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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

20/10/2007 GMT 0

LUIZ PACHECO

fmp @ 20:56

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Luíz Pacheco - O único que se salva é o Zeca Afonso que ele admirava e de quem nunca o ouvi dizer mal

Vê tu, Ricardo Amigo, que alugava para lhe emprestar livros policiais, rififis e merdas assim e o sacana a saber que os livros eram alugados, fazia anotações à margem, conhecia os autores portugueses que assinavam com nomes da estranja, americanizados, que o tipo por vezes escrevia amaricados, dizia ele que ia dar tudo ao mesmo, e eu é que tinha de entrar com o cacau para o dono do adelo, que se recusava a receber os livrecos escrevinhados, o caraças do Pacheco até chamava nomes e outras coisas normais aos editores, conhecia-os de ginjeira a todos, a quase todos já tinha mandado à merda e ficado a dever-lhes dinheiro, pouco, que a porcaria do escudo não dava para nada, o estupor da luz e da água atrasada e em dívida, a merda das cervejolas sabiam bem e faziam falta. Levou uma vida do camano!...

Ele saiu do lar onde fingia que vivia e está agora na casa de uma das filhas. Malcriado e resmungão, não vê, mas a porra da língua contundente e alarva, como sempre. Vão visitá-lo, acontecia no lar a que ele chamava espera encaixotada, e ele não se recorda das pessoas, por fingimento ou porque não lhe apetece. Ou por qualquer motivo muito dele, que o gajo é maluco, arroles, óculos como mapa-múndi, só o deixam ver o que o diabo consente, se consente, que a um libertino como o Pacheco é difícil impor regras.

Vê tu, Ricardo Amigo, que alugava para lhe emprestar livros policiais, rififis e merdas assim e o sacana a saber que os livros eram alugados, fazia anotações à margem, conhecia os autores portugueses que assinavam com nomes da estranja, americanizados, que o tipo por vezes escrevia amaricados, dizia ele que ia dar tudo ao mesmo, e eu é que tinha de entrar com o cacau para o dono do adelo, que se recusava a receber os livrecos escrevinhados, o caraças do Pacheco até chamava nomes e outras coisas normais aos editores, conhecia-os de ginjeira a todos, a quase todos já tinha mandado à merda e ficado a dever-lhes dinheiro, pouco, que a porcaria do escudo não dava para nada, o estupor da luz e da água atrasada e em dívida, a merda das cervejolas sabiam bem e faziam falta. Levou uma vida do camano!...

Sem dúvida um dos melhores escritores portugueses de todos os tempos. Carregado de "defeitos", carregado de palavras e de imaginação. E de dicionário e de cultura e de inimigos cultivados à revelia das mais elementares regras de civismo, dizia o gajo. E contava estórias incríveis passadas no velho café Gelo, paraíso de bichas em saldo e salteadas, com poetas e escritores e alguns pássaros bisnaus e parentes de moças estudadas ao relantim, Luíz (nunca esquecer o z é assim que tenho na cédula!)  Pacheco era mais mal amado do que bem recebido. Sempre desconfiou que o Manaças escrevia mal dele no seu diário, levava o Paulocas filho ao Coliseu, Massamá onde morou era um apeadeiro, a Lena segundo ele considerava-o velho, viúvo, arrumado, apanascado, changer la vie, punhetas de manhã, a fome durante o dia, começava desintoxicações, sem o vinho afirmava-se sem lucidez, triste, velho e decadente. Era o gozar com ele próprio, a fazer amor com a pessoa que mais amava, que mais odiava: ele mesmo. Mas nunca se calou. E escrevia, traduzia, enganava, aproveitava dos outros os poucos dedos de testa, por vezes cravava na testa dos outros “enfeites pachecais”, bem embutidos.

Em Setúbal, Palmela, Lisboa, foram poucos os amigos que o visitaram, creio, e o gajo cheiinho de saudades de uma boa tertúlia, de um bom duelo de palavras, cheio de espertina, entretinha-se à noite a gravar coisas em cassetes já gravadas, atirava-se aos parvalhões pseudo intelectuais, poetas de pé quebrado, funileiros de rimas, alguns que nem sequer tropas foram, tenho comigo uma delas, incrivelmente lúcida, ofensiva, disparatada, que fala da porcaria do ambiente cultural na cidade de Bocage, neste engano e incompetência tão actuais hoje como na noite em que ele a gravou, já lá vão uns bons anitos, que o gajo também é vidente e o único que se salva é o Zeca Afonso que ele admirava e de quem nunca o ouvi falar mal... penso que era o único.

