem destas coisas e me dê hoje dispensa de tal tarefa. Até porque vou ficar sentado de sofá a ouvir atentamente a tua entrevista. E porque há muito não comento as entrevistas, vou, contigo, abrir uma excepção...

Um abraço para o auditório e para a equipa que semanalmente faz o Arestas de Vento, muito particularmente para o poeta palmelão José Gago.

Fernando Manuel Pereira

14/02/2009 GMT 0

O MEU PARENTE PROFESSOR

fmp @ 19:39

 

Há dias atrás, o secretário de Estado Valter Lemos, defendeu um projecto de despacho para o recrutamento de professores reformados como voluntários. Um familiar próximo, orgulhoso professor primário, cofiou a barbicha, quedou-se pensativo e momentos depois deixou escapar: “ Então o tipo atira-me para a reforma e agora quer batatinhas? Favores desses, nem ao S. Pedro!”

O descontentamento e o natural sentido crítico deste meu querido familiar, não se fica por aqui, nem aqui se esgota. Na passada quarta-feira, a selecção nacional, também conhecida por “selecção do Queiroz”, com um conjunto onde a inépcia dos jovens futebolistas que, de baliza aberta fizeram o colossal feito de falhar golos,  lá deu mais um triste espectáculo que provocou  alguma risota (valha-nos isso!) em quem assistiu ao encontro com a fraquinha Finlândia. Comentário ríspido do meu parente professor reformado: “Uma porcaria de jogo. Mas curti bué com a gesticulação do treinador, sentado no banco dos suplentes…)

Ontem, ligou-me logo pela manhã, eufórico, quase destrambelhado, danado. O seu partido, onde militou durante mais de vinte anos e do qual se afastou definitivamente  há cerca de três, tinha-lhe enviado uma carta a dar conhecimento da realização de um Congresso. O meu parente, homem avisado e de pé atrás, ainda com muitas feridas mal curadas e outras por curar, gritou-me: “Tas a ver a lata destes gajos? Lá vamos novamente levar com promessas, vamos fazer assim e assado, viva o povo, o povo é que manda e nós estamos ao serviço do povo, etc e tal. Tretas, só tretas, meu rapaz… ”

 Hoje apareceu-me cá em casa, livro debaixo do braço e um sorriso canhestro, ar um tanto misterioso, sapatos engraxados e unhas cortadas. “Onde vai, perguntei-lhe” – “Meu amigo”, disse-me ele, “vou nas calmarias à capital, bater-me com uma grande almoçarada, saber as novidades e aumentar com as minhas as críticas aos políticos saltimbancos”. E já de saída, deixou cair, apanhando-me desprevenido: ”E amanhã vou de certeza dar um salto ao Pinhal Novo, e ver a “Conquista de Lisboa aos Mouros”, no Auditório Municipal, estreia do Grupo de Teatro ATA”. E ainda teve tempo para acrescentar, gozão, quase altivo e um tanto vaidoso: “Isto, companheiro, é que é voluntariado! Também é voluntariado! Vou mais depressa ao Teatro do que na conversa “deles””.

E fiquei a pensar se ele não teria razão, muita razão… 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA

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