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PALAVRAS no VENTO
Assim como a maquilhagem pode, às vezes, fazer com que uma puta passe por uma mulher virtuosa, também a modéstia pode fazer um tolo parecer um homem de senso.

05/07/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 4 Julho 2009

fmp @ 19:25

TAMBÉM EU QUERO BATER NO CÉGUINHO

A tourada à portuguesa ganhou uma outra dimensão, na passada quinta-feira, na arena parlamentar, durante o último debate importante da legislatura sobre o estado da Nação, quando o campeão das gaffes, Manuel Pinho, o ministro independente do governo de Sócrates, demonstrando uma grande crispação, fez com os dedos chifres dirigidos a Bernardino Soares, o anjinho líder da bancada parlamentar do PCP.

Este “brilhante” momento tauromáquico coloriu de indignação e censura todos os espectadores, inclusive aqueles que seguiam a “corrida” pela televisão, obrigando o debate quinzenal a sair da rotina, cimentando ainda mais no espírito da “afficcion” a convicção de que o sistema político está mesmo enfermo e a bater no fundo, com a nossa classe política a insultar-se quase diariamente, de que o caso a que nos referimos não passa somente de mais um triste exemplo.

Ainda não chegámos à pancadaria em barda que acontece periodicamente em certos parlamentos sul-americanos e asiáticos, mas não desesperemos, pelo andar da faena havemos de lá chegar… E a moda de atirar sapatos por cá ainda não pegou, se bem que talvez fosse uma grande ajuda para a recuperação das nossas fábricas de calçado. Levar símbolos nazis e relógios de loja de trezentos para a Assembleia da República, à semelhança do que aconteceu no passado no parlamento da Ilha da Madeira, também ainda não aconteceu, mas nada garante que não venha a acontecer.


Aficionado Lino, ex-ministro da Economia, 54 anos, que estava a viver, nestes últimos quatro anos e meio, a sua primeira experiência política, desde o início da sua faena ficou conhecido pelas gaffes cometidas, sempre com fair play, diga-se em seu abono, de onde se destaca uma: aquando de uma visita oficial à China, deu como uma boa razão para o investimento em Portugal a mão-de-obra barata. Noutra vez, em Bruxelas, garantiu que a fábrica Delphi, que tinha acabado de despedir 500 trabalhadores, tinha criado mais 250 postos de trabalho… E ainda é autor de uma outra, quando acompanhava empresários portugueses a uma feira de calçado, proclamou que era adepto dos sapatos italianos… Também ficou para a história o conselho que deu ao anafado social-democrata Paulo Rangel, outro autêntico anjinho, aconselhando-o a comer muita papa Maizena.

Pois a imagem das lides taurinas com que mimoseou o jovem comunista Bernardino, levou à demissão do patusco ministro. Agora vai de férias, vai descansar das agruras desta vida de político não profissional, o seu gesto irá certamente engrossar o anedotário nacional e servir de inspiração aos cómicos de serviço. E daqui por mais uns tempos, quando a coisa estiver mais mansa, há-de haver para ele um lugarzinho bem remunerado e com muitas alcavalas numa administração qualquer. É a triste sina destes senhores.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

03/07/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS 27 Junho

fmp @ 16:25

TEATRO INFANTIL DE LISBOA E GRUPO DE TEATRO ESPELHO MÁGICO, OFICIAIS DO MESMO OFÍCIO

Logo a seguir a 25 de Abril de 1974, muitos artistas ocuparam casas vazias para transformá-las em teatro, um pouco por todo o País, num movimento espontâneo, cuja bandeira era a imediata liberdade e partilha duma forma de Cultura quase meio século amordaçada pelo fascismo. Muitos destes grupos teatrais, infelizmente e mercê de variados motivos, foram, ao longo destes anos, ficado pelo caminho, mas outros nasceram e muitos renasceram, também.