Deixá-lo estar onde está. É bem tratado, bem agasalhado, bem amparado até para mijar tem de ser auxiliado, é mimado, pois então. Mas continua irreverente, malcriado, esquisitamente inteligente e culto. Sóbrio e com senso, dizem-me. Luíz Pacheco, numa versão de bolso...

Fernando Manuel Pereira - Poeta

ALFREDO MARCENEIRO

fmp @ 20:47

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ALFREDO MARCENEIRO, O FADISTA


Alfredo Duarte, ALFREDO MARCENEIRO, Ti Alfredo... Tinha eu um familiar, homem de noitadas, de tintol e de versos descartados em tertúlias tasqueiras, encontros de copos consentidos, à desgarrada, lisboeta nascido, de Campo de Ourique, consumidor certo de jogo clandestino e de percursos noctívagos pela "Lisboa antiga", que afirmava encoberta, esguia, um tanto canalha, mas bela, alfacinha, diáriamente renascida, a fugir dos avanços das modernices afrancesadas, protector gingão dalgumas meninas do Bairro Alto, "o único sítio na lísbia, depois do meu Bairro, onde um homem pode respirar ou peidar-se com estilo, fidalgamente, sem dar satisfações a nenhum sacana!", que me falava muito de dois FADISTAS: ALFREDO MARCENEIRO e FERNANDO MAURÍCIO, que por ele eram considerados "as melhores vozes do fado de todos os tempos", esquecendo, propositadamente, Amália Rodrigues.

E foi assim que fiquei a conhecer um pouco da vida do Ti Alfredo, o Marceneiro, e do facto de ter sido um seu avó materno, tocador a preceito de guitarra e cantador de improviso, à boa maneira antiga, a influenciá-lo, a grudar-lhe no corpo o gosto pelo fado.

Parece-me que tinham sido ambos, Alfredo Duarte e Orlandinho das Rifas, meu falecido parente e aqui recordado, aprendizes de marceneiro, numa oficina ouriquense, "o mais castiço bairro alfacinha", profissão que ALFREDO MARCENEIRO abraçou, depois de ter sido encadernador (ó pà, isso também dava pilim!), após a morte de seu pai.

Sabia, "sei tanta merda, ó cunhado!", que a "estreia" do Marceneiro tinha sido num baile popular, " a menina dança, descansa ou está comprometida?", e logo ali o nome foi retido e espalhado pelos quatro cantos e recantos fadistas. Alfredo Marceneiro começou a ser conhecido em todo o País, curiosamente sem sair de Lisboa... Mistérios que o FADO tinha . . .

Falou-me também que o grande sonho do Ti Alfredo era entrar em CÉGADAS, "era assim uma manifestação teatral, com homens vestidos de homens e de mulheres, que mulher ver podia, mas subir ao palco népia...", que, afiançou-me, conseguiu realizar.

E contou-me ainda que Alfredo Marceneiro era, "vê lá tú, contra o Governo, a raiva estáva quente, o gajo fervia, os cornos da bófia prenderam-lhe os filhos, trabalhavam todos nos estaleiros do Alfeite, foi durante uma greve geral para pôr a malta a trabalhar oito horas, aquilo fiava fino, o gajo, o Alfredo, não aguentou mais, foi direitinho aos escritórios e amandou à cara dos tipos a sua demissão, deu de frosques, ála milhano, ele caté era bom a fazer mobília para os barcos, mas prenderem-lhe os filhos ! ? ... "

E foi a partir dessa demissão que passou a viver exclusivamente do fado. Voz roufenha, voz cheia de fado, voz do fado, que muitos garantiam ser a voz do mar apalpando as mamas às sereias. . . Atraia, seduzia, perturbava, talvez...

Alfredo Marceneiro era amante da noite, vivia a noite, o encanto da noite com suas armadilhas e vielas, tascos de mesas de zinco, manchadas, algumas côxas, todas de madeira, velas a arderem sabe-se lá que desditas ou loucuras, amores passageiros, alguns à surrelfa, e aquele ar cúmplice com que são rotulados os feiticeiros, os poetas, os saudávelmente loucos ou abismados, caldo verde e chouriço assado, tinto do carrascão, marialvismos pousados na lua, que ele conhecia bem. Nunca abandonou a sua amada noite, foi-lhe sempre fiel, dedicado namorado, outras vezes amante, serenata de paixões enquanto o fado, outra paixão, lhe inundava a alma, o corpo e já com oitenta anos não prescindia da sua voltinha, era o velho encanto a encantá-lo, vozes e acenos nocturnos só por ele decifrados e entendidos. Saia de casa e o primeiro táxi a passar parava imediatamente e o motorista, atrevido, sabedor, perguntava: "boa noite Ti Alfredo. onde é que quer que o leve hoje ? " E ele respondia com aquela sua voz, redonda, roufenha, afadistada: " Óh, meu querido filho, ainda bem que apareces-te, leva-me lá ao Bairro Alto."

