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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Janeiro 2009

31/01/2009 GMT 0

FREECONFUSÃO

fmp @ 18:06

...........................freeport_foto_rtp.jpg 

Continuamos a assistir, impotentes, ao fecho de empresas e ao despedimento em massa de trabalhadores, como um vírus sem antídoto que se espalha, deixando-nos infelizes e extremamente preocupados, a vivermos diariamente com sobressaltos contínuos, onde os casos polémicos envolvendo políticos, patrões da banca, respectiva prole de afilhados e protegidos, tios (e há alturas em que um bom tio é preciso), sobrinhos, primos, smith’s e outra famelga vão-nos ajudando a perceber melhor o enorme descalabro a que Portugal chegou. E não por culpa do POVO!

.......................................a-josesocrates.jpg No centro de algumas polémicas mais colantes, mas não mais recatadas, está o nosso 1º ministro Sócrates, líder de um governo que se arroga de socialista. Foi a história relacionada com o seu canudo de engenheiro, as suspeitas que rodearam alguns seus projectos de construção, o caso Freeport surgido pela primeira vez em 2005 e agora novamente à superfície por obra e graça das autoridades inglesas e que tanta celeuma tem vindo a causar na comunicação social, com opiniões “cada cor seu paladar”. Os partidos políticos fazendo juz ao chá que tomaram em pequeninos, fecham-se opinativamente em copas, que o assunto é delicado, e pedem investigação célere e com verdadeiro ponto final. Só lhes fica bem essa postura…

Mas há quem continue a falar de cabala em ano de eleições, muita boa gente, de direita e de esquerda, a tecer enciclopédicas teorias, umas de desculpabilização, a maioria sugerindo culpas, num julgamento tipo muro de fuzilamento, onde o alvo principal é o senhor José Sócrates, por azar nosso, presidente do concelho de ministros de Portugal.

No que diz respeito a esta novela género novelo o que toda a gente gostaria de saber é se as notícias são verdadeiras ou falsas, independentemente das pessoas e o facto de estarmos em ano de eleições pouca mossa nos deve fazer. E com respeito a cabalas, pessoalmente não acredito nelas, nem sequer em campanhas pessoais.

Por isso penso que o sarilho conhecido por “caso Freeport” não passa de um vulgar caso de polícia que deve ser levado até ao fim e sem muitos arrastamentos… A bem da Verdade e da Justiça!     

24/01/2009 GMT 0

COISAS ASSIM, SÓ EM SONHOS OU NO ESTRANGEIRO

fmp @ 21:16

Passear por praias de branca areia, mergulhar em águas cristalinas, explorar ilhas no maior grupo de recifes de corais do mundo, tirar fotos e vídeos, viver numa bruta vivenda com três quartos, com vista para o mar, equipada com piscina e campo de golfo, mais um buggy para transporte, sem pagar nada e ainda por cima receber um ordenado principesco só para se fazer ao bronze, quem é que já não sonhou?
Pois caro ouvinte, se está farto da rotina do trabalho, se sofre com o trânsito caótico e com os discursos melosos do Sócrates, se já não pode ver a cara de pedra da Ferreira Leite nem a brancura dos dentes do Portas, se está desempregado ou se é um dos milhares que no nosso País tem uma reforma de miséria, se não gosta da sua sogra nem da programação da televisão do Estado, se é um dos que não acreditam na condenação dos senhores acusados de pedofilia na Casa Pia, se desconfia de Congressos partidários que nada resolvem e só servem para beijar a mão ao líder, se ainda se admira que o seu presidente de câmara almoça muitas vezes com construtores civis, se desconfia que certo vereador, com novo e luxuoso carro, herdou de tia desconhecida choruda herança, ou se abre os olhos de espanto quando lhe dizem que determinada criatura, coitadinha, para desempenhar a preceito o seu papel de deputado, sacrifica profissão e família, então, caro amigo, está mais do que preparado para responder ao anúncio que o departamento de Turismo de Queensland, na Austrália, pôs a correr pelo Mundo.