Quero aproveitar a entrevista de hoje ao popular homem do teatro conhecido por Kim Cachopo, para particularizar dois grupos cénicos: o Teatro Infantil de Lisboa (TIL) e o nosso tão bem conhecido Teatro Infanto Juvenil Espelho Mágico, ambos mestres do “mesmo ofício”, com actividade regular e contínua. O primeiro é, sem dúvida, uma das principais companhias de teatro para a infância que existe em Portugal, já com mais de 30 anos de existência. O outro, Espelho Mágico, mais novinho mas não menos importante neste nacional cenário, tem também como público-alvo a camada mais jovem da população, existindo ambos, de forma global, por carolice e voluntarismo dos seus responsáveis, colaboradores e actores, fugindo ao conhecido esquema de servir como fonte de lucros, tomando por opção utilizar o teatro como ferramenta de educação de crianças e adolescentes, conscientes de que este género de teatro desempenha um importante papel na sociedade actual.

Quer o Teatro Infantil de Lisboa, quer o Teatro Espelho Mágico, dão a conhecer, de forma lúdica, figuras e acontecimentos da história e da literatura universal, em textos originais de grandes dramaturgos, com adaptações e encenações cuidadas. Têm também o mérito, segundo a minha opinião, de estimular o gosto pela leitura, pelas artes performativas e de expressão plástica. Ambos, no fundo, praticam teatro infantil sem infantilidades…

Antigamente, teatro infantil era quase um termo pejorativo, marginalizado, como se fosse um género menor no seio do sempre estranho mundo do teatro. Hoje em dia já começa, merecidamente, a ser encarado como trampolim de formação, aprendizagem e aperfeiçoamento de crianças e jovens, sendo bem aceite este género de teatro como agente de educação na formação integral do indivíduo, possibilitando, cumulativamente, o acesso a um lugar de convívio social que o teatro lhes dá, merecendo da parte de algumas entidades oficiais e particulares mais abertas e esclarecidas, de, se bem que escassos, justíssimos apoios.

TEATRO INFANTO-JUVENIL ESPELHO MÁGICO

Ao Kim Cachopo, do Teatro Infantil de Lisboa, e à minha Amiga Céu Campos, presente também neste estúdio, responsável pelo Grupo de Teatro Espelho Mágico, de Setúbal, aqui deixo um sincero sentimento de solidariedade e um profundo agradecimento, em nome de todos os que gostam de se sentirem livres para melhor partilharem a verdadeira cultura popular, por tudo o que vêm fazendo em prol do nosso nem sempre bem compreendido teatro infantil. Teatro Infantil, expressão artística que o adulto também gosta!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

21/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 20 Junho

fmp @ 14:24



Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder?

POLÍTICA COM TODOS

Não pertenço ao clube de fãs do engenheiro Sócrates e também não sou daqueles que vê no senhor 1º ministro virtudes miraculosas. Muito menos acredito que tenha uma varinha mágica. Ou uma ideologia de esquerda, socialista, que sirva de base a uma alteração para melhor da vida dos portugueses. Se não o fez no passado, quando detinha uma maioria absoluta e tudo era possível, não o fará no futuro, certamente, mesmo que, sem maioria,  ganhe as próximas eleições legislativas.

Muitos socialistas têm-se insurgido, publicamente, contra o governo e as suas políticas. O PS é, efectivamente, um partido que tem raízes de luta anteriores ao 25 Abril de 1974 e ainda conta com centenas e centenas de militantes que perfilham dos verdadeiros ideais socialistas. Muitos destes militantes, creio, não votaram nas passadas eleições no independente candidato apoiado pelo Sócrates. De facto, o homem, Vital Qualquer Coisa, não conseguiu encher as medidas da maioria do eleitorado nacional, particularmente o socialista. Pessoalmente, não vi nele empatia, simpatia, ideologia, qualquer coisinha politicamente interessante que nos levasse a pôr a cruz junto ao símbolo do partido que o proponha. Mas lá foi para o Parlamento Europeu, era sabido, que Deus o proteja e ilumine, já que quanto a apoios, Sócrates vai continuar certamente a dar-lhe.