ão pequenas grandes estórias antigas contadas de boca em boca, partilhadas, jámais esquecidas, de um bom homem e grande fadista, a que o poeta Adolfo Simões dedicou a seguinte quadra:

Não desvendo nenhum segredo,
nem digo nada de novo:
- na garganta deste Alfredo
vibra a voz do nosso Povo!

Fernando Manuel Pereira

ARESTAS DE VENTO, A QUALIDADE DE UM PROGRAMA

fmp @ 20:41

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AUMENTAM NÍVEIS DE AUDIÊNCIA ...

RICARDO, CORAÇÃO DE ARESTAS, por onde andas, que fazes, tens rido, chorado, gritado, andado à roda da nora, na rota do vento, no rumo das arestas, na roda da roda, à roda da roda, em movimento, estancada, parada, levada, embrionada, arrisca, guardada no porta-bagagem, enfiada nas narinas pindéricas dos cheira -cús que andam desejosos de te fazerem a cama, de calarem a voz do vento, arestas de vento, nosso, e que essa rapaziada ouve com muita atenção, pidesca costela donde se extrai a baba dos inúteis, paradoxo das mentalidades cobertas com teias e m... à discrição. Sócrates foi à Russia e consegue não ficar lá, compro lotaria e nunca me sai nada, euromilhões pisca-me o olho, só isso. Depois temos a Portela, a OTA, o camelo dos miúdos do PSD que nunca se preocuparam com despedimentos e fome, que nunca lutaram ao lado dos trabalhadores contra os patrões que coçam pra dentro, compram carrinhos de alta cilindrada e despedem trabalhadores ao mesmo tempo que erguem os olhos ao céu e pedem perdão e lugar certo à direita de qualquer santo, tanto faz - a eles e a nós !

 

Pois é, Amigo Ricardo, à medida que o nível do programa aumenta, aumenta o desassossego dos idiotas, alguns que até te passam a mão pelo lombo, invejosos e incultos, que diploma não lhes concede outras benesses e incapazes são de elogiarem um programa que defende e divulga uma cultura e um idioma no qual está inscrita a verdadeira essência popular, a vertente que na realidade importa. Mas existem também os que não têm diploma e utilizam a linguagem da banha da cobra, seráficos a engordarem à conta dos munícipes...

 

As tuas últimas entrevistas foram pó de jalapa nos intestinos dessa gente pequenina, assolapada na cultura oficial dos organismos oficiais, empregados ou simples galifões à tarefa, moços de fretes em festas e festinhas, marchas e marchinhas e que nunca mais marcham para o lodo do esquecimento, arca onde à-vontade poderiam aguardar o inverno... No fundo, e é do fundo que se trata, andam borradinhos de todo. É, verdadeiramente, a sua corôa de glória...
Para já não falar da qualidade da música e dos interpretes que, domingo a domingo, passam pela antena. Metesses tu a pimbalhada do ofício e provávelmente serias convidado para chás-dançantes e poleiros municipais... com direito a algumas almoçaradas bem regadas, onde os elogios manifestamente mútuos dariam mote para notícias em jornais.
Mas ainda bem que este cenário não é o teu- nem o nosso ! Continua a moer-lhes a cabeça e a alma, que isso também é um bom serviço que prestas à cultura de todos nós.
E não te desvies das linhas de força que marginam Arestas de Vento. Nem permitas que lhe limem as arestas !
Um abraço solidário,
Fernando Manuel Pereira – Poeta e cidadão de Setúbal

 

POESIA

fmp @ 20:30

 

 

 TORDO SEM BARREIRAS 

 

