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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

11/11/2007 GMT 0

...ESCREVE TU O RESTO!

fmp @ 18:04

Mano Velho.

Frankly, I don't give a dame, isto é: francamente estou a borrifar-me. Porra, companheiro, tenho MAIS de meio século de existência, uma boa e saudável litragem de tintól, petiscagem a esmo, aberta, diversa, por vezes confusa e misturada. E aprendi, saudavelmente, a dizer merda e a fornicar de pé, ginasticamente, desde novo, novinho.

Ainda não havia currículos para mostrar e até se pagava para se aprender um ofício. Como vês, comecei a vestir calções, com alças, previdentemente, logo assim que acabei de mamar. As calças vieram um pouco depois, escola comercial à vista. Aprender a nadar foi logo a seguir, sem roupagem ou outro fardamento, a um canto do Clube Naval, nuínho, para grande alegria do meu Pai, que já me via a perseguir, em segurança líquida, os seus passos, madrugada no mar, tarde na tasca, nos copos, na miséria descalça, boca calada, o que era isso de política? quem somos nós para termos opiniões, eles que estão lá é que sabem! E sabiam-na toda, os cabrões.

É uma porra, esta de ter nascido no seio pobretanas de uma família numerosa de pescadores, ainda por cima "rabaques", uma espécie de varinos brazunados,  com imagens do senhor dos mareantes, nossa senhora das dores, dependuradas nas paredes caiadas, onde nunca faltaram orações, terços rezados  e onde o pão, que se vendia ao quilo, era comezaina vagarosa, racionada.  Mas depressa, pela mão de minha avó materna, dei corda aos calcantes,  pirei-me, depois de saber tios a morrerem no mar, em vã luta com as ondas, botas de água calçadas, pesadas, a nadarem como fateixas; pescador desse tempo, salvo raríssimas excepções, não sabia nadar. Mas nunca se esquecia do garrafão de cinco litros, na bagagem, tás a ver?...

Ninguém me tira estes aninhos. Nem as Amizades boas que pelos caminhos fiz. Desde o caraças do Pacheco, escritor resmunguento, com um pendor sentimental sobre o comunismo, passando pelo Reis pintor, premiado ao fim de muita insistência e de muita velhice, com uma casa de renda económica. Uma casa à portuguesa, concerteza.

Recordo a Amélia, desvirgem aparecida,  génese teórica de uma estupenda galinha de cabidela, poetiza viúva e mal-tratada, sesimbrã, até a Zeca Afonso, lutador pela liberdade, militante da causa, de todas as causas culturais. E mais, muitos mais! Um dia, Ricardo, entre dois ou três copos, mostras-me os teus que eu te mostro os meus. Talvez com nomes diferentes, o conteúdo lá está, semelhante e irreverente, néctar de luta a esgrimir palavras, conceitos, valores, presença. As tais Amizades que perduram, por muito que a puta da Morte diga que não. Em vão.

Afinal, é verdade que a vida é uma grande escola e tem grandes professores. Mas é, também, uma caixa de Pandora, com zeladores que não passam de pirralhos que mijam de pé, camisas de vénus enfiadas na cabeça, à laia de cabeção de mula cagona. E há tantos por aí!...
Sabes que aprendi, mas ainda levei algum tempo, a distinguir entre um Amigo e um amigo? Agora já não me quilham! É o quilhas!!!

"No centro da avenida, no cruzamento da rua, às quatro em ponto perdida, dançava uma mulher nua... "  Este é um magnífico verso do Zeca. E uma história de vida. De vidas. "Não há bandeira sem luta, nem luta sem batalha" - lá este ele a falar connosco, a incentivar-nos. Nem eu sei porque carga d'água me lembrei deste verso, precisamente agora, dia 9 de Novembro, 7 horas da tarde, sessenta e dois anos depois da 2ª guerra mundial acabar. Há coisas, ó Ricardo Couço Cardoso!...  Serão mesmo coisas?

Vamos ficar por aqui, meu estimado Amigo. Daqui por um ano, voltamos a dar asas às lembranças. Ou será imaginação? Isto já anda tão misturado que por vezes não consigo separá-las. Olha, qualquer semelhança com a realidade... escreve tu o resto.

