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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

Arquivo: Maio 2008

25/05/2008 GMT 0

CRÓNICA PARA UMA TARDE TARDIA

fmp @ 22:12

ENTRE ESTE MUNDO E UM OUTRO, MAIS VALE O  PÁSSARO NA MÃO

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Gurus espirituais, nunca tive, assim como sempre tive, tenho, dificuldade em dobrar a espinha. Talvez tenha uma costela de radical, nunca se sabe, não se vê. Algumas vezes sinto-me sozinho nas minhas convicções. Na minha já enviesada percepção, sempre me preocupou para onde vai o lixo, a sacanice, de maneira a que não suje os jardinzitos de flores de plástico, plantadas de estaca na encefálica massa, ainda assim, de alguns gajos, vegetantes de pocilgas e de salões participados. Enfunado numa mentalidade egoísta, deixem-me, façam favor, alimentar a luxúria a qualquer custo, não é preciso um génio para perceber que é insustentável este colapso, mentalmente escravizado, que me vai mudando as palavras, criando sombra por toda a parte, entre uma e outra parede, esquinas.

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Reinvento com a sensibilidade de um arco-íris desfeito, uma forma criativa de viver meus, nossos dilemas. Usurpação de regras como expressão de liberdade, longe das montureiras visuais e sonoras que me tentam atafulhar a vida urbana, obrigando-me a ser dono de mim próprio, reminiscência de um paraíso ou local paradisíaco com um esquizofrénico de plantão a acentuar o difícil equilíbrio pirotécnico da ortografia, espécie de apêndice etéreo da minha memória menos oculta. Quero dizer, se um acontecimento fugaz e transitório me encaminhar liberto da estupidificação, para um território mais vasto, coerente e relevante pela raridade e avidez, como a existência da arte cristalizada na infância, sei que vou continuar vivo e verve, subitamente apaixonado pelos meus medos, mundo sólido sobre nuvens, antes dos meus primeiros passos, recorrendo das palavras em contínua construção.

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Tendo em conta a forma contributiva, revestida de reflexos pausados, esta reflexão que partilho com quem não conheço, vocês e mais alguns, aponta numa direcção breve, que encaixa no objectivo heterogéneo elaborado, preexistente de leituras passadas, sem ninguém se dar conta do desdobramento inconstante da ascensão do espírito, estreita relação, por vezes agressiva, entre letras e telas pintadas, teclados e tintas. Configurar a paisagem, proclamar profetas ou aceitá-los, normativa que lentamente sufoca o grito que há em mim. Melancolicamente o silêncio me activa no distante instante possível de ser vivido. E é este, meus amigos, até aqueles que se fazem de amigos, o meu provável e único destino. Que aceito, com a vã glória de um dia ter escrito um poema só para mim.

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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor:

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PROFESSOR RICARDO MARTINEZ E ACTOR CARLOS CÉSAR - UMA MISTURA EXPLOSIVA!

fmp @ 21:49


CARLOS CÉSAR

Um alentejano que escolheu Setúbal, estávamos em 1975, ainda se respirava, e bem, a revolução de Abril, e os sonhos, de braço dado com a utopia, faziam também desta cidade a sua cidade, tal qual o actor Carlos César fez. Conheci-o por essas alturas, mais tas, menos tas, era um gajo culto, inteligente e diligente, já com uma certa notabilidade, com gostos apimentados pela vida, perseguidor de caminhos que já o tinham empurrado para o Teatro Trindade, onde se estreou como actor, fazia, na época, figura na Companhia de Teatro D'Arte, de Lisboa, e também para Paris, em 1964, onde aguentou dez anos.
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Conheci-o por intermédio de um sujeito pseudo-actor, pequenino e de falas mansas, rabeta de fim-de-semana, raquete zinguezagueante na cultura citadina, enfeitado de intelectual e de músico, numa tasca de bifanas e de copos de tinto, numa tarde pachorrenta, pendurada entre a manhã e a noite. Falámos de pintura, de poesia, de passarinhos fritos em banha, do assalto democrático à Pide e à Legião Portuguesa, das calças à boca de sino, de música e, agora sim, bingo!, de Zeca Afonso. Inevitavelmente. Não ficámos amigos, nem deixámos de ficar. Éramos dois conhecidos, por vezes cúmplices quando nos víamos em bares não muito recomendáveis, assim para o rasqueiroso urbano, e foi num destes bares de bebedeiras certas depois da meia-noite que descobri que o Carlos César também era poeta. Poeta de escrever poesia. Era um segredo que guardava bem guardadinho, talvez o único segredo que tinha, os outros eram visíveis e menos importantes, não eram segredos.