Devia ter sido linda a festa do lançamento do livro de poesia do TORDO. Meteu piano, cantorias e à ilharga certamente foram contadas boas e antigas estórias..., já cá se sabe, RICARDO ARESTAS... E uma tonelada de Amigos, seu secreto clube de fãs, sempre disponível e participativo. Haja Deus!
Todos os livros de poesia editados, deveriam figurar num Panteão de Letras, para a posteridade se banhar nas profundezas dos sentimentos e da imaginação dos Poetas, legítimos amantes das Musas nuínhas e sem asas. Perpétuamente em ebulição e sem vergonha de o serem...
Sempre gostei de ouvir o TORDO cantar. Guardo com saudade e uma certa delicadeza um magnífico trabalho que ele fez tendo os Açores como encantado recanto inspirador. Já lá vão uns bons anitos...
Que me perdoem, mas só oiço Zeca Afonso, todos os dias...
E agora estou a redescobrir o TORDO, as suas entrelinhas, a força imutável que lhe vem das Raízes populares e que ele não prostituiu, nem escondeu, autêntico papel almaço onde se assentam os fiaduchos e os ganhos da vida. (As percas não entram nesta contabilidade...)
E as paródias, as touradas, os copos e as noitadas, os poemas e a quente forma de os cantar, encantando... Toda uma forma de viver e de estar, piscando um olho a quem passa e deixando passar, que a vida além de ser curta deve ser colhida com gosto e sem desgosto, mesmo os clandestinos, aqueles que nunca tiveram identidade nem cartão de desconto ou de velhice...
Por isso percebo, percebemos, e aprovo, aprovamos, a insistência do RICARDO ARESTAS em passar na antena a obra musical do TORDO.
Faz bem às almas e à saúde mental do cidadão que ainda acredita que esta merda tem de mudar, um dia !
E já se provou que também muda com canções. Mas com boas canções!!!!

Um Abraço pra ti, prá tua mulher... e para o TORDO, Cantor e Poeta, cidadão real dum país eternamente imaginado !

Fernando Manuel Pereira

COORDENADOR DO INATEL/SETÚBAL

fmp @ 20:20

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Caro Amigo Ricardo:

Nunca te aconteceu, após uma boa refeição, ficares com uma vaga migalha a puxar-te para mais meia dúzia de colheradas?
Foi como me senti, quando deste por finda a entrevista ao Coordenador de Setúbal da INATEL, sr. FRANCISCO RODRIGUES, no passado domingo, dia 24. Houveram questões que não foram completamente esclarecidas, talvez uma fugazita a algumas perguntas, um tecer de teia como refúgio de um certo incómodo - afinal o INATEL é tutelado pelo Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social...

Deste lado da antena, comodamente, comecei a ouvir e logo no primeiro instante senti estar na presença de um homem conhecedor do movimento associativo e cultural, com preocupações humanitárias, contestatário quanto baste, honesto e verdadeiramente inserido nesta difícil e absorvente matéria. Sempre são 62 anitos... e uma arca cheia deles vivendo amancebado com colectividades, clubes e afins... É obra!

Depois, e à medida que a conversa ia decorrendo, e tu a puxares pelo senhor, eu continuei confortável, mas parece que o amigo Rodrigues, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, talvez iniciasse a dança da cadeira, procurando um melhor sentar. É o que acontece a muito boa gente. A mim aconteceu-me e ainda hoje relembro algumas "rasteiras" com sapato de verniz que me aplicaste, e bem, afinal estás para dissecar o convidado e assim pelas veias do éter encaminhares para os ouvintes o verdadeiro sabor da conversa.

Fundamentalmente, o Coordenador da INATEL Setúbal, deixou algumas janelinhas em aberto, que importa conservar para novo encontro com o já exigente auditório do ARESTAS DE VENTO, hoje mais ouvinte e interveniente e saudávelmente agitado.
Prova são as perguntas vindas da Ferro, do Manangão, do Fuzileiro Para Todo o Serviço, do nosso Espiritualista Negro e de outros, tantos e tantos a quem este programa concede voz, sem que para tal tenha sido necessário um milagre. Como tudo na vida, tudo de bom e benéfico, tem de ser feito com a colaboração de outros... Principalmente quando toca na verdadeira cultura popular e participada...

Pois o nosso entrevistado não teve receio de assumir a pesada herança da FNAT e de criticar algumas Entidades Setubalenses. Um pouco pela rama, mas antes pão seco do que não ter pão...
Prontos, teria ficado satisfeito, de barriguinha cheia (e barriga cheia não significa comer saudávelmente) se o nosso simpático entrevistado tivesse respondido claramente à pergunta simples que. como consentido remate, lhe coloquei por intermédio do nosso Amigo Ricardo: e a Associação José Afonso foi convidada para o evento no Luísa Todi ?

