CRÓNICA ARESTAS, 20 Junho
FERNANDO MANUEL PEREIRA
Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder?
POLÍTICA COM TODOS

Não pertenço ao clube de fãs do engenheiro Sócrates e também não sou daqueles que vê no senhor 1º ministro virtudes miraculosas. Muito menos acredito que tenha uma varinha mágica. Ou uma ideologia de esquerda, socialista, que sirva de base a uma alteração para melhor da vida dos portugueses. Se não o fez no passado, quando detinha uma maioria absoluta e tudo era possível, não o fará no futuro, certamente, mesmo que, sem maioria, ganhe as próximas eleições legislativas.
Muitos socialistas têm-se insurgido, publicamente, contra o governo e as suas políticas. O PS é, efectivamente, um partido que tem raízes de luta anteriores ao 25 Abril de 1974 e ainda conta com centenas e centenas de militantes que perfilham dos verdadeiros ideais socialistas. Muitos destes militantes, creio, não votaram nas passadas eleições no independente candidato apoiado pelo Sócrates. De facto, o homem, Vital Qualquer Coisa, não conseguiu encher as medidas da maioria do eleitorado nacional, particularmente o socialista. Pessoalmente, não vi nele empatia, simpatia, ideologia, qualquer coisinha politicamente interessante que nos levasse a pôr a cruz junto ao símbolo do partido que o proponha. Mas lá foi para o Parlamento Europeu, era sabido, que Deus o proteja e ilumine, já que quanto a apoios, Sócrates vai continuar certamente a dar-lhe.
Depois duma derrota confrangedora, todos nós vimos o camarada José Sócrates, na televisão, em recente entrevista, a fazer o papel de pessoa humilde, sem arrogância, muito preocupado connosco, coitado, mas simultaneamente com um semblante vaidoso, muito satisfeito com o seu trabalho, conforme confidenciou, com aquele seu melhor ar de bétinho, santinho milagroso, cheio de razão, que a muitos, no passado, cativou, desconhecendo (ou não querendo saber), que mesmo no interior do seu partido, a decepção pegou de estaca e já há quem questione onde irá parar o Partido Socialista se Sócrates o continuar a liderar… Até porque consta que Sócrates nunca foi apoiado pela ideologia que defendia, mas sim porque, após ganhar o poder, ao tacho era retirada a tampa, e a rapaziada das palmadinhas nas costas tinha, supostamente, direito ao seu quinhão. Mas isto são coisas que se dizem…
Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder? Mas então e se Sócrates perder as próximas eleições, certamente perde também a serventia e, sem apelo nem agravo, mãos “amigas” partidárias se encarregarão de o pôr na prateleira e acabou-se a aventura. Mas ainda temos um outro cenário, que muitos dizem o mais certo, e que já está a preocupar os meios políticos nacionais: o que fará Sócrates se não alcançar uma maioria absoluta?

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