Depois duma derrota confrangedora, todos nós vimos o camarada José Sócrates, na televisão, em recente entrevista, a fazer o papel de pessoa humilde, sem arrogância, muito preocupado connosco, coitado, mas simultaneamente com um semblante vaidoso, muito satisfeito com o seu trabalho, conforme confidenciou, com aquele seu melhor ar de bétinho, santinho milagroso, cheio de razão, que a muitos, no passado, cativou, desconhecendo (ou não querendo saber), que mesmo no interior do seu partido, a decepção pegou de estaca e já há quem questione onde irá parar o Partido Socialista se Sócrates o continuar a liderar… Até porque consta que Sócrates nunca foi apoiado pela ideologia que defendia, mas sim porque, após ganhar o poder, ao tacho era retirada a tampa, e a rapaziada das palmadinhas nas costas tinha, supostamente, direito ao seu quinhão. Mas isto são coisas que se dizem…

Houve, efectivamente, uma direita vencedora nas europeias. Mas será que os portugueses querem mesmo uma direita vencedora no poder? Mas então e se Sócrates perder as próximas eleições, certamente perde também a serventia e, sem apelo nem agravo, mãos “amigas” partidárias se encarregarão de o pôr na prateleira e acabou-se a aventura. Mas ainda temos um outro cenário, que muitos dizem o mais certo, e que já está a preocupar os meios políticos nacionais: o que fará Sócrates se não alcançar uma maioria absoluta?

FERNANDO MANUEL PEREIRA

15/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS (13 Junho 2009)

fmp @ 16:23

NÓS, PORTUGUESES!

Pelos vistos, o Partido Socialista lá conseguiu ultrapassar a denúncia dos problemas do País e, mesmo com uma abstenção elevada, aguentou-se nas canetas. É certo que as sondagens saíram furadas e que durante a campanha ninguém se lembrou de falar da Europa, mas isto não conta para o orçamento, é coisinha de somenos importância. A oposição laranja, no íntimo, lá bem no íntimo, convencida que ia perder, mas perder por poucos, lá ganhou, eufórica, o milionário eurocampeonato, com um milhão, cento e vinte e tal boas almas a darem-lhe o voto da ordem. E todos nos lembramos que o PSD, com as mesmas carinhas larocas, em 2005, foi derrotado pelos eleitores por manifesta incompetência e má figura...

Quem apregoava que os portugueses iriam votar com o pensamento nas políticas do Governo, talvez tenha tido razão, mas não toda. No concelho de Setúbal, qual indomável aldeia resistente cercada por romanos malandrecos, o PS venceu nas urnas, criando sonhos e fantasias em cabecinhas pensadoras de alguma rapaziada xuchialista, carreiristas e boys, que já se vêem de colher na mão à volta do grande tacho autárquico, como se o partido existisse só para eles e para satisfazer as suas visíveis pretensões a grandes e refinados finórios, tentando por todos os meios afastar, ou abafar, os competentes e verdadeiramente dedicados à resolução (urgente) dos problemas dos cidadãos e da Cidade. 

 

 

Nesta bolha socialista, uma outra de natureza social-democrata, a freguesia de S. Julião, conseguiu aguentar-se nas curvas e, muito por culpa do ballet cor-de-rosa dum conhecido bicho-de-seda rosé, ficou como uma lança bem espetada neste horizonte rosa angelical, obrigando os colantes adiantados mentais a refazerem as suas contas de merceeiros bimbaços.

No rescaldo destas passadas eleições, os olheiros políticos que costumam roçar o traseiro pelas esquinas partidárias cá da terra, ou pelos bancos de alguns bares, mistura de pimpolhos com chungosos de plástico e ar de rufias underground, certamente a viverem numa realidade alternativa, garantem a pés juntos que a câmara de Setúbal, independentemente dos resultados das europeias, ou talvez por isso mesmo, vai continuar de certezinha nas mãos da CDU. Bem, não desfazendo nas Mayas e nos treinadores de bancada cá do sítio, quanto a prognósticos, todos nós sabemos que ninguém é perfeito…

Pelo meio temos um 1º ministro socialista que já garantiu que não vai mudar de política, afirmação que com toda a certeza em nada ajudará na recuperação do seu fugitivo eleitorado, quer nas lesgislativas, quer nas autárquicas, e uma oposição de direita que, embandeirada em arco (e o tempo está de feição) já se permite prometer milhentas coisas para nos tornar felizes e contentes, repetindo as mesmíssimas promessas com que sempre nos brindou e nunca colocou em prática sempre que esteve no governo. Neste doce farniente só gostava de saber como é que a oposição dita de esquerda vai descalçar a bota!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

08/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 6 Junho

fmp @ 11:31

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil (...)