Não pertenço à Associação. Mas reconheço que esta, guardadora do espólio e de algumas memórias do Zeca, NÃO pode e NUNCA deve ficar afastada de qualquer tipo de evento que se faça em homenagem ao meu saudoso Amigo, um dos maiores cantores e poetas de intervenção que este nosso País já conheceu, JOSÉ AFONSO.
Não ficava mal, Senhor FRANCISCO RODRIGUES, em nome do INATEL, um pedido de desculpas à ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO !!!

Fernando Manuel Pereira/ poeta/ cidadão de Setúbal

NÃO VÁ O COZINHEIRO ALÉM DA PANELA...

fmp @ 12:13

RÁDIOS POPULARES E RÁDIOS POPULARES !

Há uns meses atrás muito surpreendido fiquei quando, no mercado mensal de Pinhal Novo, ouvi, vinda de uma bancada de t-shirt's "duas cinque aerus" uma canção do Zeca Afonso, cujo som fácilmente chegaria  ao cimo de um arranha-céus. E pensei: mas estas pessoas, ciganos, perompompero, tendeiros de olhar maroto, vendedores ocasionais e outros com cartão, espertalhões de lábia apurada,  o bacalhau quer alho,  ó tempo volta pra trás, eram prái sete e picos, a desgraçadinha candava no gamanso, e outros sucessos, já ESTão a mudar o cenário musical, tantas vezes chamariz, DA sua actividade? Para onde foi a pimbalhada DA ordem, Cintras, Cintrinhas e Cintrões, outros galifões cantantes? Ou finalmente começaram a ter bom gosto?
Estava cá o rapaz às voltas com estas elevadas considerações, quando, súbitamente, ouvi "compre o seu andar na urbanização..." e só então percebi que tinha estado a ouvir uma estação de rádio. O gosto do pessoal, pelos vistos, não tinha sofrido alteração... Por enquanto.
Mas este episódio fez-me recordar um outro,  tendo como figura central um  "radialista"  de uma  rádio de Setúbal, meu conhecido há um rôr de anos, tinha o rapazote chegado da santa térrinha directamente para a cozinha de um restaurante, onde exercia a honesta profissão de ajudante de ajudante de cozinheiro.
Foi, portanto, com alguma surpressa, não isenta de admiração que, anos depois, o encontrei agarrado a um microfone a conduzir airosamente um programa matinal, popularucho e pardusco quanto baste, ornamentado com um vocabulário tão medonho que só nos dava ganas de partir à dentada o raio DA  telefonia.
Mas um dia, e porque um amigo jornalista, já falecido, fazia anos, resolvi contactá-lo e pedir-lhe se havia hipótese de, no dia seguinte, passar uma canção do Zeca Afonso e dedicá-la a esse amigo aniversariante. Resposta desse conceituado ajudante de cozinheiro versus locutor de rádio:       e tenho eu lá coisas dessas?!...
Senti indignação e repulsa e enchi o fio telefónico de car-va-lha-das, desfiando todas as lindas expressões que conhecia, até que o idiota pardejo desligou o telefone. O que não me acalmou. Mas isso é outra história.
E vem tudo isto a propósito de quê? A propósito de um pormenor tão simples, tão simples, que o simplex do Sócrates até fica envergonhado na comparação.

Raramente, mas muito raramente mesmo, oiço o cantar do Zeca numa rádio de Setúbal. Só se agora e imitando a Câmara, e porque são obrigadas a entrar na onda, comecem a passar, envergonhadamente, Zeca Afonso. Mas tenho cá umas certas dúvidas... No entanto, e a qualquer dia da semana e hora, oiço na rádio Pal o Zeca cantar. Palavras para quê, são rádios populares, só que a PAL parece mais POPULAR do que a outra!
Mais um bom motivo para continuarmos a ouvir a PAL FM!

Fernando Manuel Pereira

102.2 FM - AOS DOMINGOS, UMA MANHÃ CHEINHA DE CULTURA

fmp @ 12:08

UM POETA, UM OLHAR, UMA VIDA... Talvez porque estudei com OS irmãos Monteiro, de quem sempre conservei a amizade e outras cumplicidades, assisti ao começo DA Rádio Azul e das suas emissões contínuas.

