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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Julho 2009

05/07/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 4 Julho 2009

fmp @ 19:25

TAMBÉM EU QUERO BATER NO CÉGUINHO

A tourada à portuguesa ganhou uma outra dimensão, na passada quinta-feira, na arena parlamentar, durante o último debate importante da legislatura sobre o estado da Nação, quando o campeão das gaffes, Manuel Pinho, o ministro independente do governo de Sócrates, demonstrando uma grande crispação, fez com os dedos chifres dirigidos a Bernardino Soares, o anjinho líder da bancada parlamentar do PCP.

Este “brilhante” momento tauromáquico coloriu de indignação e censura todos os espectadores, inclusive aqueles que seguiam a “corrida” pela televisão, obrigando o debate quinzenal a sair da rotina, cimentando ainda mais no espírito da “afficcion” a convicção de que o sistema político está mesmo enfermo e a bater no fundo, com a nossa classe política a insultar-se quase diariamente, de que o caso a que nos referimos não passa somente de mais um triste exemplo.

Ainda não chegámos à pancadaria em barda que acontece periodicamente em certos parlamentos sul-americanos e asiáticos, mas não desesperemos, pelo andar da faena havemos de lá chegar… E a moda de atirar sapatos por cá ainda não pegou, se bem que talvez fosse uma grande ajuda para a recuperação das nossas fábricas de calçado. Levar símbolos nazis e relógios de loja de trezentos para a Assembleia da República, à semelhança do que aconteceu no passado no parlamento da Ilha da Madeira, também ainda não aconteceu, mas nada garante que não venha a acontecer.


Aficionado Lino, ex-ministro da Economia, 54 anos, que estava a viver, nestes últimos quatro anos e meio, a sua primeira experiência política, desde o início da sua faena ficou conhecido pelas gaffes cometidas, sempre com fair play, diga-se em seu abono, de onde se destaca uma: aquando de uma visita oficial à China, deu como uma boa razão para o investimento em Portugal a mão-de-obra barata. Noutra vez, em Bruxelas, garantiu que a fábrica Delphi, que tinha acabado de despedir 500 trabalhadores, tinha criado mais 250 postos de trabalho… E ainda é autor de uma outra, quando acompanhava empresários portugueses a uma feira de calçado, proclamou que era adepto dos sapatos italianos… Também ficou para a história o conselho que deu ao anafado social-democrata Paulo Rangel, outro autêntico anjinho, aconselhando-o a comer muita papa Maizena.

Pois a imagem das lides taurinas com que mimoseou o jovem comunista Bernardino, levou à demissão do patusco ministro. Agora vai de férias, vai descansar das agruras desta vida de político não profissional, o seu gesto irá certamente engrossar o anedotário nacional e servir de inspiração aos cómicos de serviço. E daqui por mais uns tempos, quando a coisa estiver mais mansa, há-de haver para ele um lugarzinho bem remunerado e com muitas alcavalas numa administração qualquer. É a triste sina destes senhores.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

03/07/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS 27 Junho

fmp @ 16:25

TEATRO INFANTIL DE LISBOA E GRUPO DE TEATRO ESPELHO MÁGICO, OFICIAIS DO MESMO OFÍCIO

Logo a seguir a 25 de Abril de 1974, muitos artistas ocuparam casas vazias para transformá-las em teatro, um pouco por todo o País, num movimento espontâneo, cuja bandeira era a imediata liberdade e partilha duma forma de Cultura quase meio século amordaçada pelo fascismo. Muitos destes grupos teatrais, infelizmente e mercê de variados motivos, foram, ao longo destes anos, ficado pelo caminho, mas outros nasceram e muitos renasceram, também.

Quero aproveitar a entrevista de hoje ao popular homem do teatro conhecido por Kim Cachopo, para particularizar dois grupos cénicos: o Teatro Infantil de Lisboa (TIL) e o nosso tão bem conhecido Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico, ambos mestres do “mesmo ofício”, com actividade regular e contínua. O primeiro é, sem dúvida, uma das principais companhias de teatro para a infância que existe em Portugal, já com mais de 30 anos de existência. O outro, Espelho Mágico, mais novinho mas não menos importante neste nacional cenário, tem também como público-alvo a camada mais jovem da população, existindo ambos, de forma global, por carolice e voluntarismo dos seus responsáveis, colaboradores e actores, fugindo ao conhecido esquema de servir como fonte de lucros, tomando por opção utilizar o teatro como ferramenta de educação de crianças e adolescentes, conscientes de que este género de teatro desempenha um importante papel na sociedade actual.

Quer o Teatro Infantil de Lisboa, quer o Teatro Espelho Mágico, dão a conhecer, de forma lúdica, figuras e acontecimentos da história e da literatura universal, em textos originais de grandes dramaturgos, com adaptações e encenações cuidadas. Têm também o mérito, segundo a minha opinião, de estimular o gosto pela leitura, pelas artes performativas e de expressão plástica. Ambos, no fundo, praticam teatro infantil sem infantilidades…

Antigamente, teatro infantil era quase um termo pejorativo, marginalizado, como se fosse um género menor no seio do sempre estranho mundo do teatro. Hoje em dia já começa, merecidamente, a ser encarado como trampolim de formação, aprendizagem e aperfeiçoamento de crianças e jovens, sendo bem aceite este género de teatro como agente de educação na formação integral do indivíduo, possibilitando, cumulativamente, o acesso a um lugar de convívio social que o teatro lhes dá, merecendo da parte de algumas entidades oficiais e particulares mais abertas e esclarecidas, de, se bem que escassos, justíssimos apoios.

TEATRO INFANTO-JUVENIL ESPELHO MÁGICO

Ao Kim Cachopo, do Teatro Infantil de Lisboa, e à minha Amiga Céu Campos, presente também neste estúdio, responsável pelo Grupo de Teatro Espelho Mágico, de Setúbal, aqui deixo um sincero sentimento de solidariedade e um profundo agradecimento, em nome de todos os que gostam de se sentirem livres para melhor partilharem a verdadeira cultura popular, por tudo o que vêm fazendo em prol do nosso nem sempre bem compreendido teatro infantil. Teatro Infantil, expressão artística que o adulto também gosta!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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