SETÚBAL, O POLIS E A ZONA RIBEIRINHA

Em Lisboa temos a “guerra dos contentores”, pacíficas e feiosas estruturas que amontoadas impedem os cidadãos de gozarem a pacatez do Tejo e, em simultâneo, arejarem a vista. O movimento de cidadãos que se constituiu para impedir este atentado, parece ter chegado a um consenso com as partes envolvidas na demanda e em lugar dos contentores a zona irá ser aproveitada  para a construção de uma área de recreio e lazer.
Em Setúbal, a frente ribeirinha para usufruto do comum mortal é absoluta e vergonhosamente escassa. Limita-se à área do chamado “Jardim da Beira-Mar”, a meia dúzia de metros entre o Clube Naval e a Lota, cheirosa zona onde desagua um cano de esgoto,  e lá mais para o fundo o Parque Urbano da Albarquel, recentemente inaugurado e gritantemente incompleto.

Há muito que os setubalenses sonham com uma zona ribeirinha de qualidade, um espaço aberto e sem barreiras ao longo do seu lindo rio, com zonas de lazer e correctos equipamentos de apoio. Têm agora os habitantes da cidade oportunidade de reivindicarem a concretização deste antigo anseio. Está em discussão pública deste o passado dia 23 de Maio e até ao dia 22 do corrente, o Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Setúbal. Trata-se de um importante plano para a cidade que deve merecer da parte de TODA a população a mais viva atenção e uma grande participação. Todo este processo pode ser consultado na Sociedade Polis ou na Câmara Municipal.

De entre todas as propostas apresentadas, sobressai uma: está prevista a criação de TRÊS edifícios mamarrachos na área compreendida entre o Parque Urbano da Albarquel e as instalações onde os pescadores guardam os seus apetrechos, implantados paralelamente ao rio e a menos de 10 metros do espelho de água, numa extensão, cada um, superior a 100 metros e com QUATRO pisos de altura, criando assim uma autêntica barreira arquitectónica, uma muralha de betão certamente muito aplaudida pelos patos bravos e pelos especuladores imobiliários, mas que impede o desejável relacionamento da cidade com o seu rio Sado de águas mansas. Estes três lotes já estão a ser publicitados para venda sem que o Plano de Pormenor tenha sido aprovado…

Os setubalenses têm que contestar tal projecto e travar o impacto ambiental e paisagístico que a construção dos TRÊS edifícios vem trazer à zona ribeirinha. Não podemos ficar alheados desta obra imbecil, abençoada pelo Polis e pelo Município, deixando que prédios privados ocupem áreas que deviam ser para todo o sempre públicas, nem que seja necessário criar um forte movimento cívico contra este espalhar de betão que parece continuar a ser recorrente na cidade de Setúbal...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

