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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Junho 2008

30/06/2008 GMT 0

UM GRANDE SACANA, MAS UM EXCELENTE ACTOR...

fmp @ 22:21

…ELE ATÉ SABE DIZER POESIA!!!

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Nunca me habituei a ver o Fernando Guerreiro somente como actor. Havia (e há!) nele um inesgotável potencial, parte ainda escondido, que seria de bom senso aproveitar em prol da cultura desta cidade de Setúbal que, por vezes, devido à indiferença de certa gentinha a prazo ou cavalarmente idiota que, de tão mal fornecida de agentes e promotores culturais anda claramente famélica, se dá ao vexame de pôr de lado incontestados, experientes e aceitáveis valores setubalenses…

 

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Numa conversa onde um certo gozo se mostrou salutar, roliço e gostoso, ficou provado que o entrevistado quando nasceu apanhou o Universo desastradamente em preguiça divina, e acabou por ser perfilhado pelos deuses, daí a forma escorreita e frontal como sempre tratou a vida, as idas ao teatro em grupo familiar, um piquinho de educação aburguesada, os dissabores, as traições, as intrigas, a cultura, a tropa, a saúde, os bancos de escola, as sessões quase clandestinas de cinema, a Praça de Bocage e a praia da Albarquel, a Poesia e a TV, algumas ameaças, certas insónias e certas estórias. (Os petiscos e as cervejas também contam, isto para não falarmos de outras maldades…)
Claramente entendido que o Fernando Guerreiro actor alberga dois personagens: interpreta um, deixa o outro ao cuidado dos espectadores, num alumbramento de faz-de-conta, sem estética intelectualizada, num cúmplice piscar de olho, cordão umbilical a que se deve, a par da competência, conjugando a arte com o profissionalismo, o sucesso que alcança junto do público, sempre que pisa um palco.

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A entrevista foi um manjar sem esquizofrénicas acusações, sem abstinências, em alguns momentos alvoroçada, mas sem safadezas, bem espicaçada pelo dono do microfone, sem conversetas dúbias, inodoras e sem sabor. Com a despretensão do costume, Ricardo Cardoso tornou a acertar na escolha do convidado, (e "eles" a pensarem que o Arestas de Vento era um programa decorativo…), um grande sacana, diga-se de passagem, mas um excelente actor, encenador de mérito que vai deixar escola, criador de espaços tertulianos, reinventor na concepção como matriz de todas as utopias. Continua a viver alimentando sonhos, sonhando encontrar nos seus sonhos recorrentes o "tal" projecto abrangente que, como escrever um livro ou plantar uma árvore, deixe neste mundo, indiscutivelmente, a sua assinatura.

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Obrigado, Amigo Fernando Guerreiro, por teres partilhado comigo a tua entrevista, dizendo algumas poesias da minha modesta autoria, de forma magistral, valorizando-as. Só por isto, mereces um lugarzinho no Céu…
 E por falar em Céu, adorei a activa e visível participação da Céu Campos que, em conjunto com Ricardo Cardoso, tiveram paciência para nos aturar durante duas (curtas) horas.
Um abraço para todos.

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
etcetal.blogs.sapo.pt
sempreemluta.nireblog.com

