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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Abril 2009

26/04/2009 GMT 0

CRÓNICA

fmp @ 15:55

Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta(...)


TODOS TEMOS UM SONHO …



Também eu tive um sonho, há 35 anos atrás… Sonhei com um país livre, democrático, igualitário, solidário, sem pobreza, sem desemprego, sem fome, com habitação digna e ensino para todos. Quando em Novembro de 1975 a direita deu o golpe militar que pôs fim à influência da esquerda militar dita radical, senti sorrateira comichão no nariz. A coisa já não me cheirava muito bem. O “Verão Quente” foi-se diluindo, diluindo, os políticos à pressa e mal amanhados viram a oportunidade e, como caracol em dia chuvoso, começaram a pôr as antenas de fora, a apalpar, a apalpar, assobiando para o lado para não se dar logo por eles, a rapaziada do carcanhol que tinha dado de celáides e estava a banhos de leite e mel ou em Espanha ou no Brasil, já arriscava um tímido sorriso, a coisa compunha-se, era só ter mais um pouco de paciência, qualidade que, bem o sabemos, todo o bom capitalista se preza de possuir desde pequenino.



E o raio do meu sonho a ficar pendurado, como anel no prego do prestamista. Mas eu, casmurro como o meu avô carroceiro, ou melhor dito como a mula que o transportava de vez em quando encavalitado na lombeira, não deixava de refazer o sonho com esperanças ocasionais que o dia a dia encalhava nas páginas dos jornais nacionais, lidos ávida e minuciosamente. Os anos foram passando e nós a vê-los de regresso, o capital e a rapaziada da pide que passou, coitada, a vida em postos fronteiriços e até tinha o higiénico desconhecimento do que se passou em Peniche, em Caxias e na sede da pide lisboeta; torturas, prisões ilegais e mortes não tinham lugar nas suas memórias, a regressar ao seu lugar ao sol, que a nossa costa atlântica é comprida e as nossas costas largas.  Refizeram-se fortunas, as cooperativas, depois de democraticamente espremidas voltaram para os sacrificados agrários, as fábricas para os anteriores donos, os sinos voltaram a tocar as matinas e os padres respiraram mais aliviados no interior das suas batinas. O comunismo começava a caminhar ao pé-coxinho, abre núncio, te arrenego! Na ponte, valha-nos isso, o novo nome – 25 Abril - continuava sem mudança…

Mas o sonho persistia, tijolo a tijolo. Ainda acreditava no tal país que coloria a minha íntima esperança, mas agora mais comedidamente, quando no passado era à lagardère. Os ventos não estavam de feição, navegava-se à vista, os políticos e seus serventuários eram mais escolhos do que velas e a realidade amarga instalava-se neste nosso rectângulo, como se fosse faca cortando pensamentos revolucionários que um dia acordaram e pensaram subsistir para sempre. Era um sonho generoso mas ingénuo, pelos vistos…

Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta do povo a vir ao de cima, ou de cima…

Mas não tenho emenda. Continuo a sonhar. A sonhar com o tal país que o nosso povo merece! A sonhar sempre, até ao fim. Sou um incorrigível sonhador!...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

19/04/2009 GMT 0

CRÓNICA

fmp @ 10:58

O Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias(...)

O OUTRO LADO DO ESPELHO MÁGICO

Falta muito pouco para se comemorar os 35 anos da Revolução de Abril”. No ar pressente-se já um cheirinho a cravos… E é na cauda deste Abril de todas as esperanças, cais e abrigo de sonhos e utopias, que se vai realizar na bonita vila de Palmela o Festival da Canção Infanto-Juvenil, também ele um sonho e uma utopia que a vontade, a persistência e o muito saber, permitam-me dizer, de um nosso conhecido jovem casal da Cultura, Céu Campos e Ricardo Cardoso, anualmente tornam realidade.

Somos, pela comunicação social, todos os dias informados de violações, mortes, raptos, abandonos, abusos e exploração de crianças e adolescentes, com uma sociedade que parece indiferente a estes dramas e crimes hediondos. É por isso que o Grupo de Teatro Espelho Mágico (que abre a 1ª parte do Festival) é uma pedrada no charco da nossa indiferença, apontando-nos o dedo para o mais que podemos fazer e não fazemos em prol de uma sociedade mais livre, mais justa, mais amena e mais responsável, colocando o teatro como agente de educação na formação dos jovens, de forma mais assertiva.