01/06/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 30 MAIO 2009

fmp @ 12:04

UM TEATRO DE CAUSAS

Após a sensacional estreia no Festival da Canção Infanto-Juvenil de Palmela, o Grupo de Teatro Espelho Mágico, com a sua recente e magistral peça O Beco dos Vira-Latas, passou por Fátima, Almada, Setúbal, sempre ao som de milhares de palmas e gritos de “bravo”, saídos de diversificadas plateias que, todas contabilizadas, ultrapassariam facilmente os 15 milhares. É obra!!!  É obra, mas não causa nenhuma admiração, muito menos dúvidas, naqueles que têm vindo a apostar neste grupo, um dos poucos que podem ostentar com justiça o verdadeiro rótulo de “teatro para crianças”, quer assistindo ao seu magistral desempenho, quer apoiando monetariamente, a tempo e horas, este projecto teatral que se orgulha do caminho (bem) percorrido, maugrado alguma indiferença da parte de alguns agentes políticos que deveriam preocupar-se mais com o conteúdo cultural e social e não única e exclusivamente com supostas cores partidárias.
Sempre numa comunicação directa com o público, este grupo teatral didáctico e lúdico, preza-se de trabalhar textos de autores e temáticas sempre actuais, muitas vezes com humor e sarcasmo, outras utilizando a ironia e o paralelismo para vincar e levar-nos a interiorizar temas sociais muitos sérios. Penso que este grupo teatral pratica um certo conceito de liberdade em movimento, sem preocupações com questões ligadas a preconceitos e discriminações. É um projecto teatral que se renova, por mérito dos seus actores, pequenos e mais crescidos, com suportes musicais e encenações de encantar e reter. É também um teatro de mobilização pela diversidade…

 

Dizem-me agora terem tido o convite,  que aceitaram, para actuarem num presídio. O Espelho Mágico alia-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, oferecendo o espectáculo de teatro infantil “A magia das cores”,  aos filhos dos reclusos do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal.
Esta mudança de palco do Grupo de Teatro Espelho Mágico é certamente mais uma experiência bem conseguida e é, simultaneamente, também uma forma de falar de respeito, respeito a que todo o ser humano tem direito, mesmo os privados de liberdade.
Numa altura em que tanto se fala de humanismo, o Espelho Mágico levando o teatro dentro duma prisão, coloca em prática aquilo que muitos prometem e não cumprem, ou porque não querem ou porque não conseguem: solidariedade e fraternidade.
É por estas e por outras que, pessoalmente, estou sempre livre para colaborar com o Espelho Mágico e apelo a responsáveis políticos e instituições governamentais ou outras que não enjeitem apoios a este grupo de teatro infanto-juvenil, porque verdadeiramente merece ser ajudado quem os outros ajuda!


FERNANDO MANUEL PEREIRA

24/05/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS, 23 Maio 2009

fmp @ 12:26

Nestas ocasiões os políticos, à direita e à esquerda, aproveitam-se para contabilizarem mais uns votos, dizendo meia dúzia de bacoradas e de lugares comuns para uma câmara de filmar, sem contudo avançarem soluções(...)

A BELA VISTA E AS AUTÁRQUICAS

Os acontecimentos ocorridos em Setúbal no já tristemente célebre Bairro da Bela Vista ocuparam, durante alguns dias, em lugar de destaque, as páginas da comunicação social e ainda vão servindo para as mais díspares opiniões. Célebre ficou a da actual edil do município setubalense, Dores Meira, que disse  a um canal televisivo que “os jovens reagiram emotivamente à morte de um amigo”. O reagir emotivo dos jovens foi  atacar à pedrada, com cockteils molotov , com petardos e a tiro, as forças de segurança de um país democrático… Enfim, opiniões!...

Este bairro começou a ser (mal) falado em 1999, quando um grupo de miúdos praticou uns assaltos na CREL. Depois, em 2002, aquando de um desentendimento no próprio bairro entre um  jovem e um polícia, um outro jovem, que por acaso até colaborava com uma associação,  tentou apaziguar a confusão e foi morto por uma bala de borracha.  Presentemente, dizer que se é da Bela Vista é no mínimo levar com olhares de desconfiança, esquecendo que nem tudo lá é mau, nem todos os moradores são do pioriu.

Nestas ocasiões os políticos, à direita e à esquerda, aproveitam-se para contabilizarem mais uns votos, dizendo meia dúzia de bacoradas e de lugares comuns para uma câmara de filmar, sem contudo avançarem soluções. É a pura e censurável exploração da crise e dos problemas das pessoas.

É por tudo isto que fiquei admirado com a ousadia e sensibilidade demonstrada pela candidata socialista à Câmara de Setúbal, arquitecta Teresa de Almeida, que por acaso até já morou no Bairro mais mal afamado da cidade,  quando tornou público um importante programa de intervenção que contem as linhas mestras do que pretende fazer quando for presidente da Câmara de Setúbal.