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Contou-me ele que tinha fundado, no regresso à Pátria, o Grupo de Teatro Oficina Português e de entre o seu colar de peças encenadas, tinha estima por uma pérola, um texto várias vezes censurado, de Luís de Sttau Monteiro, "Felizmente há Luar", levado pela sua mão e pela primeira vez aos palcos. E falava disto com prazer e gozo, gozo autêntico, sem água ou outra mistela a adulterar.
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Durante os 25 anos que dirigiu o Teatro de Animação de Setúbal este homem da cultura e dos prazeres, autor, encenador, actor, autarca, soube fazer amigos e conseguiu formar uma geração de novos artistas, tendo tido uma relevante actividade na descentralização cultural e na reedificação do teatro na cidade de Setúbal. Tinha uma grande capacidade de conviver e tornou-se uma personalidade estimada na cidade e na região e nos meios culturais ao longo do País, o que não evitou algumas invejas de meia dúzia de papalvos com umbigos tamanho de um punico, mas que se apressaram a virar as agulhas após a sua morte. As críticas manhosas e as censuras de retrete deram lugar aos elogios e às avé-marias graciosas. É a roda, como diria um amigo meu.
Nada mais natural e justo do que a homenagem que hoje o Programa Arestas de Vento prestou ao Homem e ao Actor Carlos César, setubalense por opção da mente e do coração. Condição que eu gostaria de ver em muitos naturais da minha cidade do rio Sado.

Fernando Manuel Pereira/ Setubalense/ Conviva de Zeca Afonso e Luiz Pacheco


EM FOCO/ EMISSÃO/ 25 DE MAIO : 

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HOMENAGEM ao saudoso actor CARLOS CÉSAR (na foto)

E GRANDE ENTREVISTA AO

Dr RICARDO MARTINEZ , homem sem papas na língua/, Campeão na arte da solidariedade, Sociológo por convicção.

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PARA UMA MAIOR CONSCIÊNCIA DE TODOS

Ricardo Cardoso
As tuas entrevistas também têm o mérito, tipo chave, que nos abre a gaveta da memória, puxam, provocam recordações de leituras antigas, armazenadas. "As leis para os pobres, de certo modo, criam os pobres que mantém" (Malthus). Cá tivemos um homem da velha guarda, socialista e solidário que, sem devaneios ou outros tiques, apontou o dedo, entre outras causas, a esta sociedade de consumo, apressada e enganosa, a este governo socialista (sem formação marxista, digo eu) que muito tem favorecido as desigualdades sociais. Pesa a injustiça do sistema capitalista actual, neo-capitalista, dirão os mais atentos. Nega-se o pão, nega-se, na prática, a liberdade.
Ricardo Martinez disse palavras duras, não escondeu verdades ásperas, sem mistificações, em benefício deste presente incerto e futuro acinzentado, com uma réstia de esperança no horizonte, que ele acalenta e alimenta, sem desvios ou desfalecimentos. Uma questão de equilíbrio…
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Afinal, para que acreditar em destino, na existência de uma poderosa força, imutável, influente, que nos rege e ao mundo? Será tudo isto uma treta, de que já tudo está escrito e destinado a acontecer? Martinez responde com um labor nobre, envidando todo o esforço, estendendo a mão, com amor e dedicação, a todos que necessitam de amparo, não se ficando por uma retalhada mensagem de solidariedade, entra no concreto, no verdadeiro campo de batalha, consciente da necessidade de se adoptarem acções urgentes para enfrentar o problema da fome, da marginalidade, da exclusão, da ausência de amor, deixando em cima da mesa, para reflexão, a integração, enquanto projecto indispensável ao desenvolvimento harmonioso da pessoa humana.  E é, inequivocamente, contra a tal caridadezinha, solidariedade às avessas, quase como um insulto aos necessitados, que não abranda a fome nem a revolta. Denuncia os falsos e equivocados conceitos de caridade que alguns trazem na lapela, como flor, como emblema ou como corneta ruidosa. Cada cor, seu paladar…
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Deixou no auditório a convicção de que é o inverso do pseudo herói; trabalha a favor do próximo, tem boa vontade, é, socialmente, um fazedor de coisas para os outros. E mais importante: não usa o sofrimento alheio como mercadoria…
Esperamos que o regresso do Professor Ricardo Martinez aos estúdios da Rádio PAL, programa ARESTAS DE VENTO, seja breve, pelo muito que ficou por dizer, pelo muito que há para dizer!
Companheiro Ricardo, natural da mui combativa vila do COUÇO, radialista sempre em primeiras núpcias, quero agradecer-te teres passado no programa de hoje, alguns poemas da minha autoria, lidos, e bem, pelo nosso amigo Vítor Serra.
Um abraço.
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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Amigo de Palmela/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/ e