Porque este grupo de teatro infanto-juvenil, verdadeira oficina de jovens artistas, com sede em Setúbal mas validamente acarinhado em Palmela, consegue mobilizar e convocar a sociedade a participar, assistindo aos seus espectáculos de casa cheia, faz-nos pensar que mais do que amadores, são voluntários que acolhem, protegem e educam crianças e jovens (e um ou outro adulto mais ou menos extraviado…), tendo o universo mágico das artes como uma das suas referências, numa acção meritória que favorece o crescimento social e humano dos pequenos artistas, quer os que vão construindo o espectáculo teatral diante da plateia, quer os que, em saudável competição, surpreendem o público interpretando belas canções.

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Diversão e fantasia são duas das cores com que pintam as suas estimulantes produções, eminentemente populares, uma arte voltada para o público, que já teve, felizmente, oportunidade de ser reconhecida pela crítica mais exigente e por entidade públicas e privadas mais desempoeiradas. Numa simbiose perfeita e original harmonia, o programa Arestas de Vento, Grupo de Teatro Espelho Mágico e Festival da Canção de Palmela, constroem momentos únicos, trazem-nos o universo das crianças, realidades e reflexões sobre valores morais, perante uma plateia a deixar-se levar pelo encantamento do espectáculo, do primeiro ao último segundo. Particularmente, todos os anos, sou surpreendido com o cenário, com a soberba condução dos artistas e com o fundo musical.

Dependente de incentivos, alguns financeiros, para criar espectáculos maravilhosos de valor acrescentado, o Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela consegue sobreviver como projecto graças ao voluntarismo da sua responsável, dos pequenos artistas, dos colaboradores e com o apoio de duas ou três entidades oficiais não sectárias e à compreensão e solidariedade de uma ou duas instituições particulares, exemplo que certamente deveria ser seguido por certos organismos que se auto-intitulam de baluartes culturais, mas a que as palas partidárias lhes limitam a visão, não os deixando abarcar em plenitude o mundo real, o espelho mágico da boa cultura popular…

FERNANDO MANUEL PEREIRA

12/04/2009 GMT 0

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fmp @ 18:31

Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie(...)

O CIRCO VOLTOU À CIDADE

No dia 3 de Maio de 2007, uma menina inglesa de três anos de idade, é dada como desaparecida de um apartamento situado na Praia da Luz, no Algarve, onde os pais a teriam deixado enquanto, com um grupo de amigos, jantavam despreocupadamente num restaurante das proximidades. Na altura, foram muitos  aqueles que se solidarizaram com o desespero dos inditosos pais e com a tragédia que sobre eles se abateu, com a população a participar activamente nas buscas que então se fizeram. Hoje parece-me que já mudaram de opinião…

Em vésperas do 2º aniversário do infeliz acontecimento, o pai da criança, acompanhado de um grupo de compinchas, entre os quais uma actriz norte-americana radicada em Inglaterra, (que veio desempenhar neste novo filme o papel de mãe da pequena Maddie e a filha de um sacerdote em substituição da criança desaparecida) voltou à localidade algarvia a fim de “reconstituir” o alegado rapto para um canal de televisão britânico, perante o descontentamento e apupos  da população local, já demasiado cansada do mediatismo do caso e das consequências negativas que o mesmo supostamente vem causando  ao turismo local. Mais uma “palhaçada”, na minha opinião e na de muita gente, num processo mediático que até meteu audiência com o papa Bento XVI e, segundo se diz, a participação de serviços secretos, afastamento de inspectores, ampla cobertura jornalística mundial, agências de detectives privados, milionários mecenas e políticos de gabarito? Mas afinal, quem é este casal que consegue ser claramente protegido pelo poder político inglês, que influências tem, para conseguir movimentar pessoas e dinheiros, envolvendo a comunicação social, para que a tese de rapto seja, não uma hipótese, mas uma certeza, procurando convencer a opinião pública de que a menina estaria a ser vista em diversos países, mas quando se utilizou cães pisteiros, os mais famosos do mundo na busca de cadáveres, não aceitaram os resultados obtidos?