 


Não necessita de diploma de engenheiro; só precisa saber falar e escrever inglês, ter espírito aventureiro, saber nadar e mergulhar, ser bom comunicador, para se tornar sério candidato ao emprego de zelador numa das 600 ilhas da Grande Barreira de Corais, a paradisíaca ilha de Hamilton, com ordenado bacano de 78,5 mil euros por seis meses de extenuante "trabalho". E as tarefas exigidas pela exploradora entidade patronal consistem, vejam bem, em dar comida a peixes e tartarugas, observar o mergulho das baleias, nadar por entre corais fabulosos, escrever sobre a Grande Barreira de Coral, fazer vídeos e fotos e publicá-los num blogue, falar de quando em vez com a comunicação social, tudo em nome da promoção do local, criando interesse por parte de potenciais turistas, agora que estamos em época de crise e de recessão mundial.

 Vá lá, meu amigo, mexa-se, informe-se, concorra, empenhe-se, meta uma cunha, atire-se de cabeça, rasgue o cartão do partido ou o do clube, mas não deixe fugir esta potencial oportunidade de usufruir de uma vida, embora curtinha de seis meses, mas com cheirinho à que goza a nossa mais recente e galardoada vedeta dos futebóis internacionais. E depois envio-nos um postal lá do sítio. Sempre nos serve de consolação e até é capaz de nos ajudar a votar bem!

17/01/2009 GMT 0

ISRAEL E A FAIXA DE GAZA

fmp @ 18:11

A propósito da guerra que rebentou mais uma vez no Médio Oriente, localizada no "quintal dos fundos" de Israel, zona também conhecida por Faixa de Gaza, uma das regiões de maior densidade populacional do mundo, e que coloca frente a frente as poderosas forças israelitas, apoiadas e financiadas pelos EUA, com os seus aviões-caça, helicópteros e aviões telecomandados e marinha de guerra, e os chamados "terroristas" do movimento islâmico Hamas, somos diariamente confrontados com notícias e imagens de puro terror vividas pela população civil palestiniana.

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São, até hoje, mais de mil mortes, milhares de feridos, fome e falta de medicamentos, prédios em escombros, destruição das redes de energia, da água e dos esgotos, dos telefones, dos edifícios governamentais, mesquitas e escolas. Numa palavra: estamos a testemunhar a destruição total de uma sociedade, a morte da memória, da história e da identidade do povo palestiniano.
Existem em Gaza milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados – é contra eles que Israel combate, acusam muitos analistas, acrescentando que quando Israel mata civis, não é terrorismo, mas sim "legítima defesa"…
A preocupação é natural: será que estes ataques não têm como objectivo principal provocar baixas civis e a expulsão, a longo prazo, dos palestinianos de suas terras?
Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada "Solução Pacífica para a Questão da Palestina" e sempre com o mesmo resultado: de um lado, o mundo inteiro a favor de uma solução pacífica; do outro lado, Israel e os EUA, mais umas ilhas desconhecidas, contra. Significativo!

 

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Com a sistemática recusa em encaminhar o conflito por vias diplomáticas, a força das armas nunca será solução. Israel, penso, tem que se aproximar do consenso da Comunidade Internacional e tem de respeitar a lei internacional e grande parte da sua população deixar de pressionar o exército a continuar a destruição de pessoas e bens palestinianos.
Com uma população com mais de 50% de crianças, são estas crianças que merecem serem protegidas da carnificina e destruição que a guerra transporta. É por isso que recuso a violência de ambas as partes, porque não há mortes inocentes mais valiosas que outras. É por isso que apelo a um reforço da luta pela Paz, para não tornar esta guerra, uma guerra sem fim!
 


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FERNANDO MANUEL PEREIRA
http://sempreemluta.nireblog.com/ 
http://etcetal.blogs.sapo.pt/ 

10/01/2009 GMT 0

ATÉ FIQUEI BANZADO!

fmp @ 22:55

2008 finou-se pelas ruas da amargura e o seu parente próximo, 2009, começou tortuoso e de cara à banda e nós, Zé Contribuinte, a vivermos num rectângulo em recessão aguda, só lá para 2010, se for, é que pomos os olhos em cima de alguma melhoria.
O Zé Cidadão, seja de primeira ou de segunda apanha, pobrezinho mas honrado, como manda a tradição, até parece aceitar com resignada e cristã resignação este destino sem destino e com frouxa luz ao fundo do túnel. A vivermos num país pendurado numa Europa que sempre nos olhou de lado, que se sabe a crescer pouco mas a crescer, enquanto por cá, engodados com trinta e tal anos de promessas e promessas e mais promessas, continuamos a não passar da cepa torta, dando de bandeja a convicção de que se vive num mundo de completa ficção.