Um dos projectos diz respeito aos bairros. É um projecto de esperança e virado para o futuro., com quatro vectores essenciais, a saber: Reorganizar, Recuperar, Reequipar e Reintegrar. Sucintamente deixamos alguns exemplos: Reorganizar as políticas municipais de forma a articular as prestações de serviços sociais existentes; Recuperar edifícios das áreas urbanas mais sensíveis e tornando estas áreas como áreas prioritárias a Reequipar com escolas, centros de saúde, centros culturais e outros equipamentos. Reintegrar a cidade no seu todo, assumindo os problemas de segurança como assuntos dos setubalenses e defender os valores da segurança e tranquilidade para toda a cidade.

É um projecto ambicioso mas um projecto que já captou o apoio de centenas de cidadãos esclarecidos e preocupados com a sua terra. É também um desafio que deve envolver todos os cidadãos responsáveis, porque “os valores da segurança e tranquilidade são também fulcrais para a nossa vida em comunidade”. E os setubalenses estão esfomeados de alguém que tenha paixão por Setúbal e que ponha um ponto final ao manifesto desinteresse e à incontestada incapacidade que o actual executivo camarário tem em gerir a sua cidade.

FERNANDO MANUEL PEREIRA

17/05/2009 GMT 0

CRÓNICA ARESTAS DE VENTO

fmp @ 12:35

E também circula o boato de que um certo partido político tem uma gravação vídeo feita durante um jantar, onde aparece um vereador CDU a dizer cobras e lagartos da presidente Dores Meira(...)


PEDRO NAMORA A PRESIDENTE


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Começa a ser escaldante o ambiente político na capital do distrito de Setúbal. São já conhecidos os candidatos de cinco partidos políticos ao cadeirão municipal, mas o que legendou a semana política prestes a terminar, foi o anúncio feito por um conhecido comunista que tem dado a cara em defesa dos meninos abusados na Casa Pia e que, de forma geral, tem estado sempre presente no combate nas grandes causas da cidadania.

PEDRO NAMORA fez ruir o Carmo e a Trindade quando declarou ir candidatar-se à Câmara de Setúbal com o apoio do Partido Popular Monárquico, (o mesmo que apoia candidatos fascistas italianos) e que em Portugal não passa de um pequeníssimo partido com pouca expressão política e eleitoral. Cabe dentro de uma caixa de fósforos…

Percebe-se que Namora pretende aproveitar-se do PPM para continuar a proferir gordas acusações à transitória presidente Dores Meira, na tentativa de lhe escangalhar a campanha eleitoral e, objectivo final, contribuir para a sua derrota. 

Pedro Namora foi director dos Recursos Humanos na Câmara de Setúbal e é indiscutível que os funcionários têm por ele grande consideração, realçando-lhe os dotes de chefia, a competência e a facilidade que tem em fazer amigos. Dores Meira, quando se agudizaram as diferenças entre ambos, particularmente quando Namora optou por ficar ao lado dos trabalhadores num processo de contestação à presidente, foi por esta imediatamente afastado das funções e nem um abaixo-assinado a seu favor dos funcionários do departamento  que chefiava, lhe valeu.

A decisão de concorrer contra a candidata escolhida pelo seu ex-partido, não passa de uma vingança servida fria e muito bem pensada. Namora é inteligente e sabia perfeitamente que seria logo acusado de traidor, revisionista, filho da mãe e outros mimos com que a rapaziada do PC costuma premiar quem se afaste do “bom caminho”. Há dezenas e dezenas de exemplos: Fernando Tordo, Vital Moreira, Xico da CUF, Carlos de Sousa, são apenas alguns.

Conheço muitos comunistas filiados no PC de Setúbal que não vão votar Dores Meira nas autárquicas deste Outono. Preferem acreditar na experiência e competência da candidata socialista Teresa de Almeida, na sua maioria, e Bloco de Esquerda. Se houver mais de 50 votos (e isto no caso de Pedro Namora não desistir à boca das urnas…) no PPM, esta votação pode ser considerada uma grande vitória do partido cujo presidente garante festivaleiramente  ser  “um partido popular, comunialista e ambientalista”.

