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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Março 2009

28/03/2009 GMT 0

Ó MALHÃO, MALHÃO...

fmp @ 22:34

Gostaria de partilhar com o auditório uma anedota que me foi enviada por um amigo e que servirá de entrada para a minha escrita de hoje:

Um candidato fazia as habituais promessas de campanha:

 - Se for eleito, prometo que vou construir muitos hospital

O assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

O candidato continuou:

- Se for eleito, prometo que vou construir muitas estrada

Novamente o assessor deu-lhe uma cotovelada e sussurrou-lhe: empregue o plural!

A cena repetiu-se por várias vezes até que o candidato disse, com voz grave e possante:

- E digo-vos mais, se for eleito, vou empregar, não só o Plural, mas toda a sua família...

Esta anedota ilustra gargalhadamente determinadas pessoas que concorrem a eleições sem terem a menor preparação, produtos saídos dos fornos concelhios, que depressa aprendem a tirar proveito e a locupletarem-se com as benesses públicas. Flutuantes e rasteiros, vegetam no desconhecimento das leis, candidatos de visão social mais do que estreita, sem ideologia, autênticos compradores e pedinchões de votos que só têm olhos para si próprios e para colaboradores próximos, pretensiosos pilecas políticos de enorme avidez, de índole oportunista e desrespeitadora.

Em alturas precisas, têm a lata de proclamarem o povo a mudar de destino, apoiam e agitam como cenouras programas brilhantes e projectos de encantar, garantem representar o Zé povinho que muitas vezes os elege por simples afinidade ou motivos pessoais ou por influência alheia, levados na conversa da treta destes figurões e seus mentores e seus seguidores, se bem que espertalhaços, diplomados analfabetos políticos.

 

 

Dentro de alguns meses, mais uma vez, vamos ser bombardeados com muitas promessas ovadas de muitas mentiras para nos convencer a escolher determinado candidato que se auto-considera o melhor de entre todos os concorrentes para resolver os diversos problemas que ferem e afligem as populações, como se os culpados fossem sempre os outros.

Esta politicagem, credenciados lambe-botas que não passariam da cepa torta se não lambessem com dedicação, de moral ad-hoc, farejadores de poder e dinheiro, oportunistas de vistosos salamaleques, todos os anos mudam de palavras porque estão convencidos de que as palavras mudam a realidade e o povo, o sereno povo eleitor, não tem memória ou entendimento…

 

No fundo, não passam de carripanas velhas e ferrugentas, sem vidros, sem estofos, sem guarda-lamas, de pneus carecas, que bulem com a reputação de alguns que praticam uma política limpa e ideologicamente correcta e que se batem pela igualdade e pela justiça social.

A caça ao voto já foi aberta e a procissão ainda nem na praça vem. Já se conhecem muitos candidatos e recandidatos e muitos jeitosos em bicos de pés a marcarem presença e a pretenderem lugarzito, de preferência elegível, a bem do povo, nas listas de candidatos.

Há que saber separar o trigo do joio e votar em conformidade. É o que vou fazer, quando chegar a altura, porque tenho memória e entendimento!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

22/03/2009 GMT 0

ABSTINÊNCIA PAPAL

fmp @ 12:54

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Durante a viagem que o levou pela primeira vez ao continente africano, o papa Bento XVI afirmou, numa entrevista aos jornalistas, a bordo do avião, que a sida é “uma tragédia que não poderá ser superada apenas com dinheiro e não poderá ser superada pela distribuição de preservativos”, tendo aberto mais uma polémica ao dizer que a igreja católica está na vanguarda do combate à sida.

É do conhecimento público que a sida é um dos mais graves problemas de África, continente onde no último quarto de século 28 milhões de pessoas morreram vítimas da doença e mais de 20 milhões estão infectados pelo vírus, particularmente em países como o Botswana, Suazilândia e África do Sul, os mais afectados em todo o mundo. E é neste contexto que o pontífice garante que o preservativo agrava a sida...