Há quem acredite que a pequena Maddie morreu no apartamento e que o seu corpo foi oculto e que a cena de rapto não passa de simulação. Dois anos após o desaparecimento, o fenómeno Maddie ainda suscita muitas perguntas sem resposta. Afinal, o que aconteceu a Madeleine McCann, no dia 3 de Maio de 2007

FERNANDO MANUEL PEREIRA

08/04/2009 GMT 0

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fmp @ 22:48

UNS, COMEM FAISÃO. OUTROS, NEM MIGALHAS DE PÃO 

 Tudo indica que a entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras(...)

Tudo indica que a última entrevista do Arestas de Vento, ao Grupo de Teatro Infanto-Juvenil Espelho Mágico, foi um sucesso de todo o tamanho. Mas por entre aplausos e opiniões solidárias e incentivadoras, também se fizeram ouvir duas ou três vozinhas de compadres e comadres zangadinhas, porque, dizem, “o raio do programa não tem papas na língua”. E ainda bem que não tem, acrescentamos nós. Porque se tivesse era sinal de que estava subordinado a alguém ou a inconfessáveis interesses, ou que era reles correia de transmissão de algum poder político… E este programa lá perdia a sua piada, a sua identidade e forma de ser, passando, como infelizmente muitos outros, a ser pau mandado ou papel higiénico na rota de anafado traseiro…

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, GATEM, cuja produção é integralmente dedicada a crianças e que é considerado a entidade cultural que no concelho de Setúbal (e se calhar no distrito) mais estimula jovens para o teatro e que pratica esta arte com distinção e com invejável maturidade artística, comprometido com a cultura verdadeiramente popular e que ao longo dos seus vinte anos de existência reaparece, anualmente, cheio de vitalidade e sempre com novos trabalhos teatrais e descobertas de novos talentos infanto-juvenis, (e só por isto merece todos os nossos encómios!) tem, sabe-se lá porquê, sido algo esquecido pelos poderes públicos, com excepção, diga-se em abono da verdade, no que respeita à Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, sempre disponíveis para apoiar as iniciativas do grupo, principalmente aquando da realização do Festival da Canção de Palmela, evento que irá acontecer dentro de muito pouco tempo.

Sendo o teatro uma das mais antigas e essenciais formas de expressão e manifestação humanas, ajudando a ampliar as fronteiras do nosso conhecimento e da nossa experiência, o Grupo de que temos vindo a falar respeita integralmente estes valores e, mesmo com modestos apoios, lá vai singrando, aguenta-se nas curvas, que é como quem diz, nos palcos, assistindo com natural mágoa, à atribuição de chorudos subsídios a certos pseudo grupos teatrais, desproporcionais ao trabalho por eles desenvolvido. É esta falta de respeito que se reflecte no investimento adequado à manutenção e aprimoramento do seu contributo cultural para a sociedade, que faz com que os responsáveis do grupo, exercendo o seu inegável direito à indignação, questionem muitas vezes a forma e os critérios utilizados pelos poderes políticos para a atribuição de apoios financeiros que, em muitos casos, revela ou grande desconhecimento da realidade, ou grande conhecimento da cor do cartão partidário…

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É possível discordar, ter e defender ideias antagónicas – por vezes, como no tempo da ditadura fascista, que muitos benzidos democratas de meia-tijela não conheceram, com gravosas consequências. É a tal história do “não és por mim, és contra mim”. E por este motivo simplório e altamente caricato, se condena pessoas e entidades ao ostracismo, se trava iniciativas e projectos estimulantes de muita qualidade, dando primazia à bagunça cultural de ferro-velho, tóxica, chocha e que nada diz ao público, a nenhum público.

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O GATEM, Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, cuja directora é a jovem actriz, pintora, poeta e radialista Céu Campos, tem que ser respeitado e, mais do que isso, é absolutamente necessário que exista! A bem da juventude que se quer responsável e participante e a bem da sociedade que se deseja sã e verdadeiramente livre!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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