E quero aqui recordar, neste espaço privilegiado de dizer coisas, alguns amigos que acarretam com a responsabilidade tenaz de terem posto a navegar, por entre dificuldades de todo o género, este veículo sem rodas, cujos condutores, alguns, ou nasceram pra isto, ou não conseguem andar à tona e se andam nadam à cão, cabecinha fora, corpinho na água, rabo a Dar a Dar, em aflição.
Frederico Benzinho, hoje talvez com oitentas e tais anos, foi o pioneiro em Palmela DA rádio, se não falho Rádio Onda Jovem, ligado ao antigo Jornal de Palmela, homem de vontades, persistente.
Carlos Resende, cavaleiro do Arestas de Vento, setubalense convicto, meu amigo de infância, figura incontornável do panorama DA rádio, quer no concelho de Setúbal, quer a nível nacional, ainda hoje a mexer o pézinho prá Dança, recorda aMIúde, por entre conversas e copos, em tardes mansas, descansadas, alguns impulsionadores das rádios locais, piratas e bem piratas, em jeito de homenagem, já que quem a devia fazer sofre de amnenésia galopante.
Daí surgirem nomes como o Zé do Talho, Pedro DA Itermar, Filipe de Matos, Góis DA Ima, Benzinho, irmãos Monteiro..., homens a quem a rádio muito deve e cuja paga não se vislumbra imediata.
E tudo isto pra chegarmos ao CANALITO, 1º programa, juvenil,que o Ricardo Cardoso e a Céu Campos idealizaram e construíram, já lá vai um batelão de anos e que recordo, deixando o registo para OS ouvintes mais distraídos ou mais arredados destas coisas.
Arestas de Vento, parido em Setúbal numa rádio que já contou com melhores dias, é um velhote persistente, trazido em boa hora para Palmela, sem reforma, teso quanto baste e que consegue agitar àguas como menino em banheira, dando a sensação que começa todos OS domingos, de novo, sempre de novo. E, quando menos se espera, lá vem a surpresa, o Incómodo, o pó de comichão para OS manequins ditos culturais da rua dos fanqueiros, Nome Genérico para sedes partidárias e filiais.
Ouvir este programa é prestar a esperada homenagem a todos OS impulsionadores DA rádio que em Palmela e Setúbal, como ao correr do País, desbravaram o mato, arriscaram e conseguiram tornar OS dias mais reais e falantes.
Um abraço para todos!

Fernando Manuel Pereira

HÁ QUEM TENHA LABIRINTOS NA CABEÇA...