20/05/2008 GMT 0

18 de MAIO, Arestas de Vento entrevista a ORQUESTRA LIGEIRA DE CABANAS, PALMELA, PORTUGAL

fmp @ 20:59

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UM FAXE MAL-CHEIROSO OU A GUERRA DAS CAPELINHAS...
 
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Tens tu muita razão, caro Ricardo: merdas anónimas, cartas, emails, FAXES, deveriam ser carta-bomba que explodisse no trombil dos autores, verdadeiros mentecaptos abjectos, figuras clássicas popularizadas em filmes de vilões, sem coragem de colocar nome no final das suas diarreias mentais. Estiveste muito bem em não divulgar o conteúdo da cagáda, lengalenga mesquinha a que tu, como responsável pelo ARESTAS DE VENTO, nunca darias nem espaço nem destaque. O idiota cagão, certamente, ou não te conhece ou se te conhece desconhece a tua formação e verticalidade. E a tua inteligência que não te faz embarcar em "vendettas" mafiosas e invejosas. Merdas anónimas são sempre reflexos do ódio e da maldade e não expressão de um problema e traduzem imediatamente o carácter e comportamento execrável dos autores. Não seria mal pensado, da parte dos visados, uma queixa ao Ministério Público…
 
António Luís, o Xico Santana (lembro-me muito bem dele, no Circulo Cultural, um músico de gabarito!) e o António Raposo, representaram com extrema dignidade a Orquestra Ligeira de Cabanas e o movimento associativo e cultural e não só do Concelho de Palmela, do qual a Orquesta é, sem margem para dúvidas, um genuíno veículo promocional e um espelho do que a carolice, a força de vontade, o saber e a competência conseguem, mau grado a invejice aguda que, parece-me, tenta surtidas pela calada e procura arregimentar outros tolos para a destruição de algo solidamente organizado e instalado definitivamente na aceitação popular, que não lhe tem regateado palmas, elogios e apoios. E, se calhar, é aqui que está o busiles da questão, a razão das acusações anónimas, dos vómitos mentais como esse que chegou à Rádio PAL e cujo destino foi, e muito bem, o lixo.
 

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Os cagões anónimos até têm cadeira própria...

Expresso toda a minha solidariedade para com os elementos que formam a ORQUESTRA LIGEIRA DE CABANAS e desejo que os deuses (e os mecenas e os autarcas e os Amigos e o público em geral…) continuem solidamente a apoiá-la e a repudiarem fortemente todas as tentativas reles que buscam manchar o seu bom nome e o seu reconhecido trabalho em prol da cultura e do entretenimento popular.
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Os camaleões cagões andam à caça...