Um abraço.

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Setúbal, a velha doca das Fontaínhas

 

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e http://palavrasnovento.nireblog.com/

04/11/2007 GMT 0

ORELHAS DE BURRO: CASTIGO À JANELA

fmp @ 16:56

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(Comentário à entrevista dada por FAUSTINO SANTOS, no passado Domingo, dia4|Novembro|2007, ao Programa ARESTAS DE VENTO, Rádio PAL)

“ A Junta de Freguesia de Marateca não tem dinheiro, por isso não vou a nenhum lado, não vou agora à Madeira, para não estar a comer à conta...” – mais coisa menos coisa, foi esta a exclamação proferida pelo Presidente Faustino Santos aos microfones da Rádio PAL, no programa Arestas de Vento, no passado domingo, dia 4 de Novembro e que, de alguma forma, veio dar o mote à conversa, preparando o auditório para o que a seguir se iria desenrolar…
Surpreendente a simplicidade e inteligência do entrevistado, comentando, dando testemunho ou levantando questões críticas, algumas delas bem sensíveis e que certamente lhe vieram trazer mais uns gramas de “inimigos de estimação”. (Também não se pode ter tudo, não é verdade, Sr. Presidente?)

Analítico, construtor e integrador, foi um debate político na presença de milhares e milhares de ouvintes/espectadores, conduzido pelo Mestre da barca, Ricardo Cardoso, tendo a chefiar a sala de máquinas a navegante Céu Campos, que não deixaram que o mesmo derivasse em simples passeio domingueiro ou betume para tapar espaço radiofónico…
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Foi uma entrevista definida pelo seu próprio conteúdo, onde o Presidente Faustino Santos manifestou de forma livre e sem cassetes ou inibições partidárias, o seu direito de cidadão, na prática sem lugares comuns ou lágrimas de crocodilo, assumindo-se corajosamente como agente do poder popular, votado democraticamente.
A sua consciência cívica, as suas preocupações e envolvimentos, o profundo conhecimento da sua freguesia e populações, a obra feita, têm contribuído garantidamente para as suas vitórias eleitorais, das quais o Partido Socialista tem participado e usufruído… Foi bonito o entrevistado não ter rejeitado estes compromissos políticos e não se ter aferrado a dogmas, partidarites, doutrinas, certezas de piaçaba ou vaidades envernizadas.

Da entrevista, deve salientar-se o forte contributo pessoal dado para que as questões locais sejam tidas em conta por quem detém o poder, premissa para o contributo para uma mudança social que se quer forte e consistente.
Mas deixou no ar uma nuvem formada por uma intricada rede de favorecimentos político/partidários que, segundo o entrevistado, na prática são inibidores e promovem rupturas, tornando instáveis ou anulando algumas iniciativas de carácter popular…

Não resta a menor dúvida de que o aprendizado das juntas de freguesia, amadurece a consciência do poder, fortalece nos bem intencionados o sentido de debate, da reflexão crítica e do entendimento do que se pode fazer para avançar ou corrigir, conseguindo mobilizar os cidadãos. Foi o caso. É o caso!

Finalizo com um pedido ao Presidente da Junta de Freguesia de Marateca: veja lá se descobre onde a sua professora primária guardou as orelhas de burro. Vá buscá-las porque, quer no Partido Socialista, quer na Câmara de Palmela, (e de Setúbal…) há muita boa gente a precisar delas!...

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29/10/2007 GMT 0

COMENTÁRIOS ÀS ENTREVISTAS , 28 OUTUBRO

fmp @ 12:33

UMA BOA CONVERSA A QUATRO

Seria desnecessário afirmar que gostei das entrevistas feitas a duas pessoas ligadas por cordão umbilical ao mundo vasto e misterioso e nem sempre bem aceite da poesia e que, pessoalmente, muito prezo.

O Filipe, Luís Filipe, tem uns bons quilinhos de espírito anarquista e de coragem frontal, independentemente das suas antigas e bem arreigadas convicções religiosas/filosóficas. Defenderei sempre o seu direito à diferença, o seu sentido universalista do sofrimento e da esperança humana.