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A passos largos aproxima-se mais um período eleitoral, altura em que os nossos exímios políticos nos começam novamente a fazer a cama. Lá virão de novo as gastas e recicladas promessas grandiosas de mundos e fundos, o povo a engoli-las até ao sabugo, como se gostasse de ser enganado. O fingimento político a acentuar ainda mais o abismo entre palavras e actos, ajudam a firmar os políticos como a classe mais mentirosa de entre todas. Para alcançarem o poder ou para nele se manterem, são capazes de inventar e de fazer barbaridades, e nós, povo desgraçado, a vermos estes "paquetes" trafulhas a agredirem-nos os tímpanos, pimba, pimba, pimba, alguns até, como a Fénix, a renascerem das cinzas dos escândalos superados por novos escândalos,  a actuarem na política e na economia com o único objectivo de enriquecimento rápido individual, buscando afincadamente a ração que alimenta os próprios bolsos.

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Neste país que já foi de menos brandos costumes, transformado numa arena política, em que aparece um mentiroso sempre melhor que outro, (como se a verdade fosse paradoxo da democracia), a honestidade pessoal parece já não servir de garantia de política eficaz ou competência, vindo dar razão a quem acredita que a moral politizou-se, amesquinhando-se. Urge que o sacrificado e mal pago cidadão contribuinte fortaleça o seu sentido crítico e deixe de ir em historietas da carochinha que só adormecem, adormecem, adormecem...
Pois foi neste nosso tão mal tratado País em completa e conhecida recessão, recheadinho de conflitos laborais e de desemprego desenfreado e incontrolado, que vem o Sócrates, de mansinho, e pumba!, pede ao Zé Povinho mais uma maioria absoluta. Tá o ouvinte a ver a cena, não tá?


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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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03/01/2009 GMT 0

OS IDIOTAS DO COSTUME

fmp @ 17:16

Vivemos numa sociedade em que certos espertalhões, praticantes e mentores do velho culto da subserviência rasteirante, babosa e canina, se assemelham a cromos delirantes cheios de azia, fel e azedume, ressabiados compulsivos que não têm o mínimo problema em atraiçoar e vilipendiar companheiros, amigos e conhecidos, utilizando a maldade, a intriga, a rasteira, a inveja, a maledicência e o recalcamento numa acção final para esconder as suas próprias deficiências de personalidade, ou simplesmente numa tentativa de aligeirar públicos comportamentos que matizam de cinzento a tela das suas reputações, alimentando a vã esperança de que assim os outros se esqueçam dos seus inúmeros pecadilhos, podendo gloriosa e sorrateiramente alcançarem o elevado status social ou cultural dos seus mais enraizados e obscuros delírios. No fundo, não passam de espertalhões transformados em idiotas de cinco estrelas com pretensão a sonhos elevados…

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Sem normas de convivência e de boa educação, usam a máscara da bajulação, da inveja e da má-língua para sobreviverem e transformam a espertice aguda em emblema partidário ou em diploma de especialista em banha de cobra. Incapazes de perceberem a realidade, pretendem passar por inteligentes, esmerando-se em ataques subtis, enquanto com a outra mão-pata nos afagam a lombeira. Neste jogo são eles hábeis, porque sacanas e matreiros…


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Vaidosos e pretensiosos, têm em comum com os calhaus viverem em estado de perpétua comunhão, sem agitação visível naquela parte do hemisfério cerebral que se situa à esquerda e que serve para entender e pensar. É por isso que, limitados mentalmente, têm dificuldade em agirem de forma lícita e escorreita.
Mestres, verdade seja dita, da arte de viver sem se cansarem, estruturam-se nos mais variados esquemas, chegam a chantagear emocionalmente, acusam, sugerem, sussurram as mais rocambolescas intrigas e conseguem sobreviver sem responsabilidade própria, prostitutos engalanados, crentes de que são estrelas cintilantes no firmamento; por isso quando tropeçam (ou são caçados) transformam-se num ápice em anjinhos cheios de lábia e de boas intenções. Anjos desmascarados, oportunistas sem arte ou ofício, desequilibrados intelectuais e sociais, cidadãos naturais dum certo país sem eira nem beira, mal frequentado e mal governado.
Sinceramente: já não tenho a menor paciência com estes cromos idiotas, sejam políticos ou não!!!


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Fernando Manuel Pereira
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