CRÓNICA DOMINGUEIRA

fmp @ 22:10

 OU VAI OU RACHA

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Há quem se considere na dependência de um poder que nos dispensa da canseira de pensar e nos promete todos os mundos e todos os fundos: estímulos à economia chutando para fora a pobreza, óptimo tratamento da nossa saúde, baixa do desemprego, pão com manteiga e cházinho de tília, que nos põe contentes e satisfeitos por existirmos.
Sei que sou vítima do "monstro" que ajudei a criar: a maioria absoluta socialista que conferiu a José Sócrates uma arrogância raramente vista e lhe entregou de mão (na rosa) beijada, as rédeas deste rectângulo, a que almas mais pias apodam de sítio, prenhe de promessas, promessas como canto antigo de sereias chegando de mansinho aos ouvidos do povo desprevenido.
Na classe média (onde ainda não subi…) o desespero e a revolta estão mesmo, mas mesmo a rebentarem a escala: as dívidas bancárias andam agitadas no mar encapelado da alta das taxas de juro a caminho dos 6% e com o petróleo a ter tiques de prostituta requisitada, aumentando diariamente. Em 2009, lá vai o 1º Ministro José Sócrates enfrentar uma classe média cujos azeites lhe chegaram ao nariz, deprimida e, simultaneamente, enfurecida.
Se o País ficou durante uns dias nas mãos de um pequeno grupo de patrões camionistas, Sócrates está refém duma classe cuja vida pacata já deu o que tinha a dar e agora se recusa a mais sacrifícios e não está disponível para mais "canções do bandido" ou canções de "amanhãs que cantam".
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Agora vivemos tempos de patriotismo sazonal, com janelas enfeitadas de bandeiras e emigrantes a ganharem direito à nacionalidade; tempos relevantes a ver crescer sentimentos anti-EUA e anti-EU, com sindicatos e corporações a perceberem que o Estado de Direito está mais torto do que nunca. Fazemos todos parte duma tribo, camionistas e taxistas, pescadores e agricultores, funcionários públicos e desempregados, todos coabitando um país formado por um filho de francês e de espanhola, D. Afonso Henriques.
Ao cidadão atento, torna-se claro que uma porta foi fechada com estrondo e que governar com os olhos subservientemente postos em Bruxelas, apenas e só pensando no equilíbrio das contas, forçou a nota, por falta delas, e nos encontramos na difícil situação de carência que nem o melhor botok conseguirá disfarçar. Ao longo da Europa, os políticos, profissionais ou de Entrudo, estão a recomeçar a perceber que não se pode governar desprezando as pessoas… A seu tempo aprenderão a lição!

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
etcetal.blogs.sapo.pt
sempreemluta.nireblog.com

25/06/2008 GMT 0

UMA CONVERSA À LAREIRA, ENTRE POETAS E ACTORES

fmp @ 00:04

A ENTREVISTA DO PASSADO DIA 22 DE JUNHO, NO PROGRAMA ARESTAS DE VENTO, A DOIS POETAS E A UM ACTOR TEATRAL, SIMULTANEAMENTE, FOI TÃO SERENA, TÃO SERENA... 

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BACALHAU É PEIXE
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Uma entrevista que me fez lembrar um jogo de miúdo, (quente, frio, morno, lembram-se?) mas interessante devido ao contraste cultural e pessoal entre os três entrevistados e onde ficou bem edificado o conceito genuíno de cultura popular, como verdade de sempre, acessível, mantida e partilhada. Vozes irmãmente discordantes, sem espaço para pessimismo, cada um à sua maneira a nunca desistiram de lutar por ideais e conceitos; em certos momentos deram a sensação de um jogo de palavras que escaparam ao papel, sem silêncios, pontapés dados à opacidade intelectual. Uma aliança entre a palavra e o gesto, a poesia e o palco da vida, como um teatro, com a colaboração de Céu Campos e a cumplicidade de Ricardo Cardoso. E nós como espectadores. Todos nós, no fundo, como espectadores.
Afinal, também se pode denunciar uma marcha que, contra os próprios regulamentos, é premiada e publicada. Os santos populares hão-de perdoar… E confessar descobrir um palco feito sonho e rumo. E versejar entre o céu e a terra, lá onde a inspiração nos sacode.
Agradeço as referências, no programa, que cordialmente me fizeram. Não mereço tal distinção. Sei que a amizade que me liga aos entrevistados poderá ter sido cúmplice das opiniões, lisonjeiras, expressas. O meu abrigado aos três.

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Uma pequena explicação para um "certo" povo, calmo e sereno: só escrevo e digo o que quero e sinto. E assumo por inteiro as minhas opiniões, até as minhas divergências. Há quem possua uma noção errada do que seja critica, como se quem critica se estivesse a opor a alguém ou a alguma coisa, esquecendo que a critica não é mais do que um diálogo entre duas pessoas sobre determinado assunto. A minha independência de pensamento torna-me imune às cagádas existenciais de alguns pobres de espírito que vegetam no semi-anonimato, recobertos com o creme do carácter sem eixo, mas com varais carroceiros que lhe induzem à sebosa arrogância de quem acorda de manhã convencido de que o mundo está contra eles e procuram com argumentos de papagaios de papel negar o evidente, como se os outros não tivessem olhos e OUVIDOS e dois dedos de inteligência… Acabei de me referir a um diabito que, na ausência do rei, continua a mandar no reino… É assim que, por vezes, começam os contos onde se falam de anões e duendes, fadas más e bruxas feias. Coisa que não tenciono fazer.
Parabéns ao Ricardo e   á Céu e aos seus convidados pela óptima entrevista com que nos brindaram!