fmp @ 12:01

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LEONEL DIAS, CAVALEIRO MEDALHADO DO ARESTAS DE VENTO

A minha falecida avó, mulher de um carroceiro rude e musculado, tinha o hábito de me dizer, sempre que eu  procurava dar-lhe a volta: "não venhas pra cá com garfo, que hoje a comida é sopa!" E assunto arrumado!!!
Tive a felicidade e a sorte de conhecer algumas pessoas que influenciaram a minha formação, quer pessoal, quer como cidadão preocupado, vivente, alerta. E conservo ciosamente, mesmo quando há divergencias ou opiniões não conjugadas, a maior parte das minhas amizades de luta, de escrita, de interesses culturais, de participação cidadã.
E sinto enorme tristeza quando relembro amigos que já foram andando, como o troskista Dr. Rosa da Silva, o comunista não muito bem amado Gonçalves Chora, o ex-estudante padreco João José, sempre em banho maria, dividido entre religião e admiração a che Guevara, a Maria da Horta, pequeno arriete de sangue quente, vermelho, militante, a ferver, apologista do soutian e da terra a quem a trabalha.
São figuras altaneiras, erectas, verticais, que ficarão para sempre na minha memória e nas minhas memórias escritas, grande parte delas já na gaveta, devidamente ordenadas, com consentidas semelhanças com situações e pessoas, sem coincidências, antes realidades vividas. Figos pitas que irão incomodar muitas consciências emaladas...
Dos ainda vivinhos da silva, (o tintol tem ajudado alguns...), separo, sem ofensas para outros, o Victor Serra, a quem durante anos, diáriamente (por vezes bi...) lhe pagava a bica da ordem, seu carburante real, Poeta e escriba, dom Quixote fatalmente navegante, preciosa semente de esperança numa cidade, Setúbal, onde a luta já teve melhores dias e intérpretes. Mas nem sempre estou de acordo com as suas idéias, o que não impede de conservarmos a nossa amizade ao lume.
Um outro, o Borges, último Presidente da Assembleia Geral do Círculo Cultural de Setúbal, amparo de amigos quando os copos subiam pela calada da noite, em folclore de volume, PC à moda antiga, sem cedências, crítico de coração ao pé da boca, dessassombradamente verdadeiro. Penso.
Um, pelo qual reservo um especial carinho cúmplice e entendido, o Luís Filipe Estrela, poeta e gozão dos folguedos das palavras, meu amigo há cerca de meio século, amante pardal de donzelas em estado de graça, setubalense desde o 4º dia de existência terrena, invejado por aquilo que escreve, que dá, que veste, que partilha, que pensa, que sonha... Sem igrejas e sem partidos, mesmo olhado de lado pelo jet-set punhetal, cirandamente cultural desta parvónia, agora sobre a batuta do PC/CDU ainda mais cinzenta, aguenta o leme na rota, velas ao vento e vai singrando...
...E o Ricardo Cardoso também entra nesta lista de bons malandros, com lugar cativo e perpétuo. Conhecio-o no Círculo Cultural de Setúbal, fundado por Zeca Afonso e cujas últimas instalações foram por mim ocupadas logo após Abril de 74 (assim como ocupei também as instalações da mocidade feminina, que posteriormente serviram de primeira sede do PCP, em Setúbal) e onde eclodia a cultura, a convivência, onde havia ideias, solidariedade, carolice, Esquerda. (Pôra, que saudades!...) Não era de muitas confiunças, falava, partilhava, participava, notava-se a lábia, por vezes ajardinada, florida, mas sempre terra-a-terra e esclarecida. Tem, desses tempos de rebeldia, alguns amigos, mas também foi, vai, deixando pelo caminho, nas bordas, alguns falsos amigos, invejosos carecas culturais, desengonçados mestres de nada, porque nada são, só treta e trinta e um de boca, inexpressiva gente alcandorada a um pico de glória que não mereciam...
Deixei para último, propositadamente, o meu velho amigo do peito, Leonel Dias, companheiro de antigas e saudosas tertúlias cafeístas, adorador Inca de poesia, bom conversador, culto, gramaticalmente puro. Militante de esquerda sem filiação, meu crítico e leitor priviligiado dos meus poemas, consumidor de livros proibidos antes do 25 de Abril, e participativo em certas acções arredias do gosto DA "outra senhora", de quem dizem ter uma boa pancada, o que confirmo, educadamente.
Solidário e de bom trato, bom copo em reserva, bom amigo em quem se pode confiar,  saído de uma fornada, cuja receita ou apanhou perpétua ou se perdeu nos enclaves da vida...
Amigo Leonel Dias, ouvinte e cavaleiro medalhado do Arestas de Vento, nosso irmão, nosso camarada, para ti, mesmo percebendo a intenção, a frase da minha falecida Avó: NÃO VENHAS PRA CÁ COM GARFO, QUE HOJE A COMIDA É SOPA!"

Fernando Manuel Pereira/ Amigo e cidadão de Setúbal/ Blog do autor: http://poesiaemluta.blog.pt/

NÃO GOSTO DELE!

fmp @ 11:53

sem54_30.jpgNÃO GOSTO DO SR RUI MESQUITA
Penso que é mais um engano nesta cidade de Setúbal , aproveitador de meia dúzia de amigos feirantes, foliões, beiramarenses, bonfinenses e troca tintas a retalho , sem catálogos, cujos repolhos levam tempos a medrar. Estou-me marimbando para as opções do rapazito. Ele até pode gostar de macacões... A vida também é uma vaga questão de trocas e dissabores... Agora não tem é o direito de ofender ninguém, muito menos OS HOMENS que lutaram antes do 25 de abril, era ele um tótó de primeira apanha e que só teve algum reflexo porque chegou à câmara de Setúbal, vindo das berças, e com alguma protecção conseguiu sorrir e, por vezes, grunhir.
E que é tratado por Dr, DA treta, e que nunca desmentiu tal tratamento.
Vou Dar por encerrada esta "polémica" DA campa ao abandono do nosso amigo Zeca Afonso. O Ricardo Cardoso, numa atitude claramente de Homem, Amigo e Solidário, como há poucos, teve a hombridade de afirmar publicamente que não concordava com a merda saída DA boca do idiota Rui Mesquita, personagem equivalente a um nenúnfaro cor de Rosa gratinado... E mentiroso. ELE QUE ME DESMINTA,o idiota bola de berlim sem recheio! E não vai passar, penso, como é hábito, parte DA entrevista que deu origem a todo este vómito enleitado... São personagens deste quilate, do quilate destes "agentes culturais", DA treta, que subvertem e incomodam aqueles, aqui em Setúbal, ou no Couço ou no coiço DA mula, afadistada, que , enganadoramente, se dão ares de intelectuais e no fundo, não muito no fundo, nunca fizeram nada pelo ambiente cultural desta cidade, deste concelho.
Vou ficar por aqui, respeitosamente. Respeitosamente em relação a um homem que conviveu no Circulo Cultural de Setúbal, por mim ocupado logo APós o 25 de abril, e que, até hoje, sempre enfrentou OS maremotos, as altas ondas, e que consegue, de polémica em polémica, fazer com que OS domingos sejam domingos de eleição.
É por isso que Arestas de Vento é um mundo purgatóriamente desnivelado, talvez até cúmplice do que de bem estar estamos à-vontade de nos insurgirmos. Vou repetir, para que não fique nenhum pedaço a necessitar de palito: não gosto do "doutor" DA treta Rui Mesquita. É mentiroso e abusou DA amizade do Ricardo e do seu auditório, atento e participativo. Há boa maneira de Setúbal, devo dizer-lhe sem medo ou receio de qualquer espécie: VAI ANDANDO, MANO !