O José, José Gago, Palmelão de velha cepa, ainda um dia, vaticino, será santo na sua própria terra. Em Palmela, felizmente, à frente do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal, está um jovem de valor, competente, com mérito e iniciativa, e que não considera a área cultural como um mangusto passageiro, mas sim como uma área sensível em constante evolução... Aliás, em conversa com amigos de Palmela, dizem-me que já se vai sentindo as diferenças... É bom sinal!

 Ambos os entrevistados souberam manter uma boa converva a quatro. O condutor do programa, Ricardo Cardoso, soube dar a dose certa de participação, por vezes com a cumplicidade da Céu Campos, bué de fixe a dizer poesia. Penso que o auditório ficou satisfeito por também ter tido a oportunidade de testemunhar e apreciar este programa residente há longos anos na Rádio Pal e que faz as delícias de milhares de ouvintes que, de domingo a domingo, acerta agulhas em 102.2, frequência modelada.

Um abraço para todos, particularmente para o Leonel Dias, Carlos Resende e Gabriel Castanhas.

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e http://palavrasnovento.nireblog.com/

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 PIROPOS LEVEMENTE URBANOS

Todos nós sabemos que há, infelizmente, muitos punheteiros da cultura que consideram os poetas como uma merda, Zés-Ninguém que incomodam, não procriam… Preferem os escritores, de preferência consagrados, ou em vias de, a quem chamam de literatos, intelectuais laureados, televisionados, cujas obras são capazes de terem, mas nunca leram. O enfeite e efeito é que conta. É o rebento natural da nossa civilizada cultura europeísta , mercantilista, onde não raras vezes dois mais dois é igual a quatrocentos, lógica do capitalismo, é a cultura do entretenimento a nos dominar, sem remissão, onde o bom patrício pode ganhar óscares e fitas de nastro com medalhas.

O status do poeta é manifestamente inferior… e, mesmo dentro da tribo, ainda dizem haver os loucos e os racionais, gavetas e gavetinhas, grupos e grupinhos, a malta da tasca e os envernizados dos salões, os independentes e os dependentes…Cada cor seu paladar.

E também se ouve afirmar que um "bom" poeta tem que ter faculdade, universidade, canudo. Escrevem sem erros, em bom português de lei, sabem polir a palavra, por vezes pertencem a um movimento de vanguarda, conhecem as pessoas certas nos governos   compinchas, ou nos gabinetes camarários, em vida já se sentem sentados em pedestral de imortalidade.E cagam de forma diferente, parece…

Aos outros atiram-lhes com o rótulo de populares, como quem lhes chamam analfabetos. De vez em quando lá fazem publicidade ao redor de um, nunca esquecendo de mencionar que o homem era pobrezinho, pastava cabras na serra ou coçava o cú proletário com unhas sujas. E bebia pela garrafa, o sáfaro… Mas que até produzia umas rimas giras, com mensagem, algumas vezes banais, acusadoras, mas enfim…

Poeta popular, saído do seio do povo, com fome e dor, de preferência que vá à missa e se confesse. É este o figurino que convém a muitos galifões que cavalgam a puta da política, sem a gestualidade do amigo D. Quixote.  A roupagem não é importante. Rota ou passajada, tanto faz. O importante é cavalgar.

E esquecem esses "agentes culturais" que pessoas como os Josés Gagos, que têm comido o pão que a família diabo amassou, têm sensibilidade, sentimentos poéticos, capacidades, aceitação e que é desta matéria que, quando ajudados e apoiados, saiem os grandes músicos, os consagrados actores, os conhecidos pintores, os maravilhosos cantores…

Companheiro José Gago, NUNCA mais afirmes que fulano, seja ele quem for, é melhor poeta que tu. O Estrela deu-te a resposta merecida. Não queiras ser Poeta à revelia de ti mesmo. És POETA, homem! O resto, o resto é merdice!!!

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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e

 

28/10/2007 GMT 0

A RÁDIO AINDA TEM MAGIA

fmp @ 19:55

 

Coruja, é o radio amador ouvinte. Porque não tem transmissor, liga o receptor e fica ouvindo. É um pouco o que nós, ouvintes da Rádio Pal, programa Arestas de Vento, somos, ficando a cada domingo que passa mais dependentes das ondas curtas, forma de transmissão de rádio, iniciada no início do século passado, 1915, na Alemanha.
 
