Ó MALHÃO, MALHÃO...

Gostaria de partilhar com o auditório uma anedota que me foi enviada por um amigo e que servirá de entrada para a minha escrita de hoje:
Um candidato fazia as habituais promessas de campanha:
- Se for eleito, prometo que vou construir muitos hospital
O assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!
O candidato continuou:
- Se for eleito, prometo que vou construir muitas estrada
Novamente o assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!
A cena repetiu-se por várias vezes até que o candidato disse, com voz grave e possante:
- E digo-vos mais, se for eleito, vou empregar, não só o Plural, mas toda a sua família...
Esta anedota ilustra gargalhadamente determinadas pessoas que concorrem a eleições sem terem a menor preparação, produtos saídos dos fornos concelhios, que depressa aprendem a tirar proveito e a locupletarem-se com as benesses públicas. Flutuantes e rasteiros, vegetam no desconhecimento das leis, candidatos de visão social mais do que estreita, sem ideologia, autênticos compradores e pedinchões de votos que só têm olhos para si próprios e para colaboradores próximos, pretensiosos pilecas políticos de enorme avidez, de índole oportunista e desrespeitadora.
Em alturas precisas, têm a lata de proclamarem o povo a mudar de destino, apoiam e agitam como cenouras programas brilhantes e projectos de encantar, garantem representar o Zé povinho que muitas vezes os elege por simples afinidade ou motivos pessoais ou por influência alheia, levados na conversa da treta destes figurões e seus mentores e seus seguidores, se bem que espertalhaços, diplomados analfabetos políticos.

Dentro de alguns meses, mais uma vez, vamos ser bombardeados com muitas promessas ovadas de muitas mentiras para nos convencer a escolher determinado candidato que se auto-considera o melhor de entre todos os concorrentes para resolver os diversos problemas que ferem e afligem as populações, como se os culpados fossem sempre os outros.
Esta politicagem, credenciados lambe-botas que não passariam da cepa torta se não lambessem com dedicação, de moral ad-hoc, farejadores de poder e dinheiro, oportunistas de vistosos salamaleques, todos os anos mudam de palavras porque estão convencidos de que as palavras mudam a realidade e o povo, o sereno povo eleitor, não tem memória ou entendimento…

No fundo, não passam de carripanas velhas e ferrugentas, sem vidros, sem estofos, sem guarda-lamas, de pneus carecas, que bulem com a reputação de alguns que praticam uma política limpa e ideologicamente correcta e que se batem pela igualdade e pela justiça social.
A caça ao voto já foi aberta e a procissão ainda nem na praça vem. Já se conhecem muitos candidatos e recandidatos e muitos jeitosos em bicos de pés a marcarem presença e a pretenderem lugarzito, de preferência elegível, a bem do povo, nas listas de candidatos.
Há que saber separar o trigo do joio e votar em conformidade. É o que vou fazer, quando chegar a altura, porque tenho memória e entendimento!
FERNANDO MANUEL PEREIRA

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