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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Junho 2009

21/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 20 Junho

fmp @ 14:24



Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder?

POLÍTICA COM TODOS

Não pertenço ao clube de fãs do engenheiro Sócrates e também não sou daqueles que vê no senhor 1º ministro virtudes miraculosas. Muito menos acredito que tenha uma varinha mágica. Ou uma ideologia de esquerda, socialista, que sirva de base a uma alteração para melhor da vida dos portugueses. Se não o fez no passado, quando detinha uma maioria absoluta e tudo era possível, não o fará no futuro, certamente, mesmo que, sem maioria,  ganhe as próximas eleições legislativas.

Muitos socialistas têm-se insurgido, publicamente, contra o governo e as suas políticas. O PS é, efectivamente, um partido que tem raízes de luta anteriores ao 25 Abril de 1974 e ainda conta com centenas e centenas de militantes que perfilham dos verdadeiros ideais socialistas. Muitos destes militantes, creio, não votaram nas passadas eleições no independente candidato apoiado pelo Sócrates. De facto, o homem, Vital Qualquer Coisa, não conseguiu encher as medidas da maioria do eleitorado nacional, particularmente o socialista. Pessoalmente, não vi nele empatia, simpatia, ideologia, qualquer coisinha politicamente interessante que nos levasse a pôr a cruz junto ao símbolo do partido que o proponha. Mas lá foi para o Parlamento Europeu, era sabido, que Deus o proteja e ilumine, já que quanto a apoios, Sócrates vai continuar certamente a dar-lhe.

Depois duma derrota confrangedora, todos nós vimos o camarada José Sócrates, na televisão, em recente entrevista, a fazer o papel de pessoa humilde, sem arrogância, muito preocupado connosco, coitado, mas simultaneamente com um semblante vaidoso, muito satisfeito com o seu trabalho, conforme confidenciou, com aquele seu melhor ar de bétinho, santinho milagroso, cheio de razão, que a muitos, no passado, cativou, desconhecendo (ou não querendo saber), que mesmo no interior do seu partido, a decepção pegou de estaca e já há quem questione onde irá parar o Partido Socialista se Sócrates o continuar a liderar… Até porque consta que Sócrates nunca foi apoiado pela ideologia que defendia, mas sim porque, após ganhar o poder, ao tacho era retirada a tampa, e a rapaziada das palmadinhas nas costas tinha, supostamente, direito ao seu quinhão. Mas isto são coisas que se dizem…

Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder? Mas então e se Sócrates perder as próximas eleições, certamente perde também a serventia e, sem apelo nem agravo, mãos “amigas” partidárias se encarregarão de o pôr na prateleira e acabou-se a aventura. Mas ainda temos um outro cenário, que muitos dizem o mais certo, e que já está a preocupar os meios políticos nacionais: o que fará Sócrates se não alcançar uma maioria absoluta?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

15/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS (13 Junho 2009)

fmp @ 16:23

NÓS, PORTUGUESES!

Pelos vistos, o Partido Socialista lá conseguiu ultrapassar a denúncia dos problemas do País e, mesmo com uma abstenção elevada, aguentou-se nas canetas. É certo que as sondagens saíram furadas e que durante a campanha ninguém se lembrou de falar da Europa, mas isto não conta para o orçamento, é coisinha de somenos importância. A oposição laranja, no íntimo, lá bem no íntimo, convencida que ia perder, mas perder por poucos, lá ganhou, eufórica, o milionário eurocampeonato, com um milhão, cento e vinte e tal boas almas a darem-lhe o voto da ordem. E todos nos lembramos que o PSD, com as mesmas carinhas larocas, em 2005, foi derrotado pelos eleitores por manifesta incompetência e má figura...

Quem apregoava que os portugueses iriam votar com o pensamento nas políticas do Governo, talvez tenha tido razão, mas não toda. No concelho de Setúbal, qual indomável aldeia resistente cercada por romanos malandrecos, o PS venceu nas urnas, criando sonhos e fantasias em cabecinhas pensadoras de alguma rapaziada xuchialista, carreiristas e boys, que já se vêem de colher na mão à volta do grande tacho autárquico, como se o partido existisse só para eles e para satisfazer as suas visíveis pretensões a grandes e refinados finórios, tentando por todos os meios afastar, ou abafar, os competentes e verdadeiramente dedicados à resolução (urgente) dos problemas dos cidadãos e da Cidade. 

 

 

Nesta bolha socialista, uma outra de natureza social-democrata, a freguesia de S. Julião, conseguiu aguentar-se nas curvas e, muito por culpa do ballet cor-de-rosa dum conhecido bicho-de-seda rosé, ficou como uma lança bem espetada neste horizonte rosa angelical, obrigando os colantes adiantados mentais a refazerem as suas contas de merceeiros bimbaços.

No rescaldo destas passadas eleições, os olheiros políticos que costumam roçar o traseiro pelas esquinas partidárias cá da terra, ou pelos bancos de alguns bares, mistura de pimpolhos com chungosos de plástico e ar de rufias underground, certamente a viverem numa realidade alternativa, garantem a pés juntos que a câmara de Setúbal, independentemente dos resultados das europeias, ou talvez por isso mesmo, vai continuar de certezinha nas mãos da CDU. Bem, não desfazendo nas Mayas e nos treinadores de bancada cá do sítio, quanto a prognósticos, todos nós sabemos que ninguém é perfeito…

Pelo meio temos um 1º ministro socialista que já garantiu que não vai mudar de política, afirmação que com toda a certeza em nada ajudará na recuperação do seu fugitivo eleitorado, quer nas lesgislativas, quer nas autárquicas, e uma oposição de direita que, embandeirada em arco (e o tempo está de feição) já se permite prometer milhentas coisas para nos tornar felizes e contentes, repetindo as mesmíssimas promessas com que sempre nos brindou e nunca colocou em prática sempre que esteve no governo. Neste doce farniente só gostava de saber como é que a oposição dita de esquerda vai descalçar a bota!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

08/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 6 Junho

fmp @ 11:31

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil (...)