Arestas de Vento, polémico programa de cultura, ousado sem ser ofensivo, motivador sem ser soberbo é um microfone com muita qualidade, arma cultural de Ricardo Cardoso e de Céu Campos, considerados decanos nestas lides e conceituados profissionais, cuja experiência e reputação foi ganha com muito trabalho, entrega e inteligência, sem servilismos ou intrigas e que souberam rodear-se de uma equipa de sensibilidades diferentes, algumas antagónicas, mas solidárias e coesas em torno deste programa e deste projecto e dos seus responsáveis, ajudando, assim, a solidificar ainda mais a posição campeã que actualmente a Rádio Pal disfruta, quer na Zona Metropolitana de Lisboa, quer no resto do País e no Estrangeiro, mercê do milagre da Internet. O seu profissionalismo deveria servir de exemplo a muitos que andam, tantas e tantas vezes, nestas coisas da rádio, tal e qual como elefante em loja de loiça fina...
 
É uma verdadeira prova olímpica, esta de construir semanalmente um programa de forma criativa e apelativa, salpicando momentos sérios com alguma pitada de humor brejeiro, trazendo à antena pessoas reais, em carne e osso, desprezando enlatados e facilitismos, dando a conhecer à sociedade valores e projectos de interesse comunitário e nacional, abrangentes, promovendo e propagando o vírus da genuina e popular música portuguesa. É, de facto, um programa com formato diferente dos habituais, com paisagens e conceitos que o tornam, não num programa monocórdico, acinzentado, bem alinhadinho, sem espaço e ideias, cristalizado, mas sim num programa semanalmente com ementa nova, com os condimentos à maneira, verdadeira panóplia de sabores que fazem as delícias dos ouvintes... e dos anunciantes!
 
É evidente que toda esta pujança deixa marcas e deixa também, devido à sua natural dinâmica bem dirigida, alguma boa gente pelo caminho, invejosos e incapazes de perceberem que este é um espaço democráticamente construído, vivo, consciente e que não deixa fazer ninho atrás da orelha, nem ser influênciado por politiquices de cassete, ou intrigas de redondel, cujos mentores, mais tarde ou mais cedo, mostram o que de facto pretendiam e como aqui "não há pão pra malucos", desaparecem de mansinho e vão rezar para outra freguesia, não sem que antes procurem morder a mão de quem lhes deu guarida...

E tudo isto para dizer que o programa Arestas de Vento está vivo e recomenda-se e que a Rádio Pal é uma rádio que, naturalmente, está no coração dos ouvintes!!!

UM POETA, UM OLHAR, UMA VIDA...

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

28|Outubro|07 

21/10/2007 GMT 0

ESPELHO SEMPRE MÁGICO

fmp @ 20:51

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Clique em baixo para ler TODOS os comentários feitos semanalmente, por dezenas de ouvintes, ao programa cultural de rádio mais antigo do País: ARESTAS DE VENTO, Rádio PAL fm, 102.2 ou em www.palfm.com

arestasdevento.blogs.sapo.pt

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GRUPO DE TEATRO ESPELHO MÁGICO





Este domingo, dia 21, irá ficar no historial do Arestas de Vento como dia repleto de sensações radiofónicas. A anteceder a entrevista com o ex-mandatário do ex-presidente da Câmara de Setúbal, sr. Carlos Sousa, despedido pelo seu partido com base em razões desconhecidas da maioria do eleitorado setubalense, tivemos uma hora onde se falou de teatro, de actores, de canções, de projectos futuros e, mais importante, de "coisas" feitas com arte e engenho... e poucos apoios.

Todos sabemos que o Grupo de Teatro Espelho Mágico é uma Escola onde miúdos se iniciam, naturalmente, nas artes cénicas. Representação, feitura de cenários, expressão corporal, respiração e colocação da voz, mil e um pormenores que ajudam a um bom desempenho da arte e base essencial para os êxitos que este Grupo tem vindo a alcançar um pouco por todo o País, como foi o conquistado na passada Festa do Ávante, de que a comunicação social, local e nacional, fez elogiosas referências. Mérito de quem o dirige, particularmente a Céu Campos, que além de radialista com pergaminhos, é também polivalente na área teatral: directora, actriz de mérito, cenegrafista, coreografa, professora, amiga, essencialmente, dos pequenos actores que respondem em elevado número sempre que este Grupo organiza castings.