Mais uma vez o Arestas de Vento foi polémico. Polémico porque é defensor acérrimo da BOA cultura e dos BONS interpretes e não deixa que lhe façam ninho atrás da orelha. Polémico porque levou à antena uma entidade cultural com sólidas estruturas e aceitação da parte do público. Polémico, porque a POLÉMICA também causa inveja e comichões aos santinhos de pau-carrunchoso.
 
Um abraço.
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
etcetal.blogs.sapo.pt
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GARGALHAI-VOS

fmp @ 20:38

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Após singela e recatada refeição, alguns membros do gabinete do 1º ministro de Portugal, seguido do próprio, refugiaram-se atrás de uma cortina, na parte da frente de um avião, frete pago por todos nós, e deliciaram-se com uma reconfortante e higiénica cigarrada, trazendo-me à memória aquele tempo de infância em que, com meia dúzia de amigos escondíamo-nos num vão de porta para queimar, a medo, um “definitivos”.
Esta cena insignificante teria ficado a pairar nas nuvens do esquecimento se não se desse o caso de a bordo viajar, também à conta dos nossos impostos, uma malandragem de jornalistas que não deixam passar em claro um simples arroto do nosso primeiro, quanto mais quando não só cheira a fumo, como o fumo, por lei, e lei deste actual governo, não deve enevoar espaços públicos fechados e ainda por cima também transformados em locais de trabalho…

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JOSÉ SÓCRATES

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Pois esses jornalistas armados aos cucos, transformaram uma inocente e ministeriável cigarrada a dez mil pés de altura, no centro do mundo, durante alguns dias, obrigando os cidadãos e as primeiras páginas dos jornais a esquecerem o aumento dos combustíveis, as reivindicações dos professores e dos funcionários públicos, as lutas dos trabalhadores, o aumento do custo de vida, o desemprego, os milhares que agonizam na China e na Birmânia, as candidaturas risonhas para o poleiro do maior partido da oposição. Até que a equipa de markting político, equipa de se lhe tirar o chapéu, como a do Porto, aconselhou o prevaricador maior, a deitar água na fumarada, e vir a público garantir em jeito de “mea culpa”, minha máxima culpa, que iria poupar uns euros mensais, já que a vida está difícil, mandando às urtigas o vício tabagístico, promessa feita, sabemos, mais do que uma vez.

socratesfumou.jpg Se ter fumado no avião foi notícia, a notícia de que ia deixar de fumar tornou-se mais empolgante e ganhou logo adversários de peso, chateados com o facto de José Sócrates, o paladino, não ter coragem de continuar, galharda e recatadamente, a alimentar o viciozinho dos cacilhos, certamente de boa marca. Ele que ponha os olhos no hermano venezuelano, a quem foi visitar e trocar esparguete por petróleo, Hugo Chavéz, que não teve receio em confessar mascar folha de coca e não consta que vá deixar o vício… ou perder o emprego.
Não quero crer que estes “amigos de Peniche” lá porque leram nos maços que o tabaco faz mal à saúde alimentem a cristalina convicção de que esta seria uma via verde para se verem livres do senhor “ingenheiro”. Deixem lá o homem na paz dos anjos, ele que faça o que quiser com a sua saúde e com o seu corpinho, que temos nós a ver com isso? E também, não falta assim tanto para as próximas eleições. ..
 
 
Fernando Manuel Pereira
sempre em luta.nireblog.com
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12/05/2008 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM UMA POETISA...

fmp @ 22:59

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DE QUALQUER MODO, PREVALECE A POESIA

 

 

 

Uma entrevista a princípio glaciar, modestinha e apagadinha, quase desinteressante, mas que pouco a pouco, lá ganhou alento, muito por culpa duma empatia cúmplice entre os presentes em estúdio, se veio a revelar apaixonada causando, em alguns momentos, o cair do véu duma sociedade assumidamente farsante, feijão frade e alcoviteira, com padrinhos e afilhados, estes "ás ordens de vossas excelências", aqueles com o "chicote" a manterem alinhados quem veste a camisola do mesmo clube, enquanto os outros, os que têm coragem de pensarem por si mesmos, ficam às migalhas, quando ficam.