SETÚBAL, O POLIS E A ZONA RIBEIRINHA

Em Lisboa temos a “guerra dos contentores”, pacíficas e feiosas estruturas que amontoadas impedem os cidadãos de gozarem a pacatez do Tejo e, em simultâneo, arejarem a vista. O movimento de cidadãos que se constituiu para impedir este atentado, parece ter chegado a um consenso com as partes envolvidas na demanda e em lugar dos contentores a zona irá ser aproveitada  para a construção de uma área de recreio e lazer.
Em Setúbal, a frente ribeirinha para usufruto do comum mortal é absoluta e vergonhosamente escassa. Limita-se à área do chamado “Jardim da Beira-Mar”, a meia dúzia de metros entre o Clube Naval e a Lota, cheirosa zona onde desagua um cano de esgoto,  e lá mais para o fundo o Parque Urbano da Albarquel, recentemente inaugurado e gritantemente incompleto.

Há muito que os setubalenses sonham com uma zona ribeirinha de qualidade, um espaço aberto e sem barreiras ao longo do seu lindo rio, com zonas de lazer e correctos equipamentos de apoio. Têm agora os habitantes da cidade oportunidade de reivindicarem a concretização deste antigo anseio. Está em discussão pública deste o passado dia 23 de Maio e até ao dia 22 do corrente, o Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Setúbal. Trata-se de um importante plano para a cidade que deve merecer da parte de TODA a população a mais viva atenção e uma grande participação. Todo este processo pode ser consultado na Sociedade Polis ou na Câmara Municipal.

De entre todas as propostas apresentadas, sobressai uma: está prevista a criação de TRÊS edifícios mamarrachos na área compreendida entre o Parque Urbano da Albarquel e as instalações onde os pescadores guardam os seus apetrechos, implantados paralelamente ao rio e a menos de 10 metros do espelho de água, numa extensão, cada um, superior a 100 metros e com QUATRO pisos de altura, criando assim uma autêntica barreira arquitectónica, uma muralha de betão certamente muito aplaudida pelos patos bravos e pelos especuladores imobiliários, mas que impede o desejável relacionamento da cidade com o seu rio Sado de águas mansas. Estes três lotes já estão a ser publicitados para venda sem que o Plano de Pormenor tenha sido aprovado…

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil, abençoada pelo Polis e pelo Município, deixando que prédios privados ocupem áreas que deviam ser para todo o sempre públicas, nem que seja necessário criar um forte movimento cívico contra este espalhar de betão que parece continuar a ser recorrente na cidade de Setúbal...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

01/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 30 MAIO 2009

fmp @ 12:04

UM TEATRO DE CAUSAS

Após a sensacional estreia no Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela, o Grupo de Teatro Espelho Mágico, com a sua recente e magistral peça O Beco dos Vira-Latas, passou por Fátima, Almada, Setúbal, sempre ao som de milhares de palmas e gritos de “bravo”, saídos de diversificadas plateias que, todas contabilizadas, ultrapassariam facilmente os 15 milhares. É obra!!!  É obra, mas não causa nenhuma admiração, muito menos dúvidas, naqueles que têm vindo a apostar neste grupo, um dos poucos que podem ostentar com justiça o verdadeiro rótulo de “teatro para crianças”, quer assistindo ao seu magistral desempenho, quer apoiando monetariamente, a tempo e horas, este projecto teatral que se orgulha do caminho (bem) percorrido, maugrado alguma indiferença da parte de alguns agentes políticos que deveriam preocupar-se mais com o conteúdo cultural e social e não única e exclusivamente com supostas cores partidárias.
Sempre numa comunicação directa com o público, este grupo teatral didáctico e lúdico, preza-se de trabalhar textos de autores e temáticas sempre actuais, muitas vezes com humor e sarcasmo, outras utilizando a ironia e o paralelismo para vincar e levar-nos a interiorizar temas sociais muitos sérios. Penso que este grupo teatral pratica um certo conceito de liberdade em movimento, sem preocupações com questões ligadas a preconceitos e discriminações. É um projecto teatral que se renova, por mérito dos seus actores, pequenos e mais crescidos, com suportes musicais e encenações de encantar e reter. É também um teatro de mobilização pela diversidade…

 

Dizem-me agora terem tido o convite,  que aceitaram, para actuarem num presídio. O Espelho Mágico alia-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, oferecendo o espectáculo de teatro infantil “A magia das cores”,  aos filhos dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal.
Esta mudança de palco do Grupo de Teatro Espelho Mágico é certamente mais uma experiência bem conseguida e é, simultaneamente, também uma forma de falar de respeito, respeito a que todo o ser humano tem direito, mesmo os privados de liberdade.
Numa altura em que tanto se fala de humanismo, o Espelho Mágico levando o teatro dentro duma prisão, coloca em prática aquilo que muitos prometem e não cumprem, ou porque não querem ou porque não conseguem: solidariedade e fraternidade.
É por estas e por outras que, pessoalmente, estou sempre livre para colaborar com o Espelho Mágico e apelo a responsáveis políticos e instituições governamentais ou outras que não enjeitem apoios a este grupo de teatro infanto-juvenil, porque verdadeiramente merece ser ajudado quem os outros ajuda!


FERNANDO MANUEL PEREIRA

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