Prova de que os (poucos) apoios são bem empregues é esta adesão às propostas culturais levadas ao palco e os êxitos gritantes, testemunhados por MILHARES de espectadores.
Céu Campos e o seu convidado José Duarte, deram-nos momentos de belo recorte e fizeram-nos, também, sonhar com esse excitante e nobre mundo do palco que tem, ao longo dos tempos, por entre incompreensões e um certo virar de cabeça, sobrevivido gloriosamente.
Para a Céu e para todos os elementos que fazem parte do Grupo de Teatro Espelho Mágico, desejo-lhes os maiores êxitos. Ou merda, como é tradição no teatro.

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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

SOMOS OS POBREZINHOS DA EUROPA!!!

fmp @ 17:16

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ERRADICAR A POBREZA DEVE SER PRIORIDADE!

À escala europeia, Portugal apresenta os mais altos valores de pobreza, segundo estudos elaborados pela Comissão Europeia. Aponta-se para cerca de dois milhões.

As causas são diversas: a tradicional pobreza, baixos níveis de qualificação pessoal, exclusão social, insuficiente protecção social desenvolvida no nosso país, a estagnação económica, o aumento de desempregados de longa duração, entre outras razões.

A crise com que Portugal se debate, segundo afirma o governo, exige sacrifícios. Entenda-se: sacrifícios para os trabalhadores, que ainda por cima são acusados pelo patronato de pouco produzirem…

Somos um dos países com rendimentos mais baixos e com maior desigualdade na distribuição  da riqueza.

A pobreza visível que atinge dois milhões de portugueses, terão raízes nas condições estruturais da economia e na sociedade, onde o rendimento dos 20% mais ricos é SEIS vezes superior ao rendimento dos 20% mais pobres.

A perda de poder de compra dos salários ainda empobrece mais a população trabalhadora e contribui para um acréscimo de desigualdades, com nefastas consequências para o desenvolvimento do país. E são sempre os trabalhadores de baixos salários os mais penalizados, afectando directamente as famílias de baixos recursos.

Por isso é que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza. Mas as cem maiores fortunas portuguesas representam 17% do Produto Interno Bruto, correspondendo a mais de 22 MIL MILHÕES de euros, enquanto aumenta o número de novos pobres entre os grupos de imigrantes e minorias étnicas. A classe média, devido aos créditos contraídos ou apanhada na teia do desemprego, engrossa estes números.

O presidente da Rede Anti-Pobreza/Portugal, já afirmou publicamente: "Com tantos MILHÕES de euros gastos em programas contra a pobreza, porque é que o número de pobres não diminuiu?" Deixamos no ar esta interrogação. O ouvinte que dela tire as suas conclusões!...
Um abraço.

Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

TODOS os textos deste blog foram lidos no programa Arestas de Vento (rádio Palfm, 102.2 ou www.palfm.co- aos domingos, entre as 11 e as 14 h.) e estão publicados no blog arestasdevento.blogs.sapo.pt

20/10/2007 GMT 0

HÁ DEZ ANOS À ESPERA DE CASA !

fmp @ 21:30

  

contra-a-pobreza.bmpUm caso de gritante e desumana injustiça enviado para o blog do Arestas de Vento pelo cidadão Setubalense Fernando Manuel Pereira

Amigos:

Foi criado este endereço f.m-p@hotmail.com para denunciar um caso de gritante e desumana injustiça que tem vindo a ser exercida sobre um jovem casal com CINCO filhas, a última com pouco mais de um mês, inscrito há cerca de DEZ ANOS nos serviços de habitação da Câmara Municipal de Setúbal para atribuição de casa e que, de filha em filha, tem visto passar os anos e continua a habitar uma barraca nas traseiras da colectividade O Independente, em Setúbal, sua terra natal, sem que a sua mais do que justíssima e humaníssima pretensão seja satisfeita.

