CRÓNICAS MARGINAIS (até que o Arestas de Vento volte novamente à antena...)
Somos uns gajos porreiros, disso não há dúvidas absolutamente nenhumas. E desde o tempo do conde, o Henrique. E talvez muito antes dele, lá para os tempos das cavernas, sabe-se lá, é palpite meu, mas bom palpite. E solidários, porque porreiros. Um exemplo? Tomem lá este, fresquinho que nem carapau: circulou na internete diversos email's que se escandalizavam com o facto de uma freira ter sido presa porque se teria baldado ao pagamento do bilhete de autocarro. E ainda por cima, ou por baixo, a dita freira até era caritativa e fazia bem aos pobrezinhos, coitadinhos. Uma injustiça que definia e enquadrava à maneira o declive para onde este nosso País, perdidamente corria, caia…
Até eu fiquei magoado, conseguindo arrancar lá do velho cofre lacrimal sentidas lágrimas pela injustiça que atingiu a pia senhora, senhora pia. Se fosse eu, ou tu, a usufruir de uma viagem e recusar a pagá-la, como é minha obrigação, e tua, vá que não vá: multa e das boas (50 euros é dinheiro, não é!). Agora uma freira? Uma freira?!... E foi aqui que fiquei a bater mal. Mas uma freira teria semelhante comportamento? Aqui há gato, pensei, e transmiti a alguns amigos mais dentro deste assuntos "religiosos", ou "pró-religiosos", a dúvida que se incrustou no meu coração plebeu e reformado, mal reformado.

A resposta recebia-a hoje, pelos jornais diários; a fazer fé neles, supondo que não se tenham aliado para me "engatarem"; a "freira" detida não era freira, sobre ela pendia um mandado de detenção, era uma senhora natural de Vila Nova de Famalicão, 57 anos, que se dedicava a uma espécie de actividade evangelizadora e que já teria sido presa pela prática de pequenos crimes de burla. Ah, afinal…
A evangélica senhora, segundo os jornais, chegava (pelos vistos a borla era costumeira) a um bairro, ajoelhava-se em posição de recolhida e interiorizada oração, as pessoas começavam a juntar-se para ver o que fazia e ela então começava a falar com cada uma. O que dizia, não dizem os jornais. Mas podemos adivinhar, sem dar grande trabalho à massa encefálica. Era, certamente, uma espécie de evangelização bairrista, porta-a-porta, rua-a-rua, tão ao gosto de muitos "salvadores" que se dizem aparentados com Cristo e que já vão começando a fazer parte do cenário urbano, invadindo terrenos de bruxos, cartomantes, leitores de sinas, oportunistas, falsos profectas e o raio que os parta sem arrependimento!
Afinal, pelos vistos, o mundo não acabou e tudo não passou de mais um inocente crime de delito comum. Haja Deus!
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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