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
etcetal.blogs.sapo.pt
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22/06/2008 GMT 0

Texto NÃO lido, dia 22 de Junho. Foi substituido, pelo responsável do programa, por um outro, do mesmo autor...

fmp @ 11:17

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Porque há "coisas" que por desconhecimento passam ao lado da maior parte dos ouvintes, achei-me no direito de tornar públicas estas considerações e suspeições. Eu não acredito em bruxas, mas lá que as há, há!

QUEM QUER CALAR O PROGRAMA ARESTAS DE VENTO?

Tem provocado algum apaixonado debate e confusão justificada, as "brancas" que no passado domingo pousaram e interferiram na frequência, alarvemente, deste nosso programa, impedindo a sua audição durante largos minutos, por diversas ocasiões e em diferentes zonas. Porque estas estranhas interrupções não são, infelizmente, caso virgem, pessoalmente questionei-me se não estaríamos mais uma vez perante uma espécie de boicote planeado pelo "sistema" para de uma assentada desgastar, ou calar, duas vozes incómodas: a do próprio programa e a da sua convidada, a conhecida deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca.
Neste emaranhado mundo da radiodifusão, recheado de interesses escondidos que vão desde os políticos, passando pelas invejas pessoais e tentativas de progressão espezinhando a torto e a DIREITO, indo até aos claramente religiosos, todo o tipo de colisão é possível e previsível. Só a programação pimba e apimbalhada não suscita invejas nem retaliações; é masturbação aceite, praticada e aconselhada.

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Casualidade, coincidência, advertência género "porta-te bem e vê lá quem levas aí", simples avaria momentânea, mãozinha de bruxa bamba com rosa ao peito, acto leviano de aprendiz de santinho milagreiro em nicho local, oficial engraxador a mamar "à conta do orçamento", ou acção de personagem de banda desenhada com martelo na mão, na verdade este ARESTAS DE VENTO está a tornar-se a cada emissão que passa, um verdadeiro e inevitável furacão radiofónico, com a declarada e assumida missão de agitar as mentes acomodadas e sinalizadas. Todos sabemos que a prática da rádio livre esteve sempre ligada ao conflito, com interesses e monopólios, culturais e outros, a tentarem interferir no direito dos cidadãos à liberdade de expressão, à denúncia de situações extremas e ao desenvolvimento da sua luta por melhores condições de vida, como tem feito desde sempre este espaço radiofónico que todos os domingos uma equipa chefiada pelos radialistas Ricardo Cardoso e Céu Campos leva até vós. Programa público de interesse colectivo (e é só consultar os comentários inseridos no blogue do Arestas de Vento!), que, sem perder de vista os estatutos e os objectivos estratégicos da Rádio PAL, ou talvez por isso mesmo, é um dos espaços de radiodifusão sonora mais respeitados e dinâmicos do nosso País, a que a Internete veio dar uma colossal ajuda, colocando-o ao alcance de qualquer um, em qualquer parte do mundo.
Porque há "coisas" que por desconhecimento passam ao lado da maior parte dos ouvintes, achei-me no direito de tornar públicas estas considerações e suspeições. Eu não acredito em bruxas, mas lá que as há, há!

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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

17/06/2008 GMT 0

DEPUTADA DO BLOCO DE ESQUERDA, ENTREVISTADA POR RICARDO CARDOSO, NO PROGRAMA ARESTAS DE VENTO, DIA 15 JUNHO

fmp @ 10:55

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MARIANA AIVECA SEM CONVERSA FIADA
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"A classe operária é como um exército sem estado maior" (Staline). Acredita que este foi o pensamento que me ocorreu assim que o Ricardo Cardoso deu por terminada a GRANDE entrevista que lhe fez?
Lembro-me da MARIANA AIVECA nos tempos idos de 74, aqui por Setúbal, quando desejávamos que a "revolução avançasse a todo o vapor" e o MDP/CDE falava em "derrotar a reacção, a reacção não passará". Ainda se lembra daquela frase "Lutar Criar Poder Popular"? Bons tempos, esses, a que alguns, em palestras de cáca e em livros respeitosamente prefaciados procuram ardilosamente minimizar o importante papel que a chamada "esquerda revolucionária" teve na cidade de Setúbal (e no País) na concretização dos ideais de Abril. E nós sabemos quem NÃO andou nas ruas (antes e depois de Abril) a dar o corpo ao manifesto, mas agora se assumem democratas de fina água…