Estranha história com muitas estórias e etapas, personagens quase todos os mesmos ao longo destes DEZ anos e uma clara e inequívoca vontade de não considerar este caso - um casal com CINCO FILHAS MENORES, UMA DAS QUAIS BÉBÉ DE UM MÊS - como PRIORITÁRIO, quando ao longo destes DEZ ANOS outros casos têm sido resolvidos.
 
Não acredito que os Presidentes e os vários Vereadores do pelouro da Habitação que ao longo destes anos têm passado pela Câmara tenham efectivamente conhecimento desta triste situação que atinge esta família carenciada de SETE pessoas e que não tenham procurado resolvê-la, quando todos sabemos e a imprensa escrita e falada têm feito eco destas situações, que outros casos têm tido um final feliz.
 
Portanto é legítima a pergunta: QUEM E O QUÊ TEM FEITO TRAVAR ESTE PROCESSO?
 
Esta é uma situação que todos devemos denunciar exaustivamente. Trinta anos passados e em vésperas de mais um 25 de Abril lamentavelmente ainda em Portugal existem estes casos de flagrante e desapiedada injustiça social que abre as portas a todo um cortejo de desgraças. Portugal que se quer europeu e moderno, Setúbal, cidade com pretensões a defensora e paladina dos mais elementares valores sociais e humanos, tem vindo a ignorar estes casos, este caso em concreto.
 
Como habitante e natural desta cidade do Sado, sinto-me envergonhado. Envergonhado desta situação e revoltado por saber que um jovem casal, pobre e sem defesas, é penalizado pelo facto de terem CINCO filhas e existirem.

"Convido" todos os Amigos a comprovarem com os respectivos olhos "in loco" o que aqui se denuncia. É só dar um salto à ESTRADA DAS MONTUREIRAS NOVAS, AO BAIRRO AFONSO COSTA, SETÚBAL, TRASEIRAS DO GRUPO DESPORTIVO "INDEPENDENTE"...

Fernando Manuel Pereira

EM ABRIL, A LIBERDADE

fmp @ 21:25
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EM ABRIL, A LIBERDADE

1. Primeiro fecharam os mares semeados de lemos e de quilhas
tiraram os rumos aos aviões por entre céus fervilhando de nuvens
contaram-nos os passos espiando-nos a sombra por entre sombras
entre o dia findo e o fim do dia ao longe na curva nocturna do seio
centopeia ornada de gritos lamentos em tempos de retoma tardia
tochas de sangue a arder nos pilares inchados de ecos aprisionados
soldaram as grades aos olhares vigiaram-nos a palavra e o espaço
sonhos onde as flores tardavam a nascer crescendo emaranhadas
 
2. Depois a onda veio descendo a memória colectiva rente ao corpo
canção guerrilheira por entre esquinas arma em paiol de terras
lugares de gentes firmamento de amanhãs em seiva e luta
e o grito eco e sangue panfletário prisioneiro sem tempo de reserva
por entre balas perdidas arando chãos de fenos e papoilas rubras
abrindo sulcos de soldados regressando na agitação da raiva
afastando fantasmas e odores antigos leitos à margem do tempo e do passado
rumores afogueados em esconderijos de punhos e de canções
 
3. No adormecer das cidades pairando fugidios os campos agitaram-se
cercando-se de gestos pensados nudez de coragem em tempo de luta
tanques de guerra rodados de paz percurso nocturno à luz do sonho
árvores de pedra no ventre da terra caminhando viva emancipada
guerreiros de estandartes erguidos tatuando na pele do vento um poema
com sonhos de sempre e já sem medo abrindo-se serenamente ao dia
epopeia derramando impaciente o mel da vida e da vontade
sussurrada em gritos acordados renascido País inundado de esperança
 
É sempre de madrugada que a liberdade começa!
 
Fernando Manuel Pereira – Poeta e conviva de Zeca Afonso

ZECA AFONSO, CANTOR DE INTERVENÇÃO

fmp @ 21:17

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Recordo Zeca Afonso sempre que vivo um 25 de Abril, interventor, solidário, amigo, combatente. Como cantor, como poeta, como ser humano de grandeza maior que o pensamento.


