CRÓNICA ARESTAS, 4 Julho 2009
TAMBÉM EU QUERO BATER NO CÉGUINHO
A tourada à portuguesa ganhou uma outra dimensão, na passada quinta-feira, na arena parlamentar, durante o último debate importante da legislatura sobre o estado da Nação, quando o campeão das gaffes, Manuel Pinho, o ministro independente do governo de Sócrates, demonstrando uma grande crispação, fez com os dedos chifres dirigidos a Bernardino Soares, o anjinho líder da bancada parlamentar do PCP.
Este “brilhante” momento tauromáquico coloriu de indignação e censura todos os espectadores, inclusive aqueles que seguiam a “corrida” pela televisão, obrigando o debate quinzenal a sair da rotina, cimentando ainda mais no espírito da “afficcion” a convicção de que o sistema político está mesmo enfermo e a bater no fundo, com a nossa classe política a insultar-se quase diariamente, de que o caso a que nos referimos não passa somente de mais um triste exemplo.
Ainda não chegámos à pancadaria em barda que acontece periodicamente em certos parlamentos sul-americanos e asiáticos, mas não desesperemos, pelo andar da faena havemos de lá chegar… E a moda de atirar sapatos por cá ainda não pegou, se bem que talvez fosse uma grande ajuda para a recuperação das nossas fábricas de calçado. Levar símbolos nazis e relógios de loja de trezentos para a Assembleia da República, à semelhança do que aconteceu no passado no parlamento da Ilha da Madeira, também ainda não aconteceu, mas nada garante que não venha a acontecer.
Aficionado Lino, ex-ministro da Economia, 54 anos, que estava a viver, nestes últimos quatro anos e meio, a sua primeira experiência política, desde o início da sua faena ficou conhecido pelas gaffes cometidas, sempre com fair play, diga-se em seu abono, de onde se destaca uma: aquando de uma visita oficial à China, deu como uma boa razão para o investimento em Portugal a mão-de-obra barata. Noutra vez, em Bruxelas, garantiu que a fábrica Delphi, que tinha acabado de despedir 500 trabalhadores, tinha criado mais 250 postos de trabalho… E ainda é autor de uma outra, quando acompanhava empresários portugueses a uma feira de calçado, proclamou que era adepto dos sapatos italianos… Também ficou para a história o conselho que deu ao anafado social-democrata Paulo Rangel, outro autêntico anjinho, aconselhando-o a comer muita papa Maizena.
Pois a imagem das lides taurinas com que mimoseou o jovem comunista Bernardino, levou à demissão do patusco ministro. Agora vai de férias, vai descansar das agruras desta vida de político não profissional, o seu gesto irá certamente engrossar o anedotário nacional e servir de inspiração aos cómicos de serviço. E daqui por mais uns tempos, quando a coisa estiver mais mansa, há-de haver para ele um lugarzinho bem remunerado e com muitas alcavalas numa administração qualquer. É a triste sina destes senhores.
FERNANDO MANUEL PEREIRA


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