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Neste estado de quase guerra civil disfarçada, com foguetes e pandeiretas e cortes de fita à mistura com petróleos e patrões estafetas e outras coisas que um dia se saberá, onde a fome e o desemprego anda à rédea solta e alguma tropa fandanga, tipo cheira cús, anda a tentar mobilizar-se, em que valores éticos são mandados às urtigas e certas sedes partidárias não passam de balcões de negócios pessoais, acredite que adorei o desassombro com que disse algumas verdades. Políticos de trampa que fazem da política ninho devem ser denunciados e afastados (pelo voto…): não é com eles que este País avança. Sempre me disseram que todo o político pode ser destruído – menos o que tem força moral. E a Senhora tem dado mostras, ao longo da sua vida política (e pessoal) que tem força moral, convicções, que cumpre com a sua palavra, que tem respeito pelo eleitor e que trabalha em prol da população que a elegeu. Continue firme e sem desfalecimentos!

Fernando Manuel Pereira| Poeta| Setubalense|

Blogues do autor:

http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

...15 de Junho

fmp @ 10:42

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JOSÉ SÓCRATES, O DO MEIO...

GOVERNEM COMO GOVERNAREM, PARA ELES HÁ SEMPRE UM PRÉMIO!
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Ficou mais do que claro que este Governo não tem política nenhuma concreta para resolver os problemas concretos dos portugueses. A brandura demonstrada pelo Governo durante toda a paralisação levada a cabo pelos transportadores, quanto a mim, tem muito a ver com o facto de muitos políticos que pisam mansinho as salas do Poder, terem estado na Ponte 25 Abril, em 1995, participando na revolta dos camiões e no cerco a Lisboa…
O conjunto da economia acabou de perder milhões de euros, enquanto, certamente, muita boa gente lucrou com os bloqueios. Os açambarcadores mais uma vez fizeram-se ver e os proprietários das bombas de combustível esfregaram as mãos de contentes, vendo em longas filas aqueles que há dois dias ameaçavam bloqueá-las. E, assim que a paralisação acabou, aumentaram imediatamente o preço do combustível.
As vitórias da Selecção Nacional até funcionaram como ocasional linimento para as preocupações à solta na sociedade portuguesa, neste mês de Junho em que as festas saíram para a rua e o Governo e o partido que o suporta confirmam a deplorável ausência de políticas económicas e sociais. A oposição, infelizmente, nem alternativa é…
A morte de um elemento que liderava um piquete de camionistas, significa o fraco desenvolvimento do nosso País e as suas fortes desigualdades sociais e a crise pela qual todos actualmente passam. Ninguém pode esquecer que a OCDE e a União Europeia previram em baixa o crescimento da economia portuguesa, com a taxa de inflação e desemprego a subir e as exportações a diminuírem. E o preço dos combustíveis e dos bens alimentares a subirem, subirem, subirem…
Durante alguns dias, o País esteve nas mãos dos pequenos transportadores. Apedrejamentos, intimidações, camiões queimados, um acidente mortal, feridos, caos nas estradas e falta de produtos nas prateleiras das superfícies comerciais vão ficar para sempre ligados a esta paralisação de camionistas. E o Governo do senhor Sócrates, pela forma como tratou e deixou avançar esta questão, bem pode limpar as mãos à parede: o Estado social está cada vez mais incapaz de cumprir a sua função.
António Guterres fugiu, deixando o País (e o PS) num caos, mas teve um prémio internacional; Durão Barroso, afundou ainda mais o País (e o PSD) e também teve um prémio internacional; Sócrates, tudo o indica, está a seguir: para ele, certamente, também haverá um prémio internacional…
 
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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08/06/2008 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM O CANTOR GABRIEL CASTANHAS

fmp @ 17:33

QUANDO A MEMÓRIA É ENTREVISTADA
 
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RICARDO CARDOSO, A ALMA DO PROGRAMA 