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Cidadão da Liberdade/ Blog do autor: http://poesiaemluta.blog.pt/

QUE OCULTAS INTENÇÕES?

fmp @ 11:41

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LÁ VOLTA O BOATO DA ORDEM !...

Com uma certa periodicidade que já não incomoda grosso modo, pela habituação, surge o boato de que a campa do Zeca Afonso, no cemitério conhecido por "cemitário velho", em Setúbal, estaria desprezada. NÃO É VERDADE!!! É UMA GRANDE MENTIRA!!!
Curiosamente, a "coincidência" surge sempre em vésperas de iniciativas de homenagem ao cantor, umas DA responsabilidade DA Associação com o seu Nome, outras promovidas por municípios, como é o caso DA Câmara de Setúbal que resolveu etiquetar a Feira das Manteigadas, anteriormente conhecida por Feira de Santiago, dando-lhe o Nome de Feira de José Afonso, como consta na publicação camarária SETÚBAL GUIA.
É evidente que consideramos esta, uma homenagem raquítica, por muito apoio que tenha tido DA Associação... Mas também percebo que o actual executivo DA Câmara Municipal de Setúbal, de maioria CDU, não se sinta competente e qualificado para outros voos, outras homenagens, outras culturas...
Para se aquilatar do estado de conservação DA campa do genial cantor de intervenção, nada como Dar lá um salto.
Talvez não seja daqueles que vão lá muitas vezes, visitá-lo. Vou algumas. E quando lá vou, como aconteceu HOJE, dia 4 de Julho, procuro sempre ajudar, nem que seja mudar algumas flores já não ESTão em muito bom estado. Hoje não foi necessário fazer isso.
A fotografia que acompanha este texto, foi tirada no dia 2 de Maio passado e só alguém a necessitar urgentemente de consulta médica poderá afirmar que o lugar onde descansa o Zeca ESTá desprezado...
Num passado não muito distante, fiquei sempre com a sensação que este tipo de calúnias tinha como alvo prioritário a Família do Zeca, a própria Associação, ou outros fins que  ainda hoje escapam ao meu normal entendimento...
Os amigos dele, como eu, ESTão-se nas malvas para as atoardas proferidas, seja por quem for,  auto-proclamados agentes DA cultura, imbecis em crise amorosa, gente avulso a viver colada a um passado fasciszante, pobrinhos de ESPírito mal acasalados e mal amados, afilhados de deuses com pés de cáca. Perfeitos néscios, em suma. Que, em momento de desnorte (acontece a muito boa gente), deixam por vezes sair DA boquinha afirmações absolutamente parvas  e ESTúpidas, MENTIRAS que fazem borrar todo um passado por vezes construído à sombra de uma certa cultura, semi-oficializada, com pontuais estardalhaços. Há casos destes...
Descansem OS meus amigos. A campa de José Afonso NÃO ESTá desprezada. E para tirar a prova dos nove, é só lá ir e poderão ver como cresce uma àrvore junto à lápide e como se transformou uma campa num canteiro florido... E talvez encontrem poemas e DESABAFOS que amigos anónimos lá deixam, amiúde... Uma outra forma de falar com ele...
Como escrevi num texto anterior, o Zeca, na morte como em vida, continua a levar com "eles", OS de sempre, OS DA roda morta, que não o conheceram nem com ele privaram, a maioria...
O Zeca continua VIVO e as pessoas que consciente ou não inventam boatos idiotas, esses sim, ESTão mortos! Paz às suas almas!

Fernando Manuel Pereira

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