Os grunhos que aparecem nestas alturas, já andam a dizer que se a CDU perder a maioria ou mesmo a Câmara, Pedro Namora é o grande responsável. Pelo menos uma desculpa já por aí circula em jeito de intimidação… E também circula o boato de que um certo partido político tem uma gravação vídeo feita durante um jantar, onde aparece um vereador CDU a dizer cobras e lagartos da presidente Dores Meira…

Como podem ver, é neste escaldante ambiente político que Pedro Namora anunciou a sua candidatura contra a candidata escolhida pelo PC. Lá que foi preciso muita coragem, lá isso foi. Assim como ninguém acredita que Namora, pelo facto de ter apanhado boleia do PPM, tenha, de um dia para o outro, deixado de ser comunista

FERNANDO MANUEL PEREIRA

01/05/2009 GMT 0

CRÓNICA (2 Maio)

fmp @ 21:52

Aproveito para agradecer ao velho amigo Ricardo Cardoso, à grande senhora Céu Campos (verdadeiras almas deste acontecimento), à Câmara de Palmela, na pessoa do meu amigo Adilo Costa (...)


QUANDO O 13 É NÚMERO DE SORTE


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Fernando Manuel Pereira e alguns trabalhos plásticos da sua autoria a expor, dia 3 de Maio, no 13º Festival da Canção Infanto - Juvenil de Palmela

Como tem sido amplamente noticiado por diversos meios de comunicação social, o Programa Arestas de Vento e o Grupo de Teatro Espelho Mágico, vão realizar já no próximo dia 3, o 13º Festival de Palmela da Canção Infanto-Juvenil, evento que de ano para ano (e neste parece ter rebentado a escala) vem ganhando mais e mais concorrentes, mais colaboradores voluntários e mais espectadores, abrindo assim, segundo me parece, um novo ciclo na área artística e cultural do Concelho, do Distrito e, muito provavelmente, a nível nacional.

Este evento, em boa hora apoiado pelo município local e por duas juntas de freguesia do concelho de Palmela, conta também com o apoio do Governo Civil de Setúbal (onde se encontra uma Governadora Civil que sempre tem apoiado a Cultura), pelo Inatel (que melhor deveria olhar para este Festival, com lentes de ver ao perto) e entidades particulares, como é o caso da Cáritas Diocesana de Setúbal .

Nos primeiros contactos que tive com o Grupo Espelho Mágico, uma das componentes deste Festival, fiquei impressionado com a forma simples como ocupava as crianças, dando-lhes outras opções, além da rua, da TV e da Internet. Foi com agrado que fui observando e entendendo o desenvolver do lado artístico dos pequenos actores e testemunhando a forma como recebiam, da parte dos coordenadores, orientações sublimares sobre os malefícios das drogas, do álcool, de comportamentos sociais incorrectos e censuráveis. Lembro-me de uma mãe que um dia me confidenciou que a filha, depois de ter ingressado no Espelho Mágico, até passou a ter notas melhores na escola… Este exemplo, por si só, leva-nos a reflectir sobre questões morais e sociais e é mais uma razão para que este grupo cénico tenha os apoios que merece, por mérito próprio e não pela cor das opções políticas dos seus responsáveis, independentemente de quem esteja no poder.

Mas não pensem que este grupo só se preocupa com a juventude. Alguns adultos encontram aqui um ombro amigo para chorar desditas e desabafarem o que lhes vai na alma. É o outro ângulo da pedagogia educativa do grupo de teatro que consegue rectificar, e tantas vezes moldar, um ou outro comportamento menos sociável, já que todos têm que ser exemplos para todos e não pode haver uma pequenina erva daninha a destoar no trigal.