Mas como não há regra sem excepção, o exemplo, traduzido em apoios prometidos e concretizados, dando valor e garantia à palavra dada, da parte da Câmara e Junta de Freguesia de Palmela, deveria servir para abrir os olhos de quem, por exemplo, no Governo Civil de Setúbal, é "responsável" pelo movimento cultural do Distrito. Pelo menos poderia ajudar os novos "habitantes" a distinguir iniciativas e grupos merecedores de serem apoiados. Como o Grupo de Teatro Infantil Espelho Mágico, cujos responsáveis são, precisamente, os mesmos que levam para o ar, na Rádio PAL, o programa Arestas de Vento: Ricardo Cardoso e Céu Campos.

 

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Estas considerações, e outras que ainda vamos desenrolar, é bem de ver, são efeitos da onda que a entrevista a uma poetisa veio deixar no espírito do auditório, no passado domingo, dia 11. Mesmo não se percebendo por que este Grupo faça só UM espectáculo no próprio local onde estreia, anualmente, as suas peças (e onde é VERDADEIRAMENTE apoiado), a verdade é que tem sido na Vila de Palmela que tem consolidado o seu projecto teatral e onde tem encontrado, não só agora, o seu próprio espaço, e tem principiado a digressão que já levou o Grupo a pisar diversos palcos, incluindo o da Festa do Avante, local tornado mítico para grupos musicais e teatrais. Para lá chegar, a boa vontade só não basta…

 

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Temos, portanto, uma entrevista que foi suporte para a denúncia de uma "ruptura" que é urgente pacificar: "porque é que o Grupo de Teatro Espelho Mágico, que consegue movimentar MILHARES de pessoas por onde passa, não actua MAIS no palco do Cine S. João, em Palmela?" É que um grupo que se destaca por revelar, e bem, grandes autores e grandes actores (destes, a maioria de palmo e meio…) e consegue encher, literalmente, as salas por onde passa, merecia que lhe abrissem mais vezes as portas do Cine-Teatro de Palmela que, graças a Deus, não é "gerido" pelo Governo Civil de Setúbal…

 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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MAIO, DOMINGO, DIA 11, 2008

fmp @ 16:42

EM JEITO DE ABRAÇO

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Céu Campos
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Em boa verdade, não poderia deixar passar em claro, a entrevista que Céu Cardoso, co-responsável pelo programa Arestas de Vento, deu, num destes dias,  a um jornal de Setúbal, quer pela actualidade e seriedade dos temas com que se defrontou, quer pelo pertinente aspecto com que ilustrou o seu pensamento. Dois pormenores saliento: a sua arreigada convicção tornada objectivo talvez a curto prazo de projectar o Grupo de Teatro Espelho Mágico, de que é a responsável, à escala nacional, o que, tendo em conta a firmeza do seu carácter e sua vincada  personalidade, género "nem quebrar, nem torcer", sempre pela razão, em frente é que é o caminho, caminho que não comporta "ninhos atrás da orelha" como muita boa gentinha poderá testemunhar, é uma meta que certamente será atingida, cremos que dentro de muito pouco tempo.
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Ricardo Cardoso e Céu Campos, pedreiros livres, responsáveis pelo polémico programa Arestas de Vento, da rádio PALfm, Palmela, Portugal.
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O segundo pormenor emanado da sua entrevista, quanto a mim, diz respeito à forma como, no terreno, põe em prática valores como amizade e solidariedade. Sem grandes arrazoados e tiradas pseudo-filosóficas, bengala de pessoas sem lastro político ou social, reconhece as injustiças muito reais na nossa sociedade, que perduram, deixando a sensação de que a responsabilidade pela pobreza e abandono também será nossa. E é, certamente. A sua experiencia advinda do contacto que mantêm diariamente, na Caritas de Setúbal, com infortunados e carentes de bens e afectos, têem-lhe cinzelado o espírito e a mente, num percurso de vida partilhado, a que não será indiferente o espírito humanitário respirado nessa organização de "bem-fazer" e a alguns exemplos lá encontrados.