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Um, personalidade que não destoa, adepto da renovação com fundo de perdão, exemplos já dados, destaca-se pela diferença, aqui sem arrependimentos mal-agradecidos, tecendo horas domingueiras, as melhores, onde se diverte e irmana, não ignorando patifarias, algumas em faxes escondidas, outras por entre panos de cena, ou mesas de "café", refinadas quanto baste, mas incapazes e inócuas.
Outro, sorvendo minutos como mel escorrendo, as experiências vão tomando forma e destino, uma "nau catrineta" cortando as ondas da memória, amamentadas a troco da saudade, palavras sentidas, algo carentes, emotivas, com raiz conservada, alimentada em nome do coração e da mente, transmissíveis, mesmo correndo o risco de serem esquecidas na voragem da vida.
Uma combinação arrumada, culta, sem limites, sem censuras, entre amigos comprometidos, razão e meio para chegar ao desfecho, com sinais acalmados de uma certa loucura, antiga e sofrida, auto-exílio a provocar retorno, fome de imagens e sentimentos, lembranças com início, começos de outras lembranças sem tempo para suprimir a solidão, desenvolvendo memórias sem se repetirem.
Os dois, num jogo favorito, dependentes do berço, hoje dos fados com que percorrem a estrada da vida e das palavras, modos diferentes, igual essência, entregues sem pudor ao nécter nem sempre fácil das recordações, algumas inquietas, ansiosos por tocarem com os próprios dedos os mapas escondidos na conversa pública, um mundo próprio que o segredo se sente impotente para segurar.
Refastelados, colaram-nos ao rádio durante duas horas, cumplicidade no raspão que lasca a nossa solidariedade e nos puxa devagar até olharmos também olhos nos olhos as estórias de vida e de luta, num regresso comum à esperança.
Para Vocês, camaradas de vida, Ricardo Cardoso e Gabriel Castanhas, um Abraço, e contem comigo para derrubar o "muro" da cultura abortiva!

 

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GABRIEL CASTANHAS - "Canto o que quero, canto o que gosto"

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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ARESTAS DE VENTO, rádio PAL, domingo 8

fmp @ 17:11

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 SOCIALISMO MAQUILHADO

Semana de protestos esta que está a acabar. Uma moção de censura contra a política económica e fiscal praticada pelo governo do senhor Sócrates,  apresentada no Parlamento pelo CDS, partido que até dá a impressão que nada tem a ver com o descalabro a que este Pais chegou, e 200 mil trabalhadores na rua a gritarem a uma só voz contra o desemprego e a carestia de vida, contra as propostas de revisão do Código de Trabalho, contra os ataques governamentais que tentam atingir direitos adquiridos,  contra o desemprego e a fome, pelo direito ao pão e à educação.
A crise económica que afecta o País, certamente não fustiga os bolsos e as casas de certos políticos de pantufa e parece que ainda há quem se sinta agradado e agradecido com as políticas enviesadas deste governo, que nada têm a ver com socialismo, mesmo com aquele socialismo que Mário Soares um dia meteu na gaveta. É voz corrente que nunca tão poucos ganharam tanto à custa de tantos. Todo o País tem a percepção de que existe mesmo uma crise, por isso penaliza a credibilidade desta política económica com rótulo de suicida, que não permite máscaras nem ilusionismos propagandísticos, mau grado o esforço que o marketing político e a manipulação de alguns meios de informação, tem vindo a fazer.
Portugal não consegue superar uma crise que nos empobrece e avilta, obrigando a fugir para o estrangeiro, 34 anos após Abril, milhares de portugueses, à procura de melhor sorte, enquanto por cá presidentes de empresas ganham em média mais de 22 mil euros mensais, 30 vezes mais que o rendimento médio dos trabalhadores. Maquilhagens à moda desta espécie de socialismo.

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A crise que o Governo bem tenta disfarçar e até negar, mostra à saciedade que este governo falhou. Crise é uma coisa a que os portugueses já estão, infelizmente, habituados. Já passámos por muitas e têm sido sempre os mesmos a saírem rotos e nus: o Zé Pagante, governado há 30 anos por partidos que de tempos a tempos se revezam no governo e utilizam a Assembleia da República para as suas desditas e confusões. Cada um destes partidos se queixa da "pesada herança" que recebeu, mas a sua prática política diária denuncia a estratégia de degradação progressiva a que chegámos. É tempo de união e de luta, de dizemos NÃO a esta política miserabilista que nos corta cerce o direito a sermos gente. Por nós e pelos nossos filhos!

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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