Pela parte que me toca, é com imenso agrado que mais uma vez participo neste Festival, quer com uma composição em parceria com o meu amigo maestro Augusto Rodrigues, quer com uma mostra de pintura em tela, que irá ser inaugurada no intervalo do Festival. Aproveito para agradecer ao velho amigo Ricardo Cardoso, à grande senhora Céu Campos ( verdadeiras almas deste acontecimento), à Câmara de Palmela, na pessoa do meu amigo Adilo Costa, e aos amigos presidentes das Juntas de Freguesia de Palmela e Marateca, Fernando Baião e Faustino Santos, pelos apoios e incentivos concedidos e pela forma desempoeirada como entendem e apoiam na prática a Cultura Popular, no caso vertente, o Festival da Canção e todas as actividades que o enfeitam. Para todos, o meu sentido OBRIGADO!

FERNANDO MANUEL PEREIRA

26/04/2009 GMT 0

CRÓNICA

fmp @ 15:55

Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta(...)


TODOS TEMOS UM SONHO …



Também eu tive um sonho, há 35 anos atrás… Sonhei com um país livre, democrático, igualitário, solidário, sem pobreza, sem desemprego, sem fome, com habitação digna e ensino para todos. Quando em Novembro de 1975 a direita deu o golpe militar que pôs fim à influência da esquerda militar dita radical, senti sorrateira comichão no nariz. A coisa já não me cheirava muito bem. O “Verão Quente” foi-se diluindo, diluindo, os políticos à pressa e mal amanhados viram a oportunidade e, como caracol em dia chuvoso, começaram a pôr as antenas de fora, a apalpar, a apalpar, assobiando para o lado para não se dar logo por eles, a rapaziada do carcanhol que tinha dado de celáides e estava a banhos de leite e mel ou em Espanha ou no Brasil, já arriscava um tímido sorriso, a coisa compunha-se, era só ter mais um pouco de paciência, qualidade que, bem o sabemos, todo o bom capitalista se preza de possuir desde pequenino.



E o raio do meu sonho a ficar pendurado, como anel no prego do prestamista. Mas eu, casmurro como o meu avô carroceiro, ou melhor dito como a mula que o transportava de vez em quando encavalitado na lombeira, não deixava de refazer o sonho com esperanças ocasionais que o dia a dia encalhava nas páginas dos jornais nacionais, lidos ávida e minuciosamente. Os anos foram passando e nós a vê-los de regresso, o capital e a rapaziada da pide que passou, coitada, a vida em postos fronteiriços e até tinha o higiénico desconhecimento do que se passou em Peniche, em Caxias e na sede da pide lisboeta; torturas, prisões ilegais e mortes não tinham lugar nas suas memórias, a regressar ao seu lugar ao sol, que a nossa costa atlântica é comprida e as nossas costas largas.  Refizeram-se fortunas, as cooperativas, depois de democraticamente espremidas voltaram para os sacrificados agrários, as fábricas para os anteriores donos, os sinos voltaram a tocar as matinas e os padres respiraram mais aliviados no interior das suas batinas. O comunismo começava a caminhar ao pé-coxinho, abre núncio, te arrenego! Na ponte, valha-nos isso, o novo nome – 25 Abril - continuava sem mudança…

Mas o sonho persistia, tijolo a tijolo. Ainda acreditava no tal país que coloria a minha íntima esperança, mas agora mais comedidamente, quando no passado era à lagardère. Os ventos não estavam de feição, navegava-se à vista, os políticos e seus serventuários eram mais escolhos do que velas e a realidade amarga instalava-se neste nosso rectângulo, como se fosse faca cortando pensamentos revolucionários que um dia acordaram e pensaram subsistir para sempre. Era um sonho generoso mas ingénuo, pelos vistos…

Bom, agora já sabemos onde isto tudo foi parar. Milhares de desempregados, dois milhões de pobres, manifestações monstras de punho erguido desafiando quem tinha a obrigação de nos proteger e não quer ou não consegue. E a revolta do povo a vir ao de cima, ou de cima…

Mas não tenho emenda. Continuo a sonhar. A sonhar com o tal país que o nosso povo merece! A sonhar sempre, até ao fim. Sou um incorrigível sonhador!...

FERNANDO MANUEL PEREIRA

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