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Para lá de ser uma boa amiga, com a porta de sua casa sempre aberta e um abraço solidário e reconfortante a receber os amigos, é também uma certeza no difícil campo das artes plásticas, que pratica autodidacticamente, como prova, por exemplo,  os seus cenários teatrais, e uma sabedora radialista, como de resto o nosso vasto auditório saberá. Tem cultura, sabe dizer poesia, é prendada e desconfio que até sabe tocar piano... Com todos estes comprovados predicatos, um cheirinho de vaidade até nem se notava. (Outros e outras, que nem aos calcanhares lhe chegam, assim que acordam beijam o espelho e arrogam-se donos do mundo...Conheço alguns destes tratantes. E certamente que quem me ouve conhecerá mais uma grossa...) Mas até neste aspecto faz a diferença. Humilde, corajosa, heroina da sua própria vida; numa palavra: uma grande Senhora, ao lado de um grande homem... Para ela e para o marido, Ricardo Cardoso, um grande abraço e a certeza de que continuamos solidários com as vossas lutas e ânseios.
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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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04/05/2008 GMT 0

COMENTÁRIO À ENTREVISTA COM O CANTOR POPULAR ANTÓNIO SERRANO

fmp @ 14:47

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(Clique na imagem para aumentar)

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Amigo Ricardo, acreditas que esta entrevista, feita em 28/1/1980, já tem 28 anos? Estava eu no Jornal NOVA VIDA e "descobri" o António Serrano a cantar numa revista da Capricho e fiquei seduzido pela sua voz e forma de cantar. Daí ter-lhe feito esta entrevista de que tenciono oferecer-lhe cópia e que certamente nem ele se recorda…
 

 
ANTÓNIO SERRANO
CARPINTEIRO E CANTOR À PROCURA DE UM DISCO


Nascido no seio de uma família pobre, ANTÓNIO Rodrigues SERRANO, hoje com 40 anos de idade, abraçou a profissão que já vinha de seu pai e avô, ambos carpinteiros, tendo visto a luz do dia pela primeira vez na Herdade de Rio Frio, onde a família vivia e trabalhava.
Aos doze anos, idade em que centenas de crianças ainda brincam, começou ele a trabalhar. A vida não era de abastanças, urgia ajudar a família. Na oficina trauteava, assobiava – e assim despertou a atenção do chefe que o levou, após consentimento paternal, a cantar para um conjunto de cordas. E, como a história da bola de neve, nunca mais parou.
Aos quinze anos, agora no Alentejo, numa outra herdade, a 6Km. De Moura, para onde fora trabalhar, integrou-se num outro conjunto.
- "Trabalhava na herdade, era trabalho fechado, sem grandes perspectivas, com um futuro que se adivinhava já traçado. Nasci na herdade, vivia lá, mas não queria lá morrer. Queria fugir ao mesmo destino de tantos outros…"
A vida continuava difícil, ganhava 30 escudos diários. Resolveu abalar, à semelhança de tantos outros que vinham procurar na cidade melhores condições de vida.
Em 1964, com uma fugaz passagem pelo Pinhal Novo, radica-se em Setúbal. Arranjam-lhe trabalho para uma fábrica de montagem de automóveis.
- "O meu futuro, em termos de trabalho e de dinheiro, melhorou. Fui ganhar 50 escudos por dia."