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As declarações do actual papa, reforçando a postura conservadora da Igreja Católica, deixou perplexos milhões de pessoas, causando polémica até entre os seus fiéis e severas críticas de diversos sectores da sociedade. E até padres e freiras que em África ajudam as vítimas da sida, questionam a posição da Igreja contra o preservativo.É sabido que o chefe máximo da Igreja católica encoraja a abstinência sexual e a castidade em detrimento do preservativo, sobre a gravidez precoce aconselha sexo só após o matrimónio, considera o 2º casamento uma praga, o aborto ou qualquer prática contraceptiva, uma ameaça à vida, reprova a fecundação in vitro, opõe-se ao homossexualismo.

De alguns dos seus antecessores no Vaticano, recordo que Leão XII foi um tenaz opositor contra a vacinação da varíola e Paulo VI bateu-se contra a pílula.

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É suposto que o papa e os padres não pratiquem o sexo. Mas será que os católicos, na santa paz das suas casas, não tomam a pílula, não têm relações sexuais antes de casar, não usam preservativo? E só fazem sexo para procriar, como se o prazer fosse terrível pecado?

Usar preservativo, elemento fundamental nas acções de prevenção e transmissão do vírus da sida, é certamente a única barreira conhecida para proteger a vida. Usá-los, é melhor do que os ignorar e talvez a única forma de manter vivos milhões de pessoas e não só no continente africano.

 FERNANDO MANUEL PEREIRA

18/03/2009 GMT 0

POLIS SETUBALENSE

fmp @ 00:16

O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades(...)

Diversas e de diversos quadrantes políticos têm sido as críticas ao longo destes últimos anos às obras do projecto Polis do concelho de Setúbal, herdado do tempo do socialista  Mata Cáceres pela actual nomeada presidente do município, a CDU Dores Meira. Projecto com sucessivos atrasos no arranque, avaliado em 13,5 milhões de euros, previa-se a sua conclusão até final de 2008, o que não aconteceu. Este projecto contemplava também a requalificação do Largo José Afonso e a construção do Parque Verde da Albarquel, no mesmo local onde funcionava o extinto Parque de Campismo, e previa ainda a deslocalização dos estaleiros navais.

Cremos que o polis de Setúbal ainda fará correr muita tinta, infelizmente para os setubalenses. É que desde o seu início, em 2001, até ao fim das obras, cuja data se desconhece, nunca teve a discussão pública que o assunto merecia.

Os setubalenses são hoje confrontados com uma realidade para a qual nunca foram convidados, nem em 2001 nem agora. Aliás, a única altura em que se procedeu a uma discussão publica nesta matéria, foi sobre a obra de recuperação da Av. Luísa Todi, por exigência dos vereadores do PS e PSD, e o resultado foi uma recusa total ao projecto do Arquitecto Manuel Salgado, (actualmente na câmara de Lisboa) que propunha a transformação completa da Av. Luísa Todi, não salvaguardando nem a imagem, nem a cultura local, nem a baixa comercial, nem o sentimento generalizado de apego  que os setubalenses tem  com este espaço publico, demonstrando bem  o  distanciamento dos técnicos com a população.

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 A CDU decidiu entretanto avançar com uma obra sem projecto, sem estratégia e sem pessoas competentes. Hoje é fácil apontar o dedo aos seus executores, contudo não podemos nem devemos esquecer que o projecto inicial apontava, no meu ver, um erro urbanístico tremendo: t
endo por base o auto-financiamento, isto é, parte das receitas do polis teriam que ser geradas pela venda de lotes a criar, qual pato bravo da construção civil, rendida aos encantos do betão, projectou-se uma carga urbanística muito superior á proposta actualmente.