Este país que foi o dele, que é o nosso, nunca o tratou bem, continua a não o tratar bem. Como professor, foi castigado, obrigado a deixar de leccionar, expulso do ensino oficial, para sobreviver, começou a dar explicações. (Um dia disse-me que este castigo empurrou-o para os braços das canções...). Como músico, popular e criativo, beberam-lhe o sangue, comeram-lhe a carne. E ele continuou, orgulhoso, inquebrável, indomável, sempre indomável e lúcido, duma lucidez atrevida, interrogativa, quase utópica. ZECA AFONSO até ao fim, com algumas mágoas no coração, a não se deixar vencer pela doença, carinhosamente acompanhado, sempre acompanhado pela sua companheira adorada e que o adorava (e ainda o adora, há amores assim!...) ZÉLIA, também ela Amiga, Conselheira, Lutadora... E cúmplice...
 
Cantor e compositor de música de intervenção, crítico sem medo do Estado Novo, (outros, hoje bem sentadinhos nas cadeiras do poder, nem a cabeça punham fora da janela, quanto mais abrirem a boquinha!...) símbolo da resistência, anti-colonialista convicto, nascido em Aveiro em 1929, foi perfilhado por Setúbal, considerada por ele como a sua cidade de eleição, onde chegou em 1967, indo residir para o prédio Estrela, junto ao Bairro de Montalvão, onde recebia Amigos e conhecidos em tertúlias culturais e políticas, até às tantas, com a absoluta concordância da sua mulher, ZÉLIA.
 
Penso que foi por esta altura, e depois de um espectáculo que deu no Barreiro, no Cine-Teatro, onde ele e toda a direcção foram presos, que a PIDE começou a "convidá-lo" a visitar as suas instalações, para interrogatório.
 
Foi depois de ter ganho o prémio de melhor interpretação e pelo melhor disco do ano (Cantares do Andarrilho), atribuídos pela Casa de Imprensa, que JOSÉ AFONSO começou a ser tratado pelos Jornais e em virtude de ser alvo de censura, pelo anagrama ESOJ OSNOFA.
 
Foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, que recusou. Após o seu falecimento, tentaram dar-lha a título póstumo, mas a sua mulher, ZÉLIA, recusou mais uma vez, afirmando que se ele não a quis em vida, não era depois de morto que a iria receber! (mulher de fibra!!!) 

Recordo-o neste 25 de Abril. Hei-de recordar-me dele todos os dias da minha vida!!

Fernando Manuel Pereira - Poeta e conviva de Zeca Afonso

E DIZIA ELE QUE NÃO HAVIA CASAS VAGAS...

fmp @ 21:01

Quando se luta por causas justas, a vitória é certa!

 

Finalmente, e após algumas semanas de denúncia do caso da família a viver numa barraca em condições degradantes, em Setúbal, o vereador responsável pelo pelouro da Habitação, Eusébio Candeias (PC), entregou ontem, dia 11 de Maio, uma habitação (ainda a ser recuperada)  ao casal com cinco filhas menores tendo, para o efeito, além de convocar o casal, chamado a comunicação social para assistir ao acto... Só faltou mesmo foguetes, banda de música e corte de fita...
Quanto a nós, esta "encenação" não passou de uma má tentativa de vestir o diabo com pele de ovelha...

Estamos crentes que se não fosse o interesse de todos nós na denúncia deste caso, a adesão imediata da Comunicação Social, local e nacional, rádios do distrito, diversas organizações e organismos oficiais, inclusive responsáveis políticos do PS, PSD e PC,  e eminentes cidadãos que fizeram ouvir de imediato a sua voz contra a flagrante injustiça que era a de deixar viver cinco meninas menores num horrível pardieiro, esta situação iria certamente cair no cano de esgoto do esquecimento oficial... Assim não aconteceu!
Quero aproveitar para, em nome desta Família, agradecer a quantos - e tantos foram ! - solidariamente nos ajudaram nesta demanda. Um agradecimento especial me seja permitido: aos Senhores vereadores da Câmara de Setúbal, Ilídio Ferreira e Fernando Negrão e ao SOS CRIANÇA!

ernando Manuel Pereira

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