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Na fábrica, pelo Natal, oferecia-se para cantar. Os seus colegas gostavam, incentivaram-no. Até um dia, em 1968, vai a casa do Alves Coelho que o levou de imediato ao Centro de Preparação de Artistas da Rádio, onde prestou provas.
- "Gostaram e disseram que me mandariam chamar, mas eu não esperei pela convocatória e tornei a ir lá, até que fui aceite no Centro, pelo Professor Mota Pereira."
Fez, tempos depois, um programa na rádio e aceitou um convite que a televisão lhe dirigiu para ingressar no coro das Melodias de Sempre. Ainda por intermédio do Alves Coelho, em 1969, procedeu à gravação de um disco, o seu primeiro disco.
- "Alegria, satisfação, um pouco de vaidade, senti tudo isso. As portas do mundo da canção, levemente sonhado lá na herdade, começavam a abrir-se."
Festivais populares, colectividades, etc., foi um nunca acabar de actuações, onde o volume de palmas que as suas interpretações suscitavam nos espectadores eram evidentes incentivos para continuar a cantar.
- "Nunca deixei de trabalhar. Trabalhava e cantava. Quanto a discos, só gravei um. Mas ainda não perdi a esperança de gravar um outro. Já contactei algumas etiquetas e só espero encontrar uma que acredite em mim, que jogue na minha voz e que me dê a possibilidade de gravar um outro disco."
ANTÓNIO SERRANO, carpinteiro, cantor desde menino e moço, dá voltas e mais voltas, sobe e desce os degraus das gravadoras, bate a portas, não desfalece, persiste. Acredita em si mesmo – e tem muitos, mesmo muitos admiradores que acreditam também nele. E o seu público dia a dia aumente, talvez devido ao facto de o verem actuar na revista da Capricho. Com sucesso.
Um novo disco seria o sonhado e desejado prémio, também justo, para a sua força de vontade, para coroar, realizando, o seu velho sonho de menino nascido no campo, numa herdade onde as pessoas nascem, vivem e lá morrem…
 

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FERNANDO MANUEL PEREIRA
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PALAVRAS NO VENTO - Texto lido no programa Arestas de Vento, 102.2FM ou www.palfm, em 4 de Maio

fmp @ 14:31

 "Depois encontrei-o na Capricho Setubalense, estava eu no revolucionário jornal Nova Vida, já desaparecido nas vagas da avidez e da traição, e tinha sido destacado para fazer a cobertura de uma revista musical onde António Serrano participava. "

ANTÓNIO SERRANO, UM BOM CANTOR E UM BOM AMIGO

António Serrano é um cantor setubalense muito popular, cujo percurso artístico sempre segui com aumentada admiração, gabando-lhe a persistência e a vitalidade com que conseguiu transformar um mero hobby, cantar, numa carreira artística a todos os títulos invejável.

 

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Lembro-me do Serrano na fábrica de montagem de automóveis IMA, onde também trabalhei durante alguns meses. Era bom companheiro, de trato afável, solidário, amigo do seu amigo. Recordo também que concorreu a diversas audições em estações de rádio, que conseguiu por mérito próprio integrar o coro de um programa televisivo, tenho nítida na memória a recordação dos seus espectáculos de êxito pelo País fora, a que algumas vezes assisti. Cheguei até, a seu pedido, a desenhar um cartaz promocional para um desses espectáculos. Bons tempos…
Depois encontrei-o na Capricho Setubalense, estava eu no revolucionário jornal Nova Vida, já desaparecido nas vagas da avidez e da traição, e tinha sido destacado para fazer a cobertura de uma revista musical onde António Serrano participava. Participava e encantava. Ocorre-me agora que também integrou um grupo fadista, cujo sucesso foi estrondoso.
É este Amigo que vai ser entrevistado (domingo, 4 de Maio), com a companhia dos residentes colaboradores dominicais, Estrela e Gago, no programa Arestas de Vento. Um homem de fala popular, directo, sem sofismas, sem ódios e sem invejas. Um homem terra-a-terra, consciente do seu valor e do valor dos outros. Uma mão amiga sempre pronta a ajudar. E é esta característica da sua personalidade, mais do que o seu valor como cantor, que aqui pretendo salientar e partilhar com o auditório que o vai ouvir. António Serrano tem sabido vencer os escolhos com que a vida lhe tem armadilhado o destino, continuando igual a si mesmo, sem desfalecimentos e sem acusações. Por isso merece que a apresentação do seu quinto trabalho discográfico, “Flor por Abrir”, no próximo dia 10, durante um espectáculo a realizar em Setúbal, na Capricho Setubalense, seja um êxito absoluto. Ele merece. E nós, seus admiradores, lá estaremos para dar testemunho. Um abraço para todos.
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Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense/ Blogues do autor: http://sempreemluta.nireblog.com/ e http://etcetal.blogs.sapo.pt/

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