Chegou-se, inclusive, a ponderar a hipótese de implantar algumas torres (mais um mamarracho na zona ribeirinha) com mais de 8 pisos de altura, basta ver as plantas de então. Felizmente que por motivos legais tal não chegou a ser aprovado superiormente ou correríamos o risco de criar mais um bairro complicado, em plena Zona ribeirinha, com o mesmo argumento de sempre, como também foi utilizado no projecto imobiliário "Nova Setúbal", entre outros, de que os fins justificam os meios.

O projecto Polis de Setúbal ainda vai dar muito que falar e vai servir, certamente, de inspiração a muitos políticos cá do sítio, nas próximas eleições autárquicas, alguns esquecidos da autoria do projecto e das suas responsabilidades, outros a tentar desesperadamente sacudir a água dos respectivos capotes, outros ainda, com celestial bonomia a assobiarem para o lado …

Fernando Manuel Pereira

08/03/2009 GMT 0

UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO

fmp @ 17:03

O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra(...)


UNS SÃO FILHOS, OUTROS NEM ENTEADOS SÃO!

O que fez despertar a minha atenção, foi um desabafo da directora do Grupo de Teatro Espelho Mágico, Céu Campos, publicado no blogue Arestas de Vento, no rescaldo da entrevista ao poeta Victor Serra. Sem papas na língua, a jovem directora do Grupo Teatral Infanto Juvenil, denunciou que se encontra a criar bafio na Câmara de Setúbal, há dois ou três anos, um projecto da sua autoria que perspectiva uma intensa actividade cultural para a cidade de Setúbal, sem que tenha, neste longuíssimo espaço de tempo, obtido qualquer resposta. Nem sim, nem sopas. Fiquei pensativo – mas, sinceramente, não muito admirado!

O Grupo de Teatro Espelho Mágico, com 13 anos de existência em prol das artes cénicas, que foi pensado e construído a partir dos programas Arestas de Vento e Espelho Mágico, tem sido, efectivamente, um reduto de resistência a pressões políticas e interesses particulares. É um teatro que vem à rua buscar espectadores, vocacionado para um público infanto juvenil, um projecto teatral activo de prática e criação, um teatro de mãos limpas, diferente e inovador no incentivo público à formação de jovens artistas: um verdadeiro desafio pensado e repensado mil vezes, que vive de êxitos comprovados e de casas cheias, uma genuína escola de artistas, acima de tudo artistas jovens e infantis que fazem teatro pelo amor à própria arte.

E até o facto de se assumirem como “amadores”, é motivo de muita felicidade e orgulho. Mas são amadores, porque não vivem, como outros, daquilo: têm profissão que exercem de forma permanente e não estão ancorados, para sobreviverem, em subsídios ou outras formas de apoio. As suas produções são pensadas ao pormenor, as realizações cuidadosamente preparadas, com equilíbrio e solidez, criando e reforçando laços de sociabilidade. Um teatro com causas, mantido esforçadamente por pessoas sensatas, que encontram nos aplausos e opiniões dos espectadores e da comunicação social, um grande incentivo para prosseguirem caminho.

É minha convicção que o Teatro Espelho Mágico, sedeado em Setúbal, não pode ser punido e ignorado pelo que tem realizado com acentuado êxito. Seria um perfeito contra-senso, se não culturalmente muito censurável.

Não há muitos grupos como o Espelho Mágico que consigam levar crianças a fazer teatro – teatro que devia ser matéria de escola. Para quem ainda não conhece este Grupo de Teatro Infanto Juvenil, recomendo assistir ao seu próximo espectáculo, no dia 3 de Maio próximo, no Cine-Teatro S. João, por ocasião do 13º Festival da Canção Infanto Juvenil de Palmela. E depois digam-me lá se é justo e honesto certa comunicação social ignorar com desfaçatez a sua existência e de entidades oficiais, que se arrogam de responsáveis e incentivadoras da cultura, deixarem apodrecer numa qualquer gaveta um projecto cultural de boa procedência e comprovada idoneidade, como aquele apresentado há dois ou três anos, à Câmara de Setúbal